A última Malfoy

1 O diário de Bellatrix.


Notas iniciais
Essa Fanfic se ambienta no universo Harry Potter, muitos anos depois da história que conhecemos e amamos. Cito alguns personagens originais da saga porém, a história se foca em personagens originais que eu criei.

Desde pequena Ágata ficava fascinada ao ouvir seu pai Scorpius, contar a ela as histórias que ele mesmo ouvira de seu avô Lucius. Histórias fascinantes sobre os comensais da morte, sobre Tom Riddle: um menino tão poderoso e inteligente que alcançou feitos grandiosos e muitos seguidores. Adorava também o fato de ser da família de Bellatrix Lestrange, uma mulher tão forte que preferiu ir para Azkaban a trair seu mestre em troca de liberdade, e ainda esperou fielmente sua volta, mesmo quando muitos incrédulos acharam que ele estava morto. Era esse tipo de sentimento que ela valorizava e queria receber das pessoas a sua volta: Uma lealdade tão grande e cega, que todos fariam o que ela pedisse, lutariam e morreriam por ela, para que pudesse ser tão poderosa ou até mais do que Lorde Voldemort fora.

Quando ficou maior, começou a entender e perceber o que outras famílias puro-sangue falavam as suas costas: que viera de um clã de covardes. Ela não se deixava afetar por esses comentários, apenas ignorava o que aquele bando de imundos dizia. Aos onze anos como toda criança nascida de uma família tradicional e puro sangue ela recebeu sem surpresa nenhuma sua carta de Hogwarts, e desde cedo impressionou a todos com sua extrema inteligência e fome de sabedoria.

Aos treze anos se descobriu uma oradora nata, suas palavras encantavam e convenciam qualquer um. Rapidamente fez todos esqueceram o preconceito que tinham com seu sobrenome. A garota tinha uma beleza e um carisma tão grande que por onde passava arrastava vários seguidores tanto sonserinos quanto de outras casas. Ela é claro, escolhia a dedo quem entraria em seu círculo social: apenas os mais talentosos e de preferência com sangue puro.

Quando completou quinze anos, antes de começar seu quinto ano em Hogwarts ela encontrou algo que a impulsionaria ainda mais para alcançar seus objetivos: O diário de Bellatrix Lestrange.

O porão estava escuro àquela hora da noite, como não podia usar magia fora da escola (ela era super disciplinada com esses detalhes), Ágata teve que ascender uma vela e descer as escadas segurando o candelabro. Ela adorava explorar o porão da mansão Malfoy, ali ela tinha contato com objetos que lembravam tempos mais grandiosos de sua família.

Em meio a uma pilha de antigos álbuns da família e livros, encontrou um que chamou sua atenção: era verde esmeralda e tinha o símbolo da Sonserina na capa.

—Ágata, hora de subir e ir descansar, amanhã você volta para Hogwarts!

Ao ouvir a voz da mãe chamando-a na entrada do porão a menina sobressaltou-se.

—Já estou indo! – Respondeu enquanto escondia o livro debaixo da blusa e subia as escadas.

Apesar do pai ter muito orgulho da família Malfoy, Cecília a mãe de Ágata por outro lado, pensava bem diferente. Não gostava de ouvir falar do passado e se envergonhava cada vez que ouvia alguém sussurrando as suas costas sobre eles.

— O que tanto você faz nesse porão? Não é bom para sua pele ficar tanto tempo naquele lugar úmido e cheio de pó. — Disse torcendo o nariz enquanto a garota emergia do porão escuro subindo as escadas.

— Gosto de olhar as coisas antigas da nossa família.

— A vergonha que foi o passado dos Malfoy? Você deveria estar cuidando de sua aparência para um dia se casar com alguém de boa família e trocar de sobrenome! Sendo você a última da linhagem vai apagar a vergonha que foram os Malfoy.

— Se você odeia tanto essa família porque se casou com meu pai? – Perguntou a menina claramente irritada.

— Sabe como é difícil encontrar famílias puro-sangue hoje em dia?

A mãe era uma mulher muito difícil de lidar, como seu pai tinha aceitado se casar com alguém que desprezava tanto o sobrenome da família era um mistério para a menina. Apesar de passarem muito tempo juntas ela nunca havia conseguido construir um vínculo com Cecília. Também não tinham nenhuma semelhança nem na aparência, enquanto a mãe possuía cabelos negros e olhos azuis, a menina por sua vez herdara os cabelos platinados e os olhos acinzentados do pai, características que permitiam que só de olhar para ela as pessoas já percebessem que era uma Malfoy.

