A Única Esperança
18 Dor
Io
Acordo e vejo que estou deitado em uma cama muito confortável, estou bem coberto, então o que tive não foi um sonho, eu acordava me sentindo estranho e via um garoto com longos cabelos loiros que estavam molhados, os seus olhos eram de um azul tão profundo como o mar e falou para eu dormir, sua voz tinha um tom tão gentil que fiz o que me pediu.
Mas o que aconteceu? Porque estou nesse lugar estranho?
Lembro perfeitamente que estava dentro de um barco com os meus pais, minha irmã e mais quatro pessoas, o mar estava calmo quando entramos nele, mas horas depois, ficou muito agitado, o barco ficou muito instável, não me lembro de mais nada, será que sofremos um acidente?
Levanto da cama meio desorientado, meu corpo está dolorido, vejo uma roupa pendurada perto da cama e a visto, noto que são novas e de marca, acho isso estranho, porque esses desconhecidos são tão gentis comigo?
Vejo uma porta dentro do quarto, penso que é um banheiro e a abro, mas não esperava que fosse um banheiro tão chique, como o que eu conheço apenas pela televisão, faço minhas higienes pessoais e saio do quarto.
Vou andando sem rumo até ouvir vozes, mesmo não entendendo nada do que eles falam, vou até o local de onde elas vêm.
Julian
Estou sentado na mesa tomando café da manhã com os meus marinas quando vejo o garoto que resgatei do mar nessa noite vindo ao nosso encontro, me levanto da mesa, me aproximo dele e pergunto em espanhol como ele está.
Io: Estou muito confuso, não sei o que estou fazendo nesse navio, não sei quem são vocês e não sei onde estão a família.
Julian: Eu sou Julian, estamos no meu navio, lhe encontrei essa noite no mar e lhe trouxe para aqui, cuidei de você porque estava com hipotermia, mas infelizmente é o único sobrevivente do acidente do barco em que estava.
Io: Aquelas palavras caíram no meu coração como pedras enormes, não consigo acreditar que perdi toda a minha família, vivíamos em uma pequena ilha, éramos pobres, mas unidos e felizes. Sinto meu corpo tremer de tanta dor, grossas lágrimas caem dos meus olhos, é como se o meu mundo me fosse tirado, só tenho 11 anos e agora estou sozinho.
Julian: O abraço com carinho, ele me retribui e o deixo chorar nos meus ombros, lhe digo que ele não está sozinho e cuidarei bem dele.
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