A Última Filha - Predador
19 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
Bom, eu não sei o que vocês vão achar, eu acho que esse capítulo vai ser chocante para muitos leitores, mas já vou dizendo esse NÃO É o último, então não entre em pânico, ainda terá mais coisas.
Boa Leitura ;)
Estava sendo um massacre, sangue agora espirrava em mim. Eu, agora, empunhava uma espada e estava acertando todos os caçadores que tentavam chegar até mim.
Alan havia desparecido entre eles, e estava difícil continuar com o mesmo ritmo. Eles saiam de todos os lugares, tentando me atingir em lugares diferentes.
O único que permanecia perto de mim era Nero, e ele não estava tão bem como eu. Ele parecia mais abatido que eu. Era só uma questão de tempo, de um de nós ceder.
Um caçador chegou por trás de mim e tentou cortar meu pescoço, mas coloquei a espada na frente e a empurrei para longe de mim com toda a minha força. Virei-me rapidamente e tentei acertar seu pescoço, mas ele se desviou. Ele deu alguns passos desajeitados para trás, e, então parou. Ele deixou um sorriso escapar pelos seus lábios e seus olhos fixados nos meus, com o olhar mortal e zombeteiro. Eu tomei fôlego e tentei acertá-lo de novo, mas ele era rápido. Mas, então, eu cometi um erro: joguei-me com toda a minha força, com a espada apontada para ele, em sua direção, mas ele desviou e conseguiu tomar ela de mim. Eu me virei para ele sem reação, ele tinha a única coisa que me protegia.
Ele girou as duas espadas nas mãos mostrando suas habilidades, mas isso não me intimidou muito, estava na hora de eu parar com o medo de morrer. Sem querer sorri com o desafio e o sorriso dele se desfez, minhas mãos se acenderam e levantei as sobrancelhas com o propósito de intimidá-lo. Ele me olhou na duvida se me atacava ou não, mas eu não perdi tempo, atirei o fogo em sua direção e ele cruzou as espadas para se proteger, e quando ele voltou a me olhar para atacar, eu já estava lhe dando um chute que o fez cair e deixar as duas espadas deslizarem para longe dele. Subi em cima dele com as mãos ainda em chamas e comecei a lhe dar socos. Eu não conseguia parar, seu rosto já estava começando a se deformar, sangue saia de seu nariz e boca, e queimaduras também estavam começando a ficar visíveis, mas ainda sim não conseguia parar, até que o senti mole. Ele só parecia inconsciente, mas não morto. Minhas mãos já haviam se apagado, mas eu ainda senti a raiva me dominado. Levantei-me e andei lentamente até onde estavam as espadas, peguei a minha e voltei para onde o caçador estava deitado, ele não estava se mexendo, mas eu não estava me importando. Suspirei cansada e olhei para os lados, Nero estava lutando com um caçador, e parecia cansado, muito cansado. Mas foi então que eu olhei para baixo e vi o caçador tirando um punhal de sua calça, mas eu, num súbito reflexo, cravei minha espada em seu peito. Ele arfou e olhou para a espada e depois para mim, seus olhos estavam vazios e sua boca meio aberta tentando respirar um pouco de ar que conseguia, eu fiquei sem reação, eu não pretendia fazer aquilo, mas se eu não tivesse feito ele teria me acertado. Ele moveu a mão para meu tornozelo e o apertou fortemente. Eu engoli a seco e vi sua cabeça tombar levemente para o lado, mas seus olhos continuarem em meu rosto, segundos depois escutei seu último suspiro, sua mão havia caído de meu tornozelo e seus olhos vazios e sem vida ficaram em meu rosto, eu arfei sem acreditar que vi um humano morrer na minha frente, ainda por minha causa. Fiquei ali encarando o cadáver por um tempo e sem perceber que a espada ainda estava no peito dele. Me recompus e a tirei dali, o sangue pingou em cima dele e comecei a me afastar. E do nada uma mão se colocou no meu ombro me fazendo pular e me virar rapidamente. Era Jean. Graças a deus. Ele parecia ter visto tudo. Eu o encarei sem saber o que fazer então ele disse gentilmente:
- Haide, está tudo bem.
Ele abriu os braços e eu me joguei contra ele soltando a espada, passei meus braços ao seu redor.
Eu devia está com a expressão modificada, vazia... Eu não queria estar ali, mas eu não tinha escolha.
Depois de algum tempo eu soltei ele, o olhei e disse:
- Você conseguiu se curar. – Olhei para onde existia um corte, mas agora só havia rastros.
Ele deu de ombros. E foi quando escutei uma risada sombria. Jean ficou sério e olhou por cima da minha cabeça, eu fiquei imóvel por um tempo, mas, então, forcei meus músculos a se mexerem, me virei lentamente e quando vi a raiva voltou, a vontade de poder matá-lo me dominou: Alan estava encostado no poste, com uma das mãos no bolso de sua jaqueta e a outra balançando a espada de um lado para o outro.
Eu suspirei tentando não me jogar contra ele e acabar com tudo isso...
