A Última Lua

5 Is Not This Something More Than Fantasy?


Notas iniciais
"De tanto ver triunfar a maldade, De tanto ver crescer as injustiças, De tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos homens, O homem chega desanimar-se da virtude, A rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto."

Stephanie expirava rapidamente enquanto fitava Joanna com seus claros olhos azul. Não conhecia a garota, mas algo dentro dela gritava em perceber uma semelhança entre as duas.

— E eu vou ser... – ela mira a cantora – escuta bem, eu vou ser MUITO FELIZ! (Stephanie)

Stephanie parte para cima da garota, porém Ana a segura nos braços, impedindo as duas de se estapearem no meio da rua, que já se encontravam com o tom de voz alto.

— ENTÃO VAI, VAI EMBORA ESTOURAR UM CHAMPANHE – ela se aproxima – não perde mais tempo... (Jojo)

Stephanie dá risada e segurada por Ana, debocha.

— Você é mesmo muito depravada – ela a olha – é de que signo? Leão? (Stephanie)

— Nasci no dia 7 de abril de 1995, sou Ariana! – ela ainda com raiva, questiona – por quê? (Jojo)

O rosto de Stephanie perde a cor e ela abre os lábios em forma de O, chocada.

— Que foi? – ela se tranquiliza – viu um fantasma? (Jojo)

— Eu também nasci no dia 7 de abril de 95 – ela engole em seco – (Stephanie)

— Que bom – ela fitava a garota com um toque de ironia – muito bom! Pelo visto, a única coisa que temos em comum! (Jojo)

A rua já havia se dispersado, e restava apenas Stephanie, Joanna e Ana na calçada.

— Agora deixa eu ir cuidar da minha vida, que eu tenho muita coisa pra fazer! (Jojo)

Joanna se levanta do concreto duro e gélido, estava se sentindo bem novamente! Não se arrependia do heroísmo, apesar da ingratidão, tinha salvado a vida daquela garota.

Stephanie é levantada por Ana, e ainda encarava Joanna um pouco chocada, pela semelhança e coincidência.

— Obrigado por estar comigo... (Stephanie)

— Por nada, sabe que pode contar... (Ana)

Steph sorri para a amiga e vira as costas, voltando a sua vida habitual.

*

MANSÃO FAMÍLIA COSTA/BARRA DA TIJUCA/RIO DE JANEIRO

Tina desce pelas escadas do corredor com seus óculos de sol e na gaveta, pega a chave do carro. Iria agora encontrar Patrícia Alexandre na barra da tijuca, e pretendia de uma vez por todas descobrir todos os segredos que envolviam a morte do seu marido.

Stephanie entra pelo hall da frente e percebe a saída da loura.

— Aonde você vai? – ela sorri – finalmente vou me livrar da sua presença pelo menos uma tarde! (Stephanie)

— Aonde eu vou não lhe diz respeito algum – ela olha para a patricinha – não sei por que anda tanto interessada na minha vida... (Tina)

Stephanie dá uma risadinha falsa;

— Eu que estou interessada na sua vida? – ela a olha com deboche – tem certeza? (Stephanie)

— Pensa que eu me esqueci dos vidrinhos de sangue que encontrei na sua geladeira? – elas se encaram – (Tina)

— Engraçado, deve ter alguma coisa nessa casa – ela olha os arredores – na água, na comida, por que vivemos sempre em guerra... – ela é irônica – nos odiamos! (Stephanie)

— Você jura que não faz nem ideia de quem coloca esse veneno na água? (Tina)

— Você está cavando a própria cova com um trator – ela engole em seco – se você quer o melhor pra você, fica longe de mim! Nós nunca vamos nos dar bem. (Stephanie)

— Impressionante Stephanie... – ela caminha com seus saltos se aproximando da garota – apesar de tudo, eu fico olhando pra você e eu não consigo entender... (Tina)

Elas continuam se encarando

— Você era a minha enteada... – ela mexe seus cabelos – não era pra gente ser assim! (Tina)

— Pois para mim está perfeito como está – ela sorri – melhor seria se você mudasse pra cotia bamba! (Stephanie)

— Você nem imagina como eu estou chegando perto de descobrir o passado... (Tina)

Stephanie grita em risadas, debochando da mulher loira a sua frente.

— Vai rindo mesmo, aproveita que a contagem regressiva está quase acabando! – ela se afasta, indo para a porta – fica esperta! (Tina)

Tina sai da mansão, entrando em seu carro e partindo para o morro do alemão em busca de Patrícia, deixando Stephanie só.

*

AEROPORTO INTERNACIONAL DE SEATTLE

Leslye entra na cabine do avião, e Leon, seu irmão, a acompanhava logo atrás.

Leon era parecido com Leslye, tinha o rosto retangular, cílios grandes e um cabelo louro escuro.

Os dois sentam em suas poltronas, na classe B, de dois lugares. O avião era grande, e eles iriam direto para o Brasil, sem nenhuma conexão com outro país. Desceriam no aeroporto de Santo Dumont, e lá, encontraria Giovanna a sua espera com um carro para finalmente irem para o lar da garota.

Leslye, sentada ao lado da janela, encosta sua cabeça na parede metálica do avião e observa o aeroporto pelo pequeno cubículo de vidro. Pensava em que detalhes Giovanna queria falar com ela, e que condições para morar no Brasil. Não seriam baratas.

Ela respira fundo tamanho o medo. Leon se vira para a irmã e acaricia os seus ombros.

— Não precisa ter medo – ele sorri com seus dentes brancos – vai dar tudo certo! (Leon)

— Eu espero que de mesmo – ela vira seus olhos para ele – estou cansada de sofrer por esta vida! (Lelsye)

— Eu pensei que você fosse feliz... (Leon)

O sol que adentrava pela janela brilhava sob o cabelo de Leon, formando uma auréola sob a sua cabeça. Achava o irmão à coisa mais linda.

— Como alguém pode ser feliz sem amigos...? Família...? (Leslye)

– Eu sei como foi difícil para você, mas estamos tendo uma segunda chance de recomeçar... (Leon)

— Eu não sei se tenho um bom pressentimento sobre tudo isso... (Leslye)

— Por quê? – ele a olha confuso – (Leon)

— Não sei – ela sorri secamente – simplesmente sinto! (Leslye)

Uma voz os interrompe. Era a aeromoça pedindo para ajustarem os cintos, pois logo iriam decolar.

Apesar de tudo, Leslye estava ansiosa. Fecha o cinto na tranca e volta a olhar para o horizonte da janela, rezando para que uma nova vida começasse.

*

APARTAMENTO DE RONALDO/BARRA DA TIJUCA / RIO DE JANEIRO

Ronaldo observa Cate entrar pela porta de entrada e ir direto para o quarto, sem o cumprimentar. A garota possuía um semblante bravo e sério, o que destacava os seus olhos verdes. Herança da mãe dela.

Ronaldo segue a garota, e encosta-se ao batente da porta enquanto ela escova os cabelos olhando para o espelho.

— Por que não falou comigo? – ele sorri – aconteceu algo...? (Ronaldo)

Cate revira os olhos e coloca a escova de cabelos no balcão, se virando lentamente para o pai.

— Você ainda me pergunta? – ela debocha – será que foi por que você esqueceu que tem uma filha...? (Cate)

— Está dizendo isso por causa de hoje de manhã? – ele se aproxima da cama dela – se sim... (Ronaldo)

— É claro que sim pai – ela aumenta o tom de voz – já disse que não gosto da ideia de você se envolvendo com essa mulher por puro interesse... (Cate)

— Filha, você não tem nada haver com tudo isso... (Ronaldo)

— É claro que eu tenho – ela o interrompe – você acha mesmo que eu quero ver você sofrendo quando quebrar a cara com essa gostosona? (Cate)

— Não é assim... (Ronaldo)

— Ah não? – ela fita o pai – então como é? (Cate)

— Eu gosto da Tina – ele confessa olhando para o edredom – ela me faz dar risada, e o sabor de seus lábios é incrivelmente incrível... (Ronaldo)

— Não me vai dizer que está apaixonado... – ela ri falsamente – (Cate)

— E se eu estivesse? – ele engole em seco – você sabe o quando eu sofri por sua mãe, deveria ficar feliz por mim e aceitar... (Ronaldo)

Cate respira o fundo, e com os dedos, aponta para a porta.

— SAI DAQUI (Cate)

— O que? – ele se levanta da cama – você está ficando doida? (Ronaldo)

— Faça um desejo meu pelo menos uma vez – ela bufa – me deixa sozinha! (Cate)

Ronaldo suspira e vira as costas para a filha, saindo do quarto e fechando a porta logo em seguida.

