A Última Filha de Perséfone
4 Minha mãe me faz uma visita
Abracei forte minha mãe, ela afagou meus cabelos e sorriu assim que me soltou.
– Você está tão linda, querida – disse ela, nós duas nos sentamos na cama. – Quando você era criança tinha olhos violetas.
– É, meu pai me contou sobre isso, mas eu... Eu não lembro – fiz uma careta confusa. – Sempre que eu tento lembrar me dá uma enorme dor de cabeça.
Ela suspirou pesadamente.
– Isso faz parte sobre o que eu vim conversar com você.
Eu esperava que fosse um encontro familiar legal e que não teríamos que conversar sobre preocupações. Como na maioria das vezes, eu estava enganada.
– Por favor, fale – pedi, fazendo um gesto para que ela falasse.
– Sua cicatriz, como você sabe, foi feita quando você tinha cinco anos, pois foi nessa época que Hades te descobriu, e ele tentou te matar, mas a única coisa que ele conseguiu fazer foi furar todo o seu braço com uma espada de ferro estígio, pois eu e seu pai conseguimos impedir a tempo.
Mordi os lábios e reprimi a vontade de chorar.
– Quando você fez dez anos você e seu pai foram para o Hotel e Cassino Lótus, e ficaram lá por décadas. O Hotel e Cassino Lótus é um lugar que te prende pelo resto da vida, e você não tem mais a noção de nada. Os meus antigos filhos existiram há centenas de anos.
– Mãe, em que ano eu nasci?
Ela engoliu em seco.
– Em... – ela hesitou. – 1940.
Eu engasguei e apertei meus olhos. EU NASCI EM 1940. MIL NOVECENTOS E QUARENTA.
– Quando você saiu de lá seu pai pediu ajuda para Hécate, a deusa da magia, e ela retirou sua memória e de certa forma conseguiu te esconder dos deuses, até a semana passada, que foi quando aquela Fúria, que você conhecia por Sra. Lilith, te atacou na sua antiga escola.
Fiz um gesto para que ela prosseguisse.
– Eu não posso contar tudo de uma vez só, Anddie...
– Nico di Ângelo – disse. – Louis e Natalie estão tentando me esconder dele.
– Sim – concordou Perséfone. – Mas não é o momento para você saber o porquê.
– Muito obrigada por me deixar curiosa.
Perséfone riu.
– Preciso ir, tenho que contatar Quíron, temos alguns assuntos a tratar – disse ela, nós duas nos levantamos e trocamos outro abraço forte. Ela beijou minha bochecha, colocou as mãos nos meus ombros e disse: – Não se esqueça, filha, eu te amo muito e não vou permitir que façam qualquer mal à você, e... Fique longe de Nico di Ângelo.
Então ela desapareceu em meio a um monte de rosas negras, me deixando sozinha no chalé, que de repente pareceu perder a graça. Olhei para a minha cama e sorri vendo uma rosa negra ali. Peguei a rosa e passei-a entre meus dedos, caminhei até a janela do outro lado do chalé, peguei um vaso de flores vazio, abri a janela e fui tratar da flor.
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