A Última Filha - Predador
20 Capítulo Vinte
Notas iniciais
Terminei, esse é o último capítulo, espero que gostem, mas quero dizer (momento desabafo) que pensei em muitas maneira de terminar essa fic, e enquanto eu escrevia eu mesma fiquei com dó, então achei melhor terminá-la assim.
Boa Leitura ;)
O que havia acontecido? Era a única pergunta que girava em minha cabeça. Não me lembro de nada, só de escuridão e... Eu morri! Meu corpo estava dormente, e sinceramente eu estava com medo.
Mas então no silêncio absurdo comecei a escutar um caminhar no chão. E foi quando a vozinha em minha mente disse:
Você está morta.
Acha que eu não sei? Pensei ironicamente.
Mas a sua alma não se perdeu. Nós não nos perdemos! Ela gritou de alegria, mas eu não consegui a ver a alegria naquilo. Como eu iria acordar?
A caminhada parecia durar a eternidade, e enquanto isso eu tentava, de todas as maneiras, abrir meus olhos, mas eles não obedeciam isso era desgastante...
Se a minha alma está aqui ainda no meu corpo, tenho uma chance de voltar, mas como vou sair daqui?
Tantas perguntas...
Noah já devia saber ou não. O que eu vou fazer?
Mas foi então que eu ouvi um rangido familiar e um estrondo abafado: a porta do castelo. Eu estava em casa.
Agora o desespero tomou conta de mim, eu tinha que abrir os olhos ou me mexer, mas como uma alma faria isso?
– Cadê a Haide? – Alguém perguntou.
Eu não reconheci a voz de principio, mas foi quando eu percebi que era Noah. Ai meu Deus...
E a cada passo um silêncio mortal surgiu, Noah devia estar vendo meu corpo sem vida.
– Haide... – Noah sussurrou em desespero.
Ai meu Deus, não deixem ele me ver... Implorei.
Já é tarde demais. A vozinha disse depois de alguns segundos.
Do nada ele estava no meu lado respirando rapidamente como se estivesse tendo uma convulsão.
Ele vai ter um infarto se continuar a me ver! Gritei em minha mente.
– Noah, o que ela te fez prometer? – Ross perguntou com a voz alterada.
A minha “quase” morte deve ter deixado todos abalados, e, tenho certeza, que papai iria ficar muito mais.
Houve um silêncio de inicio, mas então ele disse:
– Que... – Ele gaguejou. – Que eu seguisse em frente se ela... – Ele não terminou.
– E você vai fazer isso. – Ross disse friamente.
Ah, não...
– E você acha mesmo que eu vou fazer isso? – Noah perguntou irritado.
– Você vai. – Disse Ross com seu tom de ameaça. – Nem que eu tenha que te matar.
Esse era o Ross antigo: que era grosso, violento e persuasivo. O Ross que eu odiava. A minha morte deveria estar afetando todos.
– Vai! – Noah o provocou. – Anda! Me mata. Vai me poupar de muita coisa.
Noah estava mudado como todos os outros, ficando suicida e frio.
Escutei um baque surdo e então ouvi:
– Você não vai encostar um dedo nele. – Jean disse com o mesmo tom frio que todos estavam usando.
Dois passos.
– Vai fazer o que, Jean? Vai brigar comigo? – Ross parecia estar no seu extremo, não estava blefando, ele acabaria matando Jean. – Quer mesmo fazer isso agora?
– Eu vou fazer qualquer coisa pra proteger quem ela amou. – Disse Jean não se intimidando com Ross.
Um silêncio.
Meu Deus eles vão acabar se matando.
E foi quando Agnes se colocou no meio:
– Já chega vocês! – Ela também estava mudada, mas parecia tentar manter a calma. – Ela está bem aqui, quer dizer, parte dela está aqui. – Ela suspirou. – Eu perdi uma grande amiga e vocês perderam uma irmã maravilhosa. Ela fez aquilo pra nos proteger, e vocês como bons irmãos, vão se matar aos montes? Acha que ela iria querer isso? Acha mesmo Ross que ela iria querer que você matasse o Noah? Ela quer que você o faça ir em frente, não para o outro lado. – Silêncio. – Não sou a semideusa mais indicada para dar conselhos, mas acho que nós deveríamos fazer com que ela se orgulhe, onde quer que ela esteja.
É, estou bem aqui...
Houve mais um silêncio irritante, até Gareth perguntar:
– Certo. Mas como vamos dizer isso ao papai?
Silêncio. E, então, a porta rangeu.
A única coisa que ouvi foi passos hesitantes e todos prendendo as respirações. Papai estava na sala.
– Onde ela está? – Papai perguntou lentamente, mas seu tom era sombrio.
Escutei pequenos passos, deveriam estar na minha frente. Ouvi papai dando passos hesitantes até perto de mim, eu não sei, mas tive a sensação de que papai se ajoelhou no chão ao meu lado.
– Haide, minha filha... – Ele sussurrou tão abalado quanto Noah, sua voz tremia e parecia quase estar chorando.
