A última Malfoy
9 Marcus Skeeter, o perseguidor.
Darla xingou baixinho quando escorregou no gelo pela décima vez enquanto atravessava o gramado puxando seu malão. Estava ansiosa para ver Alex, queria beijá-lo, ouvir sua voz, mas seria impossível, pelo menos por enquanto. Se perguntou como teria sido o Natal de seus colegas ali no Castelo. Com certeza melhor do que o seu, soltou um suspiro involuntário ao se lembrar:
Flash back on:
“Acordou na manhã de Natal com duas corujas bicando sua janela. Assim que abriu as aves sobrevoaram o quarto jogando dois embrulhos sobre a cama: Um era um presente de Ágata, um lindo cachecol verde e prata com as insígnias dela bordadas D.L. O outro era das gêmeas, um par de luvas verde esmeralda combinando. Rapidamente guardou os presentes no fundo do seu malão para que ninguém visse, do contrário começariam a fazer perguntas.
Tomou um banho, se vestiu e desceu para o café da manhã. Ao passar pela sala viu a árvore com vários presentes e Greg seu irmão embaixo dela espiando o que havia dentro dos embrulhos. Quando percebeu que havia sido pego ele colocou o indicador sobre os lábios, pedindo que ela não o dedurasse. Ela seguiu para a cozinha e antes de entrar no cômodo já podia ouvir risos enquanto o cheiro de pão invadia suas narinas. Os motivos dos risos eram os pais, que ao som de uma música dançavam e riam sem parar. Por um momento ela parou na porta observando-os, queria ter um amor assim, duradouro, resistente ás dificuldade e ao tempo. Será que aquilo tudo seria possível se continuasse seguindo Ágata e confiando em seus planos de se tornarem bruxos das trevas?
— Bom dia filha! – Assim que a viram param de dançar.
— Podem continuar, estavam arrasando! – Brincou a menina enquanto sentava na mesa e pegava uma fatia do pão recém-saído do forno.
— Viu seu irmão? – Perguntou o pai.
— Não. –Respondeu ela inocentemente.
— Aposto que está abrindo os presentes antes da hora! – Disse o pai enquanto corria para a sala. Logo voltou puxando o menino para a consigo.
— Todo ano a mesma coisa Greg? – Ralhou o pai.
— Foi só uma espiadinha! – Reclamou o menino. – Eu queria ver o que os Skeeter haviam me mandado, porque o presente do ano passado foi péssimo!
— Vamos abrir os presentes com eles hoje depois da ceia, e independente de qual seja o presente quero que seja educado. Não nos envergonhe.
Greg cruzou os braços emburrado, enquanto Darla puxava o pequeno para um abraço afim de animá-lo diante da bronca que havia levado.
Mais tarde no mesmo dia, uma terceira coruja chegou, dessa vez com uma caixinha pequena. Dentro havia um bilhete:
“ Feliz Natal para a garota mais linda da Sonserina!
— Alex Goyle. “
Ela sorriu ao ler, abriu a caixa e dentro havia uma pulseira de prata com pequenas cobras e pedrinhas de esmeralda. Aquilo deveria ter custado caro! Meteu o bilhete e a pulseira no bolso do casaco, antes que alguém visse. Aquele foi o maior erro que poderia ter cometido. A tarde os Skeeter chegaram, enquanto as mulheres ajudavam na cozinha, os homens foram para a sala conversar.
A noite depois da ceia todos foram abrir os presentes na sala. Os mais velhos tomavam gemada sentados no sofá, enquanto ela, Marcus e Greg estavam no chão em frente a lareira abrindo os presentes.
— Oh! Penas, pergaminhos e um par de meias. Obrigado! – Greg agradeceu aos pais de Marcus tentando fingir animação.
— Abre o meu agora. – Disse marcos animado para ela.
Darla pegou o embrulho em papel pardo e abriu, dentro havia uma caneca toscamente pintada, feita de argila.
— Queria te dar algo que eu mesmo fiz! – Disse o garoto orgulhoso.
— É muito atencioso de sua parte, obrigada. – Disse ela sorrindo amarelo.
Virou a caneca amarela de um lado para outro tentando desvendar o que ele havia desenhado nela.
— É o símbolo da Lufa Lufa. – Disse ele percebendo a dúvida da garota. – Pensei que podia leva-la para Hogwarts e assim sempre vai se lembrar de mim quando estiver lá.
A última pessoa que ela pensava quando estava em Hogwarts era nele! De qualquer forma sorriu agradecida. Tentava demonstrar alegria, mas seu coração estava carregado de preocupação. Ela precisava terminar logo com ele, pois situação estava ficando cada vez mais difícil.
