Notas iniciais
Olá! Para as leitoras antigas que aqui acompanham a história, um lembrete: ela está cheia de mudanças! A partir do capítulo 12 tem muitas coisas, então voltem atrás e releiam (eu aconselho aproveitarem e reler a partir do 1 capítulo para relembrarem tudo). Caso escolha ignorar, poderá ficar perdida(o) pelos próximos. Estou postando o capítulo PORÉM pode ser que ele seja alterado em algum momento pois eu ainda NÃO o revisei. Mas tempo é dinheiro e dinheiro nós num temo, né non? hshauhushuauhshua Mirph (morena) e Matilda (loira) na capa. Booa Leitura amores e amoras

Assistia as pessoas caminharem calmamente entre os destroços da cidade limpando-a e reconstruindo-a com uma nova pitada de esperança despontando em seus corações. Os elfos fizeram questão de ajudar os humanos a limpá-la e em pouco tempo não havia mais corpos espalhados no chão. Elfos, homens, anões e orcs tiveram suas covas cavadas e um grande funeral foi feito além daquele cujo os herdeiros de Érebor tiveram.

Mirph e Matilda foram poupadas daquela calamidade, ficando ambas em segurança no abrigo. Correram até mim desesperadas assim que me avistaram e perceberam que estava bem, chorando desoladas de um jeito que nunca vi antes. Tinha plena certeza que imaginar perder mais alguém da família seria a gota d’água para ambas, que ficariam à mercê da generosidade de Bard. Mas elas não necessitariam dele, nem de Kirkel, pois eu estava viva e “pronta para outra”.

Tomamos posse temporariamente de uma pequena casa ao centro de Valle, não pretendia ficar por ali por muito tempo, apesar de ter todos os meus planos destroçados do dia para a noite. Minha casa, meus pais, meu casamento, tudo foi desmoronando em tão pouco tempo que fazia me questionar sobre o quão frágil é a vida e que seus sonhos e planos não importam pois tudo, absolutamente tudo, pode se desfazer em segundos e você pode se deparar sozinha, sem nada e com um trauma para nunca mais esquecer do quão miserável é a sua vida.

— Você não fala mais com Kirkel? – Mirph perguntou-me enquanto tentava cozinhar alguma coisa no fogão de barro. Ela passou cerca de duas horas tentando acender o fogo até eu perceber qual era sua intenção e ajuda-la. – Aconteceu alguma coisa?

— Kirkel deixou minha vida nas mãos de alguém que não confia. – Limitei a dizer sem dar muitas explicações. Deveria bastar para os outros essa resposta pois não queria entrar nesse assunto, muito menos falar sobre Thranduil.

— Pensei que tivesse lutado a guerra. – ela continuou, misturando excessivamente o mingau que estava preparando. – você sumiu de uma hora para outra e disse-me que matou alguns orcs.

— Apenas um.

Mirph balançou a cabeça e franziu o cenho amedrontada. Cheirou o mingau logo após e colocou um pouco em sua boca.

— Ai! – ela choramingou assim que sentiu sua língua queimar. Minhas irmãs eram duas adolescentes ingênuas e que nunca fizeram nada na vida além de tricotar e observar o movimento da cidade pela janela da sala de estar. Eram praticamente duas bonecas de porcelana prontas para se tornarem esposas assim que algum pretendente aparecesse, e eu sabia que isso aconteceria logo, logo, pois Mirph já estava com 17 anos e Maltida com 15.

— Não precisa saber cozinhar para saber que sua língua queimaria com a temperatura da comida, Mirph.

Ela me encarou ainda com a mão na boca e vi que ela havia colocado a colher novamente dentro da panela de mingau.

— E isso que acabou de fazer é falta de higiene. – completei.

— Sinto muito. – Pela primeira vez em toda a minha vida ouvi uma desculpa saindo da boca de minha irmã. – Eu não tenho ideia do que estou fazendo.

Mirph começou a chorar, torcendo a barra de seu vestido agoniada. Abracei-a e a consolei acariciando seus longos cabelos negros. Ela e eu éramos muito parecidas com nosso pai, enquanto Matilda puxara mamãe. Olhar para elas era como vê-los ali ao meu lado e eu sabia que deveria protegê-las, mas também que eu deveria ensiná-las a viver. Elas não poderiam e nem deveriam ficar paradas encostadas na janela à espera de alguém que as carreguem como esposas, antes disso acontecer, elas precisavam aprender a viver e a ter educação e pensamento próprio.

