Notas iniciais
Olá. Sim, mais uma vez estou atualizando cedo. Quando as fics vão chegando ao final, é como se algumas coisas estranhas começassem a acontecer... O capítulo de é dedicado a todo Potterhead que acredita mágica e que sabe como é ter magia em si. E para meu amor, Giovana Santos. ♥ Boa leitura. Lumos!

Uma das melhores coisas que podemos ter em nossa vida são os sonhos. Para alguns de nós é a coisa que mais nos motiva e dá um real sentido em nossas vidas. Aquilo que nos alimenta a cada dia de nossas vidas e nos faz imaginar que mais a frente há algo para qual todo o sofrimento valha a pena.

Uma das melhores sensações que sonhar te causa, é a esperança. A ansiedade que mal cabe dentro de seu peito e te faz gritar a cada nova conquista. A adrenalina de que você está no caminho, de que sua vida está certa e do que você está fazendo é certo, porque está dando certo.

Alguns sonhos são conquistados depois de muito esforço e dedicação, outros sonhos são apenas com fé e espera, mas esses são os mais difíceis, porque não importa o quanto você se dedique, ele não depende de você.

Como sonhar é uma das melhores riquezas que o ser humano pode ter, consequentemente a morte de um sonho é uma das piores coisas. Pior ainda é quando o sonho ainda continua vivo dentro de você. Aquilo faz parte de você, aquilo é você, te define e é tudo o que você conhece, mas você não pode tê-lo. Esperar sua vida toda para alcança-lo e no momento certo, vê-lo esvanecer até escapar de seus braços.

Então, sonhe até o último momento e voe alto, se nada der certo, vai ficar tudo bem, você tentou, nada foi em vão. E lembre-se: a queda pode ter sido dura, mas o caminho é a chave.

[...]

No mês de agosto, Ian teve o melhor dia de sua vida: seu décimo primeiro aniversário. O momento no qual o menino esperou desde que fechou o livro “Harry Potter e as Relíquias da Morte” com oito anos.

Setembro seria daqui há uma semana. Hogwarts. Ian estaria indo para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O menino aguardava ansiosamente para o momento que uma coruja iria bicar sua janela com uma carta no bico, endereçado a ele com uma tinta verde e um belo brasão em vermelho. Ele sabia que iria para Hogwarts. A escola na qual Harry Potter pertenceu, era para onde ele iria, mesmo sendo americano. O Ministério da Magia ficaria sabendo do talento dele e o mandariam para Hogwarts.

O garoto só achava estranho que o fato de sua carta não ter chegado ainda. Ela deveria ter sido mandada há algum tempo, para que Blaine pudesse comprar os materiais do menino. Apesar de todo o atraso, o menino já havia alguns itens em casa: as três vestes pretas, o chapéu pontudo preto, as luvas, que eram de couro, mas não de dragão; uma capa de inverno e as roupas etiquetadas. Só faltavam os livros, que ele já sabia de cor quais eram; a varinha e sua coruja.

Todos haviam notado que o garoto estava diferente, mas achavam que era por conta do fim das férias. Mas a situação começou a ficar pior quando o dia primeiro de setembro havia chegado. O menino logo cedo já estava de pé e acordando Blaine.

– Papai, acorda! Nosso voo para Londres é daqui a umas horas. – Disse o menino enquanto mexia na perna do pai.

– O que? – Perguntou Blaine em seu sono.

– Nosso voo, para Londres, saí daqui a umas horas. Você precisa se levar. – O menino disse Blaine agora ouviu suas palavras, só não as compreendeu.

– Nós não vamos para Londres. Você tem aula hoje. – Blaine tinha a testa franzida em confusão.

– Justamente. Eu preciso pegar o trem. – O menino dizia como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

– Não, você precisar pegar um ônibus. O que te deu hoje? – Blaine tirou as cobertas de cima de seu corpo. – Ir para Londres... – Debochou o moreno.

– Você acha mesmo que eu estou brincando, senhor Anderson? – O menino tirou as duas passagens da parte traseira de seu bolso e jogou no colo do pai. – Vamos para Londres. Eu preciso estar lá para pegar o Expresso Hogwarts antes das onze da noite. – Blaine encarou as passagens sem acreditar.

– Ian, onde você conseguiu dinheiro para comprar isso? – Perguntou erguendo as duas passagens no ar.

