A 36ª Divisão
2 Cap. Extra
Dirlewanger foi ferido durante a guerra, o mandaram para retaguarda onde foi surpreendido, totalmente alcoolizado, por franceses. O levaram até um local desconhecido por Oskar, este culpava a bebida pela falta de localização, havia consumido até a bebida de seus companheiros de trincheira, havia consumido drogas que não sabia se havia usado de forma correta, até porque, acreditava que morreria, e iria, não faria diferença.
Dirlewanger passou por cuidados médicos, todos falavam francês, não entendia uma palavra, seus exames e avaliações recebiam suporte de um tradutor, mas este não respondia nenhuma pergunta, mesmo após dias, semanas, estava sem saber sua localização, não conseguia nem mesmo supor um local, apareciam diversas suposições que poderiam indicar o contrário, então desistiu e ocupou a mente com suposições do corpo nu de uma mulher de cabelos róseos, lhe parecia mais divertido, achava-a mais bonita que a garota, sabia pouco a seu respeito, mas sabia que era casada com um alemão, e tinha uma filha, havia visto numa pequena foto que a mesma deixou cair enquanto ele a liberava de sua tentativa de estupro frustrada, sentiu o corpo ser tomado por raiva e ciúmes, não queria dividir aquela mulher, não iria, se esbarrasse com o desgraçado o jogaria sobre o feno umedecido com qualquer inflamável e o queimaria como um maldito judeu, não seria difícil, já havia feito diversas vezes, mas antes faria com sua filha para que o mesmo assistisse como uma prévia, não iria aceitar uma cria dos dois, não sua doce rosada com aquele alemão imundo. Deitado sobre a grama, sendo pego aos poucos pelo cansaço, com o corpo torto e cheio de dificuldades, uma respiração pesada pela boca, puxou o canivete e desferiu golpes sobre a fotografia, e ainda cansado, arrastou a lâmina sobre ela, a cortando em diversos pedaços, os menores eram carregados pelo vento por alguns metros, Oskar apertou os restos em sua mão e encarou a luz amarela da fogueira, iria queimar aquela imagem assim como faria com aquele homem, mas o cansaço da bebida o alcançou e a cabeça repousou sobre o mato.
Numa manhã de céu mais aberto, foi levado para fora do cômodo, continuou sem saber onde estava, entrou em um carro francês e seguiu por alguns quilômetros. Por não conseguir entender uma única vírgula, Oskar desistiu de ler as placas, se houvesse voltado atrás de sua decisão, saberia que já estava em um outro território. Após a viagem ter tido 2 pausas, uma troca de motorista, alguns guardas, sem seu conhecimento, atravessaram a Polônia com mais 1 carro atrás do que o levava.
Dirlewanger se espantou ao reconhecer uma palavra, achou que houvesse sido impressão, talvez seja uma dessas palavras de outros idiomas que parecem com os nossos, porém veio outra, e outra, Dresden, Mittweida, Zwickau, Plauen, Nuremberga, Heidenheim.... Estava novamente na Alemanha, sua mente ficou confusa, será que haviam o negociado? Havia esperança então? Ficaria vivo? O carro reduziu a velocidade até parar na prisão de Altshausen, as portas se abriram, e o desceram, olhou em volta e reparou no carro de trás, viu cabelos e olhos negros de relance, as portas do outro carro se abriram, Oskar protestou, parou de mexer as pernas e jogou o corpo para trás; seria aquele homem? A rosada estava viva?
— Quem é ele? Eu perguntei, quem é ele? QUEM É AQUELE DENTRO DO OUTRO CARRO? SE FOR AQUELE DESGRAÇADO EU JURO QUE O MATO! VOCÊ ME OUVIU!? EU VOU MATAR VOCÊ!
Continuou a ser arrastado para dentro, mas não desistiu dos protestos, iria atrasar sua caminhada pelo corredor até o infeliz entrar por aquela porta e ouvir mais de seus gritos, porém, após alguns passos, o moreno entrou, pele pálida, cabelos mais curtos do que o homem da foto, e mais escorridos também, o olhou sem emoção e seguiu pelo corredor, dando espaço para que um loiro de olhos azuis desconfiados entrasse, seguido de um moreno de rabo de cavalo e mais alguns homens, os ouviu sussurrar, o eco do corredor com alguns passos não o deixava entender o que diziam, olhava para suas bocas, mas devido sua posição desfavorável, não conseguia entender.
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Passaram do corredor, o deixaram em um escritório no final do corredor do segundo andar, era uma bonita sala, desconfiava de se poderia pertencer ao próprio Adolf, era grande toda revestida de madeira bruta, uma enorme janela cuja luz era ocultada por uma cortina bege, mesa e cadeira ficavam na outra extremidade, pareciam ter sido colocadas lá recentemente, havia muito espaço aberto, apenas uma cadeira no centro, o colocaram sentado com os braços para trás, saíram deixando a porta quase fechada, o silêncio era pesado, o máximo que ouvia eram passos distantes pelo corredor.
