A Última Lua

2 For the Girl Who Has Everything


Notas iniciais
"Mentir é maldade absoluta. Não é possível mentir pouco ou muito; quem mente, mente. A mentira é a própria face do demônio."

QUARTO DE STEPHANIE/ RIO DE JANEIRO

— Posso saber o que está acontecendo aqui? – ela avalia Tininha sentada no chão – Por que você está aqui dentro do meu quarto? (Stephanie)

Tininha ainda estava assustada. Ela fita os olhos em Stephanie e logo desvia, olhando para os tubos de Sangue em sua mão.

— Você é uma vampira? (Tina)

Stephanie começa a rir, e ao mesmo tempo, ajoelha-se e pega os vidrinhos da mão de Tina, que cambaleia. Tina se levanta do chão.

— O que é isso? PRA QUE – ela gagueja – você guarda sangue? (Tina)

Stephanie aponta seu dedo para ela. A garota ainda estava de biquíni, havia acabado de terminar uma transa com Edgard no banheiro, que no momento terminava de colocar a sua roupa.

— Primeiro eu quero saber por que você entrou no meu quarto... (Stephanie)

— Pelo visto seu sexo com o Edgard não te fez bem... – ela abre um sorriso debochado – continua a mesma desaforada de sempre! (Tina)

Elas se encaram. O quarto de Stephanie era relativamente pequeno para o tamanho da mansão em que se encontrava. Continha sua cama, com um edredom de pequenas estrelas caindo, como se fossem anjos. O banheiro de seu quarto era perto da porta de entrada, e era só isso, além da geladeira, um filtro dos sonhos, um quadro e um vaso, o quarto não tinha mais nada – nenhuma decoração.

— Em nenhum momento o meu pai deveria ter aberto as porteiras... – ela dá uma risada cínica – porteiras não, comportas do esgoto, para você! Eu sinto o fedor da bebida. Jamais deveria ter deixado você na minha casa depois que o meu pai... (Stephanie)

Tina a interrompe.

— Correção: a casa é minha! – Quando Gael morreu, ele deixou a casa para Tina, e uma parte da herança para Stephanie – (Tina)

— Você é uma aproveitadora... (Stephanie)

Tina a interrompe novamente com um tom de voz maior.

— Eu não admito que você me insulte dentro da minha casa... (Tina)

— VOCÊ NÃO ADMITE NEM MANDA NADA NESTA CASA – elas se fitam – você quer ver o que é mandar? (Stephanie)

A patricinha caminha até o canto do quarto e pega um vaso de vidro, jogando-o na parede.

— SAI DO MEU QUARTO (Stephanie)

Tininha observava a cena da loucura de Stephanie chocada. Ainda não sabia a utilidade de sangue dentro da geladeira dela. E era isso que Stephanie queria, pensa ela, driblar o assunto. Estava conseguindo.

— Eu vou fazer o que ninguém mais tem coragem – ela começa a correr para Stephanie – EU VOU BOTAR VOCÊ DAQUI PRA FORA (Tina)

As duas começam a se bater e a gritar, um puxão de cabelo atrás do outro.

— A SUA ÉPOCA DE RICA CAFONA – elas continuam se debatendo – ACABOU! (Stephanie)

Edgard ouve os gritos do banheiro e sai rapidamente para fora, para ver o que estava acontecendo. Parecia um ringue de Box. Tininha dava vários tapas na cara de Stephanie, que revidava com puxões de cabelos e chutes.

Edgard corre para separar as duas, puxando Tina para longe de Stephanie. Tina se deixa levar, estava fora do controle.

— PARA AS DUAS – ele grita – antes que eu chame a policia para separar essa feira. (Edgard)

Stephanie se situa e tenta se acalmar, enquanto Tina senta na cama e respira fundo. Ainda precisava chegar ao ponto da conversa.

— Pode chamar a policia – ela fita Edgard – assim eu conto pra eles o que a Stephanie guarda dentro da sua geladeira... (Tina)

Edgard arregala os olhos. Sabia o que a patricinha escondia. O seu maior segredo.

— Tina, o que você viu na geladeira, não foi sangue de verdade... – ele gagueja enquanto Stephanie o observa, sem reação e também com olhos esbugalhados – foi uma experiência que eu tive que fazer para a faculdade... (Edgard)

Tina engole em seco. Faculdade? Não deixaria ser enganada tão fácil.