Cate se joga na cama e vários pensamentos invadem sua mente. Será que deveria realmente ficar brava por conta disso? Ou será que tinha que deixar o pai seguir a sua vida?

Desde que ele terminara com a mãe dela, às vezes ela o pegava chorando vendo algumas fotos deles, e isso partia o coração dela. Claro que queria ver o pai feliz e amando novamente, só não aprovava quando obtinha interesses econômicos no meio da relação. Ela joga o rosto para os travesseiros e pede uma ajuda dos anjos.

*

APARTAMENTO DE LILO/BARRA DA TIJUCA/ RIO DE JANEIRO

Lilo arruma os últimos detalhes de seu edredom. Esperava um convidado super especial, na verdade, passaria uma noite especial.

Havia contatado aquele de sempre, que depositara sempre a sua confiança e nunca o decepcionava. Victor, o seu garoto de programa.

Há mais ou menos um ano, Lilo contratou Victor para eles transarem; o garoto era um gogoboy loiro de olhos azuis, baixinho, mas adorável. Lilo se encantara por ele desde o primeiro momento, e desde então viviam neste relacionamento sexual intenso; se viam praticamente todos os dias.

A campainha toca e Lilo se exalta, indo correndo atender a porta. Era quem já esperava.

— Esperando por mim? (Victor)

— Todos os dias (Lilo)

Os dois sorriem e logo começam a se beijar. Lilo fecha a porta, e volta para os braços do amado, jogando ele na cama logo depois. Em meio a caricias e toques, os dois se amam novamente.

*

MORRO DO ALEMÃO/RIO DE JANEIRO

Tina para o carro na frente de uma humilde casa, e confere o número dela pela carta que havia recebido noite passada!

— Lugar certo... (Tina)

A loura desce do carro e o tranca, e logo depois se vê batendo palmas na frente da porta de madeira que era pintada de vermelho! Apesar de morar em uma comunidade, Patrícia não morava num barraco comum, e sim numa pequena casinha de tijolos. Era até pintada.

A porta se abre e ela logo sente o cheiro de mofo vindo da mulher a sua frente, que quando se depara com sua presença, abre um sorriso lentamente e os braços sinalizando um abraço!

Tina fica surpresa, mas abraça a mulher mesmo assim. Em silêncio, ainda sem trocar nenhuma palavra, as duas entram e sentam-se no pequeno sofá vermelho que a mulher tinha. Tina olha os arredores, realmente Patrícia não morava no tão ruim.

Patrícia era uma mulher negra, baixa e seus cabelos afro desciam em trancinhas sob a sua blusa florida. Ela encarava Tina com aquele sorriso incandescente no rosto, mexendo a cabeça em um movimento positivo.

Tina estava ficando assustada com aquele olhar e o silencio que a mulher obtinha.

— A senhora por acaso é muda? (Tina)

Patrícia move a cabeça novamente em um sinal positivo. E logo depois, pega um caderninho acompanhado de uma caneta.

— Meu deus – ela fica envergonhada – me desculpa... (Tina)

Patrícia começa a escrever no caderno, e após terminar, arranca a página e a passa para Tina. A loura lê em voz alta.

“Não tem problemas, minha ratinha. Infelizmente fiquei muda por causa desta pessoa que você veio ter mais informações...”

Tina franze o cenho e olha para a mulher, que ainda a fitava com um sorriso sereno e amarelo no rosto.

— Ratinha? – ela pisca várias vezes e volta sua atenção – vamos ao ponto; preciso que você me diga – ela se corrige – escreva quem foi que matou o Gael! Quem fez essa barbaridade com você... (Tina)

Patricia assente e começa a escrever novamente; a tensão no rosto de Tina era inevitável, que suava frio com medo do que poderia ler das palavras da mulher a sua frente. Patrícia mais uma vez, arranca a página e o entrega a Tina, que calmamente, começa a ler para si as palavras dentro da folha!

“Na hora em que eu estava passando na rua, vi uma movimentação estranha. Quando apertei os olhos, vi os dois. Entre facadas e chutes, Gael morreu assassinado. E eu vi o rosto deste monstro. Era exatamente...”.

Tina passa os olhos pelo resto e para de ler, chocada com a revelação de nome que tinha acabado de receber. Não entrava na sua mente uma coisa dessas.

— Você quer dizer... – ela tremia – foi elx? Foi elx que matou o Gael? (Tina)

Queria deixar claro que o X no final de ELX foi proposital ♥

xoxo

Notas finais
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência