A árvore de memórias

8 07. A árvore e a culpa


Notas iniciais
Bom, gostaria de me desculpar pela demora de novo. S: Minha rotina anda um tanto corrida, hahaha. boa leitura xwx/

Mais um dia havia se passado. A manhã começava, surpreendentemente, com o céu limpo e uma leve brisa. No chão, ainda havia água da neve que havia derretido de uma hora para outra. As casas ainda estavam úmidas, a terra ainda tinha o cheiro tipico de dias de chuva. O tempo estava agradável e acordar continuava difícil.

Havia saído com mais calma que o dia anterior, apesar de ter descido um pouco mais tarde do que o costume para o café da manhã novamente. Ao pedir desculpas, ouviu o leve riso dos seus guardiões enquanto diziam em tom de provocação, que era um processo normal de sua puberdade.

Desta vez Itsuki não o acompanhou à escola, o que de certa forma o deixava preocupado, mas ao mesmo tempo aliviado, visto que estava cansado e precisava de um tempo sozinho. Apesar dos dias mais pacíficos que o comum, Natsume estava ansioso. O clima mudando mais rápido que o normal, sentia que seu tempo estava acabando e que precisava agir rapidamente, mas, ao mesmo tempo, não via Itsuki tão tensa quanto ele e não entendia muito bem o porquê. Havia descoberto uma informação importante, mas optou por não contar a menina ainda. Estava no meio de uma semana de aulas, precisaria deixar o final de semana chegar e isso o fazia se sentir culpado — Se pegava pensando nessas coisas com uma pesada frequência

Um palpite rondava sua mente; "o tempo dos yokais e dos humanos deve ser, de fato, diferente." Em sua divagação decidiu que em seu tempo livre visitaria a árvore. Não havia muito a se fazer, mas acreditaria na mãe de Itsuki com todo seu coração. E esperava assim, poder salvá-la, pelo menos por mais algum tempo.

Logo era a hora de seu intervalo. Ficou com a leve impressão de que as horas escorriam por suas mãos, tudo passava muito rápido e não havia prestado atenção nas aulas. Na verdade só notou que tinha terminado, quando um grupo grande de pessoas curiosas olhavam a janela e chamaram seu nome.

— Natsume, Natsume! — pediam para que ele chegasse mais perto. — Aquele gato com a menina no portão, não é o seu?! — perguntavam com os olhos esbugalhados e extremamente curiosos. Natsume só conseguiu se preocupar e ir até a janela ver o que estava acontecendo.

Lá estava, Itsuki e Nyanko-sensei.

Ela estava sorrindo, com um vestido e um chapéu que ainda não conhecia. Estava bonita, muito bonita. Mas isso não vinha ao caso no momento. O que faziam alí? Itsuki não tinha os galhos usuais em sua cabeça, será que havia acontecido algo? Sem pensar duas vezes, o rapaz desceu sem dar nenhuma explicação. Apenas saiu correndo da sala e foi até o portão.

— Natsume-sa....! — Itsuki o saudou mas foi bruscamente interrompida, quando o rapaz a pegou pelo pulso e correu para fora da escola, fora de vista de seus amigos e colegas.

— O que estão fazendo aqui?! — perguntou ofegante, quando parou em meio as árvores. Olhou finalmente para o rosto de Madara, que os acompanhou sem ser puxado, para finalmente entender.

— Madara-sensei achou que seria uma boa ideia vir lhe visitar pra mostrar minhas novas habilidades — e empolgada, segurou o vestido com uma das mãos o esticando — agora consigo imitar um humano! Gostou do vestido? Ele me trouxe uma revista em que alguém usava um igual. — E apontou para o gato, gordo e culpado.

Nyanko tinha uma expressão sádica, que se divertia da situação. Natsume não havia entendido a relação dos dois até aquele momento: Antes se odiavam, mas Itsuki era ingenua e curiosa, e Madara gostava de ter seu ego inflado e se aproveitar de sua ingenuidade para pregar peças. Era meio obvio que a situação havia sido armada por ele para que ficasse sem jeito, mas também havia se surpreendido com a capacidade da yokai, visto que Nyanko já havia dito que apenas os poderosos — como ele — conseguiam fazer aquilo.

Natsume olhou para os dois com tom de desaprovação. — Vocês não podem fazer isso. Pode nos causar confusão... Sem falar que eu fico preocupado! — pausou alguns segundos para respirar — É melhor vocês irem para casa!

Nyanko deu os ombros como se não se importasse. Já havia se divertido, o caos já havia sido criado. Foi embora com o andar leve e orgulhoso. Já Itsuki parecia decepcionada, Passara a semana inteira treinado duro para poder mostrar melhorias ao rapaz, que nem havia reparado em nada.
— ok... — A fala foi desanimada, e a menina ficou parada por longos segundos. Ambos se olhavam sem entender muito bem porque ainda não haviam ido. Foi quando O rapaz reparou que ainda a segurava pelo pulso, o soltou de maneira brusca, se desculpando

— A-ah... Desculpe. — disse sem jeito, escondendo o rosto com a mão.
— Tudo bem. — Itsuki não entendia muito bem o porquê da desculpa, e também não se animou com a situação. Deu meia volta balançando a mão se despedindo de Natsume, correndo para chegar até o gato que estava mais à frente.



