A Última Bala

1 One-Shot – A Última Bala


Notas iniciais
Heyo pessoinhas. Vocês que já leram outras histórias minhas sabem muito bem que eu tenho um sério problema de bloqueio, não? Bem, isto me ajudou bastante, pois me fez pensar muito (sou competitiva, afinal) para escrever isso, e acho que consegui. Não ficou tão bom quanto eu gostaria, mas ao menos conclui o desafio. Vou tentar cumprir os outros e sempre os postarei por aqui. Espero que gostem ♥

Athon estava fugindo das sombras. Não havia nada de sobrenatural nelas, eram apenas reflexos negros dos vinte homens em seu encalço, carregando armas potentes que o matariam com apenas um tiro. Ele tinha sua própria arma, mas de que adiantaria? Lembra-se bem da última bala restante no revólver, e de como gastara todas as outras.

Ele outrora trabalhara para pessoas perigosas. Era um membro da mais terrível organização de criminosos e todos contratados eram, sem dúvida, bem piores que ele. Muitos já haviam dizimado toda uma nação, outros mataram pessoas importantes – como grandes líderes mundiais ou símbolos de terror –, isso tudo em questão de minutos. Nenhum deles sentia aquelas mortes, matavam qualquer um que entrasse em seu caminho sem pensar duas vezes. Apertavam o gatilho e ignoravam o sangue jorrado, pois já davam suas costas e partiam para a próxima vítima. Pior eram aqueles que não faziam seu próprio trabalho, jogavam-no nas mãos de seus subordinados. Athon fora um deles.

Agora era a vítima

Lembrava-se bem de seu chefe. Era um homem alto, de cabelos longos da mesma cor do pôr-do-sol, intensos e tenebrosos olhos castanhos e aquela barba sempre mal-feita. Tinha uma aparência bagunçada, mas nunca deixava de trajar-se com o terno no qual gastara mais dinheiro, Vargan era seu nome. Ele também nunca se esqueceria do dia em que foi contratado. O homem sorrira para ele e disse, com alegria na voz “Você será forte um dia, garoto”.

E Athon acreditara. À medida que mais se esforçava, mais subia de cargo. Sem notar, tornou-se as mãos que apertam seu gatilho, o assassino que pisa nos inimigos, o subordinado que elimina qualquer um que ousar se aproximar. Num piscar de olhos, era o seu homem mais confiável. E era incrível a mudança que isso causara em si. Ganhou músculos, cresceu mentalmente e abandonou as fraquezas. Mas, em troca disso, abandonou a humanidade. Só respirava quando o chefe mandava, seu coração batia no ritmo que lhe era pedido, sentia apenas o que lhe era mandado e dizia apenas o que era posto em sua cabeça.

Mas ele estava feliz, e isto era o que importava. Afinal, a felicidade é tudo, não é?

Estava tão feliz, que não ligou para a morte da mãe, não reagiu quando perdeu os companheiros, nem derramou lágrimas quando assistiu as chamas estalarem no prédio da organização e subirem para alcançar os céus. Fingiu que não havia, no mínimo, duzentas pessoas ali dentro, e ignorou tudo o que já sentira por cada uma delas. Cada amor de sua vida, cada amizade, cada ajuda que lhe foi dada e recebida, cada risada compartilhada e cada briga vivida – tudo foi queimado naquela noite. Afinal, Vargan não estava lá. O chefe partira em uma viagem de urgência.

Agora, correndo nas ruas, Athon perguntou-se se não fora o homem que enviara aquele ataque. Apenas agora ele percebia seus erros. Viu de relance, sempre que fechava os olhos, o futuro que poderia ter tido. A esposa que nunca existiu, o emprego nunca imaginado, os filhos não planejados, os amigos de toda uma vida. Ele sempre imaginou que envelheceria sozinho e que nunca amaria ninguém. Nunca pensou que ele mesmo trocaria todo aquele futuro por um homem que não valia a pena.

A respiração já falhava quando alcançou um beco sem saída. Não ouviu mais os passos apressados dos vários subordinados, e nem ao menos estranhou. Afinal, logo a sua frente estava Vargan. Ele sorria de modo tão radiante que, por um segundo, fez com que ele esquecesse dos erros trágicos daquele ser. O chefe abriu os braços, como se pedindo por um abraço, e chamou-o baixinho.

– Venha, Athon. Venha para meus braços.

Quando fechou os olhos desta vez, ele não viu o futuro destruído. Viu o passado. Assistiu ao homem erguê-lo em seus braços, jogando-o para o alto em uma brincadeira infantil; ao dia que ganhou sua primeira arma, quando tinha apenas seis anos de idade; aos conselhos recebidos no aniversário de dezessete anos, quando prometeu que o ensinaria a lutar; e chorou. Deixou aquelas gotas salgadas descerem de seus olhos quando ergueu a arma.

A boca de Vargan se retorceu, mas o sorriso desaparecera. Deveria estar se perguntando para quem seria a última bala, para ele ou para o filho.

E então, o gatilho foi pressionado.

Notas finais
E então? Gostaram? Mereço uma torta na cara ou um caixa de chocolates? Vocês decidem. Por hoje, isso é tudo, pessoal. Até mais ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!