A Última Sacerdotisa

7 Capítulo 7: O Véu


Eu estava tendo mais um de meus sonhos premonitórios,sabia disso.Mas não reconheci o lugar em que se passava.Minhas roupas eram um vestido vermelho com detalhes rendados em branco,e minha pele pálida se misturava ao tecido.Meus cabelos estavam soltos e um pouco cobertos por um tecido vermelho sangue com pequenas pratas ao redor do pano leve,que caiam sobre minha testa.

Apesar de não conhecer,o lugar me parecia familiar.Era um porto com vários navios e homens andando de um lado para o outro.Observei poucas mulheres,algumas com lenços cobrindo o rosto,outras com o rosto destampado e algumas ciganas,que estavam vestidas como eu.

O vento soprou forte,levando meu lenço no qual eu tentei pegar mas não consegui...o acompanhei até ver uma mão forte o pegando no ar.Meu olhar passou de sua mão,para o braço,ombro e logo chegando ao rosto.Era um homem indiscutivelmente belo e poderoso.Longos cabelo castanho preso em um rabo frouxo,olhos acinzentados e os lábios finos.

Este homem estava segurando o mastro do Navio e me olhava intensamente.Amarrou meu lenço em sua cintura como um cinto ou algo parecido.Me senti um pouco irritada,queria meu véu novamente então fui ao seu encontro.

Subi a rampa para seu navio,mas fui impedida por dois brutamontes,até o belo homem aparecer,ficando cara-a-cara comigo.

- poderia devolver meu lenço por favor? – perguntei estendendo uma das mãos.

-poderia me dizer seu nome? – perguntou olhando fundo meus olhos

- Saphira Thera – sem saber como o nome já me veio à boca.Aquele era o meu nome,talvez em outra época.

-Joia indomada ,belo nome .Me chamo Luciano- olhei mais uma vez para o navio,e nele estava escrito “Águia indomada” tentando saber o que significava.

- pronto,agora pode devolver o MEU véu? – perguntei enfatizando a palavra.

- bem...creio que não possa devolve-lo – deu-me um sorriso provocativo e charmoso

-aé? E por que não? – coloquei as mãos na cintura não gostava disso.

- porque agora,ele se tornou meu...amuleto da sorte – falou chegando perto demais,a diferença de tamanho era inevitável,ele era bem mais alto.Fiquei sem reação,enquanto ele se virava para ir embora.Não pude acreditar no que estava vendo,de suas costas saiam grandes asas negras,eram lindas e brilhantes.

-Ei espera,você ai – gritei,chamando sua atenção – o que é isso nas suas costas? – perguntei incrédula,com as mãos na boca.

-o que você acha? – olhou-me sedutoramente – sou um anjo.

Foi a última coisa que ele falou antes de levantar vôo.Alí ninguém parecia perceber que um homem simplesmente voava.Isso era impossível e ninguém se importava.Seu nome era um pouco estranho para a linguagem que estávamos usando.Estávamos falando em grego.Com isso eu acordei.

Eu sabia que era um sonho e que aquilo era uma vida passada.Mas como assim,eu havia conhecido Luciano em outra vida?Será que era disso que ele falava com Gabriel?

Olhei para o lado e lá estava ele,dormindo como uma criança.Isso me fez rir e descontrair.Voltei a deitar a cabeça em seu ombro e tentei dormir,e dessa vez foi sem sonhos

8° Capítulo: Apenas um cara.

Acordei depressa,sem tempo para nada e mal percebi que Gabriel não estava ao meu lado como a estranha noite anterior. Era segunda – feira e não poderia faltar ao trabalho de jeito nenhum,ou velho do meu chefe me mataria.Tomei um banho rápido e me vesti.Coloquei um vestido branco com detalhes em azuis escuros,um pouco acima dos joelhos.Uma sandália entrelaçada até o tornozelo e deixei meus cabelos soltos como de costume.Peguei minha bolsa e saí correndo.Não era muito longe da minha casa,mas qualquer minuto era precioso para manter meu lindo pescocinho longe das mãos do meu chefe.Aaah,lembrando que tive que largar os estudos,não estava conseguindo dar conta dos dois,e eu precisava de dinheiro.Aconselho a todos que tem seus pais por perto que estudem,só agora que perdi os meus,dei valor ao bom estudo.

Cheguei não podendo nem dar bom dia aos colegas de trabalho.Fui logo pegando o avental e amarrando-o em minha cintura.Sim,eu era uma garçonete.Aguentei o olhar severo do patrão,mas este nada disse,já sabia que ouviria poucas e boas dele,mas isso poderia esperar.

