A árvore de memórias

5 05. A árvore e a doença


Notas iniciais
desculpem a demora again xwx

Takashi se encontrava numa situação um pouco complicada. Havia uma jovem yokai em seu quarto, aos prantos já por alguns minutos. O rapaz não sabia como agir. Às vezes tentava acalmá-la com palavras, outras dava leve toques em suas costas, como se quisesse abraçá-la, mas não havia intimidade suficiente entre os dois. Já Nyanko olhava impaciente todo aquele drama, dava longos suspiros e tentava dormir. Detestava que Natsume se envolvesse em problemas porque isso significava, necessariamente, que ele também estaria. Mas do jeito que o rapaz já estava, seria inútil tentar por razão na cabeça dele.
Com o passar dos minutos — e das promessas de ajuda — Itsuki foi se acalmando. As lágrimas aos poucos, eram trocadas pelo leve barulho de seus dedos batendo sobre seu colo. Estava novamente impaciente.

A yokai pediu desculpas, explicou rapidamente que deveria ir embora; Que nunca havia deixado a árvore por tanto tempo e nem ido tão longe. O máximo que fazia era, raramente ir até um rio que ficava próximo ou até a estrada para observar os humanos que passavam — Nunca longe o suficiente para perder de vista sua mãe.

O grande sentimento de obrigação por cuidar da árvore — que crescera mediante aos ataques sofridos durante a vida da yokai — fez com que a mesma nunca parasse para analisar se era a causa da morte de sua mãe, se sua presença invadia a árvore como veneno invade o sangue — Foi Madara quem primeiro a alertou sobre esta possibilidade, da sua maneira ríspida, é claro. Itsuki parou para refletir, mas preferiu ir para casa. Já Natsume estava perplexo. Sua casa não ficava nem a dez minutos de caminhada da árvore. Se isso fosse um fato, significaria que a yokai, apesar de uma idade certamente mais avançada que a dele, não conhecia praticamente nada. O rapaz se ateve a esse pensamento, mas após alguns segundos a dúvida começou a pairar sobre sua mente: porque diabos alguém que passou sabe-se lá quanto tempo num lugar fixo se daria ao trabalho de vir até aqui?

– Porque você se expôs a esse perigo então? — Natsume não resistiu à dúvida. Tentou colocá-la da maneira mais leve que pode.

– Ora, porque precisava avisar algo de importante a você. — Respondeu enquanto já se pendurava na janela da mesma forma que veio. E pouco antes de desaparecer, finalizou. — Porque Natsume-san é meu amigo.

–-

Os dias passavam, e uma grande curiosidade nutria a amizade de ambos. Itsuki gostava de ouvir sobre os costumes humanos e suas muitas histórias, já Natsume — que freqüentemente levava alguns tipos de comida cujo achava que valia a pena a yokai experimentar — gostava de ouvir sobre sua avó, pois assim se sentia mais próximo dela, e talvez, mais próximo de ter uma família. Se encontravam praticamente todos os dias e era bastante comum que passassem a tarde juntos. Era óbvio que Natsume tinha curiosidade sobre muitas coisas, entre elas a tal tempestade espiritual, mas a própria yokai não parecia mais tão alarmada com sua urgência.

Em uma noite, o clima quente havia desaparecido completamente. Natsume voltou para casa entre suspiros de alívio, pelo cessar do calor, e um sorriso divertido estampado nos lábios. Nyanko o recebeu esta noite com um especial mau humor. O gato o ignorou até depois do jantar, quando ambos foram deitar. Natsume questionou a falta de educação de Madara, que esbravejou alguns palavrões por um tempo.

– Foi você quem resolveu ignorar todas as minhas palavras a semana inteira. — e continuou sua bateria de reclamações, todas sobre Takashi fazer de amigo, assim tal facilmente, um yokai desconhecido.
Natsume ouviu as reclamações do gato com expressão de descontentamento. Detestava a forma com a qual o gato tratava a menina. Não entendia o porquê de tamanha implicância, e por um motivo do qual não sabia exatamente, sentia-se muito ofendido com as palavras. De maneira ríspida, fez um gesto para o gato se calar e de maneira firme respondeu:
– Se suas palavras continuarem no intuito de ofendê-la, sim, o ignorarei para sempre, se for necessário.

Madara assustou-se com as palavras. Não estava acostumado a brigar com o rapaz, muito menos a ouvi-lo soar de maneira tão decidida. Sempre achara que Natsume era de uma extrema gentileza e inocência que chegava a ser perigoso. Isso o irritava enormemente.

