Notas iniciais
Eu não possuo nenhum direito sobre os personagens, mas a história veio da minha cabeça. Olá! Eu sou a Carolin, não sou escritora mas espero que vocês apreciem essa minha tentativa! Boa leitura!

Capítulo 2.

Os dias passaram depressa.

A neve continuava cobrindo os campos, embora agora o céu permitisse que o sol aparecesse por algumas horas antes de voltar a se esconder atrás das nuvens.

Isabella já conhecia boa parte da propriedade.

Sabia onde ficavam os cavalos mais mansos, quais cozinheiras sempre escondiam um biscoito amanteigado dentro do bolso de seu avental e quais árvores do pomar davam as maçãs mais doces.

Também descobrira que Edward parecia estar sempre ocupado.

Logo depois do café da manhã, um professor chegava trazendo uma pasta de couro repleta de livros.

Mais tarde vinha outro.

Depois outro.

E à tarde, havia piano.

Em alguns dias, equitação.

Em outros, longas caminhadas ao lado do senhor Masen, que lhe mostrava mapas, plantas e falava sobre lugares que Isabella jamais ouvira mencionar.

Ela achava curioso.

Nunca tinha visto uma criança trabalhar tanto.

Naquela manhã, Bella atravessava o corredor carregando uma pequena cesta de novelos de lã quando encontrou Edward sentado no chão da biblioteca.

Livros estavam espalhados ao seu redor.

Ele segurava um deles aberto sobre os joelhos.

— O que está fazendo?

Edward ergueu os olhos.

— Lendo.

Ela aproximou-se.

— Mas o que está lendo?

Virou o livro para que ela enxergasse a capa.

Havia um desenho do céu cheio de estrelas.

— Meu professor disse que essas são as constelações.

Bella observou o desenho durante alguns segundos.

Depois apontou para uma delas.

— Você já viu essa?

— Não.

— Então como sabe que ela existe?

Edward piscou.

Olhou novamente para o desenho e depois para Bella.

Nunca havia pensado naquilo.

— Porque…

Demorou alguns segundos para completar.

— Porque meu professor disse.

— Ah… — Bella pareceu satisfeita com a resposta.

Sentou-se ao lado dele.

Continuaram olhando para o livro. Nenhum dos dois sentia necessidade de preencher o silêncio.

Lembrou-se da tarefa que lhe foi dada com os novelos, Isabella se levantou e saiu carregando o cesto sem dizer nada, apenas um breve e gentil sorriso.

No dia seguinte, Isabella encontrou Edward perto do lago.

Ele observava pequenos pedaços de gelo boiando lentamente sobre a água.

Ela se abaixou, juntou neve entre as mãos e modelou uma pequena esfera.

Sem aviso, lançou-a.

A bolinha acertou de leve o braço do menino, Edward virou-se imediatamente.

Olhou para a manga do casaco.

Depois para Isabella.

Ela esperava uma resposta, mas nada aconteceu.

— Você pode jogar outra em mim.

Ele franziu a testa.

— Posso?

— Claro.

Edward abaixou-se.

Tentou repetir exatamente os movimentos dela.

Demorou quase um minuto inteiro para fazer uma bola perfeitamente redonda.

Respirou fundo e arremessou.

A bola passou muito acima da cabeça de Bella.

Ela levou as mãos à barriga.

— Você errou!

Edward observou a própria mão.

Um sorriso pequeno apareceu em seu rosto.

Bella sorriu ainda mais.

— De novo!

Quando a senhora Hale atravessou a varanda alguns minutos depois, encontrou os dois completamente cobertos de neve na entrada da cozinha.

— Santo Deus! O que houve?

Edward olhou para o próprio casaco, coberto de neve.

— Bola de neve.

Deu um pequeno dar de ombros e entrou na casa.

A governanta observou o menino por alguns segundos, Edward nunca havia voltado das caminhadas daquele jeito e com bochechas tão vermelhas.

Isabella permanecia na soleira da porta.

— Bem, mocinha. Acho que você poderia me ajudar chamando Felix para retirar alguns caixotes para mim, o que acha?

— Sim, senhora!

A menina voltou para fora a procura do empregado, feliz em poder voltar a ajudar.

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Alguns dias depois, Isabella apareceu carregando duas maçãs.

Sentou-se ao lado de Edward na escadaria e estendeu uma delas.

— Pode ficar.

Ele recebeu a fruta.

— Obrigado.

Ela deu uma mordida na própria maçã.

Os dois permaneceram em silêncio.

Foi Bella quem voltou a falar.

— Você fala pouco.

Edward pareceu pensar.

— O senhor Harrison diz que pessoas inteligentes escutam mais do que falam.

Bella balançou a cabeça.

— Meu papai diz que pessoas educadas respondem quando alguém conversa.

Edward ficou olhando para ela.

— Então eu sou mal-educado?

Ela arregalou os olhos.

— Não!

Depois sorriu.

— Só acho que você podia conversar mais.

Edward guardou aquela informação como fazia com tudo o que aprendia.

Na tarde seguinte, Bella chegou correndo ao pomar.

— Edward!

Ele fechou o livro.

— Hoje eu vou te ensinar uma brincadeira.

— Qual?

Ela apontou para as árvores.

