A Agonia que é Viver

8 O sangue que escorre.


Em meu corpo

Eu sinto

Algo que sempre senti

Mas só percebo agora

Depois que lutei

Depois que desisti

Existe um ciclo que eu persigo

Comportamentos repetidos

Não encontro a saída

Pois atrás da porta

Há o fim do infinito

Tenho medo de encontrar

Respostas que me salvem

Sempre que me olho no espelho

Vejo a corrosão, do meu coração

Aberto em meu peito

Uma eterna bad trip

Uma eterna viagem

O sangue escorre

E ninguém parece ver

Hábitos que carrego

Que me machucam

Mas é difícil perceber

Me guardo dentro de um casulo

Dentro do conforto da dor

Ela me conhece tão bem

Enxerga o sangue

(Mas é claro, ela que o causou)

Não quero sair

Não me tirem daqui

Me mantenho doente

Em contradição

Sempre que tento fugir

Ouço o meu coração

Meu coração ou o ego?

Que me traz palavras ruins

Ele sequestrou meu coração

Minha mente, pulmão, e afins

Tudo que ele diz eu escuto

Meu guia, meu líder oculto

Ele estava lá

Quando tudo aconteceu

Ele viu bem de perto

Quando a minha infância morreu

Uma morte tão cruel

Será que posso lhe culpar?

O ego viu tanta coisa

Que já cansou de chorar

Hoje ele me defende

E quando cansa, me deixa sozinha

E chega o vazio

Que me deixa só, perdida e vazia

Me faz buscar tudo

Para o preencher

Falsos prazeres

E coisas nocivas

Que me fazem adoecer

E de repente

O vazio já não incomoda

Foi preenchido com uma nuvem

De euforia ou calma

Não importa

Tudo isso para dizer

Que o sangue continua

A descer, escorrer

Mas o ignoro

Assim como os outros fazem

Aprendi a ser humano

A contornar a dor

Enquanto os laços

Se desfazem