Já faziam alguns anos que Ágata vinha cultivando amizade com alguns de seus colegas, uns por interesse, outros por simpatia ou conveniência. Mas entre todos ela tinha um grupo específico em que mais confiava. Era com eles que ela compartilhava parte de seus planos, e como vinham de famílias tradicionais e antigas onde na maioria delas haviam ex comensais, todos a apoiavam e concordavam com sua visão e opinião sobre a comunidade bruxa atual.

Entre eles se destacavam: As gêmeas, Lizzie e Rosie Parkinson, idênticas em aparência e bem diferentes em personalidade, tanto que uma era Grifinória e outra da Corvinal. Alex Goyle, muitos o viam apenas como um nerd, mas Ágata enxergava seu potencial. Devido a todo o ódio que o garoto nutria pelos outros estudantes devido o desprezo que recebia, foi fácil recruta-lo e logo ele criou uma espécie de admiração cega e incondicional por Ágata, afinal ele grato a ela por ter lhe dado um grupo onde pudesse conviver. E por fim havia Darla, colega de quarto e parceira de todas as aulas, sempre fazendo de tudo para manter a aprovação da loira.

Todo os anos ao iniciar o ano letivo, Malfoy com a autorização da diretora, concedia um jantar com uma reunião particular com seus preferidos, assim ela poderia analisar quem ainda merecia estar ao seu lado e quem estava perdendo o valor. Aquele ano não seria diferente, durante a primeira aula todos já comentavam uns com os outros esperando para ver se receberiam um convite.

—Os convites estão todos escritos à mão e com os nomes da lista que eu passei para vocês? –Perguntou Ágata enquanto se sentava ao lado de Darla e das gêmeas que brigavam por algum motivo desconhecido.

—Estamos finalizando o último. – Respondeu Lizzie enquanto colocava o selo com o brasão Malfoy para fechar o envelope.

—E qual o motivo da briga? – Perguntou para Darla ao ver as gêmeas de cara amarrada.

—As duas querem entregar o convite para o Mathew. – Respondeu a outra rindo.

—Vocês são ridículas, vou pedir para o Alex entregar a ele, eles estão dividindo o dormitório.

—Satisfeita? Agora nenhuma das duas vai poder ter uma desculpa para se aproximar dele durante o jantar. – Reclamou Rosie fuzilando a irmã.

—Parem com essa discussão ridícula! Esses jantares não são para vocês arrumarem um namorado, voces sabem muito bem disso. Trata-se de manter nossos vínculos e garantir nossos contatos futuros.

—Mas isso é muito chato. – Suspirou a Lizzie.

—Não sei como você consegue ser tão inteligente para algumas coisas e tão cabeça vazia para outras. — A loira começou a irritar-se. – Em vez de ficar aqui me enchendo com esses assuntos fúteis porque você não vai cuidar da decoração? E Rosie – Dirigiu-se a outra — Para evitar brigas vou separá-las, você vai até a cozinha ver o cardápio.

Enquanto as duas juntavam suas coisas e saíam se estapeando pelo caminho em direção ao castelo, Ágata e Darla voltaram a conversar:

—Ainda não entendi porque você convidou o garoto novo para o jantar hoje, pensei que não havia gostado dele.

—Os pais dele são muito influentes, e além disso quero que ele saiba quem domina esse colégio. -Disse sorrindo presunçosa.- Talvez um dia eu precise de alguém como ele para concluir meus planos.

—Quando voce vai nos deixar completamente a par de seus planos? Porque todos temos curiosidade, mas apenas seguimos as tarefas que você nos passa confiando que logo vamos saber porque fazemos tudo isso.

—Se um dia você merecer vai saber de tudo.

—Como assim merecer? — Perguntou franzindo o cenho.

—Quando provar realmente sua lealdade.

—Mas eu sou sua amiga, já não é suficiente?

