A última Malfoy
13 O incidente com o Dementador.
Era segunda feira de manhã e, ao contrário das outras semanas os alunos estavam agitados e bem despertos. O motivo? Colocavam em dia todos os boatos e novidades pós baile. A fofoca era dividida em dois assuntos: O primeiro era se Ágata Malfoy estava mesmo saindo com Matt Wood. O segundo tópico arrancava risinhos e suspiros de todas as meninas e até de alguns meninos: Quem era o novato misterioso e bonitão que estava sentado na mesa dos professores pela manhã?
A primeira aula do dia era Defesa contra artes das Trevas e, enquanto o professor não chegava, o falatório tomava conta da sala.
— Ouvi dizer que Malfoy e o Wood só estão juntos porque ele ainda dá poção do amor para ela. – Cochichou Lyana, uma aluna do quinto ano da Sonserina que tinha fama de ser a maior fofoqueira que Hogwarts já vira.
— Acho que não, ele é tão lindo que nem precisa disso para conquistar alguém, mesmo que esse alguém tenha um coração tão gelado quanto a Malfoy. – Respondeu Diana da Corvinal.
— Eu ainda acho que ela merecia coisa melhor. — Resmungou Denis, um menino da Corvinal que estava sentado próximo as duas.
Todos se calaram assim que a Malfoy adentrou a sala de mãos dadas com Wood e sentaram-se juntos de frente para a mesa do professor. Lizzie e Rosie que estavam ali perto, logo levantaram-se e foram até a mesa da loira.
— Não disse que todo mundo sempre saía do baile com namorados? – Cochichou Rosie um pouco alto demais, enquanto dava pequenas cotoveladas em Malfoy.
Matt apenas riu da frustrada tentativa da garota de falar baixo com a amiga.
— Se sua teoria é verídica, onde estão os namorados de vocês? – Perguntou a menina irritada com a indiscrição das duas.
— Não os vimos desde sábado. – Suspirou Rosie. – Às vezes até parece que estão fugindo de nós.
— Mudando de assunto: o que vocês acharam do novato? – Perguntou Lizzie.
— Ouvi dizer que ele é um aluno novo. — Comentou a gêmea.
— Então porque ele estava com os professores? – Questionou Malfoy.
— Mas ele tem quase nossa idade é muito jovem para ser um professor também, e de qual matéria? – Disse Rosie pensativa.
— Acho que vamos descobrir agora. – Comentou Ágata enquanto olhava o rapaz entrar pela porta acompanhado do professor de DCAT.
As gêmeas foram para seus lugares e toda a conversa cessou.
— Antes de começarmos tenho um aviso para vocês: Esse é o senhor Thomas Gaunt e ele vai ser o responsável pelo Clube de Duelos.
— Mas senhor, não temos essa atividade a anos. – Questionou uma menina ao fundo.
— Considerando o momento que estamos passando, o Ministério liberou que os alunos do sexto e sétimo ano possam participar e aprender algumas magias de defesa em duelo, caso precisem.
— E os alunos mais novos? — Questionou um garoto da Sonserina.
— Poderão participar apenas alunos que se encontram nos últimos anos.
— Não é justo! Todos deveriam aprender magia de ataque e defesa. – Disse outro garoto indignado.
— Isso foi o que o Ministério decidiu. – Disse o professor começando a se irritar com todo o questionamento. – Quaisquer outras dúvidas podem falar com a diretora de vocês.
— Nós que somos do quinto ano não vamos começar esse ano então? – Perguntou Malfoy.
— Exatamente, começarão as aulas de duelo apenas ano que vem. Hoje trouxe o senhor Thomas até aqui, apenas para que vocês possam conhece-lo e tirar suas dúvidas sobre essa nova atividade acadêmica.
— Muito bem, eu tenho uma dúvida. – Começou a Malfoy olhando para Thomas. – Você parece jovem demais para isso, está apto para nos ensinar sobre duelos?
— Garanto a você senhorita, que tenho ótimas indicações e fui encaminhado pelo próprio Ministro da Magia para estar aqui. – Disse ele sério encarando-a.
Ela desviou o olhar, ainda não conseguia se acostumar com a semelhança entre ele e Tom.
— Mais alguma pergunta?
— Eu tenho. – Rosie levantou a mão.
— Diga senhorita Parkinson.
— Você tem namorada? – Perguntou a menina.
— Creio que essa pergunta não é relevante senhorita. – Disse o rapaz sério.
Outra garota levantou a mão.
— Quantos anos você tem? – Perguntou ela enrubescendo em seguida.
— Alguém tem alguma pergunta que seja sobre duelos? – O professor interrompeu irritado.
Todas as abaixaram a mão desanimadas.
— Ótimo, então vamos dispensar o senhor Gaunt e começar nossa aula.
Thomas se despediu do professor e saiu da sala, enquanto algumas garotas cochichavam e suspiravam as suas costas. Ágata continuou indiferente por fora, mas dentro de sua cabeça mil perguntas fervilhavam sobre Thomas e ela mal conseguiu prestar a atenção na aula que se seguiu.
Mais tarde na aula de voo o assunto continuava sendo o mesmo: Thomas Gaunt.
— Eu não sei, ele tem esse ar de perigoso com aquelas roupas de couro e as botas. – Dizia Rosie.
— E a mecha de cabelo azul? Dá um ar rebelde e moderno. – Comentou Darla.
— Até você? – Reclamou Alex enciumado.
— A chegada dele foi em boa hora. – Disse a Malfoy pensativa. – Perceberam a indignação dos alunos com o Ministério, por privar os mais novos de aprenderem a duelar e por só permitir que seja ensinado magia de defesa?
— O que tem em mente? – Perguntou Alex.
— Podemos usar isso a nosso favor quando formos recrutar mais gente.
Logo a conversa foi interrompida, pois o Professor Magnus chamou a todos com seu apito. Os alunos, que estavam espalhados pelo campo em grupos conversando, se reuniram em volta dele para mais uma aula.
— Hoje vamos começar a treinar troca de vassouras. É um movimento de voo em duplas, que basicamente consiste em que um de vocês passe da vassoura em que está para a do colega, tentem fazer isso em segurança. – Começou a explicar Magnus. – Alguém sabe porque é importante aprender esse movimento?
— Para o caso de algum dia estarmos em uma vassoura e ela vier a falhar ou algo do tipo. – Disse Darla levantando a mão.
— Exatamente! Dez pontos para a Sonserina. – Disse ele empolgado. – Agora podem começar a praticar com cuidado.
Darla se encaminhou para perto de Alex com o intuito de fazer dupla com o namorado, mas imediatamente foi barrada pela Malfoy.
— Se importa se eu fizer dupla com Alex? — Perguntou a loira, deixando claro em seu olhar que embora estivesse feito uma pergunta ela não estava pedindo permissão.
— Claro. – Respondeu a outra contrariada.
Subiram em suas vassouras e alçaram voo. Para Malfoy foi fácil dominar a tarefa. Já com Alex a história era bem diferente: o menino agarrava-se a vassoura como se a sua vida dependesse disso. Suava e estava pálido pelo medo de altura e não conseguiu fazer a troca nem uma única vez.
— Precisa se acalmar Alex, não vou deixar você cair. – Orientou a Malfoy.
— Odeio vassouras. – Respondeu ele pálido. – Mas me ignore. Eu sei que se você me escolheu como dupla é porque quer falar sobre algo.
— Quero saber como está indo o recrutamento.
— Muitos alunos da Corvinal e Sonserina estão bem irritados por não poderem participar do clube de duelos, já os da Grifinória e Lufa Lufa são um pouco mais difíceis de conversar, a maioria acredita que a Sonserina está amaldiçoando o castelo.
A menina revirou os olhos.
— Me fale mais sobre os da Corvinal e Sonserina.
— Ouvi que alguns estão indignados com os métodos de ensino. Se convidarmos com certeza aceitarão, só preciso verificar quais deles são confiáveis.
— Faça isso, e me traga os melhores e mais leais.
— Não vai ser difícil ganhar lealdade quando souberem o que você tem a oferecer. — Disse Alex referindo-se a todo o conhecimento que a Malfoy havia adquirido sobre magia das trevas ao longo dos meses.
Treinaram mais um pouco até escutar o apito do professor e então começaram a pousar. Quando a menina estava á uns três metros do chão, viu uma vassoura despencando no vazio a sua direita, e em seguida escutou um grito angustiado enquanto uma garota despencava a toda velocidade. Parou onde estava e ficou observando. Antes que o professor se desse conta do que estava acontecendo, todos viram um lampejo e a garota ficou imersa no ar a centímetros do chão. Os cabelos negros encostavam na grama emaranhados pela queda. A alguns passos Thomas Gaunt estava parado com a varinha em punho. Todos os que estavam presente respiravam aliviados. Em menos de um minuto um círculo se formou em torno da garota.
