A Agonia que é Viver

32 Quando você decidiu escapar.


Quem não quer escapar dessa sociedade imunda?

Fugir como um rato, para um canto menos sujo,

Na angústia escondido,

Para não ser pisado, explodido,

Como um carrapato.

No dia que ele decidiu escapar,

Se deixou pelos sonhos levar,

Viajou pelas estrelas,

Para um lugar lindo,

Que não existia.

Ele dançava com a morte, tão atemporal,

Ela, no futuro, já o observava,

Pobre animal.

“Ele não sabe o que lhe espera”,

Ela pensava.

“Se continuar assim, vai cair em um bueiro,

Tão cego, coitado, vivendo nesse desespero.”

Mas quem seria tão cruel,

Tão ignorante,

Para culpá-lo de fugir dessa sociedade tão angustiante?

É viciante.

Mas no fim, ele continuava sendo um rato,

Dançando com a morte,

Se transformando em um carrapato.

Eu nunca li A Metamorfose,

E tais parágrafos que nunca li,

Falam comigo todos os dias.

Um rato ou uma barata, não importa.

Existem semelhanças entre nós,

Em nosso sofrimento,

Em nossa angústia idiota.

A paz de olhar por uma janela,

Sentindo o vento,

Olhando para um céu com poucas estrelas,

Cobertas de fumaça,

Nossa impureza.

Como não escapar dessa sociedade excruciante?

É viciante.