A Última Lua
1 Pilot
Notas iniciais
A multidão gritava o seu nome.
“When love hurts, baby; yeah, that's how you know it's real”
A melodia começa e os dançarinos começam a dançar em volta do palco, em uma sincronia perfeita.
“It's like we speak a different language; these double sided conversations set me up”
A cortina se abre, uma garota de longos cabelos negros e pele branca aparece diante de toda a multidão que pulava e gritava. No momento, Joanna não se importa com seus problemas – que eram inimagináveis. Importava-se apenas em cantar sua música mais conhecida e aclamada e fazer os seus próprios fãs se sentirem felizes e satisfeitos.
“When love hurts; yeah that's how you know it; yeah that's how you know it's real; oh, oh, oh, oh, oh”
Enquanto cantava sua última música, usava um corpete branco com uma meia calça do mesmo tom. Tinha pulado e cantado a noite inteira, se sentia esgotada, mas ao mesmo tempo muito feliz. Ser aclamada por uma grande multidão era muito satisfatório.
“And that's how you know it's real; oh and I know it's real”
Ela canta o último trecho de sua música e a plateia começa a gritar e a aplaudir.
— Eu queria agradecer a todos vocês, meus fãs, por terem comparecido neste momento tão especial – todos pulavam – o meu último show da era When Love Hurts, que vou sentir muita falta. Foi maravilhoso estar esses três meses em palco para a minha primeira turnê. (JoJo)
Todos gritavam duas frases: “Nós te amamos” e “Mais um, mais um”. Jojo se sentia super emocionada, de todos os shows da turnê, este tinha sido o maior e mais lotado. Sua fama não tinha começado há muito tempo, 1 ano era o máximo. Seu primeiro single, When Love Hurts havia feito o maior sucesso, e com outras músicas, conseguiu conquistar um espaço no mundo da fama e no coração das pessoas. Era no momento a rainha do pop brasileiro – apesar de cantar em inglês.
Conseguira passar nomes como de Anitta, Wanessa, Ivete Camargo, Sophia Abrahão, Manu Gavassi e neste pouco tempo, abrira o show de Selena Gomez no Brasil. Apesar das criticas positivas, também havia as negativas. Notas maldosas de blogueiras fofoqueiras diziam que ela era mimada e grossa com seus fãs, além de insinuarem que ela fez um pacto com o diabo para conseguir a fama – o que não era verdade. Havia trabalhado nestes últimos anos, para conseguir seu espaço, bastante e não poupava esforços para deixar tudo perfeito.
— Infelizmente eu tenho de ir, mas em breve nos encontraremos novamente, disso eu tenho certeza – ela manda um beijo para a plateia – até o próximo. (Jojo)
Jojo sai do palco enquanto todos a aplaudiam. Precisava sentar no seu sofá do camarim e comer. Depois de cantar, a sua coisa preferida era comer.
Antes mesmo de chegar ao camarim, sua assessora se aproxima, parecendo tensa. Jojo olha para ela cansada, provavelmente ela teria de dar entrevistas para a TV Fama! – o que não tinha problema algum – só que ela realmente estava muito cansada.
— Carmela, eu estou muito cansada... – ela suspira – não tem como adiar essa entrevis... (Jojo)
Carmela a interrompe.
— Não é entrevista Joanna, o seu pai... – ela gagueja – ele teve mais um ataque cardíaco e esta na UTI. Você precisa ir para o hospital AGORA! (Carmela)
*
No alto do Rio de Janeiro, em uma mansão, em meio ao sol, Stephanie passava bronzeador solar. Seu óculos de sol rosa escondia seus olhos verdes e o coque, seu grande cabelo castanho escuro. A garota poderia ser confundida com uma modelo internacional, seu corpo era magro e estrutural.
Claro que ela já havia desfilado em várias marcas famosas, como a Victoria’s Secret, a Vogue, tudo em Paris. Era uma garota influente no mundo da moda, e sempre que tinha tempo, ia até os Estados Unidos fazer as compras do mês. No seu fone de ouvido, ouvia Bad Girl da Avril Lavigne. Amava essa música.
Ultimamente, seus empregados só a encontravam triste pelos quatro cantos da mansão. Seu pai havia morrido de pneumonia. Claro que ela não acreditava nisso, para ela, ele havia sido assassinado. Assassinado por ninguém menos que Tina, a sua madrasta, que acabara ficando com a maior parte da herança. Sua maior motivação era encontrar provas de que Tina realmente assassinara o seu pai, e coloca-la na cadeia, para toda a sua herança de direito vir para ela.