—Chegará um momento em que todos vocês serão postos à prova de verdade, e nessa hora vamos saber quem são os covardes e quem estará comigo até o fim.

Enquanto dizia isso seu olhar se perdia olhando o lago negro, como se pudesse ver o futuro no reflexo das águas.

—Às vezes você é muito sinistra!

—Acho que em vez de focar em mim você devia aproveitar esse tempo livre que temos e ir trabalhar. Esses convites não vão ser entregues sozinhos! — Disse passando uma pilha de envelopes para a outra.

—Tudo bem, estou indo. Nos vemos mais tarde na aula de poções.

Enquanto Darla se afastava com os envelopes nas mãos, Malfoy abriu novamente o diário de Bellatrix e começou a ler absorvendo cada palavra.

—Esse feitiço em particular era o meu preferido quando estudava aqui.

Ela pulou de susto. Ao seu lado, sentado despreocupado estava um garoto mais ou menos de sua idade, usava um uniforme da Sonserina, tinha cabelos castanhos levemente ondulados, e um olhar sombrio que sugeria que ele tinha mais idade e sabedoria do que aparentava. Era o mesmo garoto que ela viu refletido na janela do dormitório!

—Quem é você? – Perguntou zangada.

—Sou Tom Riddle. – Disse ele como se fosse óbvio.

Um arrepio percorreu-lhe a espinha, parecia impossível aquilo mas de alguma forma ela acreditava.

—Não é possível... você, você... – Mal encontrava as palavras, olhando para ele e para o diário em suas mãos. – Você é real? — Conseguiu pôr fim terminar de formular a frase.

—Tão real quanto é possível. – Disse dando um sorriso charmoso. – Se você está me vendo é porque uma parte de mim é real para você.

—Então você é uma memória? Uma Horcrux?

—Uma Horcrux não. Obviamente se fosse eu não estaria morto e já teria regressado a essa altura. Mas sim, você pode pensar em mim como uma memória. Quando eu ainda estudava aqui, enquanto tentava encontrar uma forma de ser mais poderoso, eu aprendi esse feitiço que me permitia criar uma memória interativa e independente ligada a um objeto. É um feitiço raro e complicado, tudo depende da ligação emocional do dono do objeto com a pessoa que esta fazendo o feitiço, e da ligação emocional da pessoa que vai usá-lo mais tarde. Após alguns anos usei isso como um segundo plano, uma forma de imortalizar meus ideais e passar para as próximas gerações. Como Bellatrix era uma de minhas mais fiéis seguidoras decidi fazer isso em algo que ficasse destinado aos seus descendentes. Claro que isso foi muito antes de Draco Malfoy e Lucius se acovardarem.

Ao ouvir isso Ágata o fulminou com um olhar raivoso.

—Mas você é diferente! – Continuou ele, ignorando o olhar da garota. – Você alcançou mérito, algo em você te faz qualificada para continuar o que eu comecei e é por isso que estou aqui. De alguma forma você conseguiu me trazer parcialmente de volta depois de anos adormecido nesse diário.

—Então você é como uma espécie de guia, um mentor?

—Mais ou menos isso. Dentro desse castelo se escondem muitos mistérios, alguns tão antigos quanto sua fundação, e outros que eu mesmo deixei. Você vai encontrar cada um deles e eles vão te dar poder para cumprir seus objetivos e também terminar o que eu comecei.

—Meu Lorde... – Ela começou a falar mas foi interrompida por ele:

—Pode me chamar de Tom, afinal nessa forma como você me vê, ainda é de uma época que eu usava meu nome de batismo. Me veja como se fosse um garoto “normal” da sua idade.

—Certo... Tom! Outras pessoas poderão ver você agora que te despertei? -Perguntou já pensando no pânico que isso geraria se alguém reconhecesse ou se lembrasse dele. Apesar de fazer muitos anos que aquele menino andou por Hogwarts, ainda haviam histórias e fotos dele junto com outros alunos que alcançaram excelência em Hogwarts. Algumas coisas eram difíceis de se apagar.

