A Última Carta
1 Capítulo 1
Notas iniciais
É assim, a Yuu (mais conhecida como Chiyu) estava vendo um dorama - no qual esqueci o nome - e a idéia veio.
“Ele está estranho” era o que se passava pela cabeça dos quatro amigos ali. Em especial, Nao. O baixista daquela ex-banda podia dizer que conhecia o amigo como a palma da mão. Nunca esqueceu as brincadeiras e provocações que sempre o envolviam.
Naquele dia, ele havia sido acordado por Isshi. Às seis e meia da manhã. A desculpa foi de todos se encontrarem e passarem mais um dia juntos. Mais um, porque já fazia algumas semanas que o vocalista estava assim. Os acordava cedo e pedia para se encontrarem em algum local da cidade. Teve dias que passaram jogando cartas em um parque, outras que foram a shoppings, restaurantes. Ou simplesmente se juntavam na casa de um deles e ficavam lembrando o passado.Geralmente, depois da ligação do vocalista, ligava para Keiyuu ou Tora. E quando dizia que iria passar o dia com Isshi, ouvia um longo silêncio. Então, independente de quem era, engolia seco e dizia que estava tudo bem. Naoki já sentia que estavam lhe escondendo algo. Até pensou em perguntar para Shin ou Akiya, mas eles pareciam estar na mesma situação. O único que parecia entender era Izumi. E quando perguntavam, ele fugia do assunto. O menor do grupo estava sempre perto de Isshi. Sorrindo, rindo de suas piadas, o apoiando em tudo. E os outros o seguiam. Aquele dia não era diferente dos outros que passaram naquelas semanas. Eles se encontraram um pouco antes do meio-dia, foram almoçar juntos e depois andaram por aí até Isshi cansar e os arrastar para um parque. Naquele lugar, o silêncio se instalou e ficou ali por longos minutos. Cada um parecia perdido em seus próprios pensamentos. Uma rápida olhada em Isshi e Akiya o viu sorrir. Um sorriso diferente de todos que já vira. Era... Nostálgico, melancólico e por que não, triste. Quando pensaram que iriam ficar em grupo até tarde da noite, como era de costume, se surpreenderam. Isshi se levantou, espreguiçou-se e simplesmente disse:- Tenho que fazer algo antes de ir mesmo. Nos separamos aqui. E obrigado por me aturarem esses dias. – Já ia andando, quando parou e olhou os quatro. – Ah! Amanhã de manhã, vocês poderiam ir até minha casa? Sei que tem a chave, então é só entrar. Rindo leve, ele se despediu dos amigos. Um último adeus. - Bem... Eu também vou indo. Vou ver se ainda consigo falar com o Tora ou o Keiyuu. – Disse Naoki. - Ah, minha casa fica perto da sua. Vamos juntos? – A voz era de Izumi.- Claro. Até mais, Shinpei, Aki.O baixista soltou o típico riso e, juntamente do baterista, foi se distanciando dos guitarristas. Novamente, silêncio. Até Shin suspirar, derrotado.- Eu sempre falo para ele não me chamar de Shinpei... – Cruzou os braços.- Você sabe que Nao é uma criançona, Shin. – Akiya ria baixo. – Devia ter se acostumado depois de 11 anos... O pequeno soltou um riso. Eles ficaram mais um pouco ali antes de retornarem às casas.No dia seguinte, Nao levantou com uma sensação estranha o assombrando. O que seria? Olhou para o relógio. Sete e meia... Isshi não ligara? Isso era estanho.Se arrumou rapidamente e foi até o apartamento do ex-vocalista. Tocou a campainha, esperando acordar Isshi. Porém, quem atendeu a porta foi o ex-líder. Ele parecia abatido...- Izumi? O que faz aqui? - Entre. Shin e Akiya também estão aqui. – A voz saiu quase seca.Sem entender, o maior entrou no local. E, ao ver as expressões dos outros dois, estranhou ainda mais. A sensação estranha lhe apertou o coração cruelmente. Até estranhou o fato do ex-manager deles estarem ali... - Por que essas caras, hein? – Perguntou aflito. Sem responder nada, Shin lhe entregou uma carta. Mas, antes que pudesse a ler, Izumi lhe interrompeu. - Isshi... Ele... Está morto. Naoki paralisou. O que? Como? Estava sonhando?