Do outro lado da área da piscina, Tininha caminhava para perto de Stephanie com uma cadeira de praia e seus óculos escuros no colarinho de sua canga. Ela para ao lado da patricinha e abre a cadeira, se deitando diante do sol. Tina era uma mulher bonita, quem via nem pensava que ela já estava no auge dos 40 anos. Tinha cabelos loiros e pele bronzeada, poderia ser considerada uma deusa estelar.
— Me empresta um pouco de bronzeador? – ela se vira para a garota – o meu acabou... (Tina)
Stephanie abre um sorriso falso.
— Se eu não emprestar você vai me assassinar também? (Stephanie)
Tina revira os olhos. Convivia 24 horas por dia com insinuações e provocações de que fora ela que tinha acabado com a vida de Gael Costa. O que era para ela, blasfêmia. Também havia sofrido com a morte do marido.
— Eu posso pensar muito bem na situação... – ela abre um sorriso, iria aproveitar para revidar as provocações – (Tina)
Stephanie senta na cadeira rapidamente e coloca os óculos de sol na parte frontal da cabeça.
— Como você tem coragem de brincar com uma coisa dessas? (Stephanie)
Tina continua deitada e apenas sorri.
— Steph, você de todas as pessoas desta mansão deveria saber que eu não brinco – ela senta também – convivo dia e noite ouvindo que matei o seu pai... Eu desisti de dizer para você que eu não tive um dedo de culpa nisto tudo. (Tina)
Stephanie ri falsamente.
— Ah, mas teve sim, e eu vou descobrir tudo e provar para a polícia... (Stephanie)
— Até agora você não encontrou nada – ela a interrompe – boa sorte, garotinha. (Tina)
Stephanie bufa e se levanta da cadeira, pegando suas coisas junto.
— Pode ficar com esse bronzeador barato – ela joga em Tina – perdi totalmente a vontade de ficar aqui. (Stephanie)
— Vai nas sombras – ela volta a se deitar – (Tina)
Stephanie começa a caminhar para de volta a sua casa, quando a voz de Tina a impede.
— Stephanie (Tina)
A garota olha para a madrasta.
— Cuidado pra não ser assassinada no meio do caminho – ela começa a dar risada – (Tina)
Stephanie grita.
— Vai tomar no seu cu! (Stephanie)
Mais irritada do que nunca, ela volta a caminhar para dentro do seu aposento.
*
Dayane entra no quarto de Giovanna e fecha as portas. A amiga estava deitada com a cabeça entre os travesseiros, parecia realmente muito triste.
— Amiga? – ela senta na ponta da cama e toca o cabelo da garota – o que o Romeu fez desta vez? (Dayane)
Romeu era o namorado de Giovanna, e era cobiçado por muitas garotas. Era galinha antes de conhecer e namorar a garota.
Giovanna olha para a amiga, sua pele estava borrada de maquiagem e seus olhos estavam vermelhos, era claro que ela tinha chorado a noite inteira. Ela senta na cama e olha nos olhos de Dayane.
— Ele não fez nada demais... Só foi um pouco grosso comigo, me mandou ir pro inferno! (Giovanna)
A garota deita no colo da amiga e Dayane acaricia seus cabelos negros e brilhantes.
— Só um pouco grosso? – ela é cautelosa – amiga, é de tempos que ele anda te tratando mal... (Dayane)
Giovanna volta a olhar pra amiga.
— E você acha que eu não sei? – ela entrelaça os dedos – no começo do namoro ele era uma maravilha, o cara mais especial que eu já tinha cruzado. Só que de uns tempos para cá ele mudou demais, nem parece o MEU Romeu. (Giovanna)
— Por que ele não é mais então, o seu Romeu... (Dayane)
— O que você quer insinuar com isso...? – ela a olha confusa – (Giovanna)
— Você me desculpa – ela se levanta da cama – mas isso não está me cheirando bem. Você sabe que eu adoro sites de fofoca, acompanho a vida de todos pelo blog da Fabíola, e isso claramente tem dedo de outra mulher... (Dayane)
— Você está insinuando que ele está me traindo? – ela senta na ponta da cama – é isso? (Giovanna)
Dayane assente e ajoelha de frente para a amiga.
— Eu não vejo outro motivo para ele estar te tratando assim... – ela se levanta e pega um retrato de Romeu e Giovanna na estante do quarto da garota – olha, por que você não investiga a vida dele...? (Dayane)
Giovanna se desespera
— Está doida? Jamais eu faria isso com o Romeu, eu confio nele... (Giovanna)
— Giovanna acorda pra vida... – ela percebe o choque da amiga – você está sendo enganada sim! E se você não investigar, vai acabar se saindo como a tonta e traída da história... (Dayane)
Giovanna engole em seco.