—Apenas você consegue me ver, então tome cuidado para não despertar curiosidade se não quiser contar sobre isso a ninguém.

—E quanto tempo dura essa magia? Digo...você se materializando para mim?

—Fui criado e alimentados com as lembranças de Voldemort, agora eu continuarei sendo alimentado com suas ações e as memórias que criar. Se um dia não for mais merecedora eu vou embora, e uma grande maldição cairá sobre você.

—Um diário amaldiçoado que original. – Disse ela com sarcasmo e nenhum pouco de medo.

—Os tempos eram outros, mas acredite as maldições são muito mais efetivas do que esses jantares diplomáticos que você organiza.

—Como você sabe sobre isso?

— Eu estava aqui o tempo todo, não foi díficil escutá-la.

—O que acha que eu deveria fazer então?

—Por ora continue com suas atividades normais, logo você vai descobrir algumas coisas que começarão a te ajudar a aumentar seus poderes. Você é inteligente e ambiciosa Ágata Malfoy e eu gosto muito disso. – Com um sorriso ele desapareceu.

A menina se sentia confusa com tudo o que acabara de acontecer, e também pelo fato dela ter achado ele muito bonito, afinal ele não era real. Porém fazia um pouco de sentido ela se sentir atraída, pois eles eram iguais, ele inspirava aquela aura de poder que ela sempre buscara, mas nunca havia encontrado em ninguém antes.

Com a cabeça nas nuvens se encaminhou para a aula de poções, estava atrasada! Atravessou o gramado apressada, chegou no corredor das masmorras, quando estava quase chegando na porta da sala esbarrou com alguém. Seus livros e pergaminhos foram parar no chão espalhados por todos os lados.

—Me desculpe. – Uma voz grave soou ao seu lado. – Eu te ajudo a recolher.

Era o menino novo, Mathew completamente desconcertado e provavelmente atrasado para a mesma aula. Os livros do garoto também tinham caído no chão.

—Não preciso de ajuda. – Respondeu rispidamente enquanto balançava sua varinha e com um feitiço não verbal fez todos os seus pertences voarem novamente em ordem para seus braços. Apenas as coisas do menino continuaram espalhadas no chão.

—Então pelo menos tenha mais cuidado da próxima vez. – Ele disse irritado enquanto juntava seus pertences.

—Cuidado com o modo como fala comigo!

Nesse momento o professor de poções apareceu na porta da sala:

—Sta Malfoy e Sr Wood, poderiam entrar na sala por favor?

—Sim professor, me desculpe.

Os dois se recompuseram e tentaram passara juntos pela porta, ao mesmo tempo, o que os constrangeu ainda mais pois acabaram “entalados”.

—Sai da minha frente! – Sibilou Ágata enquanto se desvencilhava bruscamente.

A sala toda estava rindo feito um bando de criancinhas. Ignorando os colegas ela seguiu para seu lugar de sempre: em frente ao professor e ao lado de Darla. Ela odiava perder a compostura dessa forma, ainda mais na frente de tanta gente. Acreditava que isso a fazia parecer fraca e descontrolada. Olhou raivosamente para uma dupla de meninas da Lufa Lufa atrás dela que ainda riam, logo elas se calaram e começaram a abrir seus livros. Todo mundo sabia da fama de Ágata de fazer coisas horríveis com os alunos e sair ilesa das situações.

— Hoje vamos começar a aprender a Poção da sagacidade. – O velho começou a explicar e enquanto andava pela sala pegando ingredientes, suas vestes negras oscilavam fazendo a menina lembrar-se de um grande morcego, um morcego bem velho e enrugado para falar a verdade. Mas o que ele tinha de velho ele tinha de sabedoria. Seu conhecimento sobre poções era amplo, muitas não se encontravam em livros, e segundo boatos essas poções especiais ele só compartilhava com os melhores da classe. A menina almejava naquele ano ela ser uma das escolhidas.

