Notas iniciais
Olá pessoal Vamos de título descarado que não esconde o propósito do capítulo? Vamos husahuhsahushahusua Boa Leitura ♥

Meus sonhos foram tomados por Kirkel e Thranduil. Ambos brigavam! Aquilo não fazia o menor sentido. Kirkel era do mesmo tamanho que o elfo, porém sabia que ele não era forte suficiente para brigar com o rei. Apesar de nunca ter visto Thranduil lutar, imaginei que só por ser um elfo, tenha habilidades inigualáveis.

Kirkel, no entanto em meu sonho, lutava com bravura. Tinha uma pequena ferida em seu rosto e parecia cansado demais, contudo juntava forças de dentro de si para continuar.

Thranduil, porém, continuava magnífico. Nenhum arranhão em sua pele perfeita, nem uma gota de suor, e nem mesmo parecia perder o fôlego.

Porque estavam brigando era o mistério. Eu assistia sentada em uma cadeira toda talhada em madeira e com folhas de ouro por toda a extensão do braço. Um vestido cinza, com uma calda que pendia pro lado cobria meu corpo tenso pela briga.

No final, Thranduil apenas desarmou Kirkel. Seu olhar frio foi tomado por algo diferente. Ele sentia dó do humano, e com cordialidade ajudou-o a ficar de pé.

— Aceita a derrota? – Thranduil perguntou, fitando Kirkel com ar vitorioso nesse momento. Este que apenas assentiu com a cabeça, desviando seu olhar para encontrar com o meu.

Thranduil saudou-o. Deu meia volta e se pôs a me reverenciar. Senti meu rosto gelar, minhas mãos tremerem e todo o sangue do meu corpo parecer sumir.

— Você me pertence agora. – O rei disse, tomando-me pela mão.

Acordei com o sol começando a entrar pela janela do quarto. Permaneci parada no mesmo lugar, ainda tentando absorver o sonho e imaginando o que ele significava. Thranduil jamais lutaria por mim, aquilo era ridículo! Sabia que não deveria levar sonhos a sério, mas aquilo me perturbava. Desde quando Thranduil teria orgulho que eu o pertencesse? Uma garota que, em primeiro momento, ele considerara ser um monstro? Uma pessoa de espécie diferente da dele, e que não tinha valor algum? Eu era a última pessoa no mundo ao qual despertaria algo no rei, a não ser repulsa e ódio por confrontá-lo.

Já estava inquieta naquele quarto. Não gostava de ficar presa e muito menos ter a sensação de que eu jamais recuperaria a liberdade. Tinha de dar um jeito de sair dali, mas sabia que mesmo que fugisse, a Floresta das Trevas me esperava. Eu não poderia ir sozinha, não sabendo que aquele lugar é amaldiçoado pelo próprio rei para que intrusos não entrem em seu reino. Eu precisava de um plano, e logo, pois por mais que o conforto do quarto fosse maravilhosamente perfeito, eu não queria permanecer ali sem nada pra fazer por mais tempo.

Levantei-me da cama e pus-me a alongar meu corpo. Cada parte parecia rígida pelos longos dias deitada sem fazer nada, e tamanho foi o alívio ao perceber que podia fazer esforço sem me sentir mal.

A elfa voltou mais ou menos uma hora depois com meu café. Trazia leite, pão, bolo e umas frutas, tudo em quantidade absurda. Se juntasse todas as coisas que me eram ofertadas nesses últimos dias, poderia alimentar todos de minha casa por uma semana sem ninguém reclamar.

Dentro de mim, questionava o porquê o rei ainda me tratava como se fosse sua convidada. Afinal, eu era sua prisioneira e me ter ali sendo alimentada com quantidades exorbitantes de comida não lhe traria benefício algum!

— Freeda? – chamei pela elfa que preparava meu banho.

— Pois não, senhorita? – ela veio imediatamente, como se meu chamado fosse uma ordem.

— Não precisa trazer tanta comida. Eu não conseguiria comer nem a metade mesmo se estivesse faminta.

A elfa encarou-me surpresa.

— Mas meu senhor ordenou que lhe trouxesse sempre com fartura. – Ela disse observando a grande quantidade de comida que sobrava.

— Mas por quê? Se não sabe, Freeda, eu sou prisioneira do rei. Não sua convidada. – tentei esclarecer.

A elfa fez um movimento como se não entendesse também.

— Ele ordenou-me forçá-la a comer. Disse que parece doente não só por causa da febre, mas por fome também.

Além de tudo, Thranduil achava que eu era miserável. Bem, não é mentira.

— Obrigada. – Agradeci à elfa que ainda me olhava desconfiada. Ela deu uma reverência e voltou a preparar o banho.

Tudo aquilo era estranho. A comida, o quarto, as roupas incrivelmente bonitas, os cuidados de Freeda, como se ela fosse realmente minha criada. No final de tudo isso, eu teria uma dívida enorme para com o rei. Ninguém faz caridade sem pedir nada em troca. Não alguém como Thranduil.

Dispensei a elfa. Não precisava mais de ajuda para tomar banho, e aquela situação já me incomodava. Quando ela se foi, deixou um vestido novo em cima da cama, amarelo e dourado, tão lindo quanto os outros.

Quando terminei o banho, toquei nele. Algumas de suas pedras pareciam jóias verdadeiras, e me perguntei de onde saiam tantos vestidos em tão pouco tempo e a quem eles pertenciam, pois, diferente das elfas, eu não sou alta, e eles me caiam muito bem.

As horas pareciam tortuosas. Cansada de ficar presa, imaginei mil maneiras de fugir sem ser pega e passar pela floresta ilesa. Considerei também levar comigo aqueles vestidos, mas seria errado. Alguns deles estavam pendurados em uma espécie de armário, junto com as camisolas de seda. Quanto mais eu olhava para eles, mais ficava com dúvidas. Qual era o propósito do rei? Fornecer-me todas aquelas coisas e cobrar por cada uma delas depois, me forçando a ser sua prisioneira para sempre e, talvez, ser uma criada do palácio? Bem, aquilo não fazia sentido. Thranduil jamais deixaria uma humana como eu misturar entre seus magníficos elfos loiros e ruivos.

Até a hora do almoço não me sentei nem por um segundo. Andei por todo o quarto, sentindo uma ânsia diferente e uma vontade enorme de me encontrar com o rei. Precisava perguntar a ele, e ao mesmo tempo tive medo da resposta. Talvez Thranduil quisesse fazer um jogo comigo. Talvez ele me faria experimentar de seu conforto para, depois, me jogar na prisão só para eu engolir as palavras que joguei contra ele. Só podia ser isso: Thranduil queria que eu pagasse pelas coisas que disse.

Tentei relaxar. Sabia que o rei voltaria mais cedo ou mais tarde, pois já percebi que estava servindo de brincadeira para ele.

A poltrona estava posicionada de frente à janela como antes. Virei-a para a porta, a fim de tomar a visão do rei quando este entrasse. Sentei-me nela, jogando parte do vestido de lado e tratando de parecer o mais agradável possível. Precisava perceber quais eram as intenções de Thranduil em me deixar trancada lá, mas se ele estivesse disposto a me jogar outra vez nas masmorras, eu faria de tudo para não voltar. Precisava ganhar tempo para, quem sabe, conseguir pensar em algo para sair dali. Talvez com a ajuda de Tauriel...

Como de costume Thranduil abriu a porta, o mais silencioso possível. Parecia que, o movimento mais barulhento e ele seria descoberto por visitar sua prisioneira humana com privilégio todos os dias. Dentro de mim, algo dizia que ele sentia satisfação de me ver sendo domada por alguém poderoso, já que eu protestei a favor da liberdade. Mas os outros elfos poderiam pensar ao contrário. Eles poderiam achar que o rei estava tendo um caso com uma espécie inferior.

Sorri sob essa expectativa. Seria um ótimo jeito de reverter a situação, se ele não fosse rígido demais e tivesse um coração duro como pedra.

O rei congelou sua expressão ao ver-me sorrir. Pelo visto, não esperava que sua prisioneira estivesse naquele estado, calma e com um sorriso no rosto – que foi sem querer – esperando por ele.

— Majestade. – Cumprimentei, levantando-me e dando uma reverência ao rei elfo. – Já lhe esperava.

Thranduil olhou-me desconfiado. Seus olhos azuis brilhavam junto com as pedrarias de suas vestes verdes.

— Vejo que está bem melhor. – Ele disse, voltado a observar cada detalhe do vestido que parecia moldurado pelo meu corpo.

— Freeda é uma ótima criada. – Respondi fingindo ser uma dama.

O rei ainda parecia absorver as informações. Depois deu um sorriso sarcástico, cruzando os braços em desaprovação.

— Não está funcionando. – Ele disse, voltando com a sua voz fria. – A menos que você seja louca, não tente me convencer que tem alguma educação.

Suspirei. Era óbvio que não funcionaria.

— Tudo bem. – voltei a me sentar na poltrona. — Pode começar a interrogação de hoje.

Thranduil retirou sua enorme capa e a pôs na cama. Puxou a mesma cadeira no dia anterior, e sentou-se do meu lado, passando a me observar mais uma vez por longos momentos.

Nossos olhares se cruzaram por diversas vezes. Senti meu rosto corar, porém ele continuava insistentemente.

— Por que me olha tanto? – finalmente perguntei depois de longos minutos.

— Seu noivo é velho? – ele perguntou, ainda me encarando.

— Não. –limitei-me a responder.

— É pobre?

— Não.

— É feio?

— Não, senhor. Ele é jovem, bonito e rico. Mais alguma pergunta?

— Várias. – Ele disse, retirando a coroa de folhas em sua cabeça e colocando-a sobre a capa na cama. Parecia querer sentir-se à vontade. – Ele maltrata seus servos? É injusto com os pobres?

— Não senhor. Ele é gentil, justo e de bom coração. E é meu amigo. – Respondia conforme achava que ainda não pudesse me entregar por completo para o rei.

— Então, o que espera? Um homem que seja tudo o contrário disso?

Aquela interrogação estava estranha. Por que ele queria saber sobre meu noivo?

— Eu espero... – parei para pensar no que eu esperava. Não sabia exatamente o que queria em um homem, mas sabia que uma paixão de tirar o fôlego era o início.

Thranduil olhava-me ainda interrogativo.

— Nem a senhorita sabe o que quer. – ele disse, dando-se por vitorioso naquela pequena discussão.

—... Quero paixão. — Respondi não me atrevendo a ver sua reação, sabendo que a resposta pareceria ridícula para ele. Eu realmente não sabia exatamente o que queria, mas não era Kirkel e um casamento forçado. – E liberdade. E aventura. Amor além do fraternal. Isso que quero. Sentir que meu corpo está finalmente entregue a alguém que possua até minha alma. Amar acima de todas as perspectivas e me envolver com algo que vai além do que me está destinado.

Olhei para Thranduil, que fazia cara de desaprovação.

— Quero algo que ainda não descobri. – Finalizei. Afinal, era mesmo verdade.

— Você é louca. As mulheres são loucas. Nunca estão felizes, nunca estão satisfeitas com o que tem.

— E você está? Está satisfeito com o que tem?

Thranduil parecia debochar de mim pelos olhos.

— O sou o rei, criatura. Sou imortal. O que mais eu poderia querer? – ele disse, desviando o olhar para a porta e voltando com sua expressão fria.

Ri dele. Na verdade, ri muito. Era tão óbvio e estava tão escancarado em minha frente. Thranduil mascarava as suas emoções quando tinha que dar as respostas prontas e ele fazia de modo tão automático que podia jurar que seu espírito abandonava seu corpo todas as vezes e sua carcaça me respondia sem emoção alguma. Aquilo não era verdade, ele não estava feliz, mas como de costume, ele dizia que sim e voltava a trancar seus sentimentos dentro dele como treinou a vida inteira.

Seu rosto parecia corar a medida que eu continuava a rir de minhas conclusões. Seus lábios entreabriram em protesto, mas não saia os sons de suas palavras.

— É assim que você convence seu povo? Seu filho cai nessa todas as vezes que você faz essa cara? Porque sinceramente, em poucos dias que estou aqui e já percebi o que faz quando mente sobre algo.

— Por que acha que menti? – uma pontada de desespero despontou em sua voz.

— Por quê? – Parei de sorrir. – Já se viu quando tenta esconder algo? Ou quando tenta convencer a si mesmo de que algo está correto, quando na verdade você pensa do contrário? Você fica sem expressão. Fica duro como pedra, frio como gelo, e toda a cor de sua face some por completo.

— O quê? – Thranduil parecia perplexo. Mais uma vez estava indo longe demais nas minhas declarações.

— Você pode enganar todo seu povo, mas acho que as pessoas que não convivem com você percebem isso logo. Está tão escancarado seu desespero em esconder o que sente que você simplesmente deixa de ser você.

— As pessoas que não convivem comigo pensam que é assim porque não me conhecem. – ele disse, levantando-se de sua cadeira e exaltando a sua voz.

Parecia que todas as vezes que ele ia me interrogar eu que descobria algo sobre ele.

— Se estou errada, porque está tão exaltado? – desafiei. Brincar com Thranduil parecia perigoso, mas estava ficando excitada com aquilo.

Você não me doma Thranduil. Eu domarei você.

Thranduil tratou de voltar com a sua típica expressão distante. Pensei que ele sairia do quarto, porém ele sentou-se outra vez ao meu lado.

— Você está errada. – ele respondeu pacificamente.

— Fez a mesma cara, outra vez. – respondi.

— Pare de tentar me desvendar. – ele ordenou. — Está sendo equivocada e tirando conclusões precipitadas. Não tolerarei suas tolices mais.

— E vai fazer o que? Me mandar para a prisão outra vez?

Thranduil passou as mãos por sua face. Se eu o irritava tanto, então o que ele estava fazendo ali ainda? Era simples me fazer calar, apenas me dar a liberdade ou me trancafiar para sempre naquela jaula. Contudo, achei que o rei gostava de ser desafiado. Talvez fosse algo excitante em sua vida vazia e sem graça de rei viúvo.

Ficamos uns minutos em silêncio. Thranduil suspirava e parecia relaxar o corpo e tentar recuperar a postura.

— Se me odeia, por que vem aqui todos os dias? – finalmente quebrei o silêncio.

Ele riu.

— Tenho muitos inimigos para odiar. Odeio até meus amigos. Faz parte da minha vida. O ódio me alimenta. — Ele respondeu irônico.

Thranduil deu um leve sorriso e piscou para mim. Ele não parecia muito irritado.

— Odiar é sua forma de amar? – perguntei, procurando perceber a expressão do rei.

— Talvez. – ele disse. — É, pode-se dizer que sim. Meu "ódio" manteve toda a população aqui a salvo, e é isso o que importa. — Ele foi sincero e parecia real. Seu rosto não contorceu ao me responder, nem mudou de expressão para rígido. Ele não relutou em falar, nem sequer se incomodou com a pergunta.

— Isso é triste. – disse.

— Você não me parece muito diferente de mim.

Endireitei-me na poltrona e passei a encará-lo questionadora. Eu era humana, ele um elfo. Eu era baixa, ele alto. Eu morena dos cabelos ondulados, ele era loiro e liso. Olhos castanhos, olhos azuis. Liberdade, prisão.

— Não falo de características físicas. – ele esclareceu. – É teimosa, insuportável, não tem muitos amigos, senão teria ajuda para fugir e não estaria fazendo isso sozinha. E foge dos outros.

Senti meu coração acelerar-se de uma raiva súbita. Não era bem assim. Ou será que era?

— Mas também me parece forte. E tenho inveja por defender suas ideologias com unhas e dentes. – Thranduil confessou, pegando sua capa e sua coroa da cama, tomando o rumo da porta. — Eu a parabenizo por isto.

Foi como se uma onda de nervosismo tomasse conta de todo o meu corpo. Era como se o rei me desvendasse depois que eu o desvendei. Era como se ele visse em mim o que ele era e nos comparasse. Sabia que algo dentro dele havia se desperto por causa de minhas acusações, mas não sabia que ele se via em mim.

Talvez como o espírito livre que ele queria ter.

Mas duvidei disso.

— Majestade. – Chamei o rei antes dele sair do quarto.

Ele parou interrogativo. Suas mãos na maçaneta, prestes a me trancar outra vez me deixou desesperada. Cheguei perto dele de mansinho. Minhas mãos suavam pelo chamado súbito. O que deveria dizer a ele?

"É, talvez você tenha razão, então me deixe ser o que sou: livre. Me deixe ir, Majestade. Me liberte!"

Mas não. Thranduil não cederia meu pedido, tinha plena certeza.

— Pois não? – ele perguntou, esperando que eu dissesse o que queria. Porém, eu não sabia mais o que dizer. Seu chamado saiu de minha boca como um ato de desalento.

Encarei Thranduil com as palavras tendo dificuldade de se formarem em meus lábios. Eu queria implorá-lo mais uma vez, mas eu não sabia como convencê-lo. Thranduil se virou totalmente para mim e ficou esperando, mas nada saia além de uma respiração pesada. Então, eu decidi fazer a coisa mais estúpida de toda a minha vida! Thranduil permaneceu parado na porta, olhando para mim como se entendesse e esperasse minha atitude. Eu vi aquilo, senti aquilo. Ele também queria.

Meus lábios abriram-se de encontro com os dele, mas meu corpo estava pronto para recuar caso ele recusasse. Fechei os olhos na esperança de não ver o que fazia, e no segundo seguinte do impulso de roubar-lhe um beijo esperava ser repudiada.

Contudo, Thranduil permaneceu parado. Seus lábios moveram-se com os meus num ritmo lento, mas suas mãos permaneciam na porta. Seu peito passou a arfar, mas suas pernas não se moveram. Era como se parte dele estivesse adorando, e a outra parte recusando-se a aceitar.

As chaves caíram de suas mãos no chão. Os dedos de meus pés doeram por tentar alcançar o rei. Segurava na porta também, não ousei tocá-lo mais que nos lábios.

E que perfeitos lábios.

Notas finais
Links dos vestidos: Cinza (do sonho):https://www.modat.com.br/img/fotos/vestidos%20de%2015%20anos%20com%20decote%20coracao%201.jpg Foi o mais próximo e bonito que achei Amarelo: http://www.saiajustamodafesta.com.br/wp-content/uploads/2015/01/08-1.jpg Quem quiser me mandar links de vestidos, pode tbm. sobre o capítulo, deixo os comentários pra vocês husuahusahusuhauhsuha :D Beijos e tem continuação.