Notas iniciais
Semana passada eu não postei nada porque eu não tive inspiração pra escrever. Então é melhor nada do que algo mal feito, mas hoje vai ser um capítulo de quase 3000 palavras ;) Lumos!

No Domingo, alguns instantes depois que Kurt havia acordado, Blaine bateu em sua porta e pediu desculpas pelo o que ele havia causado ao jardim do Hummel. O moreno disse que uma equipe de limpeza especializada em jardim veio no dia anterior para limpar o jardim do castanho, mas a casa estava vazia, então ele pediu para equipe vir somente no outro dia. Quando foi dez horas da manhã, depois da visita de Blaine, os funcionários da empresa chegaram na casa dos Hummels. Antes que Kurt pudesse servir a eles o almoço, todo o jardim estava limpo, sem poeira e com várias flores coloridas plantadas.

Kurt não sabia o que dizer. Ele definitivamente havia ficado bravo com o Anderson atoa. Como forma de agradecer e pedir desculpas, o castanho fez uma torta de maçã e levou para os vizinhos. Que por uma coincidência era a que Ian mais gostava. Blaine negou, dizendo que aquilo não foi mais que sua obrigação, mas Kurt insistiu tanto que o moreno aceitou. O castanho meio que acabou gostando de tudo aquilo. Blaine parecia diferente.

[Sexta]

Mais uma sexta feira havia chego e com ela a última aula de Ian e Gus, que por sinal eles tinham juntos. A aula foi tranquila, mas o que realmente estava chamando a atenção dos meninos era a grande notícia que o professor estava guardando para o final da aula.

— Bom, já que faltam alguns minutos para o final da aula, vou revelar logo a surpresa. Pessoal, nesse final de semana a escola fará um acampamento. – Alguns alunos, inclusive August, ficaram empolgados. – Mas já vão conscientes que isso é mais uma ajuda para as provas. Lá vocês verão como os sapos agem a noite, a rotina de alguns passarinhos e coisas desses tipos. Não é obrigatório, mas quem ficar, vai perder uma boa oportunidade e vai acabar precisando ler o livro para fazer a prova. – Concluiu o professor de Biologia.

— E quanto isso irá custar? – Perguntou uma das meninas do fundo.

— Cento e cinquenta dólares. Porque a escola irá precisar comprar as refeições de vocês e também incluirá o transporte. – Esclareceu o professor.

— Mas o que precisamos fazer? – Perguntou August.

— Na hora da saída entregarei à vocês autorizações e esclarecimentos de como tudo acontecerá. Amanhã às 6 horas eu preciso que vocês compareçam aqui na escola, que é de onde o ônibus que irá nos levar vai partir. Se não temos mais perguntas, podem guardar os materiais. – Enquanto alguns alunos terminar de guardar seus pertences, o professor distribuía as autorizações para os que saiam.

Ian acabou saindo na frente de Gus. Assim que os dois meninos estavam do lado de fora com suas respectivas folhas, August viu o vizinho jogar a folha dele no lixo do corredor. O castanho achou aquilo estranho, porque Ian nem ao menos devia ter lido aquilo.

[...]

O ônibus nem havia parado em frente à casa dos meninos e August já estava de pé, esperando para descer. Assim que fez, o castanho saltou do ônibus direto no gramado e foi correndo para a porta de entrada. Ian encarava tudo aquilo com uma das sobrancelhas levantadas.

August chegou em casa já fazendo barulho, empurrando a porta e jogando a mochila no chão.

— Mas o que-

— Papai, você precisa ler isso. – Gus cortou Kurt, que havia aparecido no corredor, e praticamente jogou o envelope de encontro ao homem. – É muito importante, então preciso que você leia agora.

Kurt pegou o envelope e foi se sentar à mesa. O castanho leu as informações atentamente sobre o olhar de August. O Hummel desejava que aquela carta nunca terminasse, porque assim que terminasse, daria uma péssima notícia para August. O problema não era o menino ir em uma aventura, Kurt não poderia pagar aquilo para o filho. Ele provavelmente nem havia notado a montanha de contas atrás dele, mas aquilo já estava tirando o sono de Kurt há dias.

— August, e-eu sinto muito, mas você não vai poder ir... – O Hummel disse assim que terminou de ler a carta. Kurt viu seu coração se quebrar lentamente, junto ao sorriso de August que foi se desmanchando. – E-eu realmente queria que você fosse, mas isso não vai ser possível...

— Por que? – Questionou o menino notavelmente chateado.

— É-é complicado. – Kurt tentava ao máximo não dizer o que realmente estava acontecendo, para não chatear o menino ou fazer com que ele se sentisse culpado. – Mas desculpa, minha resposta é não. – Kurt arrastou a autorização pela mesa e o deixou em frente ao filho. Em seguida abaixou a cabeça constrangido.

