A Última Filha - Predador
18 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
Gente vou fazer mais alguns capítulos, acho que eu quero deixar essa história um pouco mais longa.
Me avisem se tiver alguns erros de ortografia, é que estou com um pouco de sono de ter que reler para ver se está tudo certo.
Boa leitura ;)
Ross estava me salvando a cada segundo da minha vida, ele permanecia perto de mim, fazendo o possível para ninguém me machucar, mas senti que não manteria esse ritmo por muito tempo, eu estava usando meu fogo todo tempo pra me defender de quem passava pela barreira de Ross.
Do nada um caçador me pegou por trás e me ergueu no ar com um abraço de urso, isso me fez arfar e soltar o ar que eu tinha. Eu tentei o queimar com o fogo, mas sem oxigênio o meu fogo se apaga, e foi exatamente isso que aconteceu. Minhas mãos ficaram frias e senti o desespero me tomar. E, então, eu conjurei os cães do inferno em minha mente e das sombras três deles saíram. O abraço de urso se tornou menos forte e isso me permitiu me desviar da mordida do cão que voo em nossa direção. O caçador me soltou no exato momento em que o cão mordeu seu pescoço. Eu caí no chão recuperando o fôlego. Quando já estava bem novamente, me levantei e vi outro caçador vindo em minha direção com um machadinho, minhas mãos se acenderam instantaneamente. Atirei uma bola de fogo negra em seu rosto, mas ele colocou o machadinho na frente. Ele continuou avançando, e, então me lembrei de um poder que pouco usei, mas quando era pequena tinha usado para brincar com Jean.
Minhas mãos tremeram por um breve momento antes de eu conseguir erguer pequenos pedaços de asfalto soltos no chão, atirei na direção do caçador que se feriu no rosto, e, então corri em sua direção e num pulo acertei seu rosto com o meu punho em chamas. Vi sua cabeça virar maldosamente, e ouvi o osso de seu pescoço se partindo. Ele caiu com os olhos fixos em meu rosto, mas eu não tinha tempo de ver se ele se ergueria e tentaria me matar, outro já estava vindo. Então testei alguns dos poderes que eu tinha como o de consegui criar cristais no solo. Uma mão brilhante brotou do chão a agarrou a perna do caçador que a olhou sem reação, ele voltou a me olhar depois de alguns segundos e parecia que não queria me ferir. Pensei em atacá-lo naquele momento, mas algo me fez hesitar, e foi quando, do nada, Ross apareceu sombriamente atrás do caçador, e, então cravou a espada que segurava em suas costas; à ponta saiu no outro lado, e o caçador só arfou com o súbito ataque. Eu o encarei em choque, e seus olhos ficaram em meu rosto. Quando o caçador caiu no chão sem vida, eu pude ver o rosto de Ross cheio de respingos de sangue, e sua expressão modificada, não era exatamente o irmão chato que eu conhecia, estava mudado.
Um caçador veio atacar Ross pelas costas, mas ele se virou a tempo e o desferiu no pescoço, jatos de sangue saíram pelo local cortado com a espada, eu encarei-o com aflição enquanto o caçador caia no chão e Ross vinha em minha direção.
– O que houve com você? – Perguntei quando ele já estava perto o suficiente para me ouvir.
Ele me olhou sem expressão e disse:
– Uma guerra muda um homem. – As palavras saíram sombrias, sem um tom exato, simplesmente saíram como se nada mais importasse.
O encarei sem acreditar que aquele era meu irmão.
Olhei para os lados procurando pelos os outros, mas eram muitos caçadores lutando contra outros semideuses, eu não sabia quem mais estava morrendo, nós ou eles. Voltei a olhar Ross que estava de olho em todos que avançavam em nossa direção, mas até agora não havia novos caçadores vindo.
– Ross, – Ele me olhou pelo canto dos olhos. – precisamos encontrar os outros.
Ele virou a cabeça parecendo meio irritado.
– Acha que eu não sei disso?
Eu dei um passo pra trás, me sentindo um pouco abalado com o seu tom.
Ele piscou algumas vezes e suspirou. Ele passou os dedos nas têmporas e disse:
– Desculpa, Haide. Mas eu não consigo ser mais razoável. – Ele parecia dizer a verdade. – Não sei onde nossos irmãos estão, nem se eles estão bem.
E bem na hora em que eu iria dizer palavras confortadoras, um caçador com uma espada pula de um carro em cima de Ross. Ele não havia percebido esse, vi isso pela sua expressão de surpresa.
O caçador que estava em cima dele tentou acertá-lo com a espada, mas ele segurou seu punho e suas mãos se acenderam com a chama azul. Mas antes que o caçador tentasse atingi-lo novamente, fui em sua direção rapidamente e quebrei seu pescoço. Ele caiu em cima de Ross sem vida. Ele me olhou com espanto, e, então, tirou o cadáver do homem de cima e se levantou.