—Essa poção ajuda quem a bebe a pensar mais claramente. – Continuou ele a explicar. – Abram seus livros na página 255 e podem começar.

Enquanto pesavam e separavam os ingredientes, Darla e Rosie se aproximaram e aproveitaram para conversar:

—O que foi aquilo no corredor? – Perguntou a Corvina, enquanto amassava uma raiz esverdeada e recolhia sua gosma.

—Ele é um idiota! Não presta atenção por onde anda e ainda por cima disse que nos esbarramos por minha culpa, acreditam?

—Você ainda vai convida-lo para o jantar?

—É claro! Não seja tonta Rosie,apesar de tudo ainda posso precisar dele.

—E já sabem o que vão vestir hoje a noite? – Perguntou Darla mudando de assunto.

—Eu vou usar um vestido lindo que comprei nas férias e estava guardando para o jantar anual e você Malfoy?

—Se vocês não pararem de tirar minha concentração eu juro que ano que vem desconvido as duas!

Ambas se calaram enquanto iam para suas bancadas começar a poção. Ágata como sempre, estava adiantada no preparo.

—Coloque o dobro de raiz de gengibre e sua poção vai alcançar um efeito muito superior do que o descrito no livro.

Novamente ela pulou de susto.

—Tom! Você não pode ficar aparecendo assim do nada. Quase morri de susto. – Cochichou.

—Disse algo? — Perguntou Darla que estava um pouco mais distante da amiga.

—Não disse nada, estou lendo algumas instruções e devo ter aumentado um pouco o tom de voz. – Disse sorrindo amarelo.

—Agora mexa um pouco mais em sentido horário. — Continuou ele olhando para o caldeirão da menina.

Ela começou a seguir as instruções dele e a poção começou a obter uma cor muito mais escura do que devia.

—Mais devagar. – Disse ele, enquanto se posicionava atrás dela e segurava suas mãos afim de mostrar como fazer.

Ela o sentia como se fosse real, seu toque, seu perfume. Como isso era possível?

—Viu? muito melhor! – Disse ele despertando-a de seus pensamentos.

Ela não teve tempo de argumentar, o professor aproximou-se:

—Muito bem, Malfoy! Se continuar assim logo fará parte do meu grupo de ouro e vai receber mentoria e aulas extras. – Disse dando-lhe uma piscadela.

—Ficarei muito honrada. – Respondeu com um sorriso.

Ele se afastou, e enquanto isso Tom subia sobre a bancada e sentava despreocupado em meio aos livros da garota.

—Ainda não consigo me acostumar com a idéia de poder te tocar, te ver e as outras pessoas não.

—Você só consegue porque é especial Ágata Malfoy.

O resto do dia foi um borrão. Ela corria de aula em aula, tentava não se assustar com as aparições aleatórias de Tom, e no final do dia já estava muito boa em conseguir falar com ele sem que ninguém a achasse uma maluca falando com o ar.

Tomou um banho se vestiu para o jantar e seguiu para a as salas próximas a torre de astronomia, para o local onde liberavam para que eles pudessem fazer aquele evento.

— E aí vem a fundadora dessa reunião: ÁGATA MALFOY! — Gritou Alex empolgado enquanto ela passava pela porta. Todos se viraram para ela e algumas puxa-saco do terceiro ano aplaudiram.

—Obrigada pelo anúncio querido. – Agradeceu ao amigo enquanto seguia para o centro da mesa.

Assim que ela se sentou, todos os outros se sentaram também, e ficaram em silencio para ouvi-la.