– Venho economizando há um tempo. Tenho dinheiro para nossas passagens, para trocar por galeões, sicles e nuques, comprar meus materiais no Beco e talvez alguns feijõezinhos no Expresso. – O menino, que estava sentado na cama, se levantou e foi até o espelho no quarto do pai, imaginando-o como se estivesse em frente ao Espelho de Osejed. Era claramente possível vê-lo em uma longa roupagem da Grifinória, em cima de uma vassoura, segurando uma varinha e três taças, a das Casas, do Torneiro Tribruxo e do Campeonato de Quadribol; sem contar que ele estava mais velho, provavelmente em seu último ano. – Mas ano que vem precisarei de sua ajuda. – Disse ao se virar para o pai.

– Ian, não estamos indo para Londres hoje... – Repetiu. O homem não queria machucar o filho, mas eles de fato não estariam.

– Não seja tolo, papai. Estamos sim! – O menino se virou para o espelho. – Estou prestes a começar o melhor ano da minha vida. – Disse ele sorrindo para a imagem de um simples menino vestido em seus pijamas.

Blaine não estava feliz com aquilo, na verdade, estava muito preocupado. Ian estava prestes a ter a maior decepção de sua vida e nenhum dos dois podia imaginar.

[...]

– Ian, está pronto? – Perguntou August ao entrar na casa do vizinho. O menino já estava com sua mochila nas costas, pronto para ir a escola.

– August? – Disse o menino aparecendo no andar de cima. – Não deveria estar na escola?

– Deveria, mas passei aqui antes para irmos juntos. – August estava confuso.

– Eu não vou hoje, preciso arrumar minhas malas. – Disse o castanho como se fosse algo comum.

– Malas? Você vai se mudar? – Os olhos do menino dobraram de tamanho.

– Quase isso. É primeiro de setembro, estou indo para Hogwarts! – Disse ele animado. August ainda estava confuso. O menino não havia recebido sua carta e nela continha sua passagem para embarcar no Expresso, mas ele sabia que a coruja acabaria o encontrando.

– Então... você vem ou não? – Perguntou ele com os polegares nas alças da mochila. Ele simplesmente ignorou o que Ian disse e tentou receber uma resposta concreta e que fizesse sentido.

– Não. Ainda preciso arrumar minhas malas, mas espere um pouco. – O castanho desceu as escadas rapidamente e abraçou August, que agora estava definitivamente confuso, mas abraçou Ian de volta. – Te vejo no Natal. Sentirei saudades. Mandei corujas para você.

Os dois se separaram, August com os olhos apertados para Ian. Por um breve momento ele imaginou que aquilo tivesse relação com Harry Potter, mas provavelmente Blaine havia colocado o menino em uma escola privada chamada Hogwarts. Tinha que ser. Porque Hogwarts não existia, né? E Ian sabia disso, né?!

– Ok... Te vejo no Natal, então... – August começou a se afastar de Ian. Ele não era tão inteligente, mas não era possível que houvesse algo tão complicado para ele não entender pelo menos um pouco.

Antes de sair, o menino deu mais uma olhada no vizinho, que já estava no andar de cima, correndo para o quarto. Ele sabia que alguma coisa não estava certa.

[...]

Quando voltou da escola naquele dia, o castanho descobriu que Ian e Blaine haviam viajado para Londres. O garoto ficou muito triste, pois não imaginava que a escola privada do amigo era em Londres e só o veria no Natal. Pensou que poderia ter se despedido de uma maneira melhor dele.

Mas o menino acordou de madrugada, por volta das cinco da manhã, quando o carro de Blaine parou em frente a garagem. Ele não conseguiu ouvir muita coisa, apenas a porta do carro fazendo um estrondo gigante, assim como a porta de entrada. Em seguida, uma porta se batendo e depois, um grito excruciante de Ian.

Ele tinha razão, algo não estava certo, mas ele não poderia descobrir agora, pois no dia seguinte seria seu segundo dia de aula e ele teria que acordar cedo, mas esperaria falar com Ian amanhã enquanto fossem esperar o ônibus da escola.

O menino só pedia com todas as forças que tudo estivesse bem com seu vizinho.

[...]