— Você nem faculdade faz, Edgard – ela levanta da cama – parem de me enganar e me expliquem o que está acontecendo, AGORA! (Tina)

— Claro que faço... – ele continua gaguejando – faço faculdade de Biologia, comecei há pouco tempo... (Edgard)

Stephanie se mete no meio dos dois.

— Você não tem que dar explicações para essa maluca... – ela começa a empurrar Tina – SAI DO MEU QUARTO (Stephanie)

Tina é jogada para a porta fechada. Estava se sentindo humilhada.

— Você acha que eu vou desistir de saber da verdade, Stephanie? – ela abre a porta – eu ainda vou descobrir os seus segredos, pode apostar! (Tina)

Tina sai do quarto e fecha as portas com tudo, deixando Edgard e Stephanie sozinhos novamente.

— Você vai precisar resolver isso... – ele se vira pra ela – antes que ela descubra demais! (Edgard)

Stephanie senta na cama com tudo. Estava cansada.

— Eu estava pensando em injetar nela... (Stephanie)

Edgard a interrompe.

— Nem pense nisso – ele se ajoelha de frente para ela – o seu pai pediu pra você cuidar da Tina, e ela fazer o mesmo por você! Você não pode desfazer esse desejo dele... (Edgard)

— Eu sei, mas agora ela vai ficar igual um urubu em cima de mim para descobrir o meu segredo... (Stephanie)

— Resolve isso, se a Tina descobrir, tudo vai por água abaixo. (Edgard)

Ela não responde, e ele se levanta. O homem sai do quarto, deixando Stephanie só e pensativa. O que ela faria?

A garota olha para as estrelas de seu edredom em busca de uma resposta.

*

UTI HOSPITAL SANTO CARLO/ SÃO PAULO

— O que...? (Jojo)

A cantora estava chocada demais para acreditar. Seu pai, no leito de morte, acabara de revelar para ela que a própria era filha de outro homem. De outra mulher.

— É isso mesmo que você ouviu, minha queria... (João)

— Eu acho que o senhor está com febre... – ela se levanta e olha ao redor – onde posso chamar um médico...? (Jojo)

— Me escuta, por favor... – ele falava com dificuldade – eu sei que parece maluquice, mas não é. Quando você tinha quatro meses, o Gael me procurou. Na época, éramos amigos, e a mulher dele tinha morrido por sua causa... Não – ele se corrige – por sua causa e por causa da sua irmã gêmea, no parto. Você e sua irmã são gêmeas não idênticas, e dentre você e a sua irmã, você era a que mais se parecia com a mulher dele. Gael se sentia muito triste pela morte da mulher, e não aguentava olhar para a filha e se lembrar dela. Ele então a entregou a mim. Ele sabia que a Maria Lúcia não conseguia engravidar, e que nós dois queríamos um filho... (João)

— Para – lágrimas de desespero descem – por que você ta fazendo isso comigo? (Jojo)

— Você precisa saber da verdade... (João)

— Eu não quero saber da verdade – ela volta a se sentar e fita o pai – eu não quero viver numa realidade onde preciso procurar um pai que não me quis... (Jojo)

— O Gael sempre me procurou para saber de você. Ele sempre mandou dinheiro, infelizmente ele morreu faz pouco tempo. – ele suspirava entrecortado – mas você tem uma irmã e é o seu dever procura-la. No Rio de Janeiro. (João)

— Pai, eu não sei de nada sobre essa família... – ela aperta as mãos dele – como posso procurar algo se não sei nem por onde começar? (Jojo)

— No meu guarda roupas, na ultima gaveta... – ele tosse – procure lá a sua certidão de nascimento. Deve ter algo sobre... (João)

Ele para no meio das palavras. Joanna se desespera, tenta chamar o pai, mas é uma tentativa falha. Ele parecia desmaiado. Morto.

Ela chora ainda mais, pois sabia o que havia acontecido. Mais um ataque cardíaco. Ela grita pelo médico, mas não havia nada a se fazer. Aquele que se foi, deixando um enorme cargo para ela.

*

ÁREA DE LAZER/ MANSÃO COSTA/ RIO DE JANEIRO

Tininha continuava deitada e pensativa sobre a sua cadeira de praia, ao lado de Elenice que cantava sertanejo igual uma galinha enforcada gritava.