Natsume olhou o relógio, havia perdido o primeiro tempo da aula pós intervalo. Esfregou o rosto com as mãos em sinal de frustração. Não acreditava que acabara de faltar uma aula. Ainda não podia voltar à escola, por isso decidiu rapidamente visitar a árvore onde havia conhecido Itsuki. Lá, pendurou um papel em um dos galhos, com um pedido secreto. Pegou um pequeno ramo de árvore que achou no chão, para levar consigo. Fez um rápido e determinado sinal de reverência, para enfim, voltar às aulas.

Quando chegou em sua sala, não foi nenhum choque quando todos o olhavam. Não havia alí ainda um professor, visto que os alunos esperavam a troca de disciplinas. Até que uma figura conhecida o chamou na porta.

— Sua saúde anda um tanto frágil, não é mesmo Natsume-san? — Perguntou a professora que já havia perdoado sua ausência há algum tempo, quando desmaiou.

Uma enorme culpa surgiu sobre as costas do rapaz naquele momento. Havia se descuidado: estava disperso nas aulas, saiu da escola, e agora precisaria contar mais uma mentira para a professora. Sem mencionar o enorme medo que sentia de que seu comportamento terrível — pelo menos em sua própria visão — fosse comentado com seus guardiões. Um tumulto de pensamentos tão pesados estava em sua cabeça, que ela abaixou automaticamente e o fez olhar para o chão.

— Desculpe, professora.

— Tudo bem, só tenha certeza de se cuidar um pouco mais, certo? Tanuma-san avisou que você passou mal e que o acompanhou até a enfermaria.
A professora não pareceu se preocupar, entrou na sala com passos e expressões leves. Não tinha certeza se era porque seu comportamento habitual o dava essa vantagem, ou se ela percebia que ele já se sentia o suficientemente culpado. De qualquer forma, Tanuma havia o ajudado, ele precisava agradecer. Só não havia entendido muito bem o porquê desse “acompanhado”.
Quando se sentou, reparou na quantidade de olhares curiosos e maliciosos que iam em sua direção. Alguns alunos comentavam baixinho, enquanto um de seus amigos, Nishimura, resolveu fazer um interrogatório.

— E então....? — a frase foi prolongada com um tom de malícia.
— E então o que? — Retrucou Natsume, em tom mal-humorado.
Nishimura parou sem nem ter começado. Não conhecia o lado mal-humorado do rapaz, mas entendeu que queria evitar perguntas. Não parecia estar num bom dia, então depois para depois. Começou a olhar para a professora enquanto a mesma falava, com o rosto um pouco assustado.
Logo a aula terminou, e então Natsume não pode mais fugir das perguntas dos amigos.

— Estão todos dizendo que você arrumou uma namorada — Nishimura comentou para o rapaz em tom de brincadeira, Tanuma escondeu o rosto como se tivesse papel nisso tudo.

— De onde vocês tiraram isso tudo? — Natsume direcionou um olhar desconfiado para Tanuma, que quis esconder a cara no chão.
— Desculpe, eu segui você preocupado, vi você segurando a mão de uma menina. Falei isso para os dois — apontou para Nishimura e Kitamoto — e como você pode perceber, resolveram interpretar dessa maneira... — Respondeu Tanuma juntando as mãos em tom de desculpa.

— Não foi só isso! — responderam os dois meninos se defendendo em coro — É mais do que normal interpretar dessa forma, visto que o Natsume saiu correndo com a menina e depois faltou aula.
Takashi estava em choque, a cada momento que passava percebia o quão fundo num buraco Nyanko havia o jogado. A escola toda devia estar mergulhada em rumores.

Em momentos, inventou uma historia
— Não é minha namorada... Meu gato havia se perdido e ela o encontrou. A puxei porque fiquei com medo de alguém vê-lo e capturá-lo por estar andando na escola. — deu um longo suspiro cansado — Tanuma chegou no momento em que eu estava soltando o braço dela. Braço, e não mão por sinal.

Tanuma poderia desmentir alguns detalhes — ficou observando Natsume segurar o que parecia ser a mão da menina por bastante tempo. Além disso ela sorria para ele, sabia o nome dele e mostrava-se para ele. Era, com certeza, uma relação intima, ainda que não pudesse afirmar com certeza de que era a de amantes — mas não o fez; Tinha um enorme respeito para com o amigo. Entendia se ele não quisesse envolver as pessoas nessa história — na verdade, já estava acostumado com isso.

Logo os rumores pararam. Além de Takashi ter dado uma explicação minimamente racional, as pessoas, por algum motivo, não acreditavam muito que ele teria uma namorada. Pelo menos não uma com cara e roupas de modelo.
Natsume foi para a casa cansado e carregando um enorme peso: sua culpa. Se sentia relapso e irresponsável. Preocupava-se, novamente, em decepcionar e trazer problemas para sua nova família, a quem era extremamente grato. E agora se lembrava dos últimos dois meses, onde os expôs a probabilidade de perigo inúmeras vezes, apesar dos avisos de seu guarda-costas. A culpa crescia sem fim.

Notas finais
Vou aproveitar esse espacinho pra perguntar: uns dias atrás, uma amiga minha que também está acompanhando a história veio me perguntar se haverá romance entre os personagens. eu não faço a mínima ideia. Vocês que estão acompanhando esperam algum romance entre eles? (respondam nos comentários pfv