— Quero agradecer a todos que aceitaram meu convite. Alguns eu me lembro dos anos anteriores, outros vejo aqui pela primeira vez. – Enquanto falava olhava para cada rosto com um sorriso acolhedor, como se fosse a melhor amiga deles e todos pareciam se sentir inebriados com seu timbre de voz e suas palavras. – Me contaram a história de um antigo professor de Poções que costumava fazer isso antigamente: reunia os alunos mais promissores em um jantar anual, e assim todos interagiam entre si e criavam contatos que duravam toda a vida. E porque não manter essa tradição tão linda? Todos que estão aqui, estão porque se destacaram, porque merecem e como pessoas grandiosas que seremos um dia temos nos separar do resto, do comum e nos juntarmos para sermos mais fortes no futuro e nos apoiarmos mutuamente!

Todos aplaudiram e assim que ela se sentou, começaram a comer e conversar entre si.

—Ótimo discurso! Digno de alguém que tem potencial para ser Ministra da Magia se quiser. – Mathew sentou-se do seu lado enquanto falava.

—Obrigada.

—Quero me desculpar pelo ocorrido na aula de poções, eu estava muito nervoso e acabei te constrangendo. Vamos começar de novo? Meu nome é Mathew Wood. – Disse estendendo a mão.

—Ágata Malfoy. – Quando ela estendeu a mão para apertar a dele, ele a surpreendeu e beijando sua mão.

Lizzie chegou praticamente correndo em cima de sapatos de saltos super altos:

—Nossa como você é cavalheiro! — Disse chegando tão perto de Mathew que ele conseguia sentir a respiração da garota em sua bochecha.

— Não me apresentei ainda, eu sou Rosie. – A outra gêmea desesperada chegou e se debruçou do outro lado do garoto que ficou preso no meio das duas sem saber o que fazer.

—Prazer meninas eu sou o Mathew. – Disse sem graça.

—Nós sabemos! — Responderam em uníssono.

Aquelas duas sabiam mesmo como ser invasivas! Depois de ter sua conversa interrompida pelas malucas idênticas, Ágata decidiu caminhar pelo salão e cumprimentar a todos.

—Me retiro e deixo você com suas admiradoras. – Disse rindo para Mathew enquanto o garoto lhe fitava com um olhar de “socorro”.

A menina conversou educadamente com seus colegas, sempre deixando os meninos encantados e as garotas mortas de inveja por dentro. O jantar acabou e todos se recolheram para a sala comunal de suas respectivas casas.

Mais tarde naquela mesma noite enquanto ela dormia, Tom apareceu mais uma vez, sussurrando em seu ouvido:

—Levante-se! É hora de começar a recuperar os objetos que lhe falei.

—A essa hora? – Reclamou a menina enquanto levantava esfregando os olhos.

Na cama ao lado, Darla roncava com sua máscara de dormir sobre os olhos.

—Claro que tem que ser agora, de outra forma como você acha que iria conseguir entrar na floresta proibida sem ser pega?

-Na floresta proibida? Não acredito.

—Acha que eu ia deixar objetos mágicos importantes escondido em qualquer lugar onde qualquer um pudesse encontrar?

—Faz sentido. – Respondeu ela enquanto colocava uma roupa escura para não correr o risco de alguém vê-la atravessando o gramado em direção a floresta, ainda mais depois do toque de recolher.

Com o diário preso no cós da calça, e a varinha em punho, ela saiu da sala comunal tentando fazer o mínimo de barulho possível. Caminhou para fora se esgueirando pelos corredores.

—Não se preocupe com o Zelador Willian's, ele está há três andares acima, você vai conseguir sair em segurança. Só tome cuidado para não topar com Pirraça. – Ela estremeceu só de pensar na confusão que Pirraça iria armar para se divertir às custas de uma aluna saindo a noite do dormitório.

Com muito custo ela conseguiu sair do castelo e chegar a floresta. Estava um pouco frio e o vento gélido a fez estremecer enquanto passava pelas árvores. Nesse momento ela se arrependeu de não ter se agasalhado melhor.Andou por algum tempo pela floresta seguindo Tom, até que pararam na frente de uma caverna.

—Agora preste muita atenção: naquela gruta está o objeto que você precisa obter, trata-se de uma bússola, de cor dourada e tem uma cobra esculpida nela.

