Notas iniciais
Eu não possuo nenhum direito sobre os personagens, mas a história veio da minha cabeça. Olá! Eu sou a Carolin, não sou escritora mas espero que vocês apreciem essa minha tentativa! Vocês notaram alguma coisa diferente? 👀 Os primeiros capítulos são bem lentos para acompanharmos o crescimento da amizade dos dois. Boa leitura!

Era quase a hora do almoço. Isabella escutava o pai assobiando uma música do outro lado da cerca viva. Ainda não havia visto Edward naquele dia.

Ela arrancava algumas ervas daninhas, tomando cuidado para retirar toda a raiz. Os dedos pequenos e finos ajudavam a cavar a terra fria, mas era necessário o dobro da força para arrancar a planta por completo.

Estava tão concentrada na tarefa que não ouviu os passos se aproximando.

— Bom dia, senhor Swan.

— Bom dia, jovem senhor. — Houve um breve silêncio. — Deseja alguma coisa?

Edward pareceu pensar por alguns segundos antes de responder.

Através das frestas entre os galhos e as raízes da cerca viva, Isabella viu o menino cutucar a terra misturada à neve com a ponta da bota.

— Eu queria fazer uma pergunta.

O pai de Isabella apoiou a tesoura de poda sobre o joelho.

— Pois faça.

— A Polônia fica muito longe?

Bella ouviu o pai rir baixinho.

— Bastante.

— Mais longe do que Londres?

— Muito mais.

O menino permaneceu em silêncio por um instante, como se tentasse imaginar uma distância tão grande.

— E lá… neva sempre?

— Não sempre. Mas, durante o inverno, bem mais do que aqui.

Do outro lado da cerca viva, Isabella interrompeu o movimento das mãos por um breve instante.

Um torrão de terra escorregou entre seus dedos.

Voltou ao trabalho sem fazer barulho.

— Isabella gosta da neve — continuou Edward. — Ela fala dela como se fosse uma coisa muito importante.

O pai sorriu enquanto voltava a cortar um galho mais alto.

— É porque eu falo muito de lá para ela.

— Mas ela nasceu aqui, certo?

— Sim. Mas algumas lembranças não pertencem apenas ao lugar onde nascemos.

— E por que ela fala polonês?

— Porque eu quis que ela aprendesse.

— É difícil?

— Às vezes até para quem nasceu lá.

— Eu achei… — murmurou Edward.

O pai riu pela primeira vez.

— Ela fez você repetir drzewo, não fez?

Edward ergueu os olhos, surpreso.

— Como o senhor sabe?

— Porque ela fazia exatamente a mesma coisa comigo quando era menor. Ficava feliz sempre que dizia a palavra corretamente.

Edward abaixou os olhos para a neve que ainda resistia junto à cerca.

— Então ela sente saudade de um lugar que nunca conheceu?

O pai permaneceu alguns segundos em silêncio antes de responder.

— Acho que sente saudade das histórias.

Edward ergueu a cabeça.

— Histórias?

— Eu lhe conto sobre as montanhas, os bosques, os invernos… Sobre a comida, as festas e as canções que aprendi quando era menino. Quando uma criança escuta a mesma história muitas vezes, começa a imaginá-la como se tivesse estado lá.

Edward refletiu por alguns instantes.

— Então… eu também posso sentir saudade de um lugar que nunca vi?

O homem sorriu.

— Pode.

As mãos de Isabella permaneciam mergulhadas na terra, mas já não trabalhavam.

— Como é o inverno de lá? — perguntou Edward.

— Muito mais branco do que este. Às vezes a neve cobre tudo durante semanas.

— Até as árvores?

— Até as árvores.

— E os telhados?

— Também.

— E os cavalos?

O pai soltou outra risada.

— Os cavalos também.

Isabella fechou os olhos por um instante.

Era como ouvir uma história antes de dormir.

— O senhor acha que um dia ela vai conhecer a Polônia?

O pai demorou a responder.

Olhou para os galhos que acabara de podar.

Quando falou, sua voz saiu baixa.

— Espero que sim.

Edward fez um leve aceno de cabeça.

Como se guardasse aquela resposta junto de todas as outras.

— Obrigado, senhor Swan.

— Sempre que quiser conversar, jovem senhor.

Edward deu alguns passos pelo caminho de pedra.

Foi então que um leve estalo chamou sua atenção.

Virou o rosto.

Entre os galhos da cerca viva, um par de olhos castanhos o observava.

Isabella segurava um pequeno punhado de ervas daninhas contra o avental.

Sorriu.

Edward sorriu de volta.

Depois continuou caminhando.

O pai apoiou novamente a tesoura sobre o ombro e chamou, com a mesma ternura de sempre:

— Vamos almoçar, dziecko?

Isabella piscou, como se despertasse de um sonho.

Levantou-se, limpou a terra das mãos no avental e correu para alcançá-lo.

Enquanto caminhavam lado a lado em direção à casa, ela lançou um último olhar para o caminho por onde Edward havia desaparecido.

Ainda conseguia ouvi-lo repetindo baixinho, para si mesmo:

— Drzewo…

Um sorriso discreto surgiu em seu rosto.

Talvez, afinal, ele estivesse aprendendo.


Isabella gostava muito da sopa da senhorita Weber e gostava ainda mais de tentar adivinhar os ingredientes que ela usava.

Era quase uma segunda versão da brincadeira de adivinhação. Só que, em vez de descobrir pelas cores, tentava descobrir pelos sabores.

Levou mais uma colher à boca, pensativa.

— Eu acho que tem… “práprica”?

Todos à mesa riram.