Quando August desceu do ônibus escolar no dia seguinte, por algum motivo, sentiu uma sensação estranha, maior do que a que teve o dia inteiro. Ele nem ao menos prestou atenção das aulas, por ainda estar pensando no grito de Ian. Ian no qual, não havia aparecido mais cedo para esperar o ônibus escolar. Eram muitas perguntas para sua cabeça.

Assim que o ônibus saiu da frente de sua casa, ele começou a atravessar o jardim em direção a sua casa, até ouvir um barulho vindo da casa ao lado, algo que parecia alguma coisa encontrando o chão.

August ouviu o mesmo barulho se repetir e depois um grito de Blaine. O menino foi correndo até a casa dos Anderson, quando entrou pela porta, encontrou Ian no topo da escada, jogando todos os seus livros no andar de baixo. O menino ficou entre Blaine e o pai, que também estava lá. Os dois observavam a cena. Kurt espantado e Blaine em um choro de total desespero.

– O que está acontecendo? O que deu nele? – Perguntou o castanho. Ele estava horrorizado, nunca virá Ian daquela forma. O menino parecia totalmente perturbado.

– Eu odeio todos vocês! – Gritava o menino para os livros que lançava no térreo.

– Ele achava que iria para Hogwarts, por isso agiu tão estranho o dia inteiro. – O pai do menino o olhou novamente, quando voltou com uma nova remeça de livros. – Aparentemente, quando as crianças completam onze anos, eles vãos para a tal escola de magia. Ian tinha certeza que ontem estava indo, mas aparamente não foi exatamente isso que aconteceu. Ele me fez ir com ele ontem à Londres. Quando chegamos na estação que ele queria, ele começou a bater com carrinho de encontro a uma parede. As pessoas começaram a rir dele.

Flashback

– Não está funcionando. – Resmungava o menino enquanto empurrava o carrinho contra a parede.

– Ian, as pessoas estão olhando. Se você puder me explicar o que está fazendo, eu posso lhe ajudar. – Blaine sussurrou perto do menino.

– Eu só preciso passar por esse arco de pedra. Quando atravessá-lo, estarei na estação para pegar o Expresso Hogwarts. Venha, me ajude a empurrar. – O menino pediu ajuda e Blaine se moveu atrás dele. Ele tinha que fazer aquilo, ele precisava apoiar o garoto.

Os dois correram de encontro a parede e novamente se chocaram contra ela. Ian ficou nervoso. Era muito cedo para aquela passagem estar bloqueada. O menino se afastou, chegando até a plataforma 10, então correu rapidamente até a parede, fechando os olhos e esperando abri-los só do outro lado, mas sentiu o choque do carrinho. O menino caiu sentando no chão.

Blaine correu para ajuda-lo. Ian não entendia o que estava acontecendo.

– Querido, me responda uma coisa. Isso tem a ver com Harry Potter? – Perguntou Blaine temendo com a resposta.

– É claro que tem, papai. Eu já tenho onze, já posso ir para Hogwarts. Mas eu não entendo porque não estou conseguindo entrar... – Blaine abaixou o olhar. Ele sempre implicou com aquilo, mas não achou que a fé do filho ia tão longe.

– É porque Hogwarts não existe, meu menino. – Blaine disse e tirou uma mecha de frente dos olhos do menino. – Toda a história de Harry Potter é ficção. Não existe...

– N-não é verdade. – Ninguém jamais havia falado daquela forma com o castanho. É claro que Harry Potter existia. Era um mundo secreto e só quem era bruxo sabia, só os escolhidos sabiam, por isso os Trouxas achavam que era uma invenção, mas não era. Harry Potter foi um herói da magia. Blaine respirou fundo, ele teria que fazer aquilo do modo difícil.

– Querido, você acha mesmo que se existisse uma Hogwarts e um mundo da magia, todos os não-bruxos não iriam querer virar bruxos? Ou que iriam obrigar a J.K. a mostrar esse mundo para fazerem estudos ou até usar magia em guerra?

– Existem feitiços para esquecimento. Irei aprender nesse primeiro ano. – Disse o menino. Ele se levantou e pegou o carrinho. Ele teria que tentar de novo.

– Ian, magia não existe. Hogwarts não existe. Harry Potter não existe. – Ian o olhou horrorizado. – Olhe envolta, as pessoas estão rindo. Elas sabem que o que você está fazendo e que isso não vai dar certo.

