A última Malfoy

14 Mudanças de verão.


Notas iniciais
Obrigada a todos que deixam seus comentários fazendo essa escritora aspirante aqui muito feliz ♥

Thomas Gaunt sentia-se sonolento e cansado, a cada passo que dava em direção ao Salão Principal ele tinha uma certeza: precisava de café misturado com uma poção estimulante. Foi direto para o seu lugar na mesa dos professores. Logo os alunos começaram a chegar e encher o salão de vida. Pensou em como tudo ali era bem diferente de Durmstrang. Começou a imaginar como seria sua vida se tivesse estudado em Hogwarts. Risos preenchiam lugar, enquanto alunos de todas as casas ocupavam as mesas para o café da manhã. Mesmo que a história do Dementador continuasse a rondar os pensamentos e os pesadelos de todos, nada conseguia acabar com a aura de alegria adolescente que habitava aquela escola. Não pode deixar de admitir que essa energia era renovadora.

Sentiu que alguém o estava encarando e quando levantou o rosto viu a garota Malfoy olhando-o da mesa da Sonserina. Estava sentada ao lado do menino que o recebera na noite do baile, talvez fosse o namorado. Estremeceu lembrando-se do sonho que tivera na noite anterior, e por um momento se sentiu ridículo. Fora um sonho qualquer e não significava nada de especial, apenas um reflexo de seus pensamentos que andavam agitados com tudo o que estava acontecendo. Não havia motivos para temer uma garotinha que, de tão delicada e pequena, parecia até feita de porcelana. Desviou o olhar para o outro lado do salão tentando focar em outras coisas: sua rotina com as aulas de duelo.

Os dias se passaram e não importava o que fizesse, não conseguia tirar a garota de seus pensamentos. Sentia-se atraído, compelido a busca-la. Cada corredor por onde passava inconscientemente torcia para encontrá-la, na hora das refeições varria o Salão Principal com os olhos procurando os olhos cinzentos e os cabelos platinados. A noite, os sonhos se repetiam, e sempre acabava da mesma forma: com o garoto macabro lhe dando o mesmo recado. Começou a pesquisar sobre a família Malfoy, e então lembrou-se porque aquele nome era tão familiar. Nos anexos do Ministério citavam os Malfoy como uma família de antigos Comensais da Morte e seguidores de Voldemort. Ao ler isso, jogou os pergaminhos de lado, odiava qualquer coisa que tivesse ligação com aquele nome. O Lorde das trevas estava morto, os Comensais não existiam mais e ele queria esquecer tudo o que tivesse ligação com o mesmo.

Enquanto isso nas masmorras Ágata recrutava o maior número de seguidores possíveis, na maioria jovens encantados e seduzidos com o poder e a aventura de lidar com algo proibido. O número de Demônios da Noite só aumentava, todos marcados pela tatuagem da pequena cobram no dedo médio. Foi com a ajuda deles que ela conseguiu tirar o Dementador da escola por uma passagem secreta e esconde-lo em uma casa da família esquecida em Hogsmeade. Com a criatura fora de Hogwarts a paz se instalou novamente e os alunos ficaram tranquilos pois ninguém viu mais nada de estranho. Com o tempo os Aurores foram embora e apenas Thomas insistiu em ficar e continuar o seu disfarce como professor de Duelos. Por mais que quisesse, não conseguia se afastar de Hogwarts.

(...)

Em um final de semana quando todos foram a Hogsmeade, a menina Malfoy aproveitou para ficar sozinha na beira do lago lendo o diário. Riddle estava sentado ao seu lado em silencio. Ultimamente era sempre assim entre os dois, apesar dela evitar conversar com ele por causa do beijo no dia do baile, o garoto sempre estava lá quieto, zelando por ela como um anjo das trevas. Por fim ela não aguentou e quebrou o silencio:

— Tem uma pessoa nova na escola, Thomas Gaunt.

— Você disse Gaunt?

— Soa familiar?