Pai, eu estou aqui. Pensei.
Eu estava chorando por dentro sem saber, ao certo, o que fazer, eu seria enterrada e ficaria presa ao meu corpo pela eternidade, ou se eu fosse queimada me perderia para sempre. De qualquer maneira eu não sairia dessa.
E, então, senti uma mão alisando suavemente meu rosto. Um espanto tomou conta dos meus pensamentos.
Eu senti! Pensei surpresa.
Foi então que eu escutei ele arfar. Não com desespero, mas sim com esperança. Tive a sensação de que ele sabia que eu estava ali, mas ele me deu a certeza quando sussurrou:
– Ela ainda está aqui.
Pai! Gritei em minha mente, esperando ele poder me ouvir.
– O que? – Ross perguntou confuso, mas também com uma pontada de esperança.
– Ela ainda está aqui. – Ele disse com mais esperança
– Como...?
– Lembra-se daquele poder que eu te ensinei sobre sair do corpo? – Papai o interrompeu.
Ross fez uma pequena pausa.
– Lembro. – Finalmente ele respondeu. – Mas o que...?
– Ela está fazendo isso. – Ele o interrompeu novamente.
– Mas ela não devia estar fora do corpo dela? – Ross perguntou pessimistamente.
– Não se ela não souber sair. – Papai respondeu parecendo sorrir. – Ela ainda não sabe como sair do corpo dela, então ela permanece presa.
– Como você tem tanta certeza? – Outra pergunta pessimista.
Papai suspirou meio irritado e perguntou:
– Qual é a parte do: eu sou seu pai e rei do submundo que até hoje você não entendeu?
– Ah. – Ross simplesmente fez isso e pareceu ficar quieto.
– Esta bem... – Papai murmurou para si mesmo e senti-o chegar em meu ouvido. – Haide, eu sei que você pode me ouvir, e só peço que você me ouça com atenção. Eu não sei quanto tempo isso vai levar, talvez leve semanas ou dias, mas você não pode ficar muito tempo fora, porque senão seu corpo irá apodrecer. – Senti um calafrio no meu consciente. – É, esse é o problema, mas preciso que mantenha a calma e tente achar uma brecha por onde você possa voltar.
Brecha? A palavra ecoou em minha mente. Mas que brecha?
A brecha que te trouxe até aqui, é a mesma que pode te levar pra lá. A vozinha em meu consciente disse irritada.
Desculpe se não consigo ser tão inteligente como você. Pensei em resposta ao seu tom grosso.
Ah, sua idiota... Você sou eu.
Particularmente aquela voz tinha razão, mas tentei não prestar atenção nela, eu simplesmente queria achar a saída.
A brecha.
Deveria haver alguma aqui, e, então senti meu consciente ser puxando. Algo forte me fazendo entrar num local onde eu já estava começando a sentir meu corpo novamente: a brecha.
Um flash de luz me cegou, minha visão ficou destorcida pelos pontos de luz que entravam na frente de meus olhos já abertos, então pude senti alguém me colocando sentada.
Eu voltei. Foi tudo o que eu pensei e um alívio me preencheu.
Eu ainda não conseguia enxergar nada, mas sentia meu corpo. Como era bom isso, poder sentir a dor em minha barriga, sabendo que ela me mostrava que eu estava viva...
Pisquei algumas vezes e minha visão começou a voltar ao normal. Minha respiração era rápida, e eu fiquei sem ar por um bom tempo, meus pulmões ardiam com isso.
Apertei meus olhos e finalmente pude ver o rosto de Noah em minha frente, ele me olhava preocupado e com as mãos em meu rosto, o olhei sem saber o que dizer. O que poderia? Simplesmente eu estava feliz de poder estar de volta. E a única coisa que fiz foi o abraçar.
...
– Você voltou deveria estar feliz. – Agnes disse meio irritada.
– Mas eu estou. – Disse eu com as sobrancelhas levantadas.
– Não está não. – Ela disse cruzando os braços.
Desviei meu olhar dela com um sorrisinho no canto dos lábios.
Eu não estava tão bem assim, eu havia visto Alan morrer e também eu havia matado alguns caçadores, aquela guerra havia me mudado um pouco.
Agnes suspirou audivelmente e isso me a fez olhar.
– Haide... – Ela começou. – Sou sua melhor amiga, a sua mega amiga.
Levantei as sobrancelhas e repeti:
– Mega amiga?
– Sim. – Ela tirou os cabelos loiros dos ombros. – E como sua mega amiga eu digo que você tem que esquecer o que aconteceu, como eu e seus irmãos. Porque aquilo foi uma fatalidade, e nunca mais irá se repetir.
Eu sorri.
– Agnes. – Eu a chamei.
– O que? – Ela perguntou parecendo curiosa.
– Você está começando a parecer como a sua mãe, uma filosofa.
Ela franziu as sobrancelhas e começou a rir.
– Você deve ter batido a cabeça muito forte naquela explosão, Haide.
Eu comecei a rir junto com ela até que Ross entrou pela porta, sério. Nós paramos de rir e o olhamos sem jeito. Ele caminhou até nós e então parou diante de mim. Ele ficou com os olhos em meu rosto e então vi Agnes fazer gestos e dizer:
– Estou caindo fora.
Ele a olhou pelo canto dos olhos, deu um sorriso e balanço a cabeça. Ela fez uma careta, então saiu.
Eu o olhei, curiosa e ele suspirou.
– O que quer, Ross?
Ele continuou a me olhar sem jeito e então, do nada, ele me abraçou. Eu fiquei completamente sem reação. O irmão que me odeia me abraçando, acho que isso não é normal. Só acho.
– Ross, você está bem? – Perguntei depois de alguns segundos de confusão.
Ele me soltou e pareceu pensar nesse pergunta por um momento, mas, então, sorriu e disse:
– É, estou.
Eu o olhei sem acreditar.
– É sério. – Ele disse rindo.
Eu dei uma meia risada e disse:
– Porque está tão feliz?
Ah, não...
Ele ficou sério e perguntou parecendo meio alterado:
– E você ainda pergunta?
Eu fiz uma careta e disse:
– Sabe, eu não sabia que você podia chorar. – Ele desviou o olhar de mim e ficou em silêncio. – Ross, pode ter certeza, eu fiquei com mais medo que você.
Ele voltou a me olhar só que agora mais doce do que o de costume, mas ao mesmo tempo ferido.
– Não, você não sentiu tanto medo como eu senti. – Ele disse com um tom frio e sua voz mostrou sentir mais dor que seus olhos. – E não sentiu tanta dor como eu senti. Simplesmente você não sabe como foi te ver daquele jeito e não poder fazer nada.
Eu olhei para o chão sem saber mais o que falar.
– Me ama tanto assim? – Perguntei depois de um tempo.
Ele suspirou parecendo cansado de ter que falar isso pra mim e disse:
– Você é minha irmã, Haide. Se você se machucar... – Ele hesitou.
Eu o olhei e disse:
– Mas você tentou me matar quando eu estava com o Noah.
Ele mordeu os lábios sem jeito e disse:
– Eu... – Suspirou. – Eu não sabia que a irmã que eu tinha era tão especial. – Ele olhou dentro dos meus olhos na última palavra.
Eu pisquei com a emoção das palavras.
– Eu era um idiota naquela época, Haide. – Ele continuou agora parecendo arrependido com o passado.
Eu suspirei e falei:
– Ross, o passado é só passado, o que importa é o presente, o que importa é você está tentando consertar as coisas e isso te torna o melhor irmão do mundo.
Ele olhou para o chão com um pequeno sorri brotando de seu rosto ferido. Eu o olhei e sussurrei pra mim mesma:
– É... O melhor irmão no mundo.
Seu sorriso se alargou e olhou sorrateiramente para mim.
...
– Você podia estar morto. – Disse a Noah.
Nós estávamos em seu telhado à luz da Lua, e ele me olhava sem a menor preocupação.
– Mas não estou. – Ele disse como uma criança mimada.
Eu revirei os olhos de irritação.
Noah suspirou e disse:
– Ele não ia me matar, Haide.
– É claro que ia. Eu ouvi tudo. – Eu disse passando os braços em volta de minhas pernas.
Noah me encarou desconfiado e repetiu:
– Ouviu?
O olhei pelo canto dos olhos e disfarcei.
– Ah. – Ele gaguejou. – O que você disse?
Eu dei uma risadinha irritante e disse:
– Deixa pra lá.
Ele se aproximou mais de mim, passou um braço pela minha cintura e me deu um beijo na bochecha. Eu fechei os olhos com um pequeno sorriso. Mas então ele pegou em meu queixo e me puxou para um beijo.
Olhei em seus olhos e disse:
– Eu ouvi você preocupado.
Ele tirou o dedo de meu queixo e olhou para a Lua. Passei meus braços em volta de sua cintura e ele finalmente disse:
– Eu achei que fosse te perder. Pra falar a verdade, naquele momento eu achei que tinha te perdido.
Eu juntei as sobrancelhas e disse:
– Foi por isso que você provocou o Ross, você sabia que ele podia te matar.
Ele voltou a me olhar.
– As coisas não tinham muitos sentidos sem você.
– Noah, eu prometo que você nunca mais vai passar por isso. Nunca mais. – Eu disse com toda a convicção que eu pude.
Ele pegou em meu rosto e simplesmente me beijou.
Não havia mais um garoto psicopata tentando me matar e ao mesmo tempo tentando confundir minha cabeça, não havia mais guerra e não havia mais ódio entre mim e meus irmãos. O que agora havia era uma família unida, uma nova amiga e Noah.
Eu não sei como vai ser as coisas, mas eu quero aproveitar cada momento.
Notas finais
Bjos
PS: Comentem e deem ideias de como vocês querem a próxima ^^
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