Outro caçador vinha em nossa direção novamente, mas foi quando uma flecha atingiu sua cabeça no centro, eu olhei para trás e vi Agnes em cima do carro, da onde havia surgido o caçador anterior, atirando flechas para todos os lados. Ela parou por um momento e nos olhou.
– Estão esperando o que? Tem mais vindo. – Ela disse apontando com a cabeça para mais que vinham de todos os lados.
Minhas mãos se acenderam ao mesmo tempo em que as de Ross.
...
Não estava sendo nada fácil lutar contra tantos que apareciam. Agnes, agora, se mantinha perto de nós. Tão perto que estava me salvando de quase todos os ataques.
Mas num momento em que eu estava distante de Ross, vi algo voar em sua direção, era um explosivo. Ele não viu cair perto dele, mas eu vi a tempo.
– Ross! – Eu gritei enquanto corria em sua direção.
Joguei-me em cima dele, no exato momento em que ele se virava em minha direção. E foi quando um estrondo forte o suficiente para me deixar surda aconteceu atrás de mim, uma onda de energia fluiu pelo ar, e fumaça e asfalto voaram em nossa direção. Caímos violentamente no chão. Senti minha cabeça bater forte no chão, uma dor surgiu ali por um estante, mas então parou e percebi que eu estava de olhos fechados. Um chiado perturbador ficou em meus ouvidos. Eu tentei abrir os olhos, mas não consegui achá-los. As coisas estavam difíceis, eu já não aguentava mais lutar, estava me sentindo cansada e já estava gostando de ficar assim. Mas foi quando eu voltei a tomar consciência das coisas. Uma voz começou a se aumentar em minha mente, era Ross, ele gritava meu nome em desespero.
– Haide! – Ross gritou. Mas então ficou em silêncio novamente.
– Haide, acorda! – Agnes disse nervosamente. – Precisamos de você.
– Haide, por favor, não me deixa... – Ross disse com a voz exausta.
Forcei meus olhos novamente e foi quando eu consegui. Vi o céu destorcido com tons de branco e azul, mas então ele se colocou no lugar e vi três cabeças me olhando nervosas.
– Ah, meu deus! Ela acordou! – Agnes arfou aliviada.
Eu olhei para os lados e vi Ross deixando a cabeça cair com alivio de me ver o olhar novamente. Ele segurava minha mão com força, eu a remexi e ele despertou um pouco. Olhei para o outro lado e vi Nero me olhando, ele estava com o rosto pálido, mas pálido do que de costume, mas feliz por me ver bem.
Eu tentei me levantar e minha cabeça doeu um pouco, num puro reflexo coloquei a mão no lugar e senti sangue sair entre meus dedos, me concentrei no ferimento que começou a se fechar e a dor se intensificou mais. Meus olhos se estreitaram por um momento enquanto a pele se juntava dolorosamente. Quando o ferimento se fechou me levantei de vez, me sentido um pouco mais fraca, mas ainda sim podia lutar.
Eles ficaram cada um do meu lado por precaução, mas eu simplesmente os olhei e disse:
– Parem de me olhar como se eu fosse frágil.
– Mas você é. – Nero afirmou sério.
– E você acabou se jogar em cima de mim pra me salvar de um explosivo. – Ross completou.
Eu revirei os olhos. E foi quando Nero olhou para ele e perguntou:
– Como você não viu um explosivo do seu lado, e não viu ela vindo na sua direção? – Nero parecia indignado.
Ross franziu as sobrancelhas irritado e disse:
– Eu não sei. Quando eu a vi já estava se jogando em cima de mim.
– Meninos! – Agnes gritou no estante em que atirou uma flecha que passou por cima do meu ombro e acertou algo atrás de nós.
Virei-me rapidamente e vi um caçador cair no chão com a flecha cravada no pescoço. Pelo menos uns dez caçadores apareceram de lugares diferentes.
...
Já fazia muito tempo desde que a guerra havia começado. Eu não tive mais tempo para descansar, estava brotando caçadores de todos os lados.
Mas no momento em que eu matava mais um, vi Agnes imóvel por algum choque, pela primeira impressão, pensei que ela tivesse se machucado, mas, então, eu pude ver sua mão imóvel atrás das costas segurando o ar, então percebi o choque em seus olhos: não havia mais flechas.
Agnes me olhou ainda sem acreditar. Ela precisava das flechas, senão se tornaria um alvo fácil.
Um caçador surgiu de uma loja.
– Agnes! – Foi tudo o que eu pude gritar.
Ela se virou e o derrubou, pisou no braço dele que estava com espada, e ouvi algo se quebrar, ele gritou com dor. Agnes saiu de perto dele e correu para perto de mim.
– Precisamos fazer alguma coisa, não tenho mais flechas. – Ela disse nervosamente.
– Eu sei, Agnes, nós vamos pensar em... – Eu fui cortada pela súbita aparição de Jean atrás de Agnes.