—Certo! Bússola dourada, com cobra esculpida. – Repeti para memorizar e me preparar para entrar naquela gruta escura.

— Se prepare para usar sua varinha e fique atenta quando entrar, lá dentro vive um Barrete Vermelho.

Se ela estava achando difícil entrar na gruta, saber que lá havia um Barrete vermelho dificultava ainda mais as coisas. O barrete era uma espécie de anão que fazia sua toca em locais onde ocorreu algum derramamento de sangue. Eram mestres em roubar e esconder coisas valiosas ou brilhantes e eram extremamente agressivos. Fazia sentido esconder a Bússola ali, ninguém se atreveria a entrar.

-Cuidado para não perder o diário, essa é a única fonte que me liga a você, sem ele não conseguirá mais me ver.

Ela assentiu nervosa, enquanto entrava e erguia sua varinha.

—Lumus. – Murmurou e imediatamente a ponta da varinha se acendeu iluminando toda a gruta.

Um cheiro terrível de carne podre invadiu o ambiente e ela quase vomitou. Cobriu o nariz com seu cachecol e continuou olhando em volta. Felizmente nem sinal da criatura. Havia sangue seco e podre no chão, também alguns ossos, ela não sabia diferenciar se era de animais ou algum aluno que se atreveu a entrar ali. Vários objetos estavam guardados na gruta, e ela levou algum tempo mexendo em tudo até que finalmente:

—Encontrei! – Murmurou para si mesma.

O objeto era lindo, todo feito em ouro com uma cobra esculpida, e quando ela abriu a bússola a mesma irradiou uma luz intensa e dourada e começou a funcionar, porém a seta girava desgovernada para todo o lado. -Deve estar quebrada. – Murmurou enquanto fechava e guardava no bolso.

Ótimo! Se arriscou saindo a noite do dormitório, entrou naquela toca fedorenta do Barrete para recuperar uma bússola que estava quebrada. Quando se virou para ir embora deu de cara com o anão bloqueando a saída e olhando –a ferozmente com seus olhos vermelhos. Nas mãos tinha uma espécie de porrete feito de osso.

Assim que Ágata sacou a varinha ele veio para cima dela tentando acertá-la, felizmente ela conseguiu desviar, foi por pouco! Ela chegara a sentir a rajada de ar que o porrete formou ao passar rente ao seu rosto.

Ele era muito rápido! Ela não conseguia tempo para formular uma azaração, pois assim eu tentava murmurar ele avançava e ela tinha que desviar de seus golpes.Não achando suficiente tentar acertá-la com golpes o monstrinho começou a jogar nela os objetos da caverna. Rolou para o lado quando um pesado candelabro veio em sua direção seguido de um pesado jarro de prata.

Com muito custo depois de algum tempo ela conseguiu pará-lo:

—Petrificus Totalus! -Com olhar arregalado como se não esperasse aquilo o Barrete caiu no chão, duro como uma pedra com os braços colado nas laterais do corpo.

Ofegante e limpando o suor do rosto ela confirmou se o diário ainda estava com ela, e depois saiu da caverna. Voltou para o castelo, e quando estava quase chegando na sala comunal deu de cara com Pirraça no corredor.

—Droga! – Murmurou entredentes.

—ALUNO FORA DA CAMA! ALUNO FORA DA CAMA! – O maldito Poltergeist gritava e atirava coisas, perseguindo a garota e derrubando armaduras no caminho. Ágata correu como nunca, temendo ser pega pelo zelador ou outro professor. Com aquele barulho todo, no mínimo a metade do castelo devia estar acordando! De repente sentiu alguém a puxando e imprensando-a na parede enquanto uma capa da invisibilidade os cobria.

—Que diabos?... –Automaticamente tentou resmungar, e sentiu uma mão cobrindo-lhe a boca.

Notas finais
Gostaria de saber se estão gostando até agora. Me contem ♥