Para não entrar a discussão com a mãe e estragar a véspera de sua volta á Hogwarts, a garota deixou-a falando sozinha. A futilidade da mãe a cansava as vezes, ela não queria se casar e muito menos perder seu sobrenome. Seria o contrário: ela traria tanta grandeza ao nome Malfoy, e ao invés deles serem os seguidores como no passado dessa vez as pessoas que iriam venerá-los.

Se fechou em seu quarto e suspirou olhando o relógio chateada. Era muito tarde e o pai ainda não havia chego em casa, provavelmente com muito trabalho no Ministério da Magia. Novamente ia dormir fora de casa e ela teria que embarcar sem se despedir dele. A distancia e frieza que a menina tinha com a mãe compensava em amor e admiração por seu pai Scorpius Malfoy, as raras vezes em que ele estava em casa os dois passavam muito tempo juntos. O único problema era a falta que sentia dele, pois trabalhava demais chegando a passar dias fora de casa. Ela não o culpava se fosse ela no lugar dele também passaria o menor tempo possível perto da mãe.

Completamente sem sono resolveu pegar novamente o caderno que encontrara e ficou surpresa ao perceber que se tratava de um diário escrito por ninguém menos que Bellatrix Lestrange! Ali ela leu algumas páginas sobre a vida de Bellatrix quando ainda estudava em Hogwarts, e seu relato em primeira mão da convivência e admiração que tinha pelo extraordinário Tom Riddle. Passou a noite perdida naquelas páginas e mal percebeu quando amanheceu o dia. O diário deveria ter algum encantamento pois parecia ter poucas páginas, mas quanto mais ela lia mais relatos apareciam. E não eram só histórias do dia a dia, tinha também muitos feitiços, poções e outras coisas que Tom ensinara para ela e os outros. Era maravilhoso poder ler sobre a trajetória do Lorde das trevas, mesmo sendo sob a perspectiva de outra pessoa. Folhear aquelas páginas fez crescer sua fascinação pelo garoto que fora Tom Riddle, Bellatrix havia sido bem específica ao descrever cada traço dele, desde os cabelos castanhos levemente ondulados até sobre sua sagacidade e extrema inteligencia. Parecia o garoto perfeito! Ela se pegou desejando ter vivido na mesma época em que eles.

Parou a leitura quando viu que precisava se arrumar para ir para estação. Guardou o diário em seu malão, colocou também mais alguns objetos pessoais que ainda faltavam e saiu para procurar Vladmir, seu gato de estimação.

—Vladmir... psi,psi,psi – Chamou e logo o gato negro saiu de um dos cômodos da mansão todo altivo como se fosse o dono do lugar. Dizem que os animais se influenciam de acordo com a personalidade de seus donos, olhando para Vladmir era fácil confirmar essa teoria.

O gato soltou um miado indignado quando a dona o pegou e o colocou na caixinha de transporte. Assim, com tudo em ordem e a mãe tagarelando sobre como o filho dos Green era apaixonadíssimo por ela, Ágata foi para a estação pegar o trem para Hogwarts. Despediu-se da mãe com um aceno, sentindo-se afortunada por poder ficar alguns meses longe de tanta futilidade. Adentrou o trem logo encontrou uma cabine vazia onde sentou-se, abriu o diário e voltou a lê-lo.

A porta abriu-se de supetão e logo entrou Darla uma de suas amigas.

—Esse desenho aí é da marca negra? –Perguntou esticando o pescoço tentando descobrir o que continha no diário.

—Não sei do que está falando. – Dissimulou a menina enquanto fechava caderno, ela ainda não sabia se queria dividir aquela informação com a outra.

—Não precisa disfarçar, eu reconheço a marca quando a vejo, meu pai tem algumas anotações escondidas em casa com esse mesmo desenho. Dizem que no tempo em que o Lorde das trevas estava vivo, os seguidores dele conjuravam essa marca no céu após algum ataque. Também usavam como um meio de se comunicarem, tinham ela tatuada no braço e de alguma forma era por essa tatuagem que sentiam o chamado de seu mestre.

—Não é o momento para falarmos disso, pode trazer muitos problemas para nós e nossa família se alguém nos ouvir. As pessoas ainda temem muito o que aconteceu naquela época.

— Não entendo porque esconder, está claro que muitas famílias apenas fingem concordar com as coisas atualmente, mas se o Lorde das Trevas voltasse um monte de gente aceitaria ser Comensal ou algo parecido, algumas famílias tradicionais têm orgulho desse passado, só não se expressam abertamente.

—Eu sei disso mas temos que ser prudentes! Um dia com certeza vai aparecer alguém para terminar o que Ele começou, e talvez tenha até mais êxito e não seja derrotado por um garoto medíocre. – Disse torcendo o nariz ao lembrar do final que o adorado e grandioso Voldemort das histórias de seu pai teve.

