A Última Lume

1 Capítulo 01 - Luzes Vermelhas


O alarme soou e as luzes vermelhas piscavam sem parar.

Trancamos os médicos e os cientistas na sala; eles não irão conseguir sair tão fácil, já que a porta de metal se fechou logo após o alarme ser acionado e nós conseguirmos sair.

Corremos pelo extenso corredor iluminado pelos flashes vermelhos. Entramos no vestiário para trocarmos as camisolas por roupas quentes para enfrentar o frio do lado de fora.

Boa parte de nós pegou jaquetas de couro; não estavam novas, mas segurarão bem o vento frio. Um de nós deu sorte de ter um celular no bolso da jaqueta; isso ajudará a encontrar um lugar para ficarmos.

Abrimos o GPS rapidamente, e procuramos por uma loja de departamento abandonada, o qual ouvimos uma vez os soldados comentarem.

A localização dela era cerca de 1,2 km de onde estávamos.

Achamos uma saída por uma janela pequena próxima ao teto no vestiário. Mas ela estava emperrada; talvez por conta do tempo que ficou fechada. Com esforço conseguimos abri-la, empurrando-a para cima, e ligeiramente sentimos o vento gelado em nossos rostos.

Logo que colocamos nossos pés do lado de fora, sentimos nossas bochechas arderem e ficarem rosadas.

Olhamos o GPS para vermos onde deveríamos seguir, e descobrimos que a setinha, que eramos nós, se move conforme nossa posição. Então seria fácil encontrar o local.

A seta indicava para entrarmos em um beco logo a frente; era um corredor curto com baixa luminosidade e só uma saída para esquerda, onde deveríamos virar.

Corremos por ele, para sairmos logo da vista, e viramos para esquerda em seguida.

Topamos com uma horda de drogados, todos sentados no chão encostados nos paredões do extenso corredor do beco, a maioria estava do lado esquerdo e poucos do lado direito. Pareciam que estavam dormindo.

Decidimos arriscar e passar por eles; talvez fazendo movimentos silenciosos, eles não perceberão nossa presença.

Estávamos já no centro da horda, onde havia a maior concentração deles. Até que um percebeu nossa presença e despertou, seguido rapidamente dos outros.

Tentamos retornar de onde viemos, mas uma parte dos drogados se levantou e começou a nos cerca.

Éramos em 10 pessoas; Joaquim e George eram os únicos meninos. E mesmo em um bom número, não sei se conseguiremos nos defender.

Avistei uma enorme grade de ferro logo à frente, que eu não havia reparado antes, talvez por conta da tensão. Ela fazia uma divisão no beco; se chegássemos até ela, nos veríamos livres deles.

— Gente, olha! — falei, apontando para a grade de ferro. — Se conseguirmos chegar até ela e escalá-la, vamos ficar longe deles.

— E como chegamos até lá? — perguntou Camilla, uma jovem de pele oliva e cabelos cacheados.

— Correndo, é uma ótima opção! — sugeriu George, um jovem asiático.

Disparamos em direção à grade, mas a horda começou a nos agarrar pelos braços como bonecos.

Eu tentei ficar no meio do pessoal correndo, fora da vista dos drogados, porque se algum me puxasse eu com certeza não iria conseguir escapar. De todos do grupo, eu era a mais desprovida de força física e resistência, ou seja, chegar até aquela grade significará ter que usar tudo o que tenho.

Senti uma mão me puxando para o lado, e infelizmente não era ninguém do meu grupo. Um dos drogados havia me pegado e eu caí no chão. Os outros começaram a vir na minha direção, enquanto um me segurava. Não sei há quanto tempo estavam naquela situação, mas aparentemente não raciocinavam mais; pareciam um bando de ratos hipnotizados com o queijo, e eu era o queijo.

Eu me debati para me soltar, mas ele era mais forte, então não pensei duas vezes e mordi seu braço várias vezes, até que consegui me soltar.

Anne, Brenda, Emilly e Felícia, já haviam conseguido pular a grade; enquanto Hannah e George a escalavam, e Camilla, Ingred e Joaquim me esperavam aflitos. E assim que me aproximei bastante deles, eles começaram a escalar as grades também.

Agarrei aquele ferro e subi usando apenas a força do medo. Quando passei a perna para o outro lado da grade, os drogados vieram com tudo nela e ela balançou me fazendo quase cair. Desci até uma certa altura, e pulei de onde estava; me desequilibrei com a força do impacto e Hannah me ajudou a levantar.

Olhei para a horda, antes de me virar e sair dali o mais rápido possível, e então encontrei um rosto familiar entre todos aqueles. Eu não sabia quem ele era, mas sentia que o conhecia; e acredito que ele também, pois me olhava fixamente no meio daquela multidão. Ele usava um uniforme preto, com o número 14 gravado no peito na cor branca. Eu o perdi de vista rapidamente quando os drogados começaram a se aglomerar em maiores quantidades na beira da cerca, e logo ela iria abaixo, essa era minha deixa.

Caminhamos rapidamente até o final do beco e viramos para a esquerda novamente, fugindo da vista dos drogados.

Havia outra cerca dividindo o caminho, e novamente pulamos ela. Dessa vez fomos parar nos fundos de uma loja de conveniência abandonada; as janelas estavam quebradas e manchas pretas de fumaça marcavam a parede de tijolos e a porta de metal.

Olhamos pelo vidro quebrado e provavelmente não havia nada que possamos pegar, tudo estava queimado. Continuamos na direção do armazém abandonado que aparentemente possuirá algum recurso.

Para evitarmos sermos vistos por algum guarda, traçamos um caminho apenas pelos becos, onde quase não havia rastros deles; além de algumas entradas estarem fechadas com mais cercas. Encontramos sinais apenas de outros drogados solitários pelo caminho.

O fim do “labirinto” de becos terminou em frente a um trilho de trem.

Teremos que andar sobre eles para continuar a rota; apesar do GPS nos indicar que devíamos atravessar e continuar do outro lado. Mas estávamos com receio se o outro lado era seguro ou não. Torcíamos que não viesse nenhum trem nesse tempo em que estaremos atravessando.

Andamos por aproximadamente 10 minutos, até que chegamos a uma casa de máquinas; o armazém estava logo atrás dela.

A fachada era de concreto, pintado com um vermelho que já estava bem apagado devido ao tempo de abandono. As portas dos setores eram de enrolar. Era um barracão bem grande.

Nos deu um grande alívio quando vimos a estrutura; ficaremos escondidos ali por um tempo.

Notas finais
Espero que esse primeiro capítulo tenha-o agradado :) Foi um texto bem rápido, e acredito que deixou algumas pontas soltas no ar, que era a intenção.

Os aguardo no próximo capítulo, onde será um pouco mais explorado esse universo e os personagens.
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