“MAS FOI NA HORA DA RAIVA, NA HORA, NA HORAAAAAAAA, DA RAIVA”

Ela revira os olhos. Odiava sertanejo. Sempre preferiu MPB, Pop, Rock... Ultimamente andava ouvindo muito Jojo Patterson, aquele seu primeiro single When Love Hurts não saia da sua cabeça.

Tina pega seu celular e se depara com uma notificação do Tinder, um aplicativo de relacionamentos que ela adorava. Dois meses após da morte de Gael, decidiu sair do luto e tentar fazer algo novo e diferente. Fora a primeira vez que tinha recebido um Match, como diziam neste aplicativo quando duas pessoas dão like uma na outra. Pela notificação, ela abre o aplicativo e olha a foto do rapaz que tinha compartilhado um sentimento sexual.

Ronaldo Bonaparte.

Bonito. Parecia ter um corpo musculoso – do jeito que ela gostava. E estava em dentro de um jatinho. Tudo que ela queria: riqueza.

Estava cansada de morar com Stephanie, então só procurava indivíduos que a dariam uma boa vida.

— Acho que hoje é meu dia de sorte... – ela sorri – e azar. (Tina)

— O que ta pegando aí? (Elenice)

Tina olha para a amiga, e tira os óculos de sol.

— Resolveu se interessar pelo que eu estou fazendo? (Tina)

Elenice revira os olhos.

— Você sabe que eu me importo com você... (Elenice)

Tina se levanta da cadeira e se aproxima da amiga com o celular na mão, mostrando a tela.

— Finalmente consegui um pretendente rico, bonito e charmoso no Tinder – ela encara a amiga – Isso não é maravilhoso? (Tina)

— Depois sou eu que só penso em macho, né? (Elenice)

Tina se afasta dela.

— Me da licença viu – ela volta para sua cadeira – você ta é com inveja. Finalmente vou sair desse fim de mundo que mora essa demônio da Stephanie para ir morar com um macho maravilhoso... (Tina)

Ela grita de alegria de felicidade e joga suas coisas para cima, inclusive o celular, que cai no chão. Logo depois, Tina se levanta da cadeira e puxa Elenice. As duas se jogam na piscina e começam a dançar lá dentro como se tivessem ganhado na loteria.

Talvez Tina realmente tivesse ganhado...

*

APARTAMENTO RONALDO/RIO DE JANEIRO

— O que você ta fazendo aí, Pai? (Cate)

Ela se aproxima do sofá onde seu pai estava com a tela para o celular sorrindo e comemorando, fazia 10 minutos. Cate era filha única de Ronaldo, ele foi largado pela mãe da garota quando ela tinha apenas 3 anos. Ela nunca mais voltou para saber da filha, e a garota preferia que tudo continuasse assim.

— Finalmente ganhei na loteria... – ele mostra o celular para a filha ­– dei match em uma gostosona no Tinder. (Ronaldo)

Cate revira os olhos. Ela tinha 16 anos, e estava cansada do pai tentando arrumar uma namorada de qualquer jeito desde que a mãe fora embora. Ela coloca seus cabelos castanhos para trás, e com seus olhos verdes, fita o pai.

— Você não tem vergonha na cara não? (Cate)

— Claro que não – ele olha ao redor do seu apartamento – estou à procura de uma mulher rica pra tirar nós dessa miséria. Vai-me dizer que quer continuar desse jeito? Pobre? (Ronaldo)

Cate suspira. Ela estava feliz daquele jeito. Morava num apartamento na barra da tijuca. A mãe, que era rica, tinha deixado pelo menos isso para eles – o carro e o jatinho. Mas, além disso, estavam pobres e falidos.

— Você fala como se nós estivéssemos morando na rua – ela se levanta do sofá – olha pai, eu não aprovo você ficar procurando mulher nesse aplicativo. A última que você trouxe para cá queria me envolver no sexo junto com vocês – ela faz uma cara de nojo diante das lembranças – de jeito nenhum vou deixar você trazer outra louca pra cá! (Cate)

Ronaldo não da atenção para ela e continua fitando o celular, skalteando a foto de Tina. A foto dela era a própria de pé, de frente para uma piscina. Foto de corpo inteiro era covardia.

— Vou marcar com ela num motel então... (Ronaldo)

— Você definitivamente não precisa me contar isso... (Cate)

Ela pega um pouco de água na geladeira e enche o copo, saindo da sala e indo para o seu quarto, deixando Ronaldo sozinho com o celular.