Ela se virou e se jogou em cima dele. Eu o encarei aliviada por vê-lo. Ele desfez o abraço e a olhou nos olhos.
– Se machucou? – Ele perguntou dando uma boa olhada nela. Mas ela fez que não com a cabeça.
Ele me olhou e perguntou:
– Você está bem, não é?
Eu dei de ombros.
– Eu não tenho a mínima ideia. – Disse eu.
Jean fez uma careta, e, então Gareth apareceu do nada, derrubando um caçador que estava atrás de uma pilastra. O caçador estava com um arco e flechas, Agnes instantaneamente deu um sorri maligno e pegou todas as flechas que estavam no suporte dele.
Gareth parecia melhor que Jean fisicamente, mas eu não tinha muita certeza.
– Até que fim apareceu. – Disse eu com tom de ironia.
Gareth deu de ombros e veio me dar um abraço. Aquilo não era dele, mas tudo bem. Depois de alguns segundos constrangedores eu me soltei e o olhei.
– E então, como está a situação? – Perguntei.
Gareth suspirou e disse:
– Está complicado, perdemos alguns primos. – Gareth disse triste. – Mas estamos ganhando.
Eu balancei a cabeça sem jeito e continuei olhando dentro dos olhos de Gareth, ele parecia abatido com tudo, e, então passei meus braços ao redor de sua cintura e o abracei. Ele não retribuiu de primeira, mas depois de alguns segundos, ele passou um dos braços ao meu redor.
Voltei a o encarar e ele parecia sem jeito, Gareth e eu não tínhamos essa intimidade toda. Mas acho que agora não era hora pra isso, eu não sabia se eu iria morrer ou ele, então não perderia tempo.
Eu não sei o que aconteceu, nem como, mas as únicas coisas que eu pude guardar foi: Alan surgindo atrás de um carro, Agnes se virando num súbito reflexo e atirando uma flecha em sua direção, mas, não sei como, desviou. Ele veio correndo até ela, mas Jean se colocou na frente dela, e conseguiu atingir Alan com sua chama, mas não o machucou e nem mesmo sua jaqueta pegou fogo, Alan estava protegido, e isso não era bom. E Jean que estava sem espada, isso o tornava mais vulnerável, mesmo tendo seus poderes, ainda sim, seria fácil poder feri-lo.
Alan girou a espada que empunhara em sua direção e Jean colocou as mãos pra trás e empurrou Agnes, mas ao mesmo tempo tentou desviar do golpe. Agnes caiu no chão sem reação e Jean caiu também depois de perceber que a espada havia o atingido no peito causando um corte. Eu não sabia se era profundo ou não, mas eu podia ver o sangue começando a molhar a sua blusa. Jean ficou olhando para o céu enquanto Alan tentava acertar um golpe final nele, mas Agnes conseguiu acerta uma flecha em seu ombro. Alan gritou com a dor da flecha perfurando sua carne, e se afastou um pouco. Olhei para Agnes que estava de joelhos e tremendo enquanto segurava o arco, ela pareceu entrar em pânico vendo Jean no chão, e, então se arrastou até ele. Ela arfou colocando as mãos em cima do ferimento tentando parar o sangramento que aumentou um pouco mais e estava começando a cair no asfalto.
Alan tirou a fecha de seu ombro com um gemido de dor. Ele os olhou com olhar mortal e foi quando ele me viu. Seu olhar ficou grudado em mim e um sorriso mortal brotou de seu rosto. Meu corpo tremeu sabendo que era agora que eu teria que enfrentá-lo, e eu sabia estava preparada.
Ouvi passos atrás de mim e quando me virei me vi cercada de caçadores. Alguns com espadas e outros não. Alan deixaria pra depois.
Olhei para Gareth que parecia em choque olhando o irmão caído no chão sangrando ainda, e, então para Agnes que me encarou em desespero sem saber o que fazer. Então eu gritei:
– Agnes, cuide para que Jean consiga se curar. – Ela continuou a me olhar com o mesmo pânico no rosto, mas depois de alguns segundo acenou com a cabeça.
Eu olhei para Gareth que me olhava agora esperando eu falar.
– Gareth, nós cuidamos desses. – Ele balançou a cabeça positivamente.
– Mas e ele? – Gareth apontou com a cabeça para Alan que parecia nem se importar em nos encarar.
Eu o olhei e disse:
– Ele me quer, então deixe que eu mato ele.
Eu voltei a olhar para Alan, e foi quando eu vi lá longe as figuras de Nero e Ross. Eles caminhavam até nós, e, sem querer, um sorriso começou a nascer em meu rosto.
Eu senti um pequeno tremor na terra e logo em seguida diamantes cresceram rapidamente atrás de nos, acertando alguns caçadores com suas pontas longas e afiadas. A imagem foi um pouco chocante, mas eu nem me importei.
E naquele momento eu percebi que as coisas iriam piorar.
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