A Órfã Doce 2.0
1 Elite Acadêmica de Shaper's Green.
Notas iniciais
"Todo fim gera um começo" dizia minha professora de filosofia. Poderia não ser o momento adequado para lembrar-me disso, mas foi a primeira coisa que me veio a cabeça ao avistar a morte como uma velha conhecida.
Era como se tudo estivesse em câmera lenta. O suor em minha testa escorreu devagar. Os expectadores gritaram em desespero, formando um uníssono. Os cabelos dourados de Nathan iam sumindo na medida em que seu corpo fazia o mesmo.
— Nathan!
Mas não, ele não caiu. Primeiro foi uma loira, depois uma ruiva. Ambas o agarraram a tempo. Eu queria me mexer, todavia o controle sobre meu corpo desapareceu por alguns segundos. Mais ou menos como quando um computador trava e você tem que esperar voltar ao normal. Meu pane foi revertido no minuto em que Elizabeth, a garota de juba vermelha, trovejou em minha direção:
— Droga, Lílian, ajude!
Apenas uma pergunta me vinha à mente: como aquilo tudo foi acontecer?
❅❅❅
O Green Place se mostrava exuberante, tanto nas fotos de revista quanto ao vivo e em cores. Além do jardim exótico e completamente colorido, a estátua de Morgana Mística, fundadora de Shaper's Green, complementava a linda paisagem.
O prédio tinha tantos andares que desisti de olhar seu topo. Pois era alto o suficiente para encontrar-se com os raios do casual sol vestindo seu casaco feito de nuvens. Então, além de incômodo nos olhos, me doeu o pescoço.
O toc-toc dos sapatos de minha tutora ecoou pela portaria. Não tive muito tempo para notar ao redor. Estava acuada. Ela tinha que escolher justo um lugar chique?! Minha velha mochila cheia de chaveiros e meus sapatos gastos não pareciam descolados, e sim um monte de molambo. Se Mila não fosse a guia no tour da riqueza, usaria minha mochila-molambo como um foguete para fugir da vista dos moradores ricos que me olhavam como se eu fosse um alien.
Entramos no elevador. Mila, minha tutora que parecia ter algodão doce no lugar de cabelos, pressionou o botão de número oito e permaneceu ereta segurando sua bolsa. O normal seria meus nervos se acalmarem por finalmente estarmos sozinhas, porém só ficaram ainda mais a flor da pele.
Para mim não havia nada pior do que receber vários olhares de desaprovação de vários adultos ao mesmo tempo. Minhas mãos transpiravam e a garganta fechava com um nó sufocante.
Mila é uma mulher belíssima. Modelo, ainda por cima. Com certeza ela deveria estar sentindo vergonha alheia porque eu, sua acompanhante, parecia uma sem-teto.
Quando menos percebi, minha cabeça estava mais agitada do que o tráfego de uma estação de metrô. O medo em meus olhos era visível. Por um momento me vi em cima de uma linha tênue, pronta para ter um ataque.
— Lílian. — Mila chamou com ternura. Sua mão calma em meu ombro causou um arrepio, mas ao mesmo tempo um alívio rápido. Como quando se joga água fria numa frigideira quente. — Está tudo bem.
"TSSSSS" fez minha cabeça por dentro.
O elevador parou no oitavo andar e o desocupamos, entrando num corredor onde o toc-toc era, mais uma vez, dominante. Porém, não sozinho. O ar saía de minhas narinas tão bruscamente que era difícil ignorar. Os dois ruídos pareciam competir entre si.
— Está tudo bem. — ela disse novamente. Paramos em frente a uma porta que logo foi aberta por uma chave em forma de trevo. — Este é um ótimo apartamento e pode ficar aqui o quanto sentir vontade. Você está matriculada numa excelente escola e eu irei acompanhá-la amanhã de manhã.
Entramos no apartamento e era tudo o que ela disse mesmo. Enquanto apresentava os cômodos, um por um, notei o cansaço por baixo de tanta maquiagem. Mesmo que não fosse tão simpático de minha parte, apressei o papo a fim de fazê-la ir embora mais cedo para repousar. Afinal, ser um problema para Mila era a última coisa que eu queria.
Assim que a porta fechara, corri até minha mochila e apanhei a cartela de comprimidos. Enfiei um deles garganta a baixo na esperança de que tudo ficasse bem, e ficou. Não demorou muito e meu coração parou de tão bater rápido, minhas mãos não suavam mais e os calafrios sequer haviam chegado. Então fui ao banheiro me lavar para logo em seguida dormir. Ainda sequer tinha anoitecido, mas o remédio causava sono.
A vantagem de tomar estas drogas prescritas é que elas me desligam. Não o bastante para me manter longe de toda a dor que causo a mim mesma, mas o suficiente para que seja suportável viver em minha pele.
Algumas vezes já cheguei a refletir o quão difícil pode ser para alguém cuidar de mim. Às vezes sou impulsiva, explosiva, irada, e isso sempre resulta em uma porção de problemas para meus responsáveis. Como foi para meu falecido pai, por exemplo.
Inicialmente comecei a pensar se tudo poderia ser diferente. Se EU estava disposta a ser diferente. O primeiro passo para mudar é enxergar os erros, não? Isso já foi feito, então estou no começo de um longo processo. Para não me perder no meio do caminho basta lembrar os sacrifícios que Mila faz por mim. Ela estava concedendo oportunidades valiosas demais para que eu, em troca, me mostrasse um fardo ou uma encrenca.
— E se der tudo errado?
Pode parecer idiota, teve um tempo em que eu achei idiota também, mas sempre que me pego pensando no fim da linha, Beethoven aparece na minha mente. Eu não sei muito bem o que a psiquiatra enfiou na minha cabeça, mas ela pediu para que eu criasse uma figura bem convincente que me repreendesse mentalmente. Não no sentido de me pressionar ou castigar, mas sim para funcionar como um alarme anti-desastre. Sempre que passo da minha cota de pensamentos ruins, um Beethoven maestro brota na minha cabeça batendo a vareta no suporte que segura as partituras. Ele arruma os papeis e respira fundo junto comigo antes de recomeçar.
Quando terminei o banho, vesti meu pijama e fui dormir. Ás quatro da manhã eu acordei para fazer xixi e não consegui mais pegar no sono. Então pus meus fones e fiquei escutando várias músicas, prestando atenção no ritmo, nos instrumentos e nas notas que o cantor emitia. Este é outro exercício para manter a mente livre de pensamentos que podem sobrecarregá-la.
Acordei num pulo. A típica reação de quem acabou de sonhar que estava caindo. Pus as mãos na cabeça pensando em que horas poderiam ser. Tateei o colchão em busca do celular, e assim que verifiquei a hora quase tive um infarto. Faltava pouquíssimo tempo para o horário que Mila me passara durante a sua quase interminável conversa.
Tirei todas as roupas da mochila até encontrar meu uniforme passado e embalado a vácuo. Rasguei o saco e o vesti depressa. Em frente ao espelho do banheiro escovava os dentes com uma mão e os cabelos com a outra. Como sou destra, o cabelo, mesmo com a escova alisadora, não ficou a coisa mais linda do mundo. Então fiz uma trança no topo da cabeça que lembrava uma coroa de flores, só que sem as flores. A diretora Ana, da escola militar, havia me ensinado a fazê-la anos atrás.
Verifiquei a hora e faltavam apenas três minutos. Saí correndo até a cozinha quase derrapando no chão. Na porta da geladeira estava um adesivo de um comercial de cereal que Mila havia feito e tinha uma frase que dizia: O café da manhã é a refeição mais importante do dia.
— Não! — rosnei para o cartaz.