Ian olhou em volta. Todos estavam o encarando. Alguns com piedade e outros como se ele fosse um bicho exótico sendo exposto. Ele mudou seu olhar para a parede sólida a sua frente. Não podia ser. Não poderia ser mentira. Ele sabia das artimanhas que os bruxos faziam para se manter escondidos. Ele era um bruxo. Ou não? Seria por isso que ele não havia recebido a carta? Seria por isso que ele não estava conseguindo entrar pela parede? Seria por isso que até o momento ele não teria conseguido fazer alguma magia involuntária?

O menino sentiu uma forte falta de ar e dor no estomago, além de um terrível enjoou e uma enorme dor de cabeça, que estava o cegando. Era tudo mentira. Mas mesmo que Hogwarts existisse, Ian não foi capaz de entrar. Ian não tinha o sangue bruxo. Ele não era bom o suficiente. Ele não era um bruxo.

Nesse momento, o menino soltou um enorme grito pela estação, recebendo a atenção de todos. Blaine só apertou os olhos e foi aparar o filho em seus braços. Ele havia compreendido.

Flashback

O pai tinha um olhar de dor sobre o filho. Um menino tão doce não merecia isso.

– Blaine... – Kurt não sabia o que dizer. Ele olhou para o menino em no topo da escada.

– Então, foi que ele começou a ter esse ataque. Ele gritou tanto, que precisaram chamar a polícia. Sem contar que os gritos o fizeram entrar em um colapso, o que resultou em um desmaio. Tive que sedá-lo no avião e quando chegamos ontem de madrugada. Eu só não posso mais ficar dando remédios a ele, então deixei ele ter essa crise e extravasar para ver se melhora. – Blaine o olhou mais uma vez. – Mas algo me diz que as coisas só tendem a piorar...

O olhar de August se voltou para Ian. O menino lançava os livros com toda sua força. A raiva estampada em seu rosto e a tristeza em suas lágrimas. Era terrível observar aquilo, August precisou esconder o rosto atrás das costas do pai. Aquele não era o Ian. Aquele não era seu melhor amigo.

Quando lançou um último livro vermelho, o menino deixou seu corpo se debruçar sobre a mureta do limite da escada. Da cintura para cima, estava pendurada no batente. Por ser pequeno, se o menino ficasse na ponta dos pés, acabaria caindo do primeiro andar.

Ian! – Gritou Blaine desesperado quando viu o filho com o corpo praticamente desfalecido a ponto de cair. Blaine correu para subir as escadas. Quando chegou perto do filho, o sentou no chão. – Por favor, se acalme, seu pai está te pedindo. – Disse Blaine analisando o rosto do filho, que era preenchido por uma careta de dor, de decepção. O coração de Blaine se esmagava com aquela imagem.

Me solta! Não chega perto de mim! – Ele gritou assim que se libertou dos braços do pai. – Não me diga o que fazer, não me diga como eu devo ser. Eu confiei em um livro idiota que só me fez perceber que as pessoas têm razão sobre mim: eu só sou mais um maluco no mundo. Um esquisito! Uma aberração! – Ian saiu do chão e correu para o quarto, trancando a porta atrás de si. Ele escorregou até cair sentando no chão, abraçando suas pernas.

– Ian, por favor! – Blaine socava a porta. – Você não é nada disso. Você é a criança mais especial desse mundo. Você é o melhor filho que um pai poderia querer. – Aquilo não estava ajudando. – Eu sinto muito se você não foi para onde desejava, talvez eles sejam burros ao ponto de te deixarem fora.

Ian abriu a porta bruscamente, fazendo o pai quase cair dentro do quarto.

– Acorda! Agora eu entendi porque você queria que eu esquecesse essas coisas. Porque elas simplesmente não existem. Eu acreditei em um livro, em uma ficção. Nada daquilo é real. O que eu venho acreditando desde que eu me conheço como gente não é real. Nada. É como se eu não existisse ou não me reconhecesse. – Ian fungou. – Passei a minha vida toda me enganando, mas isso não vai mais acontecer! – O menino bateu a porta.