— Venha, eu lhe ensinarei. – Cochichei para ela e a levei até o fogão, tomando sua total atenção. – Cozinhar é perigoso, mas primeiramente você deve ao menos aprender a acender o fogo.

Foquei a parte da manhã ensinando minha irmã mais velha a cozinhar enquanto a mais nova se desdobrava para lavar algumas peças de roupa. Me senti orgulhosa por elas estarem tentando e colaborando com algo pela primeira vez em suas vidas e dadas as circunstâncias. Em meio a isso, senti uma enorme necessidade de mostrá-las um pouco mais do mundo e contei a elas sobre os outros locais em que estive – deixando a parte da Floresta das Trevas de fora. Se não houvesse tanta criatura maligna e gente audaciosa o mundo seria um lugar maravilhoso de se viver.

No fim do dia estávamos todas muito cansadas por causa das tarefas. Recebemos cada uma kits com roupas e comida para nos manter por alguns dias até que Bard consiga restabelecer a ordem e distribuir para o povo suas funções e providências. Matilda dormia num canto perto da lareira profundamente, seu semblante estava num estado pavoroso de canseira. Já Mirph encolhera-se no meio da sala e ainda estava acordada limpando as lágrimas que escorriam de seus olhos profundamente negros.

No outro dia estávamos melhores em aparência, acordamos cedo, tomamos um banho e, juntas, preparamos nosso café enquanto ensinava a elas mais algumas coisas sobre cozinha. Ansiosas por algo que as distraísse da tristeza que consumia nossos corações, ambas prestavam atenção a cada detalhe sem deixar escapar nenhum deles, anotando para poderem praticar posteriormente sozinhas. Após isso, dividi os afazeres que aquela casa demandava e cada uma foi para um canto.

No meio da tarde, ouvimos batidas na porta e eu rezava intimamente para que não fosse Kirkel pois não estava nem um pouco afim de ouvir sua voz ou olhá-lo nos olhos. Sabia que estava sendo egoísta e mesquinha com o homem que fazia de tudo para me ver bem, mas não estava disposta a encará-lo e dizer que eu não o queria por perto. Pelo menos por enquanto.

— Olá. – Para a minha felicidade era Bard. – Vim ver como estão.

— Boa tarde, Bard. – Saudei meu amigo feliz em poder vê-lo tão bem.

Mirph e Matilda vieram contentes da cozinha cumprimenta-lo assim que ouviram sua voz. Ambas deram uma leve reverência e sorriram com simpatia.

— Isso é novidade para mim. – comentei assim que percebi suas gentilezas.

— Não precisam me reverenciar, senhoritas. – Bard sorriu tímido e deu um leve aceno de cabeça.

— Não é o senhor da cidade agora? – Matilda perguntou com um leve brilho nos olhos. Quando Bard era apenas um pobre barqueiro nenhuma delas nunca se deram o trabalho de cumprimenta-lo devidamente.

— Sim, claro. Porém não careço de tais regalias, ainda prefiro ser chamado apenas de Bard. – Ele respondeu e eu ri. A rebeldia dele, aparentemente, não havia dado espaço ao privilégio.

— Sente-se, por favor. – Pedi, apontando para um velho sofá que havia por ali. Bard assentiu e se sentou um pouco vermelho em sua vergonha.

— Aceita um café? – Mirph ofereceu.

— Eu adoraria. – Assim que enunciou, ambas voltaram para a cozinha em seus pulos.

— Ainda estão aprendendo a cozinhar então se parecer que é água de esgoto deixe aí que jogo fora depois. – Brinquei, mas tendo plena consciência de que era bem possível.

— Só espero não ser envenenado no primeiro gole. – Bard retorquiu e rimos. Ele emitia em seu semblante o alívio por aquele pesadelo ter acabado.

— E como vai?

— Até agora tudo bem. Tenho recebido a ajuda de Kirkel para reestabelecer a cidade. – Ele esclareceu e meu sorriso sumiu de minha face. Por algumas horas eu havia esquecido que Bard havia descoberto meu segredo para com Thranduil. — Ele tem capacidade para governar uma cidade tanto quanto eu e tenho acatado suas ideias de bom grado. Só falta você, Melrise. Lembro-me bem que tinha boas ideias e gostaria de tê-la ao meu lado para colocar a administração da cidade nos eixos.

— Tenho plena consciência da capacidade de Kirkel, Bard, pois sei o quão notório ele é. Mas acho que deixarei apenas vocês dois lidando com isso. Minha mente não está para essas coisas por mais que eu me esforce. – Tentei recusar educadamente.

— Mel, nunca conheci alguém que lutasse tão bravamente pelos direitos dos outros como você. Faz isso desde que nos conhecemos e eu a admiro tanto quanto as pessoas ao seu redor.

— Ninguém me admira. – Ri de sua afirmação. – Sou uma mulher escandalosa... uma mulher indigna.

Bard balançou a cabeça negativamente, discordando da minha contestação.

— Uma mulher segura, que levanta a sua voz quando é preciso, é isso o que você é. Não deixe que ninguém diga o contrário disso porque são exatamente essas características que a faz ser diferente das outras.

Eu queria mesmo acreditar naquilo, mas não. Eu não era alguém admirável e muito menos deveria ser influência para algo.

— Foram muitos erros e perdas para achar que o que está dizendo é real, mas obrigada por suas palavras.

Minhas irmãs voltaram para a sala carregando copos simples e uma chaleira contendo café, aparentemente orgulhosas pelo trabalho feito.

— Muito obrigado, senhoritas. – Bard agradeceu e pegou um pouco do café, entornando em sua boca o líquido com muito cuidado. – Doce, como as senhoritas.

Mirph e Matilda coraram, não sabia se deveria dizer para elas que talvez o café estivesse doce demais.

— Será que poderiam me dar uns minutos a sós com sua irmã? – ele pediu educadamente e ambas se entreolharam, depois me encararam em busca de respostas.

Afirmei com a cabeça.

— Claro, vamos... buscar linha no centro de distribuição. – Mirph concordou e puxou Matilda consigo, saindo pela porta da frente em poucos segundos.

— Deseja falar sobre Thranduil? – perguntei mal conseguindo encará-lo.

— Não, não desejo. Este é um assunto que cabe apenas a você. Se algum dia, porém, se sentir no desejo de me confessar algo eu estarei aqui para ouvi-la — Acho que meu suspiro de alívio foi tão alto que fez Bard rir mais uma vez.

— Obrigada.

— Mas quero falar sobre mim. – Ele recomeçou. – Sobre... nós.

— Como assim?

— Sei que acabou seu noivado com Kirkel. Veja bem, Mel, meu interesse vai um pouco além de suas ideias. Sei que está desamparada e com duas irmãs para cuidar, e, acredite em mim eu jamais as deixaria desprotegidas mesmo se você recusar.

— Bard... não está me pedindo em casamento, está? Pelo meu histórico de pedidos inusitados ao matrimônio, vejo que sim.

Ele corou mais uma vez e desviou seu olhar.

— Não posso acreditar que tenha sentimentos por mim. – Completei.

— Não, realmente não tenho sentimentos românticos. Mas encaro isso como uma ótima oportunidade para ambos. Preciso de alguém como você ao meu lado; esperta, inteligente e que se preocupa com o bem-estar da população. Tive certeza que você seria perfeita para isso quando encarou Thranduil daquela forma, sem medo e cheia de objetivos nobres. E, posso não estar apaixonado pela senhorita, mas a admiro, a respeito e reconheço a quão bela és.

Segurei a mão dele firme e sorri. Aquela era a proposta de casamento mais decente que havia recebido até agora. Me dei conta que ele era o quarto homem a fazer tal coisa e, ainda assim, todos os quatro tinham motivos distintos para tal coisa. Sorri quanto a isso, os homens são malucos! Era essa a conclusão que eu conseguia tirar de toda essa história.

— Obrigada pelos elogios..., mas sei que, apesar de ser uma proposta séria e real, não está em seu coração o desejo verdadeiro em me desposar, mesmo sendo muito conveniente. Deverá se apaixonar por alguém, Bard, e só então propô-la. Não se prive disso.

— Não estou me privando, Melrise. – Ele engoliu em seco e apertou minhas mãos. – Estou apenas agindo racionalmente. Não desejo o amor mais; ele dói. Desejo apenas conseguir tocar para frente minha vida, a de minhas filhas e a do meu povo. Não quero mais complicações. Acredito que me entende.

Afirmei com um aceno.

Ah, se fosse tão fácil assim...

— Ainda assim, duvido que contrariaria Kirkel indo em frente com esta proposta.

— Amo Kirk como um irmão, Mel, e por causa disso conversei com ele antes de procura-la. Ele acredita que você é capaz de decidir o que é melhor para sua vida sozinha.

— Deve ter aprendido isso no mesmo instante em que me viu ser carregada para longe por Thranduil, assim espero. – comentei e Bard riu.

— Foi uma cena um tanto curiosa. Confesso que depois de passado o desespero me peguei rindo dela. – Ele afirmou e eu não pude deixar de sorrir também. – Você pretender perdoar Kirkel?

— Já o perdoei, porém não quero nada com ele por enquanto.

— E o que pretende fazer agora? Ao menos deveria se juntar a nós no reestabelecimento da cidade.

Franzi o cenho e repensei. Não, eu definitivamente não queria me envolver naquilo agora.

— Quero viajar. – Respondi e senti o olhar de Bard se pesar sobre o meu. – Mirph e Matilda precisam de educação e a cidade demorará a voltar ao seu habitual. Quero que elas aprendam línguas, matemática, gastronomia, literatura e mais o que elas desejarem. Quero que elas vejam que o mundo está além do que veem pela janela e que possam ter uma vida que vai além de serem apenas esposas. Mas eu não sei como poderemos ser respeitadas estando sozinhas e solteiras. Já experimentei a dureza de uma vida longe da proteção de um nome, e, bem... ainda carrego traumas que insistem que me cutucar de vez em quando.

— Precisariam de dinheiro também para se manter.

— Dinheiro não é problema. – Respondi firme, deixando no ar tal afirmação. Acho que Bard entendeu que se tratava de providências que eu havia ganho de Thranduil.

Ele passou sua mão em seu queixo e coçou, aparentemente pensando sobre o que eu havia confessado.

— Tenho uma maneira de fazê-las serem respeitadas por onde forem, mas é contra a lei... Porém, além de ser o senhor dessa cidade agora, eu não sou muito apegado às regras.

Ele sorriu, me deixando curiosa.

— Melrise, a partir de hoje você será a quinta baronesa de Pahlnn, herdando o título do seu avô. – Ele enunciou e eu dei um pulo em meu assento.

— Apenas homens herdam títulos de nobreza, Bard. – Lembrei. — Como posso ser baronesa se não me casei com um barão? Quer dizer, eu só herdaria se ele fosse meu marido.

— Sei disso, claro, porém os registros da Cidade do Lago foram todos queimados e precisam ser refeitos. Tomarei providências para você um ao qual é a herdeira do título de um barão morto – que na verdade é o seu avô. Mas ouça: precisa ir para bem longe daqui, para um lugar ao qual ninguém a conhece. Por aqui ainda será apenas Melrise. O que acha?

Era um plano perfeito! Como baronesa viúva e com o dinheiro que Thranduil me deu de presente eu conseguiria dar às minhas irmãs uma educação e realizaria meu sonho ao mesmo tempo, tudo com grande segurança, pois poderíamos nos hospedar em lugares de confiança. Eu só precisava desenterrar o baú com as suas riquezas, ao qual eu havia guardado para distribuir entre os pobres. Mas graças ao ouro dos anões a cidade não seria mais carente e eu poderia usá-lo para alguma coisa diferente.

— Eu aceito. – Confirmei mais do que feliz. Mirph e Matilda ficariam felizes também, tenho certeza.

— Só me prometa uma última coisa. – Ele pediu, recuperando minha total atenção. – Me prometa que voltará algum dia.

Notas finais
Respondendo algumas dúvidas que devem ter ficado na cabeça de vcs: Calma que o Bard não vai se apaixonar por ela também hushauhusahushuahus só são amigos mesmo Melrise - assim como as irmãs - são descendentes do quarto barão de Phalnn, isso está no capítulo chamado: A Vida de Melrise, quem quiser reler O dinheiro que ela cita ter ganhado de Thranduil é o do baú que ela ganhou no noivado, quem não lembrar tbm é só reler o capítulo: Noivados e a chegada dos anões... Eu havia dito bem no inicinho que não ia ser grande a história e já tem 30 capítulos shuahushuahushuahusuhahushua era pra ser 20 no MÁXIMO AAAAAAAAAAAAAA Melrise mandou relembrar que ela é uma MEJERA. Ela vai obrigar a filha a se inscrever pra tentar conquistar o filho do rei que ela não conseguiu casar, claro que isso é atitude de gente péssima. E por último, mas não menos importante: AINDA TEM ALGUEM AI? HHUAHUSHUAHUSHUAUHSHUA Até mais!