— Vou tomar um ar. – Disse para os pais.
— Mas está muito frio lá fora. – Úrsula se intrometeu.
— Eu vou com ela, vai ser romântico. – Disse Marcus sorrindo, enquanto todos olhavam para eles com um sorrisinho.
— Eles querem ficar um pouco sozinhos. – Disse a mãe de Darla erguendo as sobrancelhas sugestivamente.
Como não teve escolha, ela saiu com Marcus e juntos eles foram para a varanda. De frente um para o outro sentaram-se em uma cadeira de balanço.
— Eu preciso conversar com você. — Ela estava nervosa. – Sei que hoje não é a melhor data, e que esse não é o melhor momento, mas não posso continuar assim.
— Pode me falar o que quiser. – Disse ele segurando-lhe a mão.
— Ultimamente venho me sentindo muito pressionada com o futuro, parece que tudo já foi escolhido pelos meus pais e eu nem tive a chance de viver do meu jeito. – Desabafou ela. — Quero ter a liberdade de saber quem eu sou, descobrir o que gosto de verdade, e quero fazer isso sozinha. Você me entende?
— Está terminando comigo? – Seu semblante mudou na hora.
—Digamos que quero um tempo para me descobrir.
— Um tempo para se descobrir ou para se divertir com Alex Goyle? — Perguntou ele enquanto sua face que sempre era gentil mudou como uma máscara agressiva e cheia de raiva.
— O que? – Ela levou um choque ao ouvir aquele nome sair dos lábios dele.
— Acha que eu sou idiota? – Disse ele enquanto tirava do bolso do próprio casaco a pulseira que ela havia recebido mais cedo.
— Onde achou isso? Mexeu nas minhas coisas? — Perguntou ela indignada.
— Sou seu namorado, é claro que quando você não está por perto eu olho as suas coisas. Hoje eu vasculhei seu quarto enquanto você estava ajudando na cozinha. E ainda bem que olhei porque acabei descobrindo a mentirosa que você é.
Ele havia se transformado, não parecia em nada o garoto atencioso e bondoso que fora nos últimos dois anos. Era como se um outro garoto tivesse tomado seu lugar.
— Alex é só um colega. — Mentiu ela, tentando amenizar a situação.
Ele segurou-a forte pelo braço machucando-a, e sacudindo a garota com violência.
—Para de mentir! – Ele começou a levantara a voz enfurecido. – Faz tempo que eu sei que mente sobre sua casa em Hogwarts, porém nunca contei nada, porque quem ama protege. Mas imagine o que os seus pais iam dizer se soubessem que você é da Sonserina e vem mentindo a cinco anos?
— Me solta! Se me amasse mesmo não estaria agindo dessa forma, eu nem te reconheço.
— Depende de você como eu sou, se fizer minhas vontades como vem acontecendo a dois anos tudo volta ao normal, agora se tentar me deixar eu juro que vai conhecer um lado meu que não vai gostar.
Ele soltou o braço dela, e a garota massageou o local. Com certeza ficaria roxo. Respirou bem fundo para não dar um soco na cara dele, precisava pensar com calma, se fizesse algo que o desagradasse ele poderia contar tudo aos pais dela e ela não queria que soubessem daquela forma.
— Por favor não conte a eles. Eu vou falar no meu tempo.
— Muito bem, se não quiser que eles saibam, você vai entrar demonstrando felicidade e com um sorriso no rosto, vai esquecer essa história de terminar comigo, e se eu desconfiar que você voltou a ver esse garoto eu conto tudo! Um Goyle, sério mesmo Darla?
Ela estava enfurecida, nunca havia sentido tanto ódio em sua vida. Assim que tivesse a chance faria Marcus pagar pelo que havia acabado de fazer.
— Que seja como você quiser.
Com a mesma rapidez que ele se enfureceu o seu rosto voltou a ter o sorriso calmo e gentil de sempre.
— Tudo bem minha querida, agora vamos entrar. Essa pulseira e o bilhete ficam comigo, para você se lembrar que tenho provas contra você. E não tente me enganar porque eu vou saber de cada passo seu em Hogwarts, aprendi vários métodos de vigiar aquela escola sem ser pego e mesmo não estudando lá conheço muito bem o terreno, é por isso que faz tempo que eu sei que você mente sobre ser da Lufa Lufa.
— Você me espiona enquanto estou em Hogwarts, como? – Ela não conseguia acreditar.
— Em Hogwarts, em Hogsmeade, saiba que sempre estive de olho Darla. ”
Flash back of.