– Você não entende! — o gato deu uma leve patada no rosto do rapaz, o repreendendo — Já vi yokais fazerem mais para comer humanos menos importantes que você. Sem falar que existem várias coisas sobre essa yokai que ainda não sabemos, que ela não nos contou. Você esqueceu da aparição de uma criança na árvore? e do cheiro, cada vez mais forte, de criança humana que vem de lá?!
Houve silêncio. Natsume refletiu por alguns momentos. Apesar de mal encarado e grosseiro, o gato tinha lá suas razões. Não sabia nada de Itsuki, nada. Lembrou-se da tempestade que havia a deixado muito alarmada, como se fosse acontecer amanhã, mas que durante essa semana, aparentemente, não havia a preocupado. Sentiu uma enorme dor no coração, pois em sua cabeça não havia nada além de dúvidas e mais dúvidas. Por um lado, sentia um enorme medo de ser enganado, de estar em perigo — de por sua família em perigo. Por outro, sentia que não devia duvidar de um amigo.

Depois da discussão com Madara, Natsume não mais procurou pela yokai — não exatamente. Itsuki também não se manifestou, por mais que às vezes o rapaz passasse próximo da árvore e esperasse alguns momentos. Era como se nele houvesse a estranha esperança de que a yokai aparecesse e retirasse dele todas suas dúvidas cruéis. Apesar disso, fez o que pôde para cumprir sua promessa e saber mais sobre a árvore, mas sabia que obter essas informações de humanos seria como procurar uma agulha no palheiro. Madara se recusava a ajudar e isso causou alguns atritos entre os dois.

Cinco dias se passaram e não havia mais sinal do calor que estava fazendo — era como se nunca houvesse existido, pois os dias estavam cada vez mais frios. Olhando novamente para a árvore, Natsume se preocupou. Madara, pela primeira vez, deu seu braço a torcer, mencionando rapidamente que o rapaz devia procurar a yokai. “Tempestades Espirituais começam assim. A temperatura muda muito rápido.” Não precisou falar duas vezes.
Takashi olhou para a árvore, agora de perto. Tinha certo medo de se aproximar mais — lembrou das palavras de ódio de Itsuki na primeira vez que se encontraram. Algo relacionado a um veneno tão forte capaz de matar até a maior criatura do universo? pensou. — A chamou pelo nome algumas vezes, quando a mesma não respondeu, não hesitou em subir..

No topo encontrou cerca de quatro galhos mais ou menos entrelaçados, formando uma espécie de cama, onde a jovem dormia. Os outros galhos eram dispersos, e tinham inúmeras folhas que se abriam formando um tipo de casulo, obviamente para protege-la visualmente. Já a parte de trás da árvore estava praticamente nua, as folhas restantes caiam depressa.
Após examinar boquiaberto a morada da yokai, Natsume passou a olhá-la. Estava deitada sobre os galhos, mas já não parecia a mesma Itsuki que vira há alguns dias atrás. Seu vestido agora era simples e opaco, sua pele pálida como a de um doente. Seus olhos estavam fechados e sua respiração ofegante. Natsume encostou a mão levemente sobre a testa da jovem e então comparou suas temperaturas. A menina estava ardendo em febre — e após um olhar mais atento, descobriu ele, sem os galhos sobre a cabeça.

Takashi gritou por seu guarda-costas, que veio em meio a reclamações. Madara assumiu sua verdadeira forma e o ajudou a colocar a garota sobre seu dorso. Madara chamou-o pelo nome, em tom de alerta:

– O cheiro de criança humana vem dela. Se você levá-la para casa, existe grande chance de ela ser vista.
– Como assim? — O rapaz indagou um tanto perplexo. Nyanko rapidamente respondeu que nesse momento, Itsuki era humana. O que explicava o cheiro de criança e o motivo de ela ser odiada pelos outros yokais. Essa possibilidade até havia passado pela cabeça do rapaz quando viu o estado da mesma, mas para ele era inacreditável.

Natsume não sabia exatamente o que fazer, não podia deixar Itsuki na árvore, pois isso significaria a morte para um humano. A noite estava extremamente fria, e a menina parecia não ter comido fazia já algum tempo. Seu rosto estava extremamente quente, mas o resto de seu corpo frio como gelo. Não havia nada a fazer além de levá-la para casa e torcer para que ninguém a visse. Só a possibilidade de algum de seus guardiões vissem uma menina estranha no seu quarto fazia o rosto dele queimar de vergonha. Como diabos explicaria isso?

Natsume colocou Itsuki sobre sua cama, tentando fazer o máximo de silêncio possível. A agasalhou o máximo que pode, e então foi buscar algumas toalhas e água, para tentar baixar a febre da mesma. Não conseguia lembrar de um momento que ultrapassasse a tenção que sentia naquele momento. Algumas horas depois, a febre dela, para seu alívio estava bem mais baixa.

– O que vai fazer com ela quando a amanhecer? — Nyanko perguntou cético. Por mais que detestasse se envolver em problemas, dessa vez não ousou atacar com palavras, estava disposto a ajudar.
– Não faço a mínima ideia — respondeu com olhar de desespero.

Notas finais
tive sérios problemas com esse capítulo, foi um parto, porque é um capitulo basicamente transitório e eu não quis me demorar muito nele ._. obrigada pela leitura. :3