Os dois ficaram em silencio por um bom tempo. O mais velho se concentrava em ignorar os soluços do castanho, mas estava praticamente impossível. Sem contar o fato de estar sentido os olhos do menino o fuzilando.

— Se meu pai estivesse aqui, tudo seria diferente.

E foi assim que August havia feito Kurt chorar. Acabando totalmente com a certeza do castanho de estava sendo um bom pai, que havia ficado viúvo de uma vez. Se Sebastian tivesse adoecido, ele teria se preparado para aquilo, mas não foi o que aconteceu. August tinha praticamente jogado na cara do castanho que ele estava sendo um péssimo pai.

August se levantou e saiu correndo, enquanto Kurt ficou na cozinha sozinho. O menino empurrou a porta do quarto e foi direto para cama espernear. Naquele momento, ele só se concentrava em odiar Kurt e gritar. Ele queria tanto aquilo e Kurt não podia dizer “não” sem ao menos uma explicação.

Quando cansou de gritar os pulmões, August tirou do travesseiro uma foto de Sebastian. O garoto ficou encarando aquele sorriso do pai que conseguia fechar os olhos do homem de tão grande. Para ele, se o pai estivesse ali, tudo seria bem fácil. Sebastian iria dizer que aquilo iria fazer bem para ele e acabaria convencendo Kurt a deixar ele ir. Gus abraçou a foto do pai e se deitou.

Enquanto isso, Kurt já havia subido para o próprio quarto. O homem estava ao lado do guarda roupa com um enorme álbum de fotos do casamento dele e de Sebastian no colo. Ele estava mais especificamente olhando uma foto em que os dois estavam com os rostos colados e com enormes sorrisos.

— O que eu vou fazer, Seb? – Kurt passou delicadamente o dedo sobre a imagem do ex-marido. – Como eu queria que você estivesse aqui. – O homem abraçou o álbum e continuou chorando.

[...]

Quando August acordou já de era noite. Ele olhou por todo o quarto, tentando se lembrar o que havia acontecido. O castanho saiu do quarto para poder comer alguma coisa. Quando chegou no andar de baixo, estava tudo calmo e silencioso. O menino olhou no relógio e eram onze horas.

Provavelmente Kurt já havia ido dormir. August preparou um lanche para ele comer e assim que terminou, lavou o que sujou, apagou as luzes e voltou para quarto. Antes que o castanho pudesse entrar no quarto, resolveu espiar o pai. Gus, abriu lentamente a porta do quarto e colocou a cabeça dentro do cômodo. O pai dormia tranquilamente junto à alguma coisa que o garoto não conseguia identificar.

Gus resolveu ir para seu quarto antes que Kurt acordasse, ele não estava muito no clima de conversar com o pai dele. O menino colocou seu pijama, escovou os dentes e foi direto para cama. Dessa vez, colocou a foto de Sebastian onde ela sempre ficou depois da morte do pai. Assim o castanho criava uma expectativa de sonhar mais uma vez com o pai.

[...]

August acordou com um barulho insuportável de um apito. Ele por um momento pensou que fosse seu despertador, mas a figura ao lado de sua cama indicava o contrário.

— Pai? O que você está fazendo? – O menino olhou no relógio. – O que você está fazendo aqui as seis horas da manhã? – Perguntou o menino se sentando na cama.

— Se você não pode ir até o acampamento, o acampamento vai até você. – Kurt estava em uma roupa de general. O que confundiu Gus, já que aquilo deveria ser um acampamento e não um treinamento do exército. – De pé!

— Pai, eu não-

De pé! – Kurt usou sua voz mais grave e no outro segundo August já estava de pé e batendo continência. – Muito bem. O café da manhã já está servido, então desço atrás de você.

August começou a descer a escada com Kurt logo atrás. Quando chegaram na cozinha, Gus mal podia acreditar. Kurt havia feito panquecas, bacon, ovos, suco de laranja, havia separado cereal, leite e algumas frutas, tudo que de certa forma nada fosse desperdiçado. August estava estranhando tudo aquilo.

Quando August se virou para conversar com pai, o homem indicava o assento para o menino. August se sentou e esperou Kurt se sentar para poder finalmente falar.

— Papai, o que você está fazendo?

— Coma. Teremos um longo dia hoje. – Disse Kurt se servindo. Gus pegou na mão do pai e tomou a atenção dele.

— Para de bancar o general, preciso falar com o meu pai. – Kurt notou o quão sério o menino estava sendo e parou toda sua atuação, dando permissão para August falar. – O que você está fazendo? O que é tudo isso?

— Bom, como você não foi para o acampamento, tive a ideia de nós fazermos algo aqui em casa. – Disse Kurt com um sorriso. – O quintal lá fora é grande, podemos brincar o dia inteiro, montar a piscina e a noite acender uma fogueira e montar barracas. O que você me diz? – Kurt estava tentando com todas as suas forças agradar August.

— Parece perfeito para mim. – Respondeu o menino com um sorriso. – Mas agora vamos comer, porque o dia vai ser longo.

August poderia ter dado um show, mas agora recobrara o sentido e a sensatez. O garoto havia amadurecido muito cedo, mas as vezes tinha suas reações infantis. Se o pai, que tanto o amava, havia dito não, havia uma razão; e se Kurt estava fazendo tudo aquilo agora, era porque ele queria agradar o filho. Sendo assim, Gus não via motivos para estar aborrecido com o pai e não aproveitar aquele momento.

[...]

— Dá pra acreditar? Eles estão brincando há horas. – Disse Blaine da sacada do seu escritório. Que era para ser o quarto de Ian, mas o garoto se nega a dormir em outro lugar que não seja embaixo do armário da escada. – Será que esse Kurt Hummel trabalha?

Por algum um momento bateu uma curiosidade no moreno de saber mais sobre Kurt Hummel, então o moreno abriu o Google e digitou o nome do castanho. Umas informações apareceram, algumas delas foram alguns filmes independentes que Kurt havia feito, todos gays. Blaine disfarçadamente favoritou a lista, onde mais tarde iria assistir.

Quando clicou em “Vídeos” alguns vídeos apareceram, um deles era um tipo de performance escolar. O título dizia “Kurt Hummel & Mercedes Jones – 4 Minutes – McKinley H. S.”. Blaine foi até a porta do escritório e a fechou. O homem abaixou o volume do computador e clicou no vídeo.

De início, apareceu uma loira com um megafone e uma banda. Algumas animadoras de torcidas apareceram correndo com seus vestidos vermelhos. Uma voz surgiu e logo Kurt apareceu. O Hummel estava muito mais novo, mas ainda parecia o mesmo. Blaine concluiu que aquele vídeo fora do Ensino Médio do castanho.

Kurt estava cantando com uma negra, que provavelmente era Mercedes Jones. Kurt tinha uma elasticidade incrível. E a voz rouca dele de alguma forma agradava a espinha de Blaine, porque ela estava arrepiada. A câmera focou em Kurt, o castanho se levantou lentamente do chão com olhos de quem estava prestes a destruir a câmera ou quem quer que estivesse assistindo.

Nesse exato momento, alguma coisa bateu na sacada de Blaine e assustou o moreno. O homem pausou o vídeo e foi para a sacada.

— Desculpa. – Disse Kurt da cerca. – Eu posso pega-la? – Disse Kurt se referindo a bola que havia caído no jardim dos Andersons.

— Ahn, claro. Eu vou abrir a porta pra-

Antes que Blaine pudesse terminar, Kurt já estava com uma das pernas no jardim do moreno. Ele passou a segunda e logo entrou no jardim. Ao que o moreno estava vendo, Kurt ainda mantinha toda aquela elasticidade da adolescência. Ele pegou a bola e jogou para Gus.

Obrigado! – Agradeceu Kurt.

Quando Kurt estava escalando a cerca, Blaine tentou ao máximo não focar muito na bunda do castanho. Porém foi totalmente sem sucesso.

— Droga... – Disse Blaine entrando no escritório o mais rápido.

[...]

Depois que escureceu, Kurt fez August tomar banho de mangueira, insistindo que o menino precisava entrar no clima de acampamento e não usar nada elétrico. Depois que os dois tomaram banho e se trocaram, eles armaram as barracas e fizeram uma fogueira. Kurt havia colocado dois bancos em volta da fogueira e feito alguns espertos de marshmallow.

— Gostou do nosso dia? — Disse Kurt interrompendo o som dos grilos e da madeira pegando fogo.

— Uhum. – Concordou August com a boca cheia de marshmallow. – Não sabia que o senhor jogava futebol americano, futebol e beisebol.

— Tanto sei jogar, como fui o kicker no ensino médio. – Um dos marshmallows caiu da boca de Gus.

— Sem chance!

— Pergunte para o seu tio Finn. Quem salvou os Titans uma vez foi eu e ainda fiz todos os jogadores dançarem Beyoncé. – Disse Kurt orgulhoso de si mesmo.

Depois de um silencio. August resolveu tomar a palavra.

— Pai, eu queria pedir desculpas. – Começou o menino tomando a atenção de Kurt. – E-eu realmente sinto muito pelo o que eu te disse ontem. Eu estava chateado porque ir para aquele acampamento seria uma maravilha, mas mal sabia eu que ficar com o meu pai seria bem melhor. – Kurt deu um sorriso muito aberto. – Eu jamais vou preferir o meu pai à você ou vice-e-versa, eu amo os dois como iguais. Você é um pai maravilhoso e aquilo só veio na minha mente, porque caso papai estivesse aqui, ele teria feito você mudar de ideia... Mais uma vez, desculpa.

— Tudo bem. Vem aqui. – August foi de encontro aos braços de Kurt e deu um abraço forte no pai. – Você é a coisa mais preciosa que eu tenho, August. E ter uma atitute tão madura assim, me deixa muito orgulhoso do rapaz que você está se tornando. Eu te amo. – Kurt deu um beijo na cabeça do filho.

— Eu também te amo, pai. – O garoto se deixou levar pela emoção e deixou algumas lágrimas caírem. Os dois escutaram um barulho de madeira e olharam para cerca. – Ian? – Chamou August. Depois de alguns segundos o menino mostrou a cabeça por cima da cerca.

— E-eu juro que eu não estava bisbilhotando. E-eu resolvi ler um livro aqui fora e acabei me interessando pela conversa de vocês...

Kurt deu uma leve risada.

— Tudo bem, garoto. Quer se juntar a nós? – Perguntou o castanho.

— Eu não tenho certeza seu eu de-

— Não, tudo bem, pode vir. – Disse Gus. Ian ficou um pouco surpreso com aquilo. Os dois se encararam por um motivo interno e que só os dois sabiam como estava a relação dos dois.

— O-ok. – O menino abriu o portão da cerca e entrou vagarosamente no quintal dos Hummels. Ian se sentou ao lado de Gus, mas com uma leve distância.

— Ok meninos, eu vou lá dentro buscar mais marshmallows, chocolate quente e um graveto para Ian. – O homem deu leve sorriso e foi para casa com um pote.

Depois de alguns instantes em silêncio, Gus resolveu falar alguma coisa.

— Não pense que eu sou um tipo de stalker ou qualquer coisa do tipo, mas eu vi você jogando a autorização para ir no acampamento fora. Por quê? – Perguntou o Hummel.

— Pelo simples fato que ninguém naquela escola parece gostar de mim, então não havia motivo para eu ir e eu sei que iria ficar sozinho ao invés de me divertir. – Disse Ian olhando para a fogueira. August engoliu em seco aquilo. Os dois ficaram mais alguns instantes em silêncio.

— Aquela coisa entre nós já está tudo bem? Quer dizer, eu só fiz aquilo porque sua caneta de pena na aula de Inglês acabou me prejudicando. – Ian ficou surpreso com aquilo. – E achei que aquela quase-bolada, fosse marcação.

— Oh, não foi. Mas... Não era mais fácil ter apenas me perguntado se era de propósito? – August sentiu vontade de colocar a cabeça dentro da fogueira de tanta vergonha.

— Pois é... Eu sinto muito. – Disse o garoto sinceramente olhando para Ian.

— Tudo bem. Me desculpa pela caneta. – Disse Ian. August respondeu com um aceno de “está tudo bem”.

— Gostei da sua árvore... – Disse o castanho olhando para a casa da árvore de Ian.

— Ah, aquilo? Meu pai só fez aquilo para que me enturmasse mais na escola e convidasse alguém para cá, assim acabaria “esquecendo” um pouco dele para ele poder trabalhar em paz... – August encarava Ian com os olhos arregalados. – Oh, não pense que ele me disse isso, mas eu capto rápido as coisas. – Ian fez August rir.

— Do que estão rindo meninos? – Perguntou Kurt chegando à fogueira.

— Nada demais. – Disse August e com isso recebeu um “obrigado” mentalmente de Ian. O Hummel mais velho entregou a caneca com chocolate e o graveto para Ian e colocou o pote perto dos meninos. – Pai, você poderia cantar alguma coisa para nós?

— Cantar? – Kurt percebeu que não cantava desde que Sebastian havia morrido. – Posso estar com a voz meio enferrujada. – Gus estava praticamente implorando com os olhos. – Ok, tudo bem. – Kurt aqueceu um pouco a voz e começou a cantar.

Made a wrong turn
Once or twice
Dug my way out
Blood and fire

Bad decisions
That's alright
Welcome to my silly life

Mistreated
Misplaced, missunderstood
Miss know it, it's all good
It didn't slow me down

Mistaken
Always second guessing
Underestimated
Look I'm still around

Pretty pretty please
Don't you ever ever feel
Like you're less than, less than perfect

Pretty pretty please
If you ever ever feel
Like you're nothing


You're perfect to me

Notas finais
1º - Kurt não deu banho no Gus, privacidade acima de tudo. 2º - Kurt acertou na música. Acho que o Ian precisava disso. 3º - Acho que a treta entre os meninos terminou. Até semana que vem! Nox!