— Não se esqueça de que sou apenas uma memória, o conhecimento que eu tenho é apenas o que Voldemort me permitiu para instruir sobre os objetos. Não reconheço esse sobrenome.

Ágata não gostou muito do que ouviu, tinha a sensação de que ele escondia alguma informação. Resolveu não comentar sobre o quanto Thomas era parecido com Riddle. Talvez isso fosse algo que ela teria que investigar sozinha. O tal professor de Duelos a intrigava, era apenas alguns anos mais velho que ela, mas não parecia ser um simples professor iniciante, ainda mais com a destreza que ele demonstrou quando salvou Liv da queda da vassoura. Tudo isso sem falar na semelhança com Tom Riddle que não podia ser uma mera coincidência.

— Faz algum tempo que não fica sozinha comigo. – Disse Riddle mudando o rumo da conversa.

A menina estremeceu apenas ao ouvir aquela frase, achava que o namoro com Matt a ajudaria a esquecer os sentimentos por Tom, mas foi em vão.

— Estive muito ocupada recrutando.

Ele andou até ela e acariciou os cabelos loiros e sedosos dela.

— Ah! Pequena Malfoy, você se esquece que apesar de ter essa aparência sou muito mais antigo e sábio em algumas coisas. Eu sei que está evitando sentir o que sentiu na noite do baile.

— Não sei porque fiz aquilo. – Disse ela desconcertada lembrando do beijo. – Eu estou com Matt, é assim que deve ser. Ele é uma pessoa de verdade, sem ofensas.

— Você não pode se distanciar de mim. – Disse ele se aproximando cada vez mais. – Sou uma parte de você agora, precisa de mim de todas as formas.

O coração da garota batia acelerado e ela pensou que fosse enfartar a qualquer minuto.

— Quando foi que você começou a ter capacidade de sentir? — Perguntou ela ofegante.

— Quando conheci você.

Dizendo isso ele a beijou novamente, mas dessa vez foi muito mais caloroso e intenso. Seus lábios encontraram os dela sem pedir permissão, de forma abrupta. Era uma sensação indescritível e ela nunca poderia colocar em palavras como era estar com alguém como ele. Por alguns segundos esqueceu-se de tudo, mesmo sabendo que era impossível e errado ela só queria aproveitar. Quando o beijo acabou ela se sentiu desorientada e perdida. Olhou o rosto do garoto que sorria para ela confiante. Ele estava certo, ela não podia mais ficar sem ele, era uma parte dela e pior ainda: uma parte de seus sentimentos mais profundos.

— Hey Malfoy, você deveria ter ido com a gente a Hogsmeade! – O grito de Alex ecoou pelos ares enquanto o garoto acompanhado de Darla e Matt vinham em sua direção.

Ainda perdida ela olhou para os garotos que se aproximavam.

— Aconteceu algo? Você está corada! – Comentou Matt.

Ela olhou de relance para Tom que ao seu lado ria do comentário do garoto.

— Estou bem, e então o que tinha de tão especial em Hogsmeade hoje?

— Tinham alguns Aurores andando por lá. Até quando vamos ter que ficar cobrindo rastros?

— Até nos formarmos. – Respondeu a menina.

—Nem precisamos continuar a estudar aqui, sabemos mais do que eles ensinam. Porque continuar?

— Não apresse meu plano, se digo que temos que ficar mais um tempo é porque ainda tenho coisas para fazer nesse lugar. – Respondeu ela fitando o lago negro, onde á alguns dias antes ela havia descoberto que era o lugar que estava escondido o próximo objeto.

Diante disso Matt se calou. A garota estava ficando cada vez mais hostil e controladora, ás vezes se perguntava se ela realmente sentia algo por ele ou se estava apenas estava manipulando-o para manter sua lealdade.

(...)