– Ian! – Blaine socou a porta. Lágrimas pesadas rolavam pelos seus olhos. Ver o próprio filho tão novo com tamanha dor e não poder ajudar estava matando Blaine lentamente. – Pelo o amor de Deus. Eu te imploro, meu filho. Deixe-me te ajudar. – Kurt e August precisaram tampar os ouvidos, pois os gritos desesperados de Blaine eram torturantes. O homem tinha o rosto colado na porta. Ele só precisava abraçar o menino dele. O doce Ian. O menino que ele amava com todo seu coração. O pequeno garotinho que ele sempre sonhou ouvir lhe chamando de “pai”. Dentro do quarto do menino, Blaine escutou algum tipo de vidro sendo quebrado. – Ian! – Ele começou a chutar e socar a porta com toda sua força. Estava trancada. Ele empurrou mais algumas vezes com os ombros, mas não estava adiantando. O homem tomou distância e fez a porta em duas com um chute. Nesse momento, Kurt e August estavam subindo as escadas. Quando entrou no quarto, suas pernas ficaram fracas, pois o lugar estava vazio e a janela do quarto aberta. O homem se rastejou até o parapeito da janela, para encontrar o jardim vazio. – Ele fugiu. – Disse se virando para Kurt e August. – E-eu vou procura-lo, ele não pode ter ido longe.

– Eu vou com você. – O castanho saiu atrás de Blaine.

Assim que saíram, August foi até a janela do quarto do menino. De lá, ele conseguiu ver Ian terminando de subir a escada da casa da árvore. O menino deitou logo na entrada. O Hummel conseguia ver seu corpo subindo e descendo por conta dos soluços que ele dava em entre seu choro.

Ele não poderia saber como era aquela sensação e não sabia porquê não estava encarando aquilo como besteira, mas sabia que não era. Ian era inteligente demais para chorar por alguma coisa tola. Descobrir a verdade realmente havia o derrubado. Aquilo que ele acreditou nunca foi em vão para ele e ninguém conseguiria entender.

Ian estava tendo a maior decepção de sua vida. Ele sempre fora cercado e protegido para não ter nenhum problema em sua vida, mas quando a primeira decepção o atingiu, foi forte demais, porque era a coisa que ele mais acreditava se tornando a maior mentira de todos os tempos. Ele precisou ver com os próprios olhos para saber que a história que ele mais preservava, está apenas nos livros.

A magia estava sumindo do pobre coração de Ian e August sabia que nem ele e ninguém poderia ajuda-lo naquele momento. Ian só precisava de tempo, solidão e chorar. A verdade havia o atingido, e como sempre, ela estava nua e crua.

[...]

Já era dez de setembro e Ian ainda estava na mesma situação. O garoto só ficava dentro do quarto, chorando o dia inteiro, sem comer e sem sair para nada. Blaine estava ficando tão preocupado que passava algumas noites do lado de fora do quarto do menino, com medo que tentasse fugir ou fazer algo pior.

Na escola as outras crianças perguntavam sobre o Anderson para August, mas ele continuava a dizer que o menino estava doente. Nem mesmo Kurt estava conseguindo ajudar Ian. O castanho oferecia alguma música para ele, mas o menino negava e dizia que queria ficar sozinho pelo resto da noite.

August se sentia sozinho como nunca antes. Ele tinha outros amigos, mas nenhum deles era Ian. O garoto nunca poderia imaginar quanto um conjunto de livros e uma história de um bruxo poderia significar tanto para o vizinho. Poderia ser fútil, mas realmente não era. Harry Potter significou algo para o pequeno Anderson e o que lhe foi tirado jamais seria retomado.

Ele havia tentando de várias maneiras convence-lo a sair da cama, mas nada funcionava, nem mesmo quando o chamou para bater em Peyton. Ele precisava fazer alguma coisa que animasse o vizinho e teria que ser a coisa certa, se não tudo poderia ficar pior. Ele ouvira seu pai falando sobre “depressão profunda” com Blaine e a última vez que ele ouvira sobre aquilo, foi quando, há quase dois anos atrás, ele descobriu que seu pai morrera.

Depois de muito pensar, ele só conseguiu ter uma única ideia boa, que talvez desse certo, mas era provavelmente a coisa mais difícil que ele teria de fazer. O menino não pensou muito, ele apenas fez; Ian precisava dele.

[...]

Depois de dez dias que August colocou seu plano em prática, foi mostrar o sucesso para Ian. Todos estavam confiando e acreditavam em August. Todas as fichas estavam apostadas no garoto.

– Ian? – Perguntou August ao colocar a cabeça para dentro do quarto do vizinho. Ninguém respondeu, mas ele foi capaz de ver o menino deitado em sua cama. Ele reparou que o corpo parecia estar tremendo, pois na verdade ele estava chorando. – Ei, Harry, não chore.

– Não em chama assim! – Esbravejou o menino. – Eu não sou Harry Potter, não existe Harry Potter, é tudo uma mentira inventada por uma maluca. – Provavelmente era milésima vez que o menino repetia aquilo, mas soava tão errado como desde a primeira vez.

– Desculpa, eu não sabia que ia te chatear. – O menino colocou a caixa que carregava em cima da cômoda preta e começou a subir as escadas do móvel do menino. – Te trouxe algumas coisas.

– Não quero doce, August. Só quero que você vá embora e me deixe em paz. E por favor, diga ao meu pai que ele pare de tentar. Eu não nunca mais vou sair desse quarto. – A última parte saiu praticamente em um sussurro.

– Não são doces. São presentes. De uma amiga sua. – Disse o menino esperando que Ian o olhasse.

– Eu não quero presentes. Eu quero ficar sozinho, será que você não entende? – Agora o castanho estava sentando e encarando August. Seus olhos estavam inchados, o rosto avermelhado, os cabelos em uma total rebeldia e o nariz precisando de uma boa ajuda. Ele estava uma bagunça.

– Nem mesmo vindo da–

– Não, August! Não quero presente. Eu só quero uma vida que não seja uma mentira. Eu só quero poder acreditar em alguma coisa que não seja uma completa farsa. Eu quero algo nesse mundo que me faça acreditar que ter um pai distante, outro pai que só conheço o nome, uma mãe desconhecida, ter só um amigo e ser o motivo de piada da escola é porque eu sou especial, mas aparamente isso não é verdade, porque eu não sou um bruxo de verdade. Eu não sou nada. – O menino encarou o colchão. – Eu sou só mais um perdedor vindo da Flórida que acreditou na mais antiga e fácil armadilha: a ficção. – O menino retornou seu olhar para o Hummel. – Agora se você puder sumir daqui, por favor, faça isso agora mesmo. – O menino se deitou e se cobriu até a cabeça.

– J.K. Rowling? – Concluiu August. Um longo silencio tomou o quarto. O menino observou lentamente a figura por debaixo do colchão ser revelada, mostrando um rosto em completa confusão. – Mas tudo bem, vou aproveitar os presentes enquanto você fica aí.

– O que é que você disse? – Perguntou ele. Olhando para August, que já havia descido a escada.

– “Enquanto você fica aí” – Respondeu o menino, pegando a caixa preta.

– Antes disso. – Ian se levantou da cama.

– “Nem mesmo vindo da” – August abriu a porta do quarto.

– Depois disso! – Ian caminhou a escada e começou a desce-la. Quando pisou o tapete, August lhe mandou um sorriso. Estava dando certo.

– “J.K. Rowling” – Respondeu o castanho. A boca de Ian se abriu e fechou diversas vezes enquanto seu cérebro ainda processava a informação.

– Você está me dizendo que a J.K. Rowling me mandou um presente? Você só pode estar ficando louco! Quem te deu direito de ficar brincando comigo desse- – Ian se calou quando viu August erguendo a caixa preta em seus braços.

– Ela mandou presentes e uma carta. – Disse ele tirando a carta do bolso traseiro de seu jeans, depois erguendo-a.

– Como...

– Mandei um e-mail para ela e expliquei toda sua situação deplorável. – Ian o encarou com as pálpebras cobrindo metade dos olhos. – Tive essa ideia depois de assistir aquele filme sem graça com a menina que tem câncer. Acho que era “A Culpa é dos Astros” ou algo assi-

– August! Cala a boca. – Ian estava ficando cada vez mais confuso. – Você está me dizendo que a pessoa que eu mais admiro no mundo me mandou uma carta?

– Achei que fosse o Harry Potter a pessoa que você mais admira. – August deu os ombros e Ian rolou os olhos. – Na verdade ela me mandou uma carta, para você foi uns recadinhos bobos e uns presentes, mas o e-mail que ela respondeu foi o meu. – Se gabou o menino.

– Para de ser um completo imbecil e lê logo essa maldita carta. – Ian avançou alguns passos em direção ao menino.