Desviei para os armários, pois achei difícil que na geladeira houvesse algo que eu poderia levar na mochila comigo. Então arrastei um pacote de biscoitos, peguei minha mochila, tranquei meu apartamento e saí como uma bala pelo andar até chegar ao elevador.
E por um momento pensei que teria um infarto do miocárdio quando vi as portas se fechando. Entretanto, milagrosamente alguém me viu correndo feito uma maluca e segurou para mim. Coisa que, se estivesse no lugar do benfeitor, não faria. Na verdade eu teria medo de uma louca descabelada e destrambelhada voando pelo corredor como um morcego fugindo do inferno.
Obrigada. agradeci ao garoto. Ele era alto e tinha uma expressão bem séria. Apenas assentiu com a cabeça.
Derrapei no corredor até a portaria, fazendo manobras ninja para não esbarrar em ninguém. Passei pelo jardim colorido do Green Place. Por um segundo me vi pulando em cima do carro de Mila, foi quando a decência respirou por meus poros e travou meu desespero.
— Bem na hora! — Mila disse positiva.
Bom, eu não sei exatamente como contar minha experiência com Mila dirigindo apressada. Pois não tenho palavras para definir precisamente o medo que senti quando ela arrancou de uma vez e saiu percorrendo a quase cem numa rodovia que tinha limite de cinquenta quilômetros por hora. Minhas mãos se agarravam em qualquer lugar que alcançassem. Eu tinha a impressão que, mesmo com o cinto, eu poderia sair voando se o carro batesse em alguma coisa ou pior: em outro veículo. Os gritos não saíam de minha garganta porque na minha cabeça a elegância deveria ser prezada. Mas então eu me questionei: que tipo de elegância aquela mulher tinha? E quem ela pensava que era? O Batman?
— Saiam da frente! — ela berrava. Comam poeira, bobões!
Quando o freio foi acionado, entendi na hora o porquê do cinto ser tão importante. Minha cara teria sido deformada no painel do carro se eu estivesse sem cinto de segurança. Mila pôs em minhas mãos dois papeis e me deu instruções que não entendi direito por ainda estar um pouco atordoada. Basicamente a ida para a escola havia sido uma encenação de Velozes e Furiosos XI. Ouvi o carro cantar pneu pela rua após o soar da voz musical de minha tutora se despedindo. Até avistar minha escola, eu só conseguia pensar em meus biscoitos esmagados.
O colégio era tão grande que lembrava um pouco o Green Place no quesito de exuberância. O jardim, por outro lado, era completamente diferente. Ao invés dos coloridos ipês e arbustos cheios, havia árvores com galhos espaçados cheios de flores brancas e rosadas. A direita encontrava-se um lago artificial com carpas virtuais. Seguido de um corredor de árvores esbranquiçadas e rosadas com alguns bancos.
Maravilhada, movi-me para frente e passei pela porta da escola. Dei de cara com uma concha gigante que recebia água de uma réplica reduzida da Torre Rosa, um monumento da capital que fora reformado há vários anos depois de ser danificado durante a guerra.
Ao redor estavam portas douradas, cada uma com sua respectiva plaquinha de indicação. Respirei fundo e andei, poucos alunos estavam nos corredores. "Quarto andar, sala 1B", li em um dos papeis. Encontrei uma longa escada ao lado de um elevador para o uso de alunos com necessidades especificas. Mais a frente estava o corredor de armários que parecia não ter fim.
Subi quatro andares de escadas e cheguei ofegante até minha sala, ao lado do laboratório de química. Não pude escolher a carteira, pois a maioria estava ocupada. Acomodei-me no fundo da sala, ao lado de uma garota com uma juba ruiva.
Um burburinho dominava a sala. Apenas baixei o olhar e saquei o celular para desliga-lo. Pensei na possibilidade assustadora dele ser confiscado por tocar na hora da aula. Mila teria que ir à diretoria para recuperá-lo. Só de imaginar já me dava um frio na espinha. Não! Não aconteceria!