Após, o que pareceu ser algumas horas, a porta novamente foi aberta, e dessa vez, o homem da fotografia entrou, diferente de todo o show que dera na porta, Oskar ficou em silêncio, observava o homem andar até a mesa com uma maleta, e a deixar por cima da mesma, depois voltou-se até Dirlewanger, que o encarava com ar abobalhado, em sua mente, não entendia porque homens como ele podiam ter mulheres como aquela e ele não, não via diferenças. O moreno passou por trás da cadeira, a inclinou para trás, apoiando somente nas pernas traseiras e arrastou a cadeira com Oskar para frente, se aproximando da mesa.
— .... Conheci sua amiga, Ilse Koch... – ouviu Dirlewanger rir.
— Se vingando pelos dedos quebrados e o frio que sua mulher sentiu?
— Então sabe quem eu sou.
— Sim, mas não sei seu nome.
— Sasuke.
— Ahh, nome diferente... – sorriu – me lembro desse nome, ela gemeu enquanto eu me divertia, achei que ela falava algum tipo de impropério em outro idioma, sabe como são essas judias, não? Fode tão bem assim para que ela pudesse confundir? – A cadeira parou de ser arrastada e Sasuke seguiu até a maleta abrindo-a.
— Como eu estava dizendo... – O moreno saiu da frente da maleta, agora aberta, revelando diversas ferramentas de cortes, martelos, furos. – Conheci sua amiga...
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A porta de um escritório, similar ao primeiro, porém mais mobiliado e aconchegante se abriu, o moreno alto entrou e fechou a porta atrás de si, as mãos estavam avermelhadas, o rosto estava cansado e com uma fina camada de suor que aos poucos secava no clima frio da Alemanha.
— Até que enfim, mesmo com aquela espessura de parede, acústico, dava para ouvir os gritos daqui. – O loiro se manifestou.
— Li certa vez que gritar ameniza a dor física, cogitei ir até lá para recomendar amordaça-lo, mas temi atrapalhar, se já terminou, posso mandar que limpem tudo. – Sasuke somente meneou a cabeça afirmando e Sai foi até a mesa, pegou o telefone e deu as ordens em voz baixa.
— Sasuke, pretende fazer algo mais? Retalhar o corpo do desgraçado e dar aos porcos? Eu recomendo que termine logo, a prisão não é o local mais apropriado para uma criança de 7 anos, mesmo Sarada estando em uma área separada com Hinata, bom, não servimos mais a eles, ela não precisa se acostumar com o que nós tivemos na idade de...
— O que é esse papel? – Interrompeu Sai, não havia parado de olhar para as mãos de Sasuke desde que o mesmo entrou, havia percebido que ainda parecia estar lacrado.
— Ele dizia ter enterrado na terra de ninguém na Bielorrússia, mas estava com ele... – Sasuke encarava o papel em suas mãos, assim como Naruto e Sai.
— E o sobre o que é? – Naruto desviou o olhar para Sasuke.
— Sakura quem escreveu.... Não sei se quero ler, não quero uma despedida. – Sasuke colocou a carta em cima da mesa e se retirou mesmo sob os protestos de Naruto, que só se silenciou quando a porta foi fechada, o loiro prontamente pegou a carta e começou a abri-la.
— Você não deveria fazer isso, não lhe diz respeito. – Sai observava com vontade de impedir.
— É sim, Sakura era amiga de minha esposa e esposa do meu melhor amigo.
— Sasuke não quer saber do conteúdo dessa carta.
— Mas eu quero!
Naruto encarou Sai com uma careta birrenta enquanto abria o envelope, e só desviou o olhar quando a carta estava desdobrada e pronta para ser lida. Seus olhos, antes correndo a linha numa curiosidade preguiçosa, ganhou velocidade, sua boca se abriu, levando suas feições a características de espanto.
— Sai... Chame Sasuke...
— Naruto, ele já disse que quer.
— AGORA SAI! – Naruto se levantou abruptamente, a cadeira rangeu e foi arrastada para trás num ranger que arrepiou Sai. – Sai, aqui ela diz que se sobreviver, fará de tudo para ir à uma fábrica em Cracóvia, há rumores de que uma fábrica na Polônia a brigava judeus, ela pode estar lá!!
— E se não estiver? Se Sasuke ficaria enfurecido por você abrir a carta, nunca mais olhará para sua cara se lhe der falsas esperanças.
— Tudo bem, me certificarei antes, mas Sasuke precisa saber, estando ela viva... –pegou o telefone, discou alguns números e colocou ao ouvido – ou morta, e se eu receber a pior das notícias, Sakura merece ser enterrada e Sarada merece um local para visitar a mãe... Nara, preciso de um carro e alguns homens, seria bom se você me acompanhasse... à Polônia, Crocóvia, irei procurar por Uchiha Sakura... Não, Sasuke não irá, e é melhor que não saiba por enquanto, senão ele me arranca as pernas e me faz voltar rastejando de volta... Hoje mesmo...obrigado. Sai, preciso que fique aqui no meu lugar, se perguntarem, fui chamado para lá, deixarei a carta no meu cofre, mas acho que Sasuke não vai se interessar.
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— Podemos ir à casa do tio Itachi e da vovó? Sinto saudades dos biscoitos. — Disse quanto desenhava (o quanto suas habilidades permitiam) um rosto feminino de enormes olhos verdes.
— Informarei a ele sobre isso.
— Não, papai! O senhor entendeu! Também sinto saudades do tio e da vovó, mas é que desde que voltamos para casa eu não o visitamos, fui pegar biscoitos no armário e lembrei dos que o tio faz. – O telefone tocou e Sasuke se levantou — Sabe, noite passada sonhei com uma mulher, ela era bonita, tinha um sorriso simpático, usava luvas brancas e me dava um abraço que me senti esquentar por dentro, o mais engraçado é que ela tinha o cabelo de cor diferente...
— Tudo bem, vá se arrumar e iremos... Uchiha Sasuke...
Sarada, sem se importar de ter sido interrompida, afinal, visitaria o tio, lá poderia contar aos dois enquanto enchia a boca de biscoito, isso se pudesse falar, riu com o pensamento. Foi até seu quarto, separou roupas de frio, o dia estava bem cinza, apesar de ainda ser de manhã, se vestiu, foi até a porta, mas voltou em seguida até sua cama, não queria deixar sua boneca sozinha novamente, havia passado dias fora, iria recompensar levando-a para comer biscoitos também. Seguiu até o final do corredor e desceu as escadas, ao chegar à sala, seu pai não estava e o telefone se encontrava em seu local de repouso, foi até a porta para ver se o mesmo a esperava, mas ainda estava fechada, resolveu ir até a cozinha antes de subir as escadas novamente, também se encontrava vazia, bom, deve ter ido até a biblioteca, seu pai tinha o costume de levar livros para sua avó, mas ao passar pelo quarto de seu pai, viu pela brecha da porta uma pessoa sentada, Sarada voltou devagar para olhar melhor, era seu pai sentado à beira da cama, estava com os cotovelos apoiados por cima das pernas, suas mãos pálidas, extremamente trêmulas, cobriam o rosto, suas lágrimas desciam entre os dedos e escorriam pelos braços, Sarada sentiu se formar em sua garganta, nunca havia visto o pai daquela maneira, seus próprios olhos encheram-se de lágrimas, se pudesse, pediria à mulher que apareceu em seus sonhos para abraça-lo, aquecer aquele homem que chorava como um menino, então entendeu o que aquele sonho poderia estar querendo dizer, soltou a boneca que caiu no chão, abriu a porta e correu para abraça-lo.
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Não entendeu bem o que acontecia, seu pai simplesmente disse que não poderiam mais ir à casa de seu tio mas disse que não precisava se preocupar que logo voltariam e ele a levaria até lá, arrumaram uma mala pequena com algumas roupas e aguardaram em silêncio na sala, até que um carro apareceu na porta, entraram e seguiram por horas, com uma pausa ou outra para comer, e continuaram seguindo, algumas paradas depois as pessoas ao redor falavam um idioma diferente, não conseguia entender nenhuma palavra, voltaram para o carro e seguiram pela estrada, brincou com sua boneca o quanto o carro permitia, quando chegaram a um local enorme, com alguns dizeres em alemão, na porta estava um loiro e um moreno de pé aguardando, conhecia o loiro, mas o moreno havia somente visto algumas vezes.
Seu pai a ajudou a descer do carro, sem muitas conversas, trocou poucas palavras com Naruto, a única informação nova, era que o outro moreno se chamava Nara, andavam de forma que Sarada quase não podia acompanhar, tropeçando, vez ou outra, seguiram até um enorme pátio e subiram uma escada de ferro que dava em uma sala espaçosa, cheia de livros, um pouco bagunçada, com caixas abertas e fechadas em todos os cantos, uma pessoa sentada de frente para a mesa se levantou e virou-se em direção a eles, era uma mulher de enormes olhos verdes e cabelos rosados, ela tirou o casaco pesado dos ombros deixando-o cair no chão enquanto Sasuke havia soltado a mão de uma garotinha surpresa e ia abraçar a mulher que retribuiu o abraço de imediato, o corpo de seu pai ocultou quase por completo a mulher, só podia ser visto as mãos sem força cobertas por uma luva de tecido fino, quando seu pai deu uma curta distância, revelou seu rosto novamente banhado em lágrimas, segurou o rosto da mulher e encostou sua testa na dele enquanto respirava fundo e rapidamente, quando Sarada denunciou sua presença ao segurar sua boneca com as duas mão, Sakura olhou para ela, a garotinha, ainda tão pequena, estava muito maior do que se lembrava, foi até ela rapidamente, mas ao chegar perto e se ajoelhar se conteve, Sarada não a conhecia, porém o gesto da menina a surpreendeu, ela esticou os braços e a abraçou tão apertado quanto Sasuke.
— Sarada.... Eu sou ...
— Eu sei quem a senhora é.
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