– Se acalma, aí bruxão. – August ergueu o braço, indicando para ele não dar mais um passo. – Não sei se devo, você fez pouco caso quando cheguei. – Ele precisava agir normalmente, mas estava morrendo de medo do amigo começar a chorar ou algo do gênero.

August! – Provavelmente a vizinhança inteira havia escutado o grito do menino.

– Escandaloso. Tudo bem, vou ler essa carta. – O menino colocou a caixa de volta ao lugar, pegou a carta e a abriu, lendo-a em voz alta: – “Querido, Ian. Soube de sua história através do senhor Hummel. Lamento muito pelo o que aconteceu, mas preciso confessar que fiquei extremamente contente em saber dos eventos.

“Saber que pessoas como você que acreditam fielmente em um trabalho tão precioso quanto meus livros, me deixa cada vez mais realizada, feliz e inspirada como autora. Harry Potter foi uma realização de uma vida e um sonho conquistado há alguns anos. Ler histórias de jovens assim como você todos os dias, sobre como a história mudou suas vidas, só me dá a sensação mais extraordinária do mundo. Sei que meu objetivo foi alcançado.

“Poderia te dizer que você que não frequentou Hogwarts, que não foi para uma das casas e que não aprendeu todos os feitiços, mas isso seria a maior mentira. Você fez todas essas coisas, você viu essas coisas, você aprendeu essas coisas e a melhor parte, é que você fez tudo isso do lado dos três mais incríveis bruxos que tiveram a honra de usar uma varinha. Você é o quarto elemento. Ao momento que você leu aquelas palavras e acompanhou toda a jornada, você fez parte disso. Você é um bruxo. Você pertence a esse mundo. Afinal, você estava atrás de Harry por todos os momentos que ele passou e o seguiu com os melhores detalhes, se ele é um bruxo poderoso, você não é menos que isso.

“Queria me desculpar por não haver uma real Hogwarts, mas precisava fazer algo por você. Espero que goste do que lhe enviei e que agora você se sinta parte de tudo isso.

“E espero que se lembre de algo muito importante: tudo continuará mágico, enquanto estiver dentro de você.

“Com amor e carinho. J. K. Rowling.”

Quando August terminou, Ian sentia uma forte sensação no peito, mas no momento não conseguia decifrar. Pelos seus olhos, lágrimas escorriam, seu peito subia e descia de uma forma frenética e sua respiração estava desregular, como se ele fosse desabar a qualquer momento.

– August... – Foi a única coisa que ele conseguiu dizer depois de um longo tempo.

– Ela lhe enviou isso. – O outro castanho lhe passou a grande caixa preta. Em cima dela havia o nome de Ian em prateado.

O menino pegou com as mãos tremulas e abriu desajeitadamente. Havia algumas coisas dentro dela. A primeira coisa que ele viu, foi uma caixa retangular, que ele reconhecia dos filmes. Ele olhou para August, que o encorajou.

Quando tomou coragem para abrir, encontrou uma varinha, mas uma da qual nunca tinha visto, nem mesmo nas coleções que procurava na internet. Dentro, havia um novo bilhete. Ele começou a ler.

– “Pelo de unicórnio, pena de Fênix, 30 centímetros, Carvalho, fina. Parabéns, senhor Anderson, conseguiu algo muito raro. Seja cauteloso quando usa-la, pois seu poder é imprescindível” – Leu o garoto mal acreditando naquilo. – E-eu ganhei uma varinha. E-eu tenho uma v-varinha especialmente para mim. – O menino observou o objeto com cuidado. Ele realmente havia ganho uma varinha.

– Veja as outras coisas. – Falou August, esperando pelas outras coisas na caixa.

– Tudo bem. – O menino olhou os outros objetos. Lá, ele encontrou um uniforme completo da Grifinória e um novo recado. – “Chapéu Seletor avisou que seu poder e seu coração são tão preciosos, que não precisaria estar na sua cabeça para saber que o lugar a qual pertence é Grifinória. Seja bravo e corajoso. Seja um grifinório” – Ao final da leitura o menino já estava chorando. Ele não podia acreditar naquilo.

– O que são essas coisas? – Perguntou August olhando para dentro da caixa. August olhou e viu algo que mal poderia acreditar. Era a Taça das Casas, uma Taça do Campeonato de Quadribol e uma Taça do Torneio Tribruxo.