Os últimos meses do ano letivo passaram voando. A Corvinal ganhou a taça das casas, e Rosie não parava de esfregar isso na cara da irmã Grifinória e dos amigos Sonserinos. Ágata não se importou, sua última preocupação no mundo era sobre ganhar pontos para a Sonserina, seu objetivo ali era muito maior que aquilo. Malfoy e seus amigos terminaram o ano com as melhores notas e para recompensá-la seu pai Scorpius lhe ofereceu uma enorme festa que serviu também para comemorar seu aniversário de dezesseis anos. Durante suas férias de verão ela se isolou na mansão Malfoy, passou a maior parte do tempo com Tom, aprendendo as artes das trevas e rendendo-se aos seus encantos no tempo livre. Às vezes a menina fazia algumas visitas misteriosas em Hogsmeade, que os pais nem percebiam, pois estavam sempre muito ocupados. Quando ela se deu conta, haviam passado semanas sem que tivesse enviado uma única carta para Matt. O jovem Wood por sua vez também não se deu ao trabalho de tentar procurar a namorada.

Alex e Darla estavam cada vez mais apaixonados. Durante as férias conseguiram escapar algumas vezes para se encontrarem. Os dois compartilhavam do mesmo peso que era passar um longo período de tempo com a família, já que Darla não suportava mais mentir e Alex não aguentava os insultos e as surras que levava do pai. Quando estavam juntos se apoiavam se protegiam, e tudo parecia ficar bem. O laço que os unia era forte e parecia ser duradouro, daqueles amores que só se encontra uma vez na vida. Darla, no entanto sempre sentia que havia algo atrapalhando. A lealdade que Alex demonstrava por Ágata era muito maior do que qualquer paixão juvenil. Era quase um fanatismo, como se as Artes das Trevas fossem uma religião para ele e a Malfoy sua deusa.

As gêmeas aproveitaram as férias para viajar com os pais, Rosie não deixou um só minuto de pensar e praticar tudo o que vinha aprendendo com a Malfoy. Com a chegadas de novos seguidores ela não queria ficar para trás, precisava continuar pertencendo ao círculo mais íntimo de sua líder. Sentia a necessidade de estar perto dela, ter sua atenção e aprovação. Lizzie por outro lado, se jogou de cabeça em coisas fúteis como compras e garotos, para ela o juramento que fizeram de seguir a Malfoy era apenas uma tendência, uma brincadeira de escola que ela poderia abandonar quando quisesse. Devido as diferenças de pensamento, as irmãs Parkinson que antes compartilhavam tudo, acabaram se afastando no verão. Dois meses de férias parecem pouco para tantas mudanças, porém para eles que estavam no auge de sua adolescência era tempo suficiente para que mudassem de idéia, estilo, personalidade e amadurecessem praticamente da noite para o dia.

Thomas continuava a ter sonhos e mais sonhos com a garota Malfoy e com garoto que era tão parecido com ele. Às vezes no sonho o menino lhe entregava um diário, outras vezes ele via a menina Malfoy com roupas negras e uma capa longa com capuz, ou então acordava com a imagem de uma tatuagem de cobra brilhando. Ficou praticamente obcecado, pesquisando tudo o que pode sobre a família, a vida da garota em Hogwarts e toda a ligação que tiveram com o Lorde das Trevas. Pesquisou tanto que nos arquivos mais antigos e esquecidos do Ministério encontrou coisas que não queria saber sobre o seu próprio passado. Ele tentava com tanto afinco esquecer e esconder de onde tinha vindo, tentava ser uma pessoa boa e contrariar tudo o que seus antepassados foram, mas parece que a obscuridade sempre perseguia os Gaunt. Ou como acabara de descobrir: os Riddle.

Notas finais
O capítulo está menor comparando com os que costumo postar. Minha idéia foi acelerar um pouco o tempo de nossa história de uma forma que ela não perdesse a qualidade, para que comecemos a acompanhar Ágata no sexto ano em Hogwarts. Agora muitas reviravoltas virão, e nossa história começa a ficar um pouquinho mais sombria.