Notas iniciais
Demorei? Sim, mas como dizem: "Se eu não dormi ainda, não é outro dia." Não tenho culpa se vocês dormiram e eu não u_u Anúncio: "Açúcar?" se tornou minha fic com mais visitas (outra conquista é que se tornou a fanfic com mais reviews, mas isso faz um tempo.) Obrigado, formigas do Jimmy ♥ Recuperados da semana passada? Espero que sim. Hoje em uma emoçãozinha, mas tá muito amorzinho. Boa leitura. Lumos!

Mesmo algumas semanas após a morte de Burt, Kurt continuava profundamente abalado e sensível com toda a situação.

O enterro do pai havia sido dois dias depois de sua morte, toda a família foi para Ohio, onde enterraram o corpo junto ao de Elizabeth. Blaine e Ian, haviam acompanhado todo o funeral junto a família do castanho.

Por toda primeira semana, Kurt chorava sem esconder de ninguém, mas na semana seguinte, August dizia para Blaine que o castanho chorava em algumas madrugadas. Com isso, Blaine passava todos os dias com Kurt, para ter certeza que ele estava bem, tinha a mente ocupada e já estava se sentindo melhor.

[...]

Em uma sexta a tarde, depois de buscar os meninos na escola, Blaine entrou no quarto de Kurt em silêncio, como sempre fazia.

– Com licença. Kurt? – Perguntou o moreno num tom de voz baixo. Ele entrou em silêncio e encontrou Kurt chorando baixinho em sua cama. – Oh, Kurt. – Como Blaine já era praticamente de casa e fazia isso quase todos os dias; tirou os sapatos, entrou debaixo das cobertas e puxou Kurt para perto de seu peito. – Vai ficar tudo bem. Eu prometo. – Assegurava ele em um tom sereno.

O Hummel chorou por alguns minutos, até que as lágrimas se cessaram. Limpou os rastros das lágrimas com a manga da blusa e segurou uma das mãos de Blaine.

– Desculpa fazer você passar por essa tortura diária. – Disse ele olhando nos olhos castanhos do vizinho. – Eu só... Senti saudades de quando eu tinha a idade de Gus e Ian e ele sempre estava lá para mim.

– Não tem problema. Eu estou aqui porque quero e porque me foi pedido. Agora eu estarei aqui para você. – O moreno começou a fazer um cafuné lentamente no couro cabeludo de Kurt.

Um silêncio se instalou por alguns minutos, enquanto Kurt pensava em como tiraria uma pouco seu pai de sua mente. Sentido os dedos de Blaine em sua cabeça, Kurt se lembrou de uma coisa.

– Blaine, eu sei que pode parecer estranho, mas é a única coisa que está vindo a minha cabeça para me distrair.

– Vá em frente. – Apoiou Blaine.

– Como foram seus outros relacionamentos? – Blaine deixou que seu queixo caísse e uma cara de confusão aparecesse. – Q-quero dizer, com seus outros namorados e seu ex-marido. Scott, certo? – Kurt se ajeitou na cama e ficou com o olhar na mesma altura dos de Blaine. – Mas se você se importar, não precisa...

– Não há problema algum e se isso for te ajudar de alguma forma, não há problema mesmo. – Sorriu o moreno. – Bom, durante toda minha vida, tive cinco namorados, incluindo Scott. O primeiro foi em época de escola, seu nome era Jeremiah. Nós nos dávamos muito bem, mas ele era mais velho e depois de formado foi para outro estado, resultando no término. – Blaine fez uma pausa. Provavelmente tentando se recordar do segundo. – Depois veio Sean. Ele era um idiota, mas que só fui descobrir no final do relacionamento. Ele era do tipo que só queria um bobinho para tirar a virgindade e depois descartar.

– Então foi com que ele que você...

– Não. Bom, quase. Nós estávamos há quase um ano juntos e estávamos avançando essa parte, mas na hora ele começou a dizer que tínhamos que fazer logo e eu não queria que fosse desse jeito. – Blaine passava o polegar sobre a mão esquerda de Kurt. – Então veio Eli. Eli era bem mais velho que eu, na época eu tinha dezenove e ele trinta. Era uma relação esquisita, o que causou o termino. Depois veio Jonathan, namoro de faculdade.

– Não precisa dizer mais nada. – Disse Kurt dando um pequeno riso. – Depois Scott, certo?

– Sim. Scott. – Blaine suspirou. – Scott no começo era como um daqueles príncipes em que nós esperamos conhecer. Ele era carinhoso, atencioso, presente e muito mais... Mas isso durou até Ian nascer. Nós tínhamos certeza de que queríamos nos casar, tínhamos certeza de que era a hora certa de ter um bebê, mas ele não aguentou a pressão de ser pai. Ele se irritava quando Ian chorava nas madrugadas, quando precisava trocar o menino ou alimenta-lo. – Kurt conseguia ver a tristeza nos olhos do moreno. – Então, eu sempre fazia tudo e acabava que não tínhamos tempo para ficarmos juntos, acho que ele acabou se irritando e começou a me trair. É isso. Montei uma vida com um babaca mesquinho. – Disse ele dando os ombros.