Comecei a trabalhar,o lugar era movimentado e apesar de trabalhar muito aquilo também me animava.Já era 20:00 da noite,e a clientela começava a ficar mais sofisticada.Com músicas sensuais,dançantes e eletrônicas,as vezes com direito a shows ao vivo,só voz e violão.

Eu estava limpando algumas mesas desocupadas,quando observei um homem com uns 26 anos no máximo passando pela porta e sentando em um canto qualquer. Na verdade era um homem lindo. Longos cabelos negros,olhos azuis,a pele branca,contrastando com os lábios finos e rosados.Vestia uma jaqueta preta de couro e uma calça jeans. Sentou-se e olhou diretamente em minha direção,e certamente notou que eu estava babando por ele,pois aquele sorrido atirado com certeza foi pra mim. Mesmo me sentindo intimidada fui até ele,para anotar seu pedido.

- Boa noite,o senhor vai querer algo? – perguntei colocando o meu melhor sorriso e tentando desfarçar a vergonha.

- Vou querer um capuccino — falou observando-me enquanto anotava o pedido – Trabalha aqui a muito tempo? – aquilo seria uma conversa informal se eu não fosse legal o bastante para responder.

- Bem,como no inferno um minuto parece uma eternidade,aqui não é diferente.Mas me divirto um pouco – estranha comparação,mas é a única coisa na qual eu poderia pensar.Uma gargalhada baixa saiu de seus lábios ,e isso me fez sorrir.

- que comparação mais triste.Não deveria trabalhar em um lugar comparado ao inferno – disse sorrindo e apoiando os cotovelos sobre a mesa.

-pois é,eu preciso disso pra viver – virei com a intenção de ir buscar seu pedido,quando escuto sua voz novamente .

- poderia me dizer seu nome? – já entendi,mais um freguês cantando a garçonete.

- Desculpe,mas não falo meu nome assim ... para qualquer um – respondi com um sorriso arrogante,e acho que ele gosotu,pois sua expressão ficou mais interessada.

- Prazer...me chamo Luciano – aquele nome atingiu meus ouvidos e me fez arrepiar.Deveria apenas ser coicidência. Reparei nos seus olhos,igualmente azuis.Mas algo estava o diferenciando,o homem que estava diante de mim parecia ser mais humano e caloroso.Diferente do homem de minhas visões.Não sei por quanto tempo fiquei fazendo essas comparações,mas a mão de Lúciano continou estendida esperando um cumprimento da minha parte. – agora não serei mais qualquer um.

- já volto com o seu pedido – saí em desparada,não queria dizer meu nome.Ele continuava sendo um estranho para mim.Um lindo e irresistível estranho.Voltei com seu capuccino e coloquei-o na mesa – aqui está seu pedido

-obrigado,Lucy – espera.Eu ouvi bem?Ele sabe o meu nome?Como assim,eu não o disse .

-como sabe meu nome? – perguntei chocada

-seu avental – disse apontando para mim.Maldito avental,além de mostrar meu nome a um desconhecido ainda fica bem em cima do meu peito – não deveria ficar tão tensa para dizer apenas o nome – zombou de mim,quem ele pensa que é.

- não fiquei tensa,só não gosto de me expor – respondi secamente,a presença daquele homem me deixava irritada e fazia com que eu recuasse.

-tudo bem,Lucy.Tenho que ir agora – falou pegando a carteira dentro do bolso e deixando uma nota de vinte reais em cima da mesa – o troco é seu,obrigada pela hospitalidade — sorriu calorosamente,como se já nos conhecêssemos a tempos.

-Redmoon – respondi ,e vi seu olhar se voltando para mim.Parecia estar confuso com o que eu dissera – sou Lucy Redmoon – repiti,não sei por que,mas algo em mim me impulcionou a dizê-lo,eu queria aquilo.Queria que ele me conhecesse e não se esquecesse .

- até qualquer dia,senhorita Lucy Redmoon – fez um cumprimento com a cabeça e um sorriso sedutor no rosto.Um jeito muito cortês para os dias atuais.Enquanto saia,senti um ar gélido entrar.Aquele homem me apavorou,mas me transmitiu uma segurança.Talvez eu nunca o visse novamente,foi só um homem que conheci em um dia totalmente normal na minha vida.Ele era só um cara,e eu já esqueci outros caras antes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.