Agora ela voltava ao castelo sem saber o que fazer, ela sempre achou que tinha um relacionamento tranquilo com o garoto, apesar de aceita-lo apenas para agradar aos pais, porém descobriu na outra noite que ele não passava de um psicopata paranoico! Ela temia que ele pudesse fazer algo contra Alex ou seus amigos, ou que descobrisse que eles andavam metidos com magia das trevas. De um Skeeter ela poderia esperar qualquer coisa.
Entrou no castelo e foi direto para os dormitórios. Era tarde, porém Alex ainda estava na comunal vazia esperando por ela. Ao ver amenina entrar ele se levantou de onde estava e foi recebe-la com um sorriso enorme no rosto. Ao vê-lo seu coração disparou de felicidade, mas ela se manteve neutra.
— Seja bem-vinda de volta!
— Obrigada! – Agradeceu ela um pouco nervosa.
— Quer dar uma volta pelo castelo? – Perguntou ele baixinho enquanto mostrava a capa da invisibilidade em sua mão.
— Estou cansada, tudo o que quero é dormir para voltar as aulas amanhã.
Ele pareceu decepcionado, porém não insistiu.
—Tudo bem. Tenha um boa noite.
— Você também.
Com o coração partido ela subiu para o dormitório feminino. É claro que estava louca para ficar a sós com ele, mas não podia arriscar sem saber do que Marcus era capaz. Assim que possível ela ia contar tudo aos pais e se livrar do Skeeter. Até lá, teria que se manter longe de Alex. Chegou no dormitório e a primeira coisa que viu foi a Malfoy dormindo, parecia estar em sono profundo e tinha um sorrisinho bobo no rosto. Na testa um esparadrapo e Darla se perguntou o que teria acontecido em sua ausência. Pé ante pé para não fazer barulho ela se trocou e foi dormir.
Na manhã seguinte sentiu acordou com alguém puxando suas cobertas.
— Acorda Darla! É a semana dos NOM’s, precisamos chegar mais cedo as aulas. – Ágata parecia ter acordado com muita energia.
— Me de mais cinco minutos. – Resmungou a menina.
— Agora! Vamos!
Sem escolha ela se levantou e as duas correram para o café da manhã. O dia foi tumultuado, todos estavam tensos com as aulas extras e o nervosismo devido aos exames. À tarde tiveram um tempo livre e foram estudar sentadas em um banco próximo as estufas. Era um dos lugares mais tranquilos que encontraram, já que a própria biblioteca estava tumultuada.
— Não é só um exame, define toda a sua vida profissional. – Explicava Ágata para Rosie que não queria nem saber de revisar a matéria.
— Eu não ligo, só quero tirar um cochilo. – Reclamava a outra chorosa.
Enquanto as meninas conversavam, Darla percebeu algo se mexendo em uma moita próximo a elas. Olhou atentamente e jurou ter visto os cabelos escuros e arrepiados de Marcus. Seria possível? Levantou-se sem falar nada para as garotas e foi checar. Para seu alívio não havia ninguém, apenas um pequeno pássaro negro que levantou voo. Ela estava ficando paranoica.
— Darla o que está acontecendo com você? Está aérea o dia todo! – Perguntou Lizzie com preocupação.
— Nada gente, está tudo bem. – Mentiu. – Me contem como foi o feriado?
— Foi ótimo! Matt deu uma poção do amor para Ágata e foi o maior escanda-lo, depois eles duelaram e ela deu uma surra nele. Ah! E conseguimos achar o próximo objeto da bussola e tem um Dementador aqui em Hogwarts. – A segunda gêmea começou a tagarelar sem parar.
— Rosie! Cale a boca. – Ágata olhava nervosa para os lados, para ver se ninguém havia escutado.
— Como que é? – Questionou sem saber se havia escutado direito.
— O Matt deu uma poção do amor para Ágata. – Cochichou Rosie.
— Não isso! Sobre o Dementador.
— É verdade, havia um Dementador na sala e eu quase morri quando ele me pegou. – Respondeu Lizzie estremecendo só de lembrar.
— Estava guardando o objeto? – Questionou Darla curiosa. — Eu pensei que estavam extintos.
— Na verdade não, ele tem ligação com o objeto que preciso pegar naquela sala, mas aqui não é o lugar para falarmos disso. – Respondeu Malfoy séria e todas voltaram a revisão dos estudos. Ninguém queria ser a razão de despertar o mal humor dela.
Os dias se passaram e vez ou outra ela levava algum susto vendo Marcus em todos os lugares: atrás das arquibancadas durante sua aula de voo, na orla da floresta proibida, e em outros lugares. No dia das provas enquanto caminhava sozinha por um corredor buscando a sala para fazer a o NOM de Transfiguração ela jurou ver um vulto seguindo-a. Parou bruscamente virou-se e tudo que viu foi o pequeno pássaro negro no peitoril da janela. Tudo o que ele disse sobre vigiá-la devia ter sido um blefe e ela estava deixando sua imaginação pregar-lhe peças com isso.
O dia foi intenso e todos corriam de sala em sala para fazer os NOM’s com um funcionário mandado pelo Ministério da Magia para aplicar as provas. No final do dia, só lhes restavam aguardar os resultados que sairiam em alguns dias. Porém era impossível para de falar sobre isso:
— Espero tirar a nota mais alta em todas as matérias, assim terei liberdade de escolher a profissão que eu quiser. – Disse Ágata que ainda não tinha certeza do que queria fazer no futuro.
— Eu espero ter notas suficientes para me tornar Pocionista ou Auror. – Respondeu Darla.
— Eu quero ser uma jornalista mega famosa. – Disse Rosie se olhando pela décima vez em seu espelho de bolso.
— E você Alex? – Perguntou Lizzie para o garoto que até então estava calado.
— Ainda não sei. Jogador de quadribol com certeza não vou ser. – Disse ele brincando e todas riram, pois Alex era muito desajeitado nas aulas de voo.
— Vou indo, tenho algumas coisas para fazer sozinha. Depois encontro vocês. – Ágata se levantou e saiu em direção as masmorras.
— Nós também temos algumas coisas para resolver antes de irmos a Hogsmeade amanhã. – Disse Lizzie puxando a irmã.
Alex fitou Darla desconcertado, era a primeira vez desde que ela voltou que eles ficavam sozinhos, ele sabia que ela o estava evitando. Um silencio constrangedor prevaleceu fazendo os dois continuaram lá, sentados perto das estufas sem saber o que fazer.
— O que está acontecendo Darla, porque está me evitando? – Alex foi o primeiro a quebrar o silencio.
— Apenas estou cansada e pressionada pelos exames.
— Tem certeza de que é só isso?
O vento soprou um pouco mais forte deixando os cabelos ondulados dele bagunçados. Ela nunca tinha visto ele tão bonito, talvez fosse a saudade. Ela não conseguia resistir a ele, seu coração parecia que ia sair do peito sempre que o via.
— Está tudo bem com a gente. – Disse ela sorrindo e segurando a mão dele.
Ele se aproximou um pouco mais, olhando fundo em seus olhos, os lábios quase se tocando. Ela sabia que o melhor era sair dali, porém não conseguia. Ela ansiava por aquele beijo desde que voltou e o encontrou na sala comunal a noite. Por um momento pensou em se deixar levar, mas então pelo reflexo da vidraça atrás de Alex ela viu algo que fez seu sangue gelar: Marcus! Estava parado atrás da mesma moita que ela achou ter visto algo no outro dia. Dessa vez ela teve certeza de que era ele. Assustada ela empurrou Goyle involuntariamente quase derrubando-o do banco em que estavam sentados. Ainda olhando a vidraça assustada percebeu quando Marcus se transformou em um pequeno pássaro negro e alçou voo.
Lembrou-se de todas as vezes naquela semana que achou que estava sendo seguida. Em todas o pequeno pássaro estava lá, e era por isso que ele disse que conseguiria vigiar todos os seus passos ali em Hogwarts, típico de um Skeeter! Ela não podia mais reconhecer Marcus com aquelas atitudes doentias, a chantagem, o desespero para mate-la presa ao relacionamento, não era normal. Ou talvez ele sempre fosse daquela forma o tempo todo, porém mostrava a ela apenas a parte dele que ela gostaria de ver. Por um segundo ela temeu que ele fizesse algo contra Alex, essa versão dele parecia capaz de tudo para mantê-la presa naquele relacionamento.
— O que foi? – Alex parecia confuso.
— Nada, aqui é muito aberto e tenho medo de que alguém nos veja.
— Não tem ninguém aqui. Não precisa se preocupar com a vergonha que tem de ser vista beijando o perdedor de Hogwarts. – Ele se levantou, lançou para ela um olhar magoado e foi embora.
Por alguns instantes Darla continuou ali, sentada e sem saber o que fazer. Um arrepio percorreu seu corpo, e ela resolveu entrar. Apenas uma pessoa saberia o que fazer, alguém que poderia ser dez vezes mais insana e cruel do que Marcus. Ela precisava contar tudo para Ágata.
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