– Sinto muito. – Sussurrou Kurt. Ele colocou a mão no queixo de Blaine e levantou, para que o moreno o encarasse. O advogado estava com os olhos brilhando por conta das lágrimas. Kurt se aproximou e beijou a bochecha do vizinho. – Minha vez.

– Kurt, você não-

– Não, eu quero contar. Tudo bem para você? – Perguntou Kurt.

– Se você quiser contar e se for se sentir bem com isso, sou todo ouvidos. – Respondeu ele com um sorriso largo.

– Ok, vamos lá.

[...]

– Eu odeio a senhora Williams. – August deixou sua testa cair sobre o caderno.

– Você odeia todos os professores, Gus. – Ian focava na lição de casa que a professora havia passado. – É fácil, é só você prestar atenção, tudo isso ela explicou na sala hoje.

– E quem disse que eu prestei atenção no que ela disse hoje? – Falou o garoto.

– Não só hoje, sempre, né August?! Depois fica se perguntando porque vai mal nas provas e só tira F. – Ian fechou o caderno, depois de terminar todas as lições. – Ok, já que você não vai fazer a lição de casa novamente, o que vamos fazer agora? – Perguntou o menino enquanto guardava suas coisas em sua mochila.

– Que tal dormimos?

– Você ainda encontra sono depois de passar as aulas de Inglês e Artes dormindo? – Ian se indignava com o vizinho.

– Sempre há espaço para dormir e comer, Ian. Que tipo de pré-adolescente é você que não entende essas coisas? – August saiu do chão e se deitou na cama. Um silêncio se instalou no quarto. – Ian? – August abriu os olhos e procurou o amigo. Ian estava olhando a cômoda do menino, onde haviam algumas câmeras de Sebastian, bolas de beisebol e porta-retratos.

– Essa foto é nova. – Disse o Anderson olhando para uma mulher de cabelos castanho, Sebastian e uma criança. – Quem são esses? Além do seu pai. – August saiu da cama e se aproximou do amigo.

– Eu e tia Rose. – Disse sem tirar os olhos da foto. – Vulgo, minha mãe.

– Você nunca fala sobre ela, tirando no Natal; ou sobre seu pai. – Ian colocou o porta-retrato no lugar e olhou para o amigo. – Queria saber um pouco mais sobre você. Sei lá, acho que isso poderia ser uma conexão a mais que teríamos, como uma troca de segredos. – Explicou o garoto. August ficou pensando. – Mas se você não quiser...

– Não, tudo bem. Acho que vai ser legal eu falar sobre isso. – August voltou para cama e sentou, segurando uma almofada vermelha. Ian se sentou na outra ponta da cama. – Coloquei essa foto porque gosto dela. Gosto da tia Rose e sinto saudades dela. Tio Barry já veio aqui, mas ela ainda não. As vezes parece que ela tem medo de mim, não sei... Ela não se casou e não tem filhos, acho que ela não gosta de se aproximar por medo de acabar se apegando, sabe? Eu realmente não sei o que pensar. – Os dedos dele brincavam com a ponta da almofada.

– Talvez ela pense que passando mais tempo com você, ela vai acabando criando a ideia de que quer ser sua mãe; e você sabe quão machucado Kurt ficaria se isso acontecesse. – Disse Ian. – Ou talvez você lembre demais seu pai.

– Não sei não, ela já era assim antes do meu pai morrer. Nunca pensei na possibilidade de ela ter medo de ser uma intrusa... Mas já que tocamos nesse assunto, vamos deixar minha tia de lado e vamos falar sobre meu pai. – Disse o menino com um sorriso no rosto. – Eu amava meu pai. Meu pai era demais, ele sempre fez de tudo para me agradar e me fazer sentir seguro. Ele me trazia doces sempre que podia quando voltava do trabalho, me trazia presentes quando viajava a trabalho, me levava a alguns jogos de beisebol. – August suspirou. – Meu pai era melhor. Sinto falta de quando ele, papai e eu íamos para a praia e ele me levava na bicicleta e eu sentia aquela brisa no rosto, de quando nós bagunçávamos as pilhas de folhas secas do outono que o papai juntava e de quando eu dormia no colo dele, enquanto nós bebíamos chocolate quente e o papai contava histórias. Mas fora isso, sinto falta dos olhos dele, do sorriso dele, do cheiro dele, do abraço apertado dele e da voz dele me desejando boa noite ou me acordando com a melhor música que ele encontrava. – O menino tinha um sorriso torto. – Agora fala sobre seu pai, antes que essas lágrimas inventem de cair. – Disse ele abanando o rosto e rindo.

– Ok...

[...]

– Sebastian foi meu único namorado. Meu único amor. – Disse Kurt sorrindo para o nada. – Nós nos conhecemos no ensino médio. Ele era do time de beisebol e eu era animador de torcida. Ele disse que foi sem querer, mas ele me deu uma bola no traseiro quando nos conhecemos. – Blaine riu e Kurt acompanhou. – Então ele me chamou para um encontro. Continuei achando ele o mesmo babaca de sempre. – Blaine ergueu as sobrancelhas.

– Achei que tinha sido amor à primeira vista. – Disse o moreno.

– Não acredito nisso. Acredito em atração à primeira vista, o amor vem depois. Não