— Será? – ela se levanta e começa a andar em círculos – é que eu tenho medo, sabe? Medo por que a sua teoria faz muito sentido. Eu amo tanto o Romeu... (Giovanna)
— É, mas se ele te amasse desse jeito, jamais te trairia. Você precisa descobrir a verdade! (Dayane)
Giovanna abre um sorriso – maléfico.
— Ta bom, eu vou investigar a vida dele. Ele sempre sai com os amigos de sexta a noite... E-E-Eu vou seguir ele. – ela se vira pra amiga – (Giovanna)
— É assim que eu gosto – elas se abraçam – Giovanna detetive em ação. (Dayane)
Giovanna apenas sorri. Estava realmente com medo. Medo de ser traída e do que poderia fazer caso tudo isso realmente fosse verdade.
*
Joanna entra no leito da UTI. No quarto não havia só o seu pai, e sim várias outras pessoas deitadas na cama dura e gélida.
João, seu pai, estava adormecido e um médico olhava a ficha dele. Joanna se aproxima.
— Oi doutor – ela sorri entre lágrimas – o que realmente aconteceu com ele...? (Jojo)
— Bom... Ele sofreu outra parada cardíaca, as chances dele sobreviver são... – ele fica uns segundos em silêncio – quase mínimas... (Doutor)
Todas as lágrimas que Joanna queria chorar desceram com tudo. Já havia perdido a mãe a não muito mais de três anos, e agora perderia o pai...
— Eu vou te deixar uns minutos a sós com ele... (Doutor)
O médico sai do quarto e deixa Joanna “sozinha” com o pai. A garota senta num banquinho de madeira ao lado da cama.
Ela pega a mão do pai e o acaricia. Diante de tantas lágrimas, sua blusa estava um pouco molhada.
— Paizinho... Por que justo agora...? (Jojo)
Ela encosta a cabeça nos ombros do pai e se lembra da música que escreveu para ele, que inclusive foi um single seu. Foi sua primeira música em português, e ela o decidiu nesta língua por que o pai não entendia inglês...
“Eu já me condenei, por ser como eu sou; mas já me perdoei, é por amor”.
Ela começa a cantar nos ouvidos do pai, enquanto soluçava.
“Sem ter você pra mim, eu fico meio assim, feito um cãozinho sem dono; sonhos perdidos, que não saem do meu coração, que vem mesmo que eu diga não...”.
Ela não consegue continuar e fica em silêncio, apenas deitada nos ombros do pai.
— Você sabe... O quando eu gosto... Desta canção – ele dizia meio em tropeços de palavras – (João)
Joanna levanta a cabeça e olha para o rosto do pai, que lutava para se manter com os olhos abertos...
— Ah pai... – as lágrimas desciam velozmente – eu te amo tanto... (Jojo)
Ele aperta fracamente a mão da filha.
— Eu também minha filha... E quero que você me perdoe... (João)
Jojo abre um sorriso melancólico.
— Te perdoar pelo que pai? Você sempre fez de tudo pra eu ficar feliz... (Jojo)
— Pelo que eu vou te contar agora – ele vira a cabeça para olhar a garota – você precisa saber da verdade... (João)
*
Tina continuava na área de lazer, só que não sozinha, sua amiga Elenice a acompanhava na caipirinha. As duas fofocavam. Elenice era uma mulher modesta, de cabelos pretos e curtos, e muito, muito safada. Adorava falar de homem. Tinha chamado a amiga para apagar os males, as duas estavam quase bêbadas.
— E aquele boy novo da esquina? – ela se abana – meu deus do Céu faltou pouco pra eu dar pra ele... (Elenice)
— Você só pensa em dar o rabo, ein? – ela revira os olhos – e eu aqui toda estressada por causa da pirralha da Stephanie... (Tina)
— Qual o problema de eu dar o rabo? Sou feminista, apoio todos os meus direitos... – ela toma um gole da bebida – mas então... O que está pegando entre você e a Stephanie? (Elenice)
— Ah eu já disse né, ela não tira da cabeça que foi eu que matei o Gael – ela beberica a caipirinha – eu to até conformada com isso. Inclusive usando a meu favor pra rebater ela... (Tina)
— Por que você não interna essa garota numa clínica? Ela é completamente maluca, onde já se viu? Era notável que você amava o Gael... (Elenice)
— Ela só me estressa... – Tina suspira – mas a deixa comigo... Ela não me conhece, não sabe que está brincando com fogo! (Tina)
Neste momento, entra um homem de pele bronzeada, másculo, e bonito no hall de entrada.
