Dias de treinamento e só se pensava em descanso. Começamos a nos estressar com a rotina. Não estava vendo Noah com tanta frequência e isso estava me irritando um pouco.

Jean ainda não havia dito nada para Agnes, e quando os vi se olhando por um momento entrei em cena. Dei uma cotovelada no braço dele enquanto Agnes derrubava Gareth no chão, como sempre. Ele me olhou confuso e então eu mandei um olhar para ela.

— Não sei o que dizer? – Ele sussurrou.

Eu revirei os olhos e sussurrei de volta:

- Cala a boca e vai.

Ele fez uma careta e então eu disse em voz alta:

- Agnes, o Jean quer falar com você.

Todos colocaram os olhos em mim por um momento, mas depois passaram para Jean ao meu lado. Eu o olhei de volta com um sorriso maligno, e ele me encarava sem acreditar.

- Sério? Agora? – Agnes lhe perguntou.

- Não. Depois eu falo com você. – Jean disse rapidamente.

- Não. Agora. – Eu me intrometi.

- O que você está fazendo? – Ele murmurou irritado.

Eu o olhei irritada e disse:

- Olha, eu estou cansada de esperar, principalmente a Agnes. Então diga, e isso acaba.

Eu o ouvi trincar os dentes e ranger eles. Ele fechou os olhos por um momento e respirou fundo. Quando os abriu de volta estava mais calmo, e então olhou para todos eles e disse:

- Sei que o que vou dizer aqui vai dar um motivo pra vocês me chamarem de gay.

- Eles não vão te chamar de gay. – Eu o garanti.

- Tem razão, nós não vamos fazer isso. – Nero disse.

- Bom, você não. – Jean lhe disse sério, e então passou os olhos em Gareth. Ele desviou o olhar do de Jean e deixou um grande sorriso maquiavélico aparecer em seu rosto.

- Certo. – Agnes disse finalmente. – O que você tem que me dizer?

Jean respirou fundo e me deu mais uma olhada. Encorajei-lhe e ele disse:

- Sei que você está brava comigo.

Ela o olhou sem se impressionar.

- É. E daí? – Perguntou cruzando os braços.

Jean lhe olhou meio irritado.

- Não está ajudando.

Agnes revirou os olhos e perguntou:

- Aonde quer chegar com isso?

Ele mordeu os lábios.

- Acho que... Eu estou... Ah... – Ele hesitou.

Agnes esperou por alguns segundos ansiosa pelas palavras, mas elas não vieram. Jean havia congelado naquelas.

- Você acha que...? – Ela o encorajou meio nervosa.

Jean abriu a boca novamente, mas não saiu nada. Então a porta de entrada se abriu.

Jean fechou a boca e olhou para onde papai havia surgido. Papai olhou para Agnes e disse:

- Agnes. – Ela virou a cabeça em direção a ele. – Sua mãe quer falar com você.

Ela juntou as sobrancelhas de confusão e repetiu:

- Minha mãe?

- É. – Papai lhe garantiu.

Ela piscou algumas vezes e perguntou:

- Certo. E onde ela está? Onde ela quer que eu me encontre com ela?

- Ela está aqui. – Papai lhe disse sério.

Ela arregalou os olhos.

- Ela está aqui?

Papai simplesmente a olhou em silêncio, então, depois de alguns segundos de um silêncio mortal, Agnes correu para a porta. Eu a segui logo depois.

E quando chegamos ao escritório do papai, ali estava ela. Nós duas paramos estáticas.

Ártemis era uma deusa muito linda. Tinha olhos azuis que pareciam duas esmeraldas que brilhavam, um cabelo liso e loiro exatamente com o de Agnes, mas o dela parecia ser mais brilhante.

Ela nos olhou com a expressão lisa e disse:

- Olá.

Agnes ficou em silêncio, e desejei poder ver sua expressão, mas ela ainda continuava de costas pra mim.

- O que faz aqui? – Agnes perguntou rudemente.

Ártemis deu um grande suspirou e disse:

- Vim te dar um aviso. – Ela passou o olhar até mim. – Um aviso a vocês duas.

- Sobre o que? – Agnes perguntou.

- Há algo de errado aqui. Nessa cidade. – Ártemis disse séria.

- O que? – Eu arfei. – Como assim?

- Não tenho certeza.

- Como não tem certeza, mãe? – Agnes perguntou parecendo irritada.

Ártemis suspirou um ar irritante e disse:

- Está fora do meu alcance.

Ficamos em silêncio a encarando, mas foi papai que cortou o silêncio atrás de mim.

- Os seus sentidos não estão funcionando?

Ela o olhou e disse:

- Não como deveriam. Por esse motivo não sei o que vai acontecer daqui pra frente.

Papai suspirou e disse:

- Pode deixar. Nós veremos o que vamos fazer aqui. – Ártemis deu um grande sorriso e olhou para a filha. – E prometo que sua filha ficará bem.

Ela balançou a cabeça positivamente e foi em direção a Agnes. Ela a abraçou e então se despediu. E quando ela saiu pela porta, Agnes se virou para mim e disse:

- Agora estamos ferrados.