A Última Lua

15 The Light of the Moon


Notas iniciais
"Quantas vezes a simples visão de meios para fazer o mal. Faz com que o mal seja feito!"

MANSÃO FAMÍLIA COSTA/ RIO DE JANEIRO

— Ela é uma assassina – ela se aproxima do namorado – isso que ela é! Não tem como não ser; os fatos juntos seriam muita coincidência! (Jojo)

Edgard engole em seco; não temia que Joanna descobrisse o segredo de Stephanie. Ele não ligava para isso. Temia o que Stephanie fizesse caso a garota a afrontasse dizendo que sabia o seu podre.

— Joanna... – ele gagueja – o que você está dizendo é sério demais! (Edgard)

— Eu sei o que eu estou falando – ela senta-se na ponta da cama – a Stephanie é perigosa... (Jojo)

— Se ela é tão perigosa assim – ele se aproxima dela – você deve ficar longe deste segredo! Se a Stephanie realmente tiver AIDS e injeta esse sangue dela nas pessoas como forma de vingança, você deve ficar longe! (Edgard)

— Ela não seria tão suja ao ponto de injetar o sangue dela em mim – Edgard solta as fotos na cama – seria uma maldade ilógica, pois ela sabe que eu a enfrentaria e poderia espalhar tudo... (Jojo)

— Se ela realmente faz isso; por que as vitimas não a denunciaram até hoje? – ele se ajoelha na sua frente – por que ela está ilesa? (Edgard)

— Por que eles têm medo – sua voz é forte – eles têm medo por ela já ter feito isso com eles! Eu não tenho medo dela. (Jojo)

— Fica longe disso, eu te peço... (Edgard)

— Por quê? – ela o fita – por que você me quer tão longe disso tudo? Não me pareceu nem um pouco surpreso com a revelação; você já sabia dessa história? (Jojo)

— Claro que não – ele se levanta gaguejando – como pode achar isto de mim? Eu jamais... (Edgard)

— Então pronto – ela se levanta e pega a sua mandíbula – eu preciso saber a verdade sobre a Stephanie, para ver se consigo encaixar todos os fatos com a morte do meu pai. E se foi uma pessoa que o matou querendo vingança sob a minha irmã? (Jojo)

A palavra “irmã” saiu engasgada de sua garganta. A patricinha havia deixado bem claro que a mesma era um nada para ela. Como se ela fosse um mendigo, que quando as pessoas passam na rua, viam apenas uma coisa; um nada.

Edgard não diz uma palavra, e com seu olho castanho escuro, a fita! Joanna era teimosa e não se deixaria levar por enganações; uma hora ou outra ela descobriria o segredo de Stephanie! E ele teria de estar preparado para as consequências.

*

APARTAMENTO DE LILO/ RIO DE JANEIRO

Lilo estava super preocupado com o namorado, Victor, que havia saído em disparada para fora do apartamento para o mundo afora. Karol volta para a sala e senta-se ao lado dele no sofá.

— Eu não sei o que deu nele – ele suspira – nunca o vi ter uma crise dessas... (Lilo)

— Bom, eu já vi – ela enrola as pontas do cabelo no dedo – ele geralmente dava essa alouca quando éramos vizinhos! Às vezes eu tinha que ir para a casa dele o acalmar. (Karol)

— Mas esse fazia isso por quê? – ele olha para a mulher – por que motivos ele ficaria enciumado da própria amiga? Por que ele a chamaria de inimiga? (Lilo)

— O Victor – ela começa a gaguejar – ele tem um problema né... Algo parecido com loucura! (Karol)

Lilo a olha espantado; não conhecia super bem o namorado, mas o chamar de louco era demais.