— Alá o Edgard, o namorado da Stephanie... (Tina)
— Ele é muito gostoso, não é? – elas o admiram – sua enteada se deu bem pelo menos em algo... (Elenice)
Tina sorri
— Sim – bota os óculos de sol – pelo menos em algo... (Tina)
*
Edgard entra no quarto de Stephanie batendo as portas, e ela que estava deitada na cama, se assusta.
— Está doido? – ela grita – eu estou deitada... (Stephanie)
Ele se aproxima, pega seu braço e a puxa da cama.
— Eu preciso que você me masturbe... (Edgard)
Stephanie se desvencilha dele e abre um sorriso debochado.
— Está fora do juízo? – ela se aproxima do ouvido dele – não estou afim hoje! (Stephanie)
Ele suspira com os olhos fechados e volta a apertar o braço da garota.
— Quer que eu conte o seu segredo pra humanidade? – ele abre um sorriso – eu acho que não, né? (Edgard)
Edgard foi o ex-namorado da garota, e nunca superou o término do namoro. Na época, Stephanie amou tanto o rapaz que não se importou de contar seu maior segredo para ele. Arrependia-se. Ela tenta o empurrar, porém ele é mais forte com ela e a prensa.
— Eu vou encontrar um jeito de acabar com tudo isso... EU NÃO TE AMO MAIS, por que você não me esquece? (Stephanie)
— Por que eu ainda gosto de você... Got me looking so crazy right now, your love's (Edgard)
Ele sorri e ela desiste de lutar contra seus braços. Sempre achou Edgard gostoso, e estava tão irritada... Ela o puxou para si e o beijou, e entre beijos e tropeços, eles entraram no banheiro. Edgard joga Stephanie em cima da pia, beijando seu pescoço.
Stephanie tira a blusa do garoto, e ele abre o cinto, descendo a calça. O grande volume de sua cueca era irreparável.
Excitado, ele rasga a canga de Stephanie e logo começa a acariciar os seus seios, por cima do biquíni. Ela se despe, e eles entram no chuveiro.
“Got me hoping you'll save me right now, looking so crazy in love's; got me looking, got me looking so crazy in Love”
*
— O que você está insinuando pai...? (Jojo)
— Você precisa saber da verdade... (João)
Jojo se levanta e mede a febre do pai colocando sua mão na testa dele.
— Não tem verdade nenhuma pai... – ela sorri para ele – (Jojo)
Ele a ignora
— Não posso morrer carregando isso comigo... Seria injusto também com você... (João)
— Por que você está me contando isso agora...? (Jojo)
— Por que eu nunca tive coragem... Eu sempre tive medo de você não me amar mais... – ele fecha os olhos – (João)
— Pai, eu jamais deixaria de te amar – ela se desespera – o que é que você está tentando me dizer?... (Jojo)
— Joanna você não é a minha filha... Nem filha da minha esposa, Maria Lúcia – Joanna, chocada, fica em silêncio – Você é filha de Gael Costa, e tem outra família. (João)
*
Tininha procurava cerveja na geladeira da cozinha, mas não encontra nada. Estava precisando beber mais e ficar mais bêbada. Tinha tomado tudo que tinha com Elenice, que estava quase caindo na piscina de tão bêbada.
Ela fecha a porta da geladeira com força e começa a pensar... Onde mais aqui dentro desta mansão teria bebida? Uma luz invade sua mente.
— A Stephanie tem uma mini geladeira no quarto dela... – ela começa a subir as escadas – com certeza essa safada guarda bebida lá... (Tina)
Chegando ao corredor, ela abre a porta do quarto da menina, que estava vazio. Em silencio, Tina fecha a porta e vai em direção à pequena geladeira vermelha com vidros escuros no canto da cama dela. Ela se agacha e abre as portas, e dá um grito com o que se depara. Chocada, e sem entender, calmamente ela retira o que continha lá dentro.
Frascos com um liquido vermelho e viscoso. Sangue.
Tina analisa os tubos, tampados por rolhas.
— O que ela faz guardando sangue dentro de uma geladeira? (Tina)
Stephanie, saindo do banheiro, aparece atrás de Tina, que não percebe ainda chocada vendo os frascos.
— O que está acontecendo aqui? – Tina se vira assustada para ela – o caminhão de pau de arara enguiçou na porta? (Stephanie)
Fale com o autor