A última Hora
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Abri meus olhos, mas só pude ver o cinza daquela cela vazia, lá havia duas coisas além das paredes, do teto, do chão e das grades: uma cama e uma privada, tudo cinza, sem vida, sem esperança, só cinza.
Era uma cor que me encanta por sua falta de vida, me fazia lembrar dos corpos daqueles que matei.
Lembrei-me do meu antigo quarto, tinha belas paredes vermelhas, intensas, vivas, como o sangue que tanto me fascina.
Como pude deixar-me capturar assim? Nunca fui desleixado, muito menos deixava pistas... Como vim parar aqui?
Oh! Sim... Ela me entregou, depois de palavras doces de compaixão e beijos cálidos... Aquela maldita psicóloga!
A entrada da cela se abriu e por ela um padre passou, maldito padre.
-Vim para receber seu pedido de perdão perante o Grande Deus, nosso pai, para que sua alma tenha a chance de viver no Reino dos Céus – quase dormi assim que ele começou com sua ladainha típica desses religiosos.
-Não preciso do perdão do seu Deus, um Deus que permite a sua Igreja de fazer o que fez até hoje não pode ser louvado – disse o mais ríspido e frio que pude.
-Você não está em posição para falar sobre moral, meu caro rapaz – o padre retrucou mantendo a voz serena.
-Eu pelo menos não tive culpa na Inquisição, como, me diga apenas como, uma igreja que permite massacres por séculos, pode condenar um simples Serial Killer como eu?
-Nós já nos redimimos – era estranho ver um desses aduladores de estátuas não perder a calma.
-Redimiram bem, não foi com o dinheiro da sua igrejinha que os nazistas remanescentes fugiram? – eu queria rir, como era tão prazeroso torturar religiosos.
Ele se levantou, ainda mantendo a cara calma, mas disse com a voz mais dura – você não merece o perdão – e saiu sem ao menos se despedir.
-Que pena, eu ainda estava apenas me aquecendo - suspirei sentindo a alegria momentânea de atormentar alguém se esvair e o tédio tomar seu lugar.
Será que poderiam me matar numa sala vermelha? Assim posso me preparar para o inferno.
Mais uma hora. E pensar que dizem que nós não sabemos quando vamos morrer... Aqui, no Corredor da Morte, todo mundo sabe exatamente quando a morte virá e, para mim, será daqui à uma hora.
Uma pessoa que temesse a morte estaria apavorada e ansiosa, eu estou apenas entediado.
Gostaria que ela estivesse aqui para poder passar o tempo, nossas conversar sempre levavam horas a fio... Ela era a única que conseguia me entender, bem era isso que eu achava.
Só mais quarenta minutos, como o tempo passa rápido quando não se liga pra ele.
Fechei meus olhos e deixei minha mente divagar por águas passadas... Fui levado novamente até AQUELE dia.
Ela chegou de cabeça baixa à minha casa, Annelyze era seu nome, tinha cabelos de um loiro tão claro que pareciam brancos e seus olhos tinham um raro tom de castanho avermelhado, esses olhos estavam cheios de lágrimas naquela noite, pude ver gotas daquele líquido salgado e transparente percorrer suas bochechas rosadas até chegar à sua boca avermelhada ou no seu queixo delicado.
-O que houve, Anne? – perguntei sentindo preocupação, era um sentimento novo, acho que fora a primeira vez que me preocupei com alguém.
-Me perdoe, por favor... Fiz uma coisa horrível – ela balbuciou com a voz tremida e cortada pelos soluços.
-O que aconteceu? Se acalme mulher – falei um pouco mais alto, sempre odiei ver pessoas chorando.
-Eu... Eu... Contei sobre você para a polícia – então ela desatou a chorar mais e mais. Um sentimento de traição e raiva se apoderou de mim, eu estava perdendo o controle das minhas emoções – mas eu não queria! Eles, me pressionaram, eu fiquei confusa, contei sem querer, me perdoe – ela continuou em meio aos soluços.
Sem querer... Ninguém entrega alguém sem querer... Aquela raiva foi aumentando, minha mão tremia e minha consciência, a que controla meus impulsos, foi lentamente sendo entorpecida até que ela disse a gota d’água – me perdoe.
Perdi totalmente a consciência nessa hora e, quando ela voltou, eu estava sendo levado até o carro da polícia, antes disso só me lembro de ver o corpo dela igual aos das minhas vítimas anteriores, porém dessa vez, dessa única vez, eu não senti prazer em ver a morte que causei.
Ao voltar para minha realidade, a qual em breve acabaria, descobri que a hora havia chegado, o guarda chegou para me guiar até meu ‘carrasco’.
Fui conduzido pelos longos corredores, os demais presos me encaravam, alguns até murmuravam algo como “até o inferno” ou “guarde um lugar pra mim lá embaixo” contive um riso, eles não são todos más pessoas, afinal de contas, têm até senso de humor.
Cheguei à sala de execução, me amarraram a uma maca e enfiaram uma agulha na veia do meu braço, agora contavam os segundos para injetar o veneno que me mataria...
10...9...8...7...6...5...4...3..2..1... Vi o líquido esbranquiçado percorrer os tubos até encontrar meu sangue.
Comecei a sentir uma dormência, que começou pelos braços e foi se espalhando pelo corpo, era uma sensação boa, indolor, morrer dessa forma não é tão ruim... A dormência aumentou até que fechei os olhos e deixei de me preocupar em respirar ou fazer qualquer outra coisa. Fechei os olhos para nunca mais abri-los.
Notas finais
Espero que vocês gostem... Eu dei tudo de mim para deixar essa fic boa.
Por Favor, mandem reviews
Fale com o autor