A Agonia que é Viver

20 Árvore das lágrimas.


Uma vez abracei uma árvore

E chorei

Só quem sente entende

Quem não entende não sente

Senti que a conheci

Há milhares de anos atrás

As dores dela eu senti

Ou será que eram as minhas que ela sentia?

Naquele dia iluminado

O sol estava diferente

Deixava tudo bonito

Só quem sentiu entende

Abraçada em seu corpo firme

Inundada de amor

Senti uma compaixão diferente

Um tipo diferente de dor

Há conheci em vidas passadas

Aquele não era o primeiro abraço

Era um reencontro de almas

Já existia um laço

O oxigênio que ela vinha me provindo

Em todos esses anos

Finalmente fez sentido

Em primeiro plano

Palavras não foram necessárias

Para a mensagem eu entender

Eu, ela e suas raízes

Nada era preciso dizer

Descobri que a vida é muito simples

Mais simples do que eu imaginava

Isso tudo foi ela quem disse

E em meu peito, uma euforia culminava

Árvore das lágrimas

As minhas

Regando suas raízes

Encosto minha testa em seu tronco

Respiro fundo, sentindo o aroma de terra

Minha família era ela

Quem não sentiu, não irá entender

Era preciso estar lá

E em silêncio, tudo dizer

Notas finais
x poema sobre o dia que eu comi cogumelos mágicos e abracei uma árvore x