Mensagem de Ronaldo: Boa tarde gata!

Mensagem de Tina: Boa tarde Xuxu!

Mensagem de Ronaldo: Meu deus do céu, como você é linda...

Mensagem de Tina: hahahahaha muito obrigado. Você não é nada ruim, tb.

Mensagem de Ronaldo: Isso quer dizer que você me encontraria...?

Mensagem de Tina: Claro, me manda uma mensagem no whats ;) aqui meu número (21) 989238230

*

Há uma passagem de três dias.

Aeroporto de Santo Drummond/ Rio de Janeiro

Joanna desce os últimos degraus do avião. Precisava pegar suas malas no despache e chamar um táxi para levá-la para um hotel na barra da tijuca. Assim que houve o enterro do pai, um dia depois que ele morreu, ela procurou a sua certidão de nascimento e comprou uma passagem de voo para o Rio de Janeiro, onde morava a sua suposta família. Estava de coração partido, aonde iria havia um jornal ou revista dizendo “Pai de Joanna Patterson falece” e lembrar-se de tudo cortava o seu coração em mil pedaços.

Por isso iria fazer o desejo do pai. Já tinha pedido a reserva de um hotel, e alugado um táxi para leva-la dali. Só precisava mesmo das suas malas.

Ela caminha pelo corredor de vidro do aeroporto e cai no despache. Espera alguns minutos e logo vê a sua mala vindo. Ela as pega e parte para fora do aero, em direção ao estacionamento, onde dali começaria uma nova vida.

*

GRAJAÚ/ APARTAMENTO DE GIOVANNA/ RIO DE JANEIRO

Giovanna, em seu quarto, arruma o ultimo botão de sua camiseta e olha para o espelho. Seus longos cabelos negros se destacavam perante o roxo de sua camisa. Usava uma bota salto fino, junto com uma saia de couro sintético. Ao mesmo tempo em que se vestia, falava com Dayane no telefone.

XV: Sim amiga, vou ficar na porta dele as sete até ele sair... (Giovanna)

XV: Será que vai dar certo? (Dayane)

XV: Eu não sei; só sei que ele continua estranho, ontem quase me humilhou – ela suspira – de novo pelo telefone. Faz dias que não o vejo pessoalmente. (Giovanna)

XV: A cada dia a minha teoria está se provando verdadeira... (Dayane)

XV: Eu espero que não seja... — preciso ir. Depois eu te ligo informando tudo. (Giovanna)

Elas se despedem e a garota desliga o telefone.

Hoje era finalmente sexta feira, o dia em que Romeu dizia que saia com os amigos. Precisava descobrir aonde ele iria, e se ele realmente a trairia. Se ele a traísse, seria hoje, onde geralmente era o dia que eles nunca estavam juntos.

Ela anda até a cozinha e procura as chaves do carro, as achando na gaveta de chaves. Fecha as portas do apartamento e entra no carro, dando partida até a casa de Romeu. Ela espera no automóvel, longe da porta. Ele sempre saia 19h00minhrs, era o que dizia.

Pelo menos isto, era verdade. Às sete horas ele sai de casa com seu carro e parte em uma direção desconhecida, ela o segue. Depois de meia hora, ele para de frente para um bar e entra lá dentro, sentando numa mesa. Giovanna observa tudo. Por enquanto, estava sozinho.

Depois de quinze minutos observando ele sozinho, ela pensa em desistir.

Ele deve ser um depressivo que bebe solitário, pensa ela. A garota abre as portas do carro, mas logo para quando uma garota loura – que mais parecia uma modelo – entra no bar e vai em direção à mesa de Romeu.

Ele dá um selinho nela e eles sentam-se à mesa. Ele parecia olhar pra ela com desejo. Mas ela não precisava de mais provas, só aquele selinho já dizia tudo.

Brava, a garota sai do veiculo e o tranca, indo furiosa em direção ao bar. Ela chega gritando.

— ROMEU, O QUE ISSO SIGNIFICA? (Giovanna)

O garoto se vira para ela, e engole em seco.

*

BARRA DA TIJUCA/PARQUE DE DIVERSÕES/ RIO DE JANEIRO

Joanna caminha pelos corredores ao ar livre do parque de diversões. Quando chegou ao hotel e viu o parque do outro lado da rua, ficou morrendo de vontade de ir. Havia tempos que não entrava em um. Às vezes ela parava para tirar fotos e dar autógrafos, mas as pessoas eram respeitosas e davam um espaço para ela – por causa da morte do pai, todos estavam com pena.