— Liv você está bem? — Perguntou o Professor.
— Dementador. – A Malfoy ouviu-a sussurrar segundos antes de desmaiar.
Imediatamente todos olharam para o alto e puderam ver flutuando entre as nuvens a sinistra criatura. O pânico se instalou, alguns paralisaram de medo e outros corriam feito baratas tontas pelo campo. Com um movimento discreto do anel a Malfoy conseguiu faze-lo ir embora com a mesma rapidez com que havia aparecido. Trocou olhares com Darla e Alex e ambos sabiam o que significava: era só uma questão de tempo até o Ministério encontrar a sala com o Armário das Almas.
Os alunos presentes estavam assustados. Thomas apenas olhava para o céu pensativo. Aquela aparição só confirmava o que ele já desconfiava: uma nuvem negra estava se formando ali, bem debaixo dos narizes de Medeia e do Ministério. Ele precisava ir a fundo e descobrir o que estava acontecendo. Observou enquanto Malfoy e os amigos saiam apressados da aula e caminhavam para dentro do castelo. O professor, com a ajuda de alguns colegas carregava a menina Liv para a enfermaria.
— Isso é um mau agouro. – Murmurou um garoto da Lufa Lufa enquanto olhava para o local onde a criatura havia aparecido.
Thomas concordava, depois de anos de paz, a aparição daquele espectro comprovava que alguém estava lidando com magia negra em Hogwarts. O que mais o incomodava é que ele podia sentir, como se algo o chamasse, o atraísse. Pensativo caminhou em direção ao castelo. Precisava ir até a enfermaria conversar com a garota que fora atacada. Assim que adentrou o local ele a viu, deitada em uma maca nos fundos, rodeada pelas amigas e comendo uma enorme barra de chocolate.
— Senhorita Liv, eu sou Thomas Gaunt, novo instrutor de duelos e gostaria de falar com você sobre o que houve na aula de voo.
Imediatamente a menina enrubesceu ao vê-lo. As amigas explodiram em risadinhas enquanto a enferma sentava-se na cama e ajeitava os cabelos.
— A sós se for possível. – Disse ele olhando para as meninas.
Todas saíram depressa da enfermaria em meio a cochichos.
— O que quer saber Sr. Gaunt? – Perguntou ela.
— Thomas, pode me chamar só de Thomas.
— Claro, Thomas. Pergunte o que quiser.
— Tem certeza de que era um Dementador?
— Tenho, sei o que senti quando ele se aproximou. E você estava lá, deve ter visto com seus próprios olhos. – Respondeu ela dando mais uma mordida no chocolate.
— Mesmo tendo visto é difícil acreditar, esse tipo de criatura estava considerada extinta.
— Também me surpreendi. Tanto que nem soube como reagir quando ele se aproximou, só reconheci o que era quando me lembrei das aulas de DCAT, mas aí era tarde, eu já havia perdido os sentidos e caído da vassoura.
— Consegue se lembrar de qual direção ele veio, ou se havia mais alguém por perto?
— Ágata Malfoy estava próxima, mas estava bem distraída conversando com Alex Goyle. – Comentou a menina.
Malfoy, Goyle ... aqueles nomes não eram estranhos para ele porém, não conseguia lembrar-se onde havia escutado sobre aquelas famílias antes.
— Bem, vou deixa-la descansar e se recuperar de tudo o que passou hoje. – Disse ele começando a caminhar em direção a porta da enfermaria.
— Thomas, muito obrigada por ter me salvado. Se não fosse você lá no campo talvez eu estivesse bem pior agora. — Disse a menina um pouco mais alto para que ele pudesse ouvir de onde estava.
— Não foi nada. – Respondeu com um sorriso torto que fez a garota enrubescer mais uma vez.
Mais tarde no jantar o ocorrido já havia se espalhado por toda a escola causando medo entre os mais novos e intrigando os mais velhos. A diretora Medeia era quem estava mais nervosa. Ela já podia prever o número de cartas de pais preocupados que receberia no dia seguinte. Antes que todos começassem a comer decidiu fazer mais um de seus habituais discursos.
— Boa noite alunos, professores e nossos queridos Aurores que tem estado presente nos últimos dias. – Começou ela.
— Lá vem mais um discurso. – Cochichou Malfoy enquanto brincava entediada com um garfo na mesa.