— Eu adoraria ter essa marca tatuada no braço, é tão bonita. — Disse a outra pensativa, provavelmente se imaginando como uma Comensal.

—E pare de usar palavras como “Comensal” ou “Lorde das trevas” alguém pode nos ouvir.

A morena se calou diante da repreensão da outra. Era isso o que Malfoy mais priorizava em suas “amigas”: Obediência.

O resto da viagem foi feito em silencio, com Ágata treinando e conjurando alguns feitiços que lera no diário, e Darla lendo alguns livros clandestinos sobre poções que havia conseguido na Travessa do Tranco. Era por isso que ela conquistara o direito de andar com a loira, ela era muito boa em poções, principalmente aquelas que quando testadas em algum rato ou sapo terminavam com o animal morto.

Ao chegar nos salões de Hogwarts sussurros, risinhos e cochichos percorriam todas as mesas. Ao sentarem-se com os alunos da Sonserina Ágata ouviu algumas meninas do quarto ano conversando:

—Dizem que ele vem de Ilvermorny, umas das escolas de magia mais elitistas que existem.

—Me contaram que os pais dele eram daqui, a mãe inclusive estudou junto com a minha na época e quando ele era pequeno se mudaram e agora, sem ninguém saber o motivo estão de volta. – Sussurrou uma segunda.

—Deve ser difícil se mudar em pleno quinto ano.

—Se ele precisar de ajuda para se adaptar eu me candidato. – Respondeu a primeira aos risinhos.

Ágata decidiu não participar da conversa, tinha coisas mais importantes para focar do que em fofocas estudantis.

-Atenção alunos, antes de começarmos a seleção das casas tenho um aviso importante. – A Diretora Medéia começou a falar e todos se calaram para ouvi-la. – Isso não ocorre sempre em nossa escola, mas como era um caso especial aceitamos a transferência do Sr. Mathew Wood, ele veio de Ilvermorny e mesmo estando para começar o quinto ano vai ter que passar pelo chapéu seletor para descobrir em qual de nossas casas ele se encaixa melhor. Espero contar com a simpatia e hospitalidade de todos para ajudá-lo a se adaptar á Hogwarts. Agora tragam o chapéu seletor!

Foi a coisa mais ridícula que ela já havia visto na vida: O garoto era alto e forte mesmo para os garotos de sua idade, e parecia muito desengonçado perto das crianças menores que estavam esperando para usar o chapéu. Para piorar ainda teve que entrar na fila e aguardar chamarem seu nome de acordo com a ordem alfabética e por isso foi um dos últimos a passar pelo chapéu. Quando o garoto sentou no banco minúsculo e colocou o chapéu em sua cabeça, a menina não pode deixar escapar um riso de deboche, ele era tão patético.O garoto percebeu, porquê de onde estava lançou um olhar fulminante para ela.

O chapéu seletor começou a analisá-lo:

"Você tem um grande coração e um grande potencial para ir para a lufa-lufa, porém, espere... muito curioso! Vejo algo raro e diferente, nunca vi um aluno assim antes. É como se duas pessoas extremamente diferentes habitassem você. Esse seu outro lado é muito mais forte, mais ambicioso e aspira grandes feitos. Diante disso será: SONSERINA!"

As meninas da mesa aplaudiram eufóricas, o que fez Ágata olhar para elas revirando os olhos. O garoto sentou-se na mesa e logo haviam várias garotas e até alguns garotos disputando sua atenção enquanto ele tentava comer em paz. De onde estava, o menino cruzou o olhar com o dela, e ela o mirou fixamente com tanta superioridade e frieza que o menino desviou os olhos encarando seu prato cheio de purê de abóbora. Ela sorriu satisfeita, aquele seria o ano em que ela começaria a se tornar a bruxa mais poderosa de Hogwarts, ela podia sentir!

Naquela mesma noite quando subiu para o dormitório, após se arrumar para a dormir enquanto passava pela janela do quarto ela se assustou com o que viu: refletido no vidro atrás dela estava um garoto, mais ou menos de sua idade com vestes da Sonserina, alto, cabelos castanhos,mirando-a intensamente. Rapidamente ela virou-se para ver quem era e confrontá-lo por estar no dormitório feminino, mas não havia ninguém, o local estava vazio exceto por Darla que já dormia profundamente. Olhou novamente seu reflexo na janela de pijamas e com um olhar assustado. Devia estar tão cansada que estava tendo alucinações com garotos imaginários. Deitou-se, e por fim conseguiu pegar no sono e descansar.

Notas finais
Galera, fiz um pequeno trailer da Fanfic, para mostrar quem eu imagino sendo cada personagem e um pouco mais da idéia da história. Se quiserem dar uma olhada é só clicar no link: https://youtu.be/8Cr2mlmi1nM