— Chama adivinhação.

— Como funciona? — perguntou o menino.

— Eu falo uma cor e você tenta adivinhar o que é.

Edward levantou-se imediatamente.

Bella colocou as mãos para trás.

— Eu estou vendo uma coisa verde.

Edward começou a olhar para todos os lados.

As folhas.

A grama.

O musgo sobre as pedras.

Depois apontou para uma maçã ainda presa ao galho.

Bella bateu palmas.

— Acertou!

Os dois continuaram.

— Agora é sua vez.

Edward pensou bastante antes de falar.

— Estou vendo uma coisa marrom.

Bella girou lentamente.

Olhou para o celeiro.

Para os cavalos.

Para os barris.

Então apontou para uma árvore.

— Drzewo.

Edward piscou.

— O quê?

Ela sorriu.

— Drzewo.

Apontou novamente para o tronco.

— Árvore.

Ele repetiu cuidadosamente.

— Dje…

Bella riu.

— Não. Fale mais devagar.

Drze…

Ele tentou outra vez.

Depois outra.

Até conseguir pronunciar quase corretamente.

Bella bateu palmas como fazia quando o pai acertava suas respostas.

Edward não conseguiu evitar um sorriso.

Durante o restante da tarde aprendeu mais algumas palavras.

Niebo.

Śnieg.

Dziękuję.

Repetia cada uma delas com enorme concentração.

Como se fossem pequenos tesouros.

Naquela noite, durante o jantar, Elizabeth tomava uma xícara chá enquanto Edward I comentava sobre a colheita.

Edward estendeu a mão para receber o pão.

— Dziękuję.

Elizabeth interrompeu o movimento.

— O que foi que disse?

Edward repetiu naturalmente.

— Dziękuję.

Edward I abaixou o jornal.

— Isso não é francês.

— Nem alemão — comentou Elizabeth.

Edward pareceu surpreso.

— É polonês.

Os dois pais trocaram um olhar.

— Quem lhe ensinou?

Perguntou Elizabeth enquanto voltava a tomar o chá.

— Isabella.

— A filha do novo carpinteiro?

Ele assentiu.

— Ela sabe muitas palavras.

Elizabeth permaneceu alguns instantes em silêncio.

Era curioso.

Não apenas porque a menina falava outro idioma.

Mas porque, pela primeira vez em muito tempo, Edward parecia querer contar alguma coisa que havia acontecido durante o dia.

— Sabe outras palavras?

— “Śnieg” significa neve e “Niebo” é céu.

Edward I sorriu.

— Parece que alguém teve uma excelente professora hoje.

Edward respondeu sem pensar:

— Ela explica melhor que o senhor Harrison.

O senhor e a senhora Masen riram.

A partir daquela semana, Elizabeth começou a reparar discretamente na pequena Isabella.

Via a menina atravessar o pátio carregando cestos maiores do que os próprios braços.

Via-a agradecer sempre que alguém lhe entregava alguma coisa.

Via cozinheiras esconderem pedaços de bolo dentro de seu avental.

E via Edward.

Sempre perto.

Nem sempre falando, mas ouvindo.

Observando.

Esperando Isabella terminar uma tarefa para caminhar ao lado dela durante o tempo livre que tinha.

Certa manhã, Bella encontrou Edward passando por Félix.

— Bom dia, jovem senhor.

O menino seguiu adiante sem dizer uma palavra.

Ela segurou delicadamente sua manga.

— Você esqueceu.

Edward olhou para trás.

— Esqueci o quê?

— De dizer “Bom dia”.

Ele voltou alguns passos.

— Bom dia, Félix.

O empregado demorou um instante, mas sorriu discretamente acenando com a cabeça.

Edward tornou a caminhar.

— Eu realmente precisava dizer isso?

Bella fez que sim.

— Papai diz que, quando alguém deseja um bom dia para a gente, é porque espera que nosso dia seja bom também.

Edward guardou aquela frase em silêncio.

Da janela do segundo andar, Elizabeth observava os dois.

Sorriu quase sem perceber.

Pela primeira vez, não via apenas o filho aprendendo história, geografia ou latim.

Via-o aprender algo muito mais simples.



Notas finais
Palavras da Polônia “Agora é Isabella quem começa a ensinar.” •Drzewo Pronúncia: Djé-vo Significado: Árvore. Onde apareceu: — Drzewo. Curiosidade Pela primeira vez, Isabella ocupa o lugar do pai e ensina uma palavra em polonês a Edward. •Niebo Pronúncia: Niê-bo Significado: Céu. Onde apareceu: — Niebo. Curiosidade Edward aprende a palavra com o mesmo cuidado que Isabella teve quando era pequena, repetindo cada som até acertar. •Śnieg Pronúncia: Shnieg Significado: Neve. Onde apareceu: — Śnieg. Curiosidade A neve continua sendo a palavra mais importante para Isabella. É por meio dela que Edward começa a conhecer um pouco da cultura da amiga. •Dziękuję Pronúncia: Djên-ku-iê Significado: Obrigado(a). Onde apareceu: — Dziękuję. Curiosidade Uma das palavras mais importantes em qualquer idioma. Edward a utiliza espontaneamente durante o jantar, surpreendendo os pais. Até breve!