– Meu Deus! – O menino ficou de joelhos no chão, com as mãos no rosto e derramando lágrimas. Aquilo estava sendo bom demais para ele acreditar. Ele só esperava que não fosse um sonho ou uma ilusão.

– Isso é tão legal, olha. – August se referia a Taça do Torneio Tribruxo. – Ela fica azul. – Brincou ele. – Ei, para de chorar. Vamos ver como fica essas coisas em você. Enquanto você veste essa roupa de bruxão, eu vou ao banheiro. – O menino se levantou e foi em direção ao banheiro.

– Para de me chamar assim. – O outro não conseguiu ouvir. Ian sorriu e rolou os olhos.

Ian em poucos minutos se vestiu e mal conseguia encarar seu reflexo no espelho. Ele finalmente se sentia completo. Um verdadeiro bruxo. Parecia que aquelas duas semanas haviam sido apenas um pesado e que hoje ele estaria indo para Hogwarts. O menino logo em seguida voltou a caixa e encontrou o último presente. Era uma carta. Um envelope. Com todos seus dados em uma tinta verde e com um brasão vermelho. Ian sentia o coração pular como louco dentro de seu peito. Ele não precisaria abrir para saber o que era.

– Ei, bruxão. Acho que isso é um item importante para um bruxo, não? – Ian se mudou para August, que segurava uma vassoura.

– O-o que é isso? Da onde você tirou isso? – Em questão de segundos os olhos de Ian estavam saltando de seu rosto.

– Ela veio voando. O que você acha? J.K. mandou, mas pediu que eu entregasse por último. – August começou a se aproximar. – Vai, pega, quero ver você saindo voando e quebrando o nariz.

O Anderson pegou a leu perto do punho: “Nimbus Z”. O menino a observou por mais um momento, até encontrar outro bilhete nas cerdas. Nele era possível de se ler: “Com os restos da Varinha das Varinhas, foi feita uma nova vassoura, assim a decisão de Harry sobre ninguém possuir tanto poder continuaria sendo mantida. Mas ele não disse nada sobre alguém ter a vassoura mais veloz de todos os tempos, disse? Espero que goste. Voe longe e alcance o imaginável”. Era o que dizia o bilhete com a assinatura de J.K.

Ian correu e abraçou August com toda a sua força. Lágrimas de felicidade molhavam os ombros do Hummel, que tinha um sorriso enorme no rosto.

– Obrigado. – Ian agora olhava em seus olhos. – Obrigado por me tornar a pessoa mais feliz desse mundo. Se não fosse por você, eu provavelmente estaria chorando e entrando em uma depressão realmente séria. – O menino não estava brincando. – Você fez a melhor coisa que alguém poderia fazer por mim, você se mostrou ser meu amigo. Você ficou do meu lado no momento que eu mais precisei e eu jamais irei esquecer disso. Tive a prova que eu realmente tenho algum valor, mesmo que isso seja simbólico, ela sabe quem eu sou. Meu sonho não se tornou realidade, mas fui mais além do que pensei nessas semanas. Eu fico te devendo essa e outras milhões. Para qualquer coisa, qualquer coisa, que você precisar, eu estaria aqui, pronto para te ajudar no que der e vier, mesmo que isso nos coloque na maior enrascada das nossas vidas, pois pelo menos estaria do seu lado e sei que enquanto essa união existir, eu terei alguém para confiar o meu segredo mais profundo e meu maior sonho. Eu te amo, irmãozinho – Ian retornou a abraçar o vizinho.

– Eu também te amo, irmãozinho. – O menino correspondia o abraço, com lágrimas nos olhos e um sorriso no rosto. – Agora experimente esse troço, para depois nos levar a algum lugar que preste.

Ian foi para espelho. Ele estava com a vassoura, que era segurada pela mão esquerda, as três taças em seu braço direito e a varinha em usa mão direita. Ian estava vendo a verdadeira imagem do Espelho de Osejed. Ele era o maior bruxo da história.

Notas finais
Ficou corrido? Queria ter adicionado mais drama ao ataque do Ian, mas acho que já fiquei redundante mesmo assim. Espero que tenha gostado. Dificilmente haverá capítulos tristes depois desse. Até semana que vem. Nox!