- O... Que? Como assim, “morto”?! - Ele tinha Degeneração Espinocrebelar… — Akiya começou baixo. – É uma doença incurável, onde as células nervosas do cerebelo, tronco cerebral e da medula são destruídas gradualmente. Porém, o cérebro continua. Geralmente, as pessoas perdem a fala e os movimentos... Foi o que o médico disse, pelo menos. – Olhou para o companheiro da ex-banda, com olhos chorosos. – Leia a carta, Nao.O mais velho dali assentiu. Olhou para o papel e leu sem pressa.“Aos meus caros amigos Nao, Izumi, Shin e Akiya.Eu nunca pensei que teria de me despedir assim... Através de um papel sem significado. Mesmo assim, isso é duro demais para poder falar diretamente para vocês. Em primeiro lugar, peço desculpas por isso. Se estão lendo essa carta, deve ser porque minha alma já não está mais em meu corpo. Eu queria ser capaz de lhes falar coisas bonitas, ou então, quem sabe, cantar uma última música com vocês. Estou sendo muito nostálgico? (risos) Ei... Vocês se lembram de como nos conhecemos? Foi tão estranho, não? Eu acredito que isso foi uma obra do destino... Lembram de como nos esforçamos para chegar onde chegamos? Eu repetiria tudo de novo e de novo.
Eu descobri que tinha essa doença um mês atrás. O médico disse que eu não teria muito tempo de vida... Então, me desculpem por alugá-los só para mim essas semanas. Mas... Eu queria fazer o resto de minha vida valer a pena. É estranho, não? (risos) Eu estou sendo uma criança mimada e egoísta, me desculpem... Queria pedir-lhes para que não chorem com minha ida. Eu não fui de verdade. Sempre continuarei ao lado de vocês, como uma assombração! Haha... Acho que já os deixei de considerá-los meus amigos... Para mim, somos todos irmãos. Isso é estranho também? Acho que nunca fui o tipo de pessoa normal. Mas, voltando ao assunto principal... Não chorem, por favor. É meu pedido. Eu vivi todos esses anos feliz e metade de minha vida foi com vocês ao lado. Cada briga, cada risada, tudo isso nos ensinou uma baita lição, né? ...Eu... Gostaria de ir vendo um sorriso nos rostos de cada um. Então, por favor, sorriam! Se nada nos separou esses anos, uma morte não fará isso. Certo? Ei...Obrigado.Obrigado de verdade.E...Até mais... Meus amigos. Nós vamos nos reencontrar ainda... E eu estarei os esperando com um sorriso! Isshi”As lágrimas não pararam. Não conseguia ler a última frase da carta. Nenhum conseguia parar de chorar. Isso durou até o funeral dele. Porém, antes de dar-lhe um último adeus, Naoki olhou para o rosto sem vida e sorriu. Sorriu do jeito que podia, mas sorriu.E, em palavras mudas, disse:- Até mais, Isshi...Os outros também se despediram do amigo assim.Algumas horas depois, os quatro estavam no mesmo parque do dia anterior. Em silêncio, até que o baixista o quebrou.- Agora eu entendo porque ele estava estranho. – Riu baixinho. – Eu teria feito a mesma coisa que ele...- Ele foi forte. – Shin falou baixo. – Descobriu que ia morrer em breve e continuou sorrindo...- Acho que eu o entendo. – Disse Akiya, se levantando.- Como? Você também tem uma doença assim, Aki? – a voz de Izumi era preocupada.O mais novo somente riu e negou com a cabeça. - Não... Isshi só quis fazer tudo valer à pena. Digo... Quando você sabe que vai morrer, ou você fica deprimido, ou simplesmente vai e faz toda sua vida ser digna, para morrer com um sorriso no rosto... O silêncio novamente se instalou ali. O antigo guitarrista solo olhou para o céu e sorriu.- Nós não precisamos ficar tristes, não é? Afinal, vamos nos reencontrar mesmo... - Tem razão. – Naoki se manifestou. – Vamos fazer como ele. Os dois menores concordaram. E, por um momento, eles pensaram ter ouvido algo ao vento.“Fazer a vida valer a pena... Só depende de cada um de nós...”
Notas finais
Não me matem. E não se cortem. :3
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