A garota vestia um vestido branco e por cima um blazer preto. Seus cabelos negros estavam para o lado direito, cobrindo o cotovelo.

Ela anda até a roda gigante, e espera na fila. Fazia tempos que não andava em uma.

— Roda gigante... – ela sorri – o brinquedo favorito do meu pai... (Jojo)

A fila se move e finalmente chega à vez dela. Esperava ir sozinha, para apreciar a vista e talvez se emocionar novamente pela morte do pai...

— Só tem um lugar com aquele rapaz – o atendente aponta – e depois o brinquedo vai fechar... (Atendente)

Jojo suspira, assente e entra no brinquedo, sentando ao lado de um homem.

Edgard sorri. Estava no parque para livrar a cabeça dos vários problemas que tinha, por isso havia ido sozinho.

— Eu adoro a vista que esse brinquedo proporciona... (Edgard)

Jojo olha para o rapaz e repara nele. Ele era muito gostoso. Bonito. Exalava um perfume masculino sedutor e tinha os dentes bem brancos. Ela estava encantada.

Ela olha para baixo e sorri.

— Eu sou nova aqui... – ela olha ao redor – meu primeiro dia na cidade... (Jojo)

O brinquedo começa a subir com os dois conversando. A roda gigante era muito mais alta que o normal.

— Não acredito... – ele sorri – se precisar de um guia turístico, pode contar comigo! (Edgard)

Jojo apenas sorri para ele. Ele se derrete com isso.

Ela era maravilhosa. Seus longos cabelos negros acentuavam a maça do seu rosto, e o sorriso era brilhante como uma estrela.

No ponto mais alto, o brinquedo treme. E para. A freada é tão brusca que Joanna quase bate a cabeça no vidro do retrovisor do brinquedo. Desesperada, ela olha ao redor e fica encantada...

Via o Rio de Janeiro todo dali.

— Meu deus... – ela sorri – é realmente lindo daqui! (Jojo)

Ela olha para baixo. Parecia que o brinquedo estava engajado, mas o atendente tranquilizava as pessoas, dizendo que logo ele voltaria ao normal.

Jojo dá uma risadinha e olha para Edgard, que parecia suar frio.

— Que foi? – ela se aproxima dele – você ta bem? (Jojo)

— Não – ele engole em seco – eu tenho medo de altura... (Edgard)

— E por que você entrou numa roda gigante? (Jojo)

— Não sei... – ele começa a tremer e a engasgar seco – me ajuda... Eu vou morrer... (Edgard)

*

MANSÃO DE STEPHANIE/ RIO DE JANEIRO

Tina se encontra deitada no sofá vendo a novela das sete. Sempre invejou Mariana Ximenes e estava adorando ela como Tancinha.

Stephanie passa pela sala toda produzida. Tina senta e olha para ela.

— Aonde você vai? (Tina)

Stephanie coloca as chaves do carro no bolso.

— E eu por acaso te devo explicações? (Stephanie)

— Stephanie, por favor... (Tina)

— Eu vou pra uma festa – ela a interrompe – satisfeita? (Stephanie)

Tina assente e volta a se deitar. Cinco minutos depois, Stephanie sai pela porta da frente e parte com o carro para seu destino.

Tina sorri. Era a chance que ela tinha para desvendar os segredos de Stephanie.

Rapidamente, ela sobe até o quarto da garota e procura algo que ela sabia que a patricinha continha: um diário.

Ela revira o quarto inteiro, mas não encontra nada. Bufa e pensa aonde Stephanie poderia esconder um diário...

Tina olha para um quadro na parede e vai a sua direção. Assim que tira o quadro do lugar, encontra o diário dentro de um pequeno buraco. Ela pega o caderno e senta na cama, em busca de alguma informação.

Logo de inicio, dá de cara com um titulo no dia 26 de março.

“Mais um carimbado...”

Ela estranha e começa a ler o conteúdo que a garota havia escrito. Depois de ler algumas palavras, ela grita e joga o diário no chão. Estava chocada com o que havia acabado de ler.

— Meu deus do céu – ela exaspera – o que essa garota faz? (Tina)

Notas finais
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência