Notas iniciais
Espero que gostem, estou escrevendo com muito amor.

Escritor? Jiraiya? Então no final de tudo ele conseguiu alcançar seus sonhos. Meus olhos encheram de água só de pensar que afinal de contas ele tinha conseguido publicar suas histórias. Me sentei desajeitada na cama atrás de mim para esperar ansiosamente o próximo bloco. Escritor. Nossa. Meu coração batia rápido, Jiraiya... fazia tanto tempo que a gente não se via.

Me percebi ansiosa para ver seu rosto novamente, fazendo com que o tempo para voltar o bloco do programa passasse lentamente dando a impressão que fazia uma hora desde que a pessoa informou que o programa voltava já, mas eu tenho certeza que de verdade só foram três ou no máximo cinco minutos. A apresentadora retomou a programação reapresentando o Jiraiya e então ele entrou. Minha boca secou. Ele parecia mais alto, mais forte, mas a cara, a mesma. A cara de quem é levado, mas ao mesmo tempo doce. Seu sorriso tão grande, de um modo que só ele sabia rir. Só de olhar para seu sorriso parece que voltei no tempo e me vi aos doze anos conhecendo-o no meu primeiro dia de aula na nova escola.

Eu estava muito nervosa pois era a primeira vez que eu mudava de escola e estava acostumada com a outra escola que frequentava desde pequena. Entrei sem jeito na minha nova sala e sentei em um canto perto da janela para que pudesse olhar para o mundo lá fora quando me estivesse sentindo muito entediada. Tentei ficar o mais quieta possível em meu canto para ninguém reparar que eu era uma aluna nova e evitar chamar a atenção. Antes que a aula começasse, um garoto mais alto do que o resto, com cabelos estranhamente brancos, sentou ao meu lado e logo puxou assunto:

— Oi, eu sou o Jiraiya. Acho que você é nova aqui, então se depois quiser escrever cartas de amor para mim não tem problema! – ele disse enquanto me dava um enorme sorriso e uma piscada.

— E porque eu iria querer fazer tal coisa? – Eu respondi já irritada com este garoto que se achava muita coisa.

— Eh... Bem, eu sou bonitão – ele disse novamente com aquele sorriso enorme.

— Sei... – respondi já virando a cara com um tom irônico.

Nos primeiros meses, mesmo que eu achasse o Jiraiya um irritante, começamos a conversar e desenvolvemos uma amizade. Ele, apesar de se achar muito, era um garoto legal, doce e que mesmo com suas brincadeiras sem graças me fazia companhia naquele lugar cheio de pessoas novas. Com o iniciar da adolescência, Jiraiya realmente foi ficando cada vez mais bonito e começou a chamar a atenção das garotas. Não nego que também fui me tornando mais bonita e desenvolvendo um corpo que chamava a atenção dos garotos. Mesmo que eu e Jiraiya tivéssemos nossos namoricos, ficando com pessoas diferentes, fizemos questão de compartilhar o nosso primeiro beijo um com o outro. Tal informação já devia nos indicar que estávamos apaixonados, mas, para nós na época era prova do tanto que nossa amizade era forte.

A ideia foi minha, para espanto até mesmo do Jiraiya. Estávamos brincando em um balanço em uma praça que era nosso ponto de encontro preferido e sagrado. Eu tinha completado trezes anos dois meses antes e o aniversário do Jiraiya era na próxima noite. Fiquei respirando fundo e estava muito ansiosa de compartilhar a ideia que tinha tido na noite anterior.

— Jiraiya... eu tive uma ideia ontem – falei com uma voz meio fraca morrendo de vergonha.

— Qual, princesa? – Ele respondeu com o apelido que inventou para mim ao descobrir que eu vivia em uma casa maior que a maioria das pessoas.

— Queria que você fosse meu primeiro beijo – falei de maneira rápida antes que eu mudasse de ideia.

— Que? – ele parou de balançar e me olhou. – Seu primeiro beijo? Tipo... um beijo na boca?

— É... não me diga que não quer! Você já vive correndo atrás das meninas da escola! – falei ficando nervosa dele não querer.

— É verdade, corro mesmo. Mas se você quer me beijar achando que eu tenho experiência e por isso talvez será menos ruim como o pessoal anda falando, você está errada. Eu nunca beijei ninguém também. – Ele admitiu abaixando o rosto.

— Não é exatamente por isso... Só achei que seria legal ter o primeiro beijo com alguém que eu sei que é legal de verdade, que gosta de mim mesmo que como amiga. Não quero ter um primeiro beijo igual as outras meninas, com os carinhas lá da escola que nem sabe direito se gosta da gente. E o seu primeiro beijo ser comigo, acho que seria massa também, afinal, a gente se gosta. – Expliquei olhando para ele.

— Ah... tem razão! Nesse caso, pode ser! Nunca imaginei que você teria esse tipo de ideia... gostei! – ele disse piscando e me dando um enorme sorriso.

— Então tá. – falei sorrindo – amanhã depois da sua festa de aniversário? Que aí fica tipo... como presente.

Ele riu e falou:

— Presente igual a esse ninguém vai ganhar, tenho certeza!

Ri também e voltamos a balançar. No outro dia, em sua festa, passei a festa toda nervosa. Nunca tinha beijado ninguém, o que era também o porque da ideia, mas e se fosse tudo muito ruim e aí a nossa amizade acabasse? E se fosse muito bom e a gente começasse a namorar e depois nunca mais fossemos amigos? E se ele beijar alguma menina na festa dele? Aí já estragava todo o plano. Minha cabeça estava borbulhando, mas tentei aproveitar a festa o melhor possível.

Quando a maioria das pessoas estavam indo embora e somente alguns adultos tinham ficado, Jiraiya se aproximou de mim:

— Tá de pé sua ideia de ontem? – ele perguntou baixinho para mim de forma com que nenhum adulto escutasse.

— Está sim! – falei ainda ansiosa – será que podemos ir para algum lugar que ninguém vai nos ver?

— Claro! Que tal no parque? É aqui perto e agora tão de noite não deve ter ninguém.

— Boa ideia! – Respondi.

Jiraiya avisou ao seus pais que iria me levar em casa para que eu não andasse sozinha na rua já sendo de noite, peguei minhas coisas e fomos em direção ao parque. Chegando lá, Jiraiya se dirigiu para uma árvore que tinha uma copa bem grande, dificultando ainda mais que alguém nos visse e deixando tudo mais escuro, o que ajudava com a minha ansiedade.

Ficamos cara a cara e ele lentamente colocou as mãos em meu quadril, enquanto olhava para o meu rosto como se pedisse permissão. Eu acenei um sim com a cabeça e coloquei meus braços ao redor de seu pescoço. Ficamos nos encarando por alguns segundos, as nossas respirações começaram a ficar ofegantes e eu disse:

— Fecha o olho, acho que vai ser mais fácil.

— Tá bom, Tsu, eu estou meio ansioso, mas vai dar certo. – Ele disse me dando aquele sorriso maravilhoso e fechando os olhos.

Eu olhei para ele com seus olhos fechados, olhei para os seus lábios e meu coração ao mesmo tempo que estava batendo forte, estava tranquilo. Percebi que eu realmente queria aquilo, eu queria beijar o Jiraiya. Cheguei bem perto, fechei os meus olhos e pressionei meus lábios contra os dele. E então lentamente repeti a ação enquanto apertava mais o seu pescoço. Senti ele me envolver com seus braços e me beijar com mais força e dessa vez abrimos nossas bocas e nossas línguas se tocaram. Eu não sabia muito bem o que fazer com a língua, mas de alguma maneira a medida com que eu relaxava, ela parecia saber o que tinha que fazer.

Nós começamos a ficar ofegantes e nos beijando cada vez com mais pressa e desejo, senti meu corpo ficar cada vez mais quente e reagir com o prazer que estava sentindo. Jiraiya cada vez me apertava mais forte, até que nossos dentes colidiram no meio do beijo quebrando o momento.

—Aí – falamos ao mesmo tempo enquanto colocávamos a mão em nossas respectivas bocas assustados tanto com o sentimento de bater os dentes, mas também de ter beijado.

Olhamos ofegante um para o outro. Ele lentamente tirou a mão da frente de sua boca e eu fiz o mesmo. Olhei para os seus lábios e me deu vontade novamente de beija-lo, mas aí poderíamos começar algo que pudesse ser o fim da nossa amizade. Lentamente retirei o braço que ainda estava em seu pescoço e ele sem falar nada foi soltando a mão que tinha ficado apoiada em minha cintura, um pouco acima de minha bunda. Ficamos debaixo da árvore nos olhando sem falar nada, somente recuperando o fôlego depois de ter vivido aquele momento.

— Obrigada. – falei sem jeito – Você é um ótimo amigo.

— Obrigada você pelo presente – ele respondeu passando a mão em seu pescoço demonstrando estar desconcertado.

Ficamos mais alguns minutos em silêncio, ambos sem saber o que fazer com aquele desejo que tinha surgido quando nos beijamos.

— Você pode mesmo me levar em casa? – perguntei tentando escapar daquele momento que a cada segundo que passava ficava mais constrangedor.

— Claro, princesa. Não deixaria você andando sozinha pelas ruas, vamos? – Ele disse estendendo a mão.

— Vamos. – Respondi pegando em sua mão e caminhando em direção a minha casa.

Nunca tínhamos andado de mãos dadas e também nunca mais repetimos. Creio que naquela noite ele quis estender um pouco mais o momento romântico que tínhamos acabado de ter e eu não pude recusar, não estava pronta para terminar, mas também não sabia o que fazer com tudo aquilo que eu tinha sentido. Quando chegamos na porta da minha casa, ele soltou minha mão e me abraçou.

— Você me deu o melhor presente que eu poderia ter ganhado! – ele falou em meu ouvido e me soltou.

— Eu também fico muito grata. – Disse ficando vermelha com a situação e sorrindo.

— A gente se vê amanhã, ainda vamos nos encontrar para jogar para UNO né? Você está me devendo uma vitória!

— Com certeza! – acenei enquanto ele já voltava pelo caminho que tínhamos acabado de fazer.

Aquela noite demorei a dormir, fiquei revivendo o beijo e pensando o que era tudo aquilo que senti em meu corpo tanto no beijo quanto quando eu me lembrava dele. Hoje em dia eu sei bem o que era: tesão e provavelmente também estava apaixonada. Mas naquele dia, o sentimento que tudo me causou me despertava sorrisos e me fazia querer beija-lo novamente, entretanto tínhamos um combinado e com isso assim seguimos.

Com o passar dos anos e com a adolescência, nunca mais tocávamos no assunto do nosso primeiro beijo e tivemos nossos namoricos e ficantes, mas sempre no final do dia acabávamos nos encontrando na praça perto de nossa casa, aquela do primeiro beijo, deitávamos embaixo da árvore em que tudo tinha acontecido e conversávamos sobre tudo e nada. Era engraçado como nenhum de nós era capaz de realmente namorar alguém, hoje vejo que provavelmente já estávamos com o coração ocupado um pelo o outro, mas na época, não conseguia perceber que tudo o que eu sentia pelo meu amigo, era uma paixão. Até hoje não sei dizer se Jiraiya sentia o mesmo, gosto de pensar que sim até porque ter um amor não correspondido mesmo que no imaginário, já é ruim o bastante.

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Notas finais
Olá, irei sempre postar capítulos novos entre terça e quarta! Obrigada e se gostou deixe seu feedback :)