Ele parou de rir, se desencostou do poste e se colocou numa posição ofensiva. Eu, de relance, olhei para a minha espada que estava no chão e calculei quanto tempo eu teria para acertá-lo fatalmente, mas eu não tinha muitas chances só uma então eu continuei em minha posição pensando em outro plano.
Ele deu uns passos em nossa direção e disse:
- Eu esperei muito pra poder te matar.
- Eu também. – Eu disse com tom mortal e senti Jean colocar a mão em minha jaqueta na sorte de conseguir me segurar caso eu fosse sair correndo até Alan.
Jean sabia o quanto Alan era perigoso, ele havia sido acertado por ele. Mas eu havia sido sequestrada por ele, então isso era pessoal.
Um tremor apareceu do nada, e eu sabia que eram diamantes que estavam crescendo em baixo de nós. Eu olhei para Alan e vi que ele já sabia também, e bem quando um nasceu em baixo de seus pés, ele saiu. Olhei para o lado e vi que era Nero que havia feito isso.
Jean, do nada, pegou em meu braço com força e não me soltou, eu o olhei sem acreditar que ele iria me tirar dali. Ele começou a me puxar dali, mesmo eu tentando me soltar ele segurava com mais força e me puxava com mais violência, e, então vi Gareth e Ross passando por nós e indo até Alan que havia aparecido no meio dos diamantes.
Olhei para Jean mortal e disse:
- Jean, me solta! – Ele não demonstrou nenhum sinal de que faria isso.
Voltei a olhar para Ross e Gareth que já estavam quase perto de Alan, e gritei:
- Meninos, não!
E foi quando Gareth atacou Alan, mas ele desviou do soco dele.
Em desespero eu olhei para Jean novamente na esperança dele me soltar, mas sem sucesso.
- Jean, por favor, me solta. – Eu implorei.
- Ele vai te matar. – Jean disse sério.
Eu o olhei sem acreditar e disse:
- Se você não me soltar, Alan vai matar eles!
Jean fez que não com a cabeça e isso foi demais. Olhei para eles novamente e vi Gareth caindo no chão. Gareth! O irmão mais forte! Perdendo pra ele!
Olhei para Jean e sussurrei:
- Eu sinto muito, mas eu não posso...
Ele me olhou sem entender, e foi quando eu pisei em seu pé e seu aperto soltou um pouco, então acertei meu cotovelo em seu rosto com toda a minha força. Ele caiu no chão com a expressão de dor. Vi Nero vindo correndo até nós e, então, consegui quebrar um pedaço de asfalto, com o poder da geocinese, e o joguei em sua direção. Ele não o viu. A pedra acertou sua cabeça com tanta força que o fez levantar com os pés e cair no chão violentamente.
Eu olhei para onde os meninos estavam e vi Gareth caído no chão, parecendo inconsciente, e Ross de joelhos. Alan estava puxando seu cabelo pra trás fazendo ele o olhar nos olhos. E bem no momento em que Alan levantou a espada para lhe dar um golpe certeiro, me joguei contra ele. Nós caímos no chão violentamente. Não olhei para Ross para ver se ele estava bem, mas sim para Alan que se levantou para me atacar. E no exato momento em que eu me levantei também, ele me pegou pelo pescoço e me jogou contra uma pilastra, eu bati com a cabeça violentamente e cai de joelhos no chão. A minha cabeça agora doía muito, era como se várias agulhas estivessem entrando no meu cérebro. Eu me virei e encostei-me à pilastra, vi Alan caminhar até sua espada que estava um pouco distante de nós, e voltar para me acertar. Desviei-me rapidamente do seu golpe que atingiu o concreto, e, então chutei seu rosto. Ele camlabeou para trás que me deu tempo de me levantar e lhe dar um soco mais forte que eu pude. Alan não caiu, mas vi sua boca agora sair sangue que pingou no asfalto. Mas ele tirou um punhal de seu bolso e tentou me atingir no rosto. Segurei seu pulso, mas com dificuldade. Ele era bem forte para um humano, mas acho que estava no sangue ser forte daquele jeito.
Tentei empurrá-lo com mais força, mas ele nem se mexeu, então ele se contorceu comigo e acabou ficando atrás de mim. Ele tentava de todas as formas cravar aquele punhal em meu estomago, já estava difícil segurá-lo daquele jeito. Mas, então, ele colocou o queixo em meu ombro e sussurrou em ouvido:
- Desista. – Disse com a voz persuasiva. – Você não tem chance. Assim que eu matar você, acabou com seus irmãos.
O final daquilo me deu calafrios, mas foi então que eu vi um diamante longo e pontudo que havia crescido na pilastra em que eu havia batido a cabeça, então me virei com Alan atrás de mim, e ele não pareceu perceber o que eu estava prestes a fazer.
Vi Ross se levantando e percebeu o que eu ia fazer, então gritou:
- Haide, não!
Mas eu fechei os olhos e me joguei para trás.
...
- Aquela estrela é bonita, não? – Disse Noah enquanto eu entrelaçava os meus dedos no dele.
- É... – Concordei pensativa.
- Mas, Haide...
- O que? – O olhei curiosa.
- Aquilo é a Lua. – Ele disse com um tom sarcástico e um sorriso no canto dos lábios.
Eu olhei para a estrela que ele falava e vi que era a Lua mesmo. Fechei meus olhos de vergonha.
- Eu sou uma idiota. – Sussurrei.
- Tem razão, é uma idiota. – Ele disse sério. – Mas é minha idiota.
Eu abri os olhos e o olhei.
...
As imagens vinham e iam como borrões em minha mente. O rosto de Noah foi o último pensamento que eu tive.
Abri os olhos, entorpecida, não senti uma dor sequer, mas eu sabia o que tinha acontecido. As vozes estavam abafadas, Ross vinha correndo até mim parecendo que estava gritando, mas só seus lábios se mexiam.
Olhei para meu lado sentido o peso em meu ombro esquerdo e vi a cabeça de Alan, ele parecia estava tentando respirar, mas não conseguia. Então sangue começou a sair de sua boca aos montes, eu virei meu rosto com repulsa daquilo, e, então senti algo quente subir pela minha garganta, me impossibilitando de respirar, subitamente comecei a tossir e sangue sair de minha boca. Eu não olhei para baixo para saber que o diamante havia me atravessado, eu já tinha certeza.
Quando fui notar Ross já estava ao meu lado tentando me tirar dali e um sorri bobo apareceu em meu rosto.
Senti que eu já estava quase caindo, o diamante estava me mantendo ali. Mas eu sabia que era só uma questão de tempo para eu apagar. Eu fechei os olhos por um momento e de repente uma dor surgiu em minha barriga, à dor foi tão forte que me fez tremer.
- Haide! – Alguém gritou, mas saiu abafado.
Eu abri os olhos e vi que eu já estava no chão. Eu estava nos braços de Ross que parecia estar quase chorando. Ross, chorando? Tinha alguma coisa de errado.
- Não... Chore. – Eu gaguejei olhando em seus olhos.
Ele pareceu respirar fundo, mas eu não sei, eu estou grogue demais pra perceber. Fechei os olhos pro alguns segundos e tentei dizer alguma coisa, mas uma lembrança veio em minha mente e me atrapalhou: quando nós éramos crianças brincando no castelo.
...
- Você é inútil! – Gritou Nero. – Você não sabe conjurar nada, Haide.
Eu fiquei em um canto afastada deles, vi Jean me olhando hesitante em ir ao meu lado. E, então, Ross apareceu no meu lado e disse:
- Eles são uns babacas, Haide. Nem se importe com isso. Vem. – Ele disse esticando a mão pra mim. – Eu vou te ensinar a controlar as pedras, pra você poder atirar neles.
Eu sorri com o pensamente e peguei sua mão.
...
Eu abri os olhos e o olhei feliz, aquelas lembranças eram boas agora.
- Você... Que... Me ensinou... A controlar... As... Pedras. – Eu disse.
Ross deixou um pequeno sorriso brotar em seu rosto, mas então ele olhou para longe de mim, segui seu olhar que estava em Nero, que parecia que já estava quase chorando também, e com a marca do asfalto que eu8 havia atingido em seu rosto.
— É. – Ele concordou ainda com os olhos em Nero. – E parece que foi uma má ideia. – Ele continuou, mas agora um pouco sério.
Eu tossi um pouco e isso fez a dor aumentar. Suspirei com dificuldade e disse:
- Consegui... Me vingar... Do... Inútil.
Seu sorriso agora ficou enorme e disse:
- Mas já faz dez anos, Haide.
Eu sorri sabendo que era verdade, e que agora estava acabado. Senti meu rosto ficar vazio e um frio começou a surgir, me fazendo me encolher nos braços de Ross.
- Me promete... Que... Vai dizer... Pro Noah... Que eu... O amo? – Perguntei depois de um tempo.
Ross negou com a cabeça e disse:
- Eu não vou dizer nada. – Ele engoliu parecendo nervoso. – Porque você vai voltar pra casa, e vai vê-lo, e vai também ver o papai.
Eu o encarei em silêncio vendo que isso estava o matando.
- Ross... Você... Sempre... Mente... Pra si... Mesmo?
Ele desviou o olhar.
Fiquei ali esperando sua resposta, mas ele não deu.
A dor começou a diminuir e o frio a ficar mais intenso, eu sabia que eu não teria muito tempo.
- Ross... – Ele voltou a me olhar. – Faça o... Noah... Cumprir... A... Promessa... Dele.
E então uma lágrima desceu pelo seu rosto, e ele já sabia que já era o fim, todos sabiam.
Ele continuou a me olhar, e, então disse:
- Eu prometo.
Eu suspirei aliviada de poder saber que tudo estaria bem sem mim.
Um sono forte começou a me dominar, senti que a dor havia sumido, minhas pálpebras ficaram pesadas, então...
...
- Eu te amo. – Noah sussurrou em meu ouvido antes de eu sair por aquela porta que me levou até a guerra.
Notas finais
Lembrando, esse NÃO É o último capítulo, então não parem de ler, ainda tem mais.
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