— Karol, eu sei que você é muito gentil, mas insultar o meu namorado... (Lilo)

— Eu não estou o insultando – ela arfa – eu estou falando a mais pura verdade! O Victor tem um problema mental. (Karol)

— E por que ele nunca comentou comigo? – ele se levanta – por que ele nunca me disse...? (Lilo)

— Talvez ele tenha medo de você o tratar diferente – ela olha para o homem; estava conseguindo o fazer acreditar em suas palavras – e eu acho melhor você não contar o que eu acabei de te dizer! Ele fica um pouco agressivo por causa desse problema. (Karol)

— Agressivo? – ele indaga – (Lilo)

— Sim, agressivo – ela se levanta e põe-se ao seu lado – quando fui uma vez em sua casa, ele tentou inclusive me agredir... (Karol)

— Você está falando sério? – ele se afasta indo para a cozinha – por que se estiver brincando... (Lilo)

— Eu estou falando super sério – ela o segue – e você vai ver isso a partir de agora que vão viver juntos! Ele não é normal. Por isso ele insistiu para que viéssemos morar aqui, para cuidarmos dele. (Karol)

— Eu não sei... – ele suspira – acho que seria melhor eu conversar com ele sobre isso... (Lilo)

— NÃO – ela o interrompe – como eu disse, ele pode ter outro ataque por eu ter te contado esse segredo dele – ela é cautelosa – confia em mim; vamos tratar dele juntos. (Karol)

Karol se aproxima e coloca uma de suas mãos no ombro dele; ele fica tenso, e fica imóvel, enquanto ela o fitava com seus olhos castanhos como a terra úmida.

— Confia em mim? (Karol)

— Confio – ele expira – vamos cuidar do Victor então; juntos... (Lilo)

*

APARTAMENTO DE GIOVANNA/ GRAJAÚ/ RIO DE JANEIRO

Giovanna se levanta do chão e continua prensada na parede, olhando para a loura que a encarava com os olhos brilhando.

— Como é que é? – ela se aproxima – você está tendo a cara de pau de dizer na minha frente que não vai cumprir com a sua parte? Você sabe o que eu posso fazer com você, Leslye? (Giovanna)

O celular de Leslye começa a vibrar e a tocar; ela o pega e passa os olhos pela tela que indicavam a foto de Romeu. Seu sorriso era contagiante pela imagem, e seus olhos azuis brilhavam como nunca.

— Eu não sei o que você vai fazer comigo, mas vai ter de esperar – ela se levanta do sofá – tenho que encontrar o Romeu! – as palavras dela são afiadas – (Leslye)

Leslye pega sua bolsa e se afasta da prima que ainda a olhava com os olhos arregalados; Leslye a mira com coragem no olhar. Não tinha mais medo dela, e a enfrentaria novamente se fosse possível. Ela abre a porta do apartamento, saindo dele em seguida. Giovanna corre para o celular e disca um número que ela tanto conhecia; o de sua melhor amiga Dayane.

XV: Gi? (Dayane)

XV: Oi — sua voz sai estranha pelo fato das lágrimas – (Giovanna)

XV: Você está chorando? O que aconteceu? (Dayane)

XV: Você nem acredita, amiga — ela respira fundo – a Leslye me passou a perna; a baranga me afrontou e disse que não vai dispensar o Romeu. Ela esta apaixonada. (Leslye)

XV: Parabéns, Giovanna — ela dá uma risadinha de deboche – a sua Raissa fake está tão perfeita que agora o Romeu está mais apaixonado por ela do que pela real! (Giovanna)

XV: A diferença é que ao contrário da Raissa real — ela fita o chão – a Leslye está apaixonada por ele também! Ai que ódio, estou a ponto de cometer um suicídio. (Giovanna)

XV: Você já cometeu. Você matou a baranga e agora é a baranga sem vida social que está te matando... — ela arfa – de inveja! (Dayane)

XV: Ai, tanto trabalho pra entregar de bandeja o garoto mais lindo do planeta para uma tosca — uma lágrima sai de seu olho – Pra que? Para eles formarem um lindo casal? Que linda minha vingança — ela suspira – só que não! (Giovanna)

XV: Calma que nem tudo tá perdido — sua voz é calma – a Leslye chutar o Romeu, não vai rolar. Mas, de repente, o Romeu pode chutar a Leslye. (Dayane)

XV: Como assim? — ela se recompõe – desenvolve... (Giovanna)

XV: Você pode gravar uma conversa com a Leslye, revelando todo o plano de vocês, para depois mostrar essa gravação... (Dayane)

XV: Para depois mostrar essa gravação para o Romeu em praça pública, o que faria o Romeu desistir da Leslye — ela se anima – Dayane, você é um gênio. (Giovanna)

Giovanna se aproxima de uma foto de Romeu e dela que ela tinha imprimido, no balcão. Ela avalia a imagem.