— Quero esclarecer que não há motivos para entrarem em pânico sobre o que aconteceu na aula de voo. Os Dementadores são criaturas extintas, e com certeza aparição de hoje à tarde foi uma brincadeira de mal gosto e vamos encontrar os responsáveis. Poderia ser qualquer coisa flutuando no campo menos um Dementador, então façamos o favor de nos acalmar.
— Acho que nem ela mesma acredita nessa teoria. – Comentou Alex.
— Está tentando amenizar as coisas e fazer com que todos fiquem tranquilos. – Respondeu Darla.
— Teremos outros profissionais mandados pelo Ministério da Magia para verificar e resolver esse caso. – Continuou Medeia. – Enquanto isso, quero que todos vocês andem sempre em grupos pelos corredores do castelo e até do lado de fora. E não quero nenhum aluno tentando se aventurar após o toque de recolher. Qualquer dúvida ou qualquer informação que tenham, peço que me procurem ou busquem os diretores das casas de vocês.
Finalizando o discurso, com um aceno de mãos da mesma, o jantar apareceu nas mesas.
— Já não era sem tempo. Estou morrendo de fome. – Reclamou Matt enquanto enchia seu prato.
Todos comeram e imediatamente foram guiados por seus monitores direto para a sala Comunal. Em cada ala um Auror foi colocado de guarda para se certificar que nenhum aluno tentaria sair à noite se aventurar pelos corredores.
— Se estamos realmente seguros porque colocam esses brutamontes de guarda? – Questionou um garoto do terceiro ano.
— Simples. – Disse a Malfoy para o menino. – Porque vocês não estão totalmente seguros, só estará bem quem souber magia de ataque, quem estiver do lado vencedor que vai em frente e não fica se escondendo na sala comunal.
— O que quer dizer com isso? – Perguntou o menino intrigado.
— Allan, não é?
— Sim Allan Gregory Cooper. Terceiro ano. – Se apresentou o Sonserino.
— Ágata Narcisa Malfoy – Disse ela apertando a mão do garoto.
— Nem precisa se apresentar sei bem quem é você. – Disse ele sorridente.
— Então Allan. Consegue invocar um patrono? Sabe alguma magia de ataque?
— Não, mas adoraria aprender. Detesto o modo como essa escola nos ensina e sempre sinto que eu poderia ir mais além. É como me impedissem de me desenvolver e ser mais poderoso.
— Ouvi falar que você é um prodígio nas aulas e como já deve saber, gosto de ter os melhores e mais ambiciosos comigo. Se quiser aprender mais do que ensinam aqui no dia a dia, me encontre no sábado aqui na sala Comunal a tarde, tenho coisas interessantes para lhe mostrar.
— Estarei aqui.
— Eu te envio uma coruja combinando um horário. – Disse ela com uma piscadela.
Aquela foi uma noite difícil para os residentes de Hogwarts. Ágata e seus amigos ficaram horas acordados pensando em como fariam para tirar o Dementador dali sem levantar suspeitas. Medeia temia a reação do Ministério da Magia quando soubessem do incidente. Mas quem menos dormiu foi Thomas Gaunt que acordou no meio da madrugada suado e tremendo com o pesadelo que teve.
“ Em seu sonho ele estava uma sala muito escura e fria, havia um armário no centro. Á sua frente reconheceu a menina Malfoy que olhava extasiada enquanto um Dementador se alimentava de um garoto que se debatia e gritava desesperadamente. Ela parecia não perceber que Thomas estava ali. Ao lado dela havia um garoto de costas com as vestes da Sonserina. Ele se sentiu impelido e começou a caminhar com a mão esticada até tocar o ombro do menino. Quando o mesmo se virou para olhá-lo ele sentiu um tremor percorrer o seu corpo todo. O menino era igual a ele! Uns quatro anos mais jovem, sem a mecha azul no cabelo, mas fora isso, era como se olhar em um espelho. As vestes eram típicas de Hogwarts e o corte de cabelo antigo. Thomas teve a sensação de estar vendo uma versão de si mesmo de décadas atrás. Sorrindo de uma forma fria e cruel, o garoto olhou-o com superioridade enquanto dizia:
— Ela foi a chave, mas você é o verdadeiro herdeiro. ”
Ao ouvir isso ele despertou tremendo muito. Olhou através da janela de sua cama e tudo o que pode ver foi a luz da vela acesa em um candelabro e seu reflexo com os cabelos bagunçados, rosto pálido e um olhar assustado.
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