— Você vai se inscrever para entrar no CLEAS esse ano?
Meu olhar desviou-se para duas garotas que estavam ocupando as carteiras posteriores à garota ruiva. A mesma também ergueu os olhos cheios de interesse pela conversa das colegas. E notando a sonoridade geral da classe, notei que a maioria das conversas era sobre o mesmo assunto do qual as meninas à frente falavam.
— Você sabe que ninguém nunca entra. Para que tentar?
— Ah, Amelie, não seja pessimista. — retrucou uma garota asiática de olhos muito pretos.
— Eu nem consegui ficar na mesma sala que eles. Quanto mais entrar pro CLEAS.
— Não desanime. — insistiu a menina. — Você sabe que a turma "A" sempre enche muito rápido.
Eu até queria saber do que elas estavam falando, mas não tinha quem me esclarecesse às coisas. Esta é a desvantagem de ser nova em uma escola. O bobo é que eu queria perguntar a menina ruiva o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo tinha vergonha de que ela pensasse que sou curiosa. Fazer o quê? A vida é cheia dessas vergonhas tolas que insistimos em ter.
A primeira professora que apareceu foi a de história. E pelo que parecia, eu era a única novata da sala, pois ela se apresentou exclusivamente para mim.
Meu nome é Daniele. Ensino história. Qual é seu nome, querida?
Lílian Maxine, senhora.
Aonde você estudava antes de se matricular aqui?
Colégio Militar de Shaper's Green.
Alguns dos alunos puxaram o ar sonoramente em sinal de surpresa. Franzi a testa, encarando em volta. Todos estavam em silêncio absoluto olhando para mim. Logo a voz da professora cortou o ar, provavelmente por estar decepcionada com a reação da turma.
— Muito bem. Seja muito bem vinda. — disse em alto e em bom tom. De leve se notava a bronca que ela lançava indiretamente para os demais. — Acho que todos vocês sabem que esse ano é focado em história nacional. E teremos, mais uma vez, a presença do nome de Morgana Mística em várias de nossas aulas.
Uma pequena parcela da classe deu suspiros de desanimação, em especial a ruiva que ainda por cima resmungou:
Seria bom que ela parasse de idolatrar tanto essa Morgana.
Qualquer um que estudasse história e tivesse um pouco de bom senso, torceria o nariz para o comentário daquela garota. Morgana Mística desobedeceu suas ordens em plena guerra para guiar um grupo de sobreviventes a um território alto e seguro, que posteriormente veio a se tornar nossa cidade. Ela é uma heroína nacional, turistas veem apenas para apreciarem suas estátuas espalhadas por toda Shaper's Green.
Quando conheci os professores das aulas seguintes, vi que Daniele era bem diferente. Mais jovem, mais entusiasmada e liberal. Os outros se apresentaram falando seus sobrenomes. Não que isso fosse problema, na verdade chamávamos os professores na minha antiga escola pelos sobrenomes. E chamar uma adulta pelo primeiro nome até me soava um pouco estranho, apesar de minha psiquiatra ter feito isso. Se não me engano era uma forma de se aproximar mais. No caso de Daniele, se apresentar à sala com seu primeiro nome é uma forma de derrubar muralhas entre aluno e professor. Parece uma estratégia interessante.
A senhora Lopes, que leciona matemática, lembrava um rígido general do exército com aquele olhar fulminante para todos os alunos. E o professor de literatura, o senhor Damasco, dava sua aula de forma tão massante que sua lerdeza chegava a ser engraçado.
Uma das coisas mais curiosas desta escola é ver como o comportamento dos alunos da Elite Acadêmica de Shaper's Green difere do comportamento dos alunos da escola militar. Na troca de professores o barulho estrondoso das conversas domina a sala. Parecia que cada um ali tinha seus amigos ou seu grupo, menos eu e a garota ruiva. Ela permanecia calada desenhando alguma coisa e eu não tinha com quem conversar, então não tive lá muita escolha. Até que senti vontade de falar com ela, mas temi atrapalhar.
Sabe aqueles antigos filmes norte-americanos que relatam um novato em geral uma garota que chega à escola e tem problemas para se adaptar? Um desses problemas é sempre se encaixar em algum grupo e sentar numa mesa durante o almoço. Bom, eu era a novata da escola e de fato os grupos de amigos se reuniam nas mesas exatamente como nos filmes, mas não necessariamente em tribos. Pessoas de diferentes estilos sentavam-se juntas sem problema algum. Isso me aliviou um pouco já que eu provavelmente não faria parte de nenhuma tribo.
Lembro-me da escola militar e de meu primeiro dia desastroso. Ainda me vejo correndo e me jogando em cima do carro de meu pai, berrando para que ele me levasse embora. Isso aconteceu quando eu ainda era uma criança, mas aconteceu, né?
Outra coisa da escola particular é que o almoço é pago. Ou isso ou você tem que trazer de casa. Embora eu não visse motivo pra trazer de casa, já que todos ali poderiam pagar e a comida não era nada nojenta. Naquele dia eu comprei espaguete e fui para uma mesinha pequena quase no fundo do refeitório.
— Oi, posso me sentar aqui?
Meus olhos se ergueram enquanto minha boca sugava um fio de macarrão. Assenti com a cabeça três vezes e a garota ruiva da minha sala sentou-se comigo.
— Você é Lílian, né?
— Sim. confirmei. E você, quem é?
Elizabeth Faber.
E entre nós o silêncio se meteu. Ouvia-se o grande barulho de vozes juntas em conversas e talheres batendo nas louças. Estava começando a ficar como na sala de aula, porém eu já havia falado com alguém, era um bom sinal, não era?
— Você é... novata também?
— Por que pergunta isso? Só porque não tenho amigos?
Sabe aquelas vezes em que uma situação inusitada acontece e você não tem ideia de como agir?
— Eu estou brincando. a ruiva riu. Seus cachos pulavam no ar como molas de cobre. E até mesmo suas sardas pareciam sorrir quando ela sorria.
— Ah, que bom. — disse aliviada.
Eu tinha uma amiga, mas ela foi expulsa ano passado por jogar uma garota pela janela.
Elizabeth não é o tipo de garota que ia querer fazer amizade comigo. Garotas muito bonitas nunca andavam comigo porque estavam sempre distantes, na companhia de outras garotas bonitas. Algo que me deixava intrigada era o fato de achar a ruiva esquisita por não ser esquisita. Pelo que vi até hoje, alunos que andam sozinhos normalmente têm algo de estranho.
— Você é tão fofa. Fica olhando para as pessoas querendo falar com elas, mas não fala. — ela riu.
Novamente não havia resposta. Elizabeth estava certa com sua observação. E a única coisa que eu poderia usar para rebater seria a justificativa para tal atitude minha, mas nem eu mesma me entendo! Ou seja, não existia nem resposta e nem um meio de me justificar.
— Sabe, Lílian, a diretora normalmente aconselha que os novatos procurem entrar em clubes. Eles são perfeitos para quem quer fazer amigos ou perder tempo.
Elizabeth Faber falava algumas sílabas com uma entonação diferente. Como se ela tivesse outro sotaque, um diferente do das pessoas de Shaper's Green. O jeito que ela se expressava contava com algumas pontadas de sarcasmo, mas parecia ser o jeito dela e não uma forma de me ofender.
Você é bem legal, sabia?
Obrigada. eu disse sorrindo.
— Mas se quiser um conselho honesto, não entre nesses clubes e pense dez vezes quando for querer a amizade de alguém. As pessoas daqui são nojentas.
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