XV: O Romeu está mudado sim; mas ele ainda é predador de raiz — ela suspira – ele não admitiria uma traição dessas. (Giovanna)

Dayane afirma e se despede da amiga; precisava sair para a pizzaria com sua família. Giovanna dá um até logo para ela e com a foto de Romeu em sua mão, se encaminha até a cozinha. Ela pega um prato de metal e com um fósforo, incendeia o papel que carregava consigo. A foto de Romeu ia queimando e virando pó enquanto deslizava pelo prato de metal para sumir.

*

MANSÃO FAMÍLIA COSTA/ RIO DE JANEIRO

Edgard havia se retirado e dito que precisava resolver assuntos pessoais; Joanna não se importou e ficou no quarto esperando o momento em que Stephanie sairia do dela. Precisava entrar lá dentro a espreita e encontrar algo para incriminar a garota; algo para ter as provas que tanto precisava.

E não demora muito; acompanhada de um garoto louro e aos beijos, Stephanie sai do quarto e fecha a porta, mas não a tranca. Joanna observava tudo na fresta de sua porta aberta. Enquanto a patricinha descia as escadas, indo para a sala, Joanna foi rápida e silenciosamente, abriu a porta do quarto da garota e se enfiou lá dentro.

Com agilidade, começou a procurar algo que provasse que Stephanie era uma assassina que injetava sangue nas pessoas; a cama dela estava uma bagunça de edredons e lençóis; cheirava a sexo. Joanna pensava se a garota havia feito sexo com o louro sem proteção, para apenas o carimbar. Não importava agora.

Ela fita uma mini geladeira vermelha ao lado de sua cama. Rapidamente ela agacha e abre a porta; pânico sobe sob suas veias quando ela encontra sangue lá dentro. Não precisava de maior prova; aquele sangue só podia ser contaminado. Ela enfia um vidrinho em seu bolso e se afasta da geladeira quando ouve a maçaneta da porta se mexer. Ela fecha a porta e se levanta, quando Stephanie surge no quarto e a fita com seus olhos de cobra.

— Joanna? – ela se aproxima da garota – (Stephanie)

A garota respira fundo e fita a irmã parada a sua frente.

— Surpresa em me ver? – ela dá um sorriso – considerando que você está no meu quarto... Já disse que você não é nada para mim! Veio fazer o que aqui? (Stephanie)

Joanna não responde; não tinha nada a dizer e nada a usar como desculpas.

— Só por que descobriu ser filha do meu pai, acha que pode invadir quartos alheios? (Stephanie)

Joanna dá um passo à frente, insinuando sua saída, mas Stephanie a impede colocando-se em sua frente.

— Me deixa passar... – ela fita Stephanie – eu já tive toda paciência com você... SAI DA MINHA FRENTE OU EU NÃO RESPONDO POR MEUS ATOS. (Jojo)

— NÃO SAIO – ela é ríspida – EU NÃO SAIO! EU ODEIO VOCÊ. EU ODEIO VOCÊ, ODEIO ESSA SUA CARA DE SONSA. EU ODEIO ESSE SEU AR DE BOA MOÇA, EU TE ODEIO, SUA DESGRAÇADA. (Stephanie)

— Me deixe passar – ela fecha os olhos com a pressão – senão eu vou... (Jojo)

— SENÃO O QUE? – ela dá um sorriso e encara a morena – o que você vai fazer contra mim? (Stephanie)

Notas finais
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência