Eu e Noah estávamos indo para meu apartamento quando eu perguntei:

– Pode me fazer um favor?

– Qual? – Ele quis saber enquanto subíamos as escadas.

– Tente ficar em casa, está bem?

Paramos em frente a minha porta e ele perguntou:

– Por quê? O que houve?

Eu suspirei e disse:

– Aconteceu um assassinato. Uma semideusa morreu.

Ele juntou as sobrancelhas e perguntou:

– Semideuses podem morrer?

– É claro. Não somos tão imortais assim.

Ele me olhou preocupado e eu disse:

– Não se preocupe, sei me cuidar.

– É isso que me preocupa.

Eu revirei os olhos e o beijei. E então a porta se abriu. Era Olga. Ela arfou e disse nervosamente:

– Ah, meu Deus. Sinto muito. – Ela disse tentando não olhar diretamente para meus olhos.

– Não. Tudo bem. Eu já ia mesmo. – Noah disse envergonhado. – Haide, te vejo depois.

Eu dei um sorriso e disse:

– Está bem. Tchau.

Então ele se aproximou e me deu um beijo na bochecha. Ele deu um sorriso para Olga e foi embora.

Eu olhei para Olga e ela saiu envergonhada da porta.

...

– E então...? – Perguntei a papai quando ele chegou em casa.

Todos nós estávamos reunidos, e, como sempre, Ross estava distante de mim, e ainda evitava me olhar.

– Bom, consegui evitar que eles culpem vocês, mas não tenho certeza por quanto tempo. – Papai disse com um tom frio. — Então sejam sinceros comigo. Algum de vocês sabe ou tem a ver com aquele assassinato?

A única coisa que se podia ouvir era o silencio mortal.

Papai passou seus olhos em nós um por um e disse:

– Então ninguém sabe. Eu espero mesmo.

Eu olhei para Ross que olhava diretamente para papai, com os olhos vazios.

– Bom, já que nenhum de vocês não sabe de nada. Tomem muito cuidado.

– Pai, a gente sabe se cuidar. – Nero lhe garantiu.

– É. Dóris também. Era a melhor guerreira do acampamento, e veja o que aconteceu. – Papai disse.

Nero abaixou o olhar.

– Eu posso cuidar deles, pai. – Ross finalmente disse.

Papai o olhou desconfiado.

– Você? Cuidar deles?

– Eu sei, eu sei. Eu fiz besteira à última vez, mas isso não acontecerá novamente.

– É disso que nós temos mais medo. – Jean murmurou.

Ross o olhou irritado e continuou:

– Pai, me dê mais uma chance. Não vou falhar desta vez.

Papai o olhou hesitante, mas então balançou a cabeça positivamente. Nero, Gareth e Jean olharam papai sem acreditar. E foi assim que aconteceu.

...

– Não acho uma boa ideia. – Gareth disse.

Eu, Nero, Gareth e Jean estávamos no meu quarto, tendo um tipo de reunião sobre o Ross.

– Gente nós devíamos dar uma chance a ele.

– Desde quando você é protetora do Ross? Você o odeia. – Gareth rebateu.

Eu revirei os olhos e Jean perguntou:

– Você quer fazer as pazes com ele, não é?

Eu o ignorei, suspirei e disse:

– Gente, sabemos que ele fez coisas horríveis, mas ele é nosso irmão.

– É, é isso que você fala. – Nero disse com um tom irritado.

– Você não estava no dia em que o papai quase arrancou nossas cabeças. – Gareth emendou com o mesmo tom.

– Isso é ridículo. – Eu rebati.

– Certo. – Gareth disse a todos nós. – Seja lá o que você esteja preste a fazer, Haide, eu não vou participar.

E nesse exato momento a campinha toca. Olga e John não estavam no apartamento, então suspirei e disse:

– Bom, tenho coisa pra fazer, então...

– Já entendemos. – Nero me interrompeu.

Todos eles se levantaram e entraram na sombra do meu quarto e eu saí de lá. Quando abri a porta de entrada, lá estava uma garota do meu tamanho. Tinha cabelos loiros, olhos verdes e intensos, e não devia ter mais do que uns quinze anos. Ela me deu um sorriso e disse:

– Oi, Haide.

Eu a olhei confusa. Seu sorriso se desfez um pouco e ela continuou:

– Sou a Agnes. Amiga do Jean.

Eu continuei a olhar confusa. Então sorriso sumiu, ela suspirou e disse:

– A garota do punhal.

– Ah, você. – Eu disse me lembrando daquele dia em que Jean pegou o punhal do papai e nunca mais devolveu.

Ela voltou a me dar aquele sorriso e perguntou:

– O Jean está?

– Ah, bom, ele não mora aqui. E como você me conhece e sabe onde eu moro?

Ele me olhou com uma expressão confusa e disse:

– Ah, Jean me disse.

– Hum. Pelo jeito ele deve ficar dizendo para seus amigos onde eu moro, mas não diz nada sobre onde ele morar, não é? – Ela riu com minhas palavras vazias e sombrias.

– Bom, eu nunca vi Jean com muitos amigos. Acho que sou a única que sabe onde você mora. – Ela disse ainda rindo.

– É bom saber.

– É. – Ela parou de rir. – Bom, mas sabe onde ele mora?

– Na verdade não, mas quando o ver eu aviso que você esteve aqui. – Eu disse dando um sorriso gentil.

Então ela sorriu, se virou e saiu. Eu fechei a porta rapidamente e peguei o celular no meu bolso, mas no exato momento em que fazia isso ele começou a tocar, eu o pressionei no ouvido e quando abri a boca para dizer coisas bem feias a Jean, ele disse:

– Vá para o quarto. – Ele desligou o telefone, então corri para o quarto. Quando abri a porta ele estava me encarando como se já estivesse preparado para o que quer que viesse.

– Quem é ela? Perguntei irritada.

Ele me olhou envergonhado e disse:

– Bom, é a Agnes, a garota do punhal e filha de Ártemis.

Eu o olhei sombriamente.

– Sério? Diga-me algo, no qual, eu não saiba, Jean. – Eu disse estupidamente.

Ele abriu a boca para dizer algo, mas eu o interrompi:

– Por que ela está te procurando?

– Eu não sei. – Ele disse convincentemente, mas eu desconfiei.

– Mas como sabia que ela estava aqui?

Ele suspirou e disse:

– Eu sei lá, só desconfiei.

– Aham, eu acredito. – Eu disse ironicamente.

– É sério, Haide. – Ele disse dando uns passos até mim.

Eu cruzei os braços e o olhei irritada. Ele me deu um sorriso convincente, então eu dei um suspirou e bati em seu braço.

– Nunca mais diga a ninguém onde eu moro, entendeu? – Eu disse apontando o dedo em seu rosto.