A senhorita Weber levou uma das mãos ao peito, fingindo indignação.

— Está ficando boa nisso. Mais alguns dias e vou roubar você do seu pai para me ajudar na cozinha.

Isabella sorriu, orgulhosa do elogio.

Outra cozinheira, que amassava massa de pão sobre a bancada, ergueu os olhos para a menina.

— Antes disso, alguém precisa arrumar um casaco novo para ela.

Aproximou-se e ajeitou delicadamente o tecido gasto sobre o ombro de Isabella.

— Mais um remendo e não vai sobrar pano para cobrir os punhos.

Isabella olhou para o próprio ombro.

— Mas ele ainda esquenta.

A cozinha silenciou por um instante.

O pai pousou a colher sobre a mesa.

— Assim que eu receber o pagamento deste mês, comprarei outro.

Em seguida, inclinou-se e beijou os cabelos da filha.

A senhorita Weber balançou a cabeça.

— Até lá, deixe isso por nossa conta. Acho que algum dos filhos dos empregados deve ter um casaco que já não sirva mais. Talvez fique um pouco grande, mas vai aquecê-la até que o senhor possa ir à cidade comprar outro.

Os olhos de Isabella brilharam.

— Nós vamos à cidade?

Ela quase esqueceu a sopa.

— Vamos, sim — respondeu o pai, sorrindo. — Assim que eu receber.

A menina apoiou os cotovelos na mesa.

— Será que a banca de maçãs ainda fica na praça?

O pai sorriu, surpreso por ela lembrar.

— Acho que sim.

— E os cavalos enormes?

— Também.

Isabella abriu um sorriso tão grande que fez todos na cozinha rirem.

— Já que você é tão observadora… tenho uma missão para você.

Ela ergueu a cabeça imediatamente.

— Qual?

— Descobrir quem roubou minhas cenouras.

Os olhos de Isabella se arregalaram.

— Tem alguém roubando cenouras?

— Tem! Sumiram quatro. Se você descobrir quem foi, faço alguns biscoitos de chocolate especialmente para você.

Ela bateu palmas.

— Pode deixar!

Antes mesmo de terminar a sopa, Isabella já estava “investigando” as pistas sobre o ladrão de cenouras.

Seguiu pegadas, fez perguntas aos empregados, examinou a horta e, por fim, encontrou um cavalo mastigando as últimas folhas dos legumes.

Colocou as duas mãos na pequena cintura.

— Muito bonito, hein?

O cavalo continuou mastigando tranquilamente.

— É muito feio roubar as coisas dos outros. Só por isso não vou trazer uma fita de presente para você quando eu for à cidade.

O animal apenas balançou a crina e continuou comendo.

Isabella suspirou.

— Acho que você nem está arrependido.

Nem percebeu Edward se aproximar.

— Você vai à cidade?

Ela deu um pequeno pulo.

— Edward! Você me assustou!

O menino riu.

— Desculpe. Mas você estava conversando com o cavalo. Acho que ele não consegue entender.

Bella balançou a cabeça.

— Consegue, sim. Olha a cara de culpado dele.

Os dois olharam para o cavalo.

O animal ergueu a cabeça por um instante e voltou a mastigar.

Edward observou a cena com toda a seriedade do mundo.

— Acho que ele parece mais… com fome.

Bella cruzou os braços.

— Isso não é desculpa.

Edward sorriu.

— O que você vai fazer na cidade?

— Papai vai comprar um casaco novo para mim.

Pela primeira vez, Edward observou com atenção o casaco remendado.

As mangas estavam gastas e o tecido parecia fino demais para aquele inverno.

Não disse nada.

Apenas guardou aquela informação.

Bella voltou a sorrir.

— Vamos brincar?

— Você não tem trabalho?

— A missão das cenouras já acabou.

Ela apontou discretamente para o cavalo.

— Descobri o ladrão.

Edward olhou novamente para o animal.

— Então… acho que podemos.

Os dois passaram a tarde inventando pequenas brincadeiras pelo pátio. Tentaram carregar sacos vazios como faziam os adultos, mas Félix logo apareceu, rindo, e tomou os sacos de suas mãos antes que resolvessem experimentar algum que estivesse cheio.


Mais tarde, durante o jantar na casa dos Masen, Edward permaneceu quieto por boa parte da refeição.

Então ergueu os olhos para o pai.

— Papai…

— Sim?

— Por que algumas pessoas remendam as roupas?

O senhor Masen pensou por um instante.

— Porque roupas boas custam dinheiro. Algumas famílias precisam usá-las por muitos anos.

Edward refletiu.

— Então por que nós compramos roupas novas?

Elizabeth voltou discretamente a atenção para o marido.

— Porque tivemos mais oportunidades do que muitas pessoas. Nem todas as famílias tiveram a mesma sorte que a nossa.

Edward abaixou os olhos para o prato.

Não fez mais perguntas.

Elizabeth, porém, permaneceu observando o filho.


Notas finais
Palavras da Polônia — Capítulo 3 •Drzewo Pronúncia: Djé-vo Significado: Árvore. Onde apareceu: — Ela fez você repetir drzewo, não fez? Curiosidade A brincadeira de ensinar “drzewo” tornou-se uma lembrança compartilhada entre Isabella, seu pai e Edward. •Dziecko Pronúncia: Djéts-ko Significado: Criança; filho(a). Onde apareceu: — Vamos almoçar, dziecko? Curiosidade Mais do que “criança”, dziecko é uma forma afetuosa de um pai ou uma mãe se dirigir ao filho, equivalente a “meu filho”, “minha filha” ou “pequeno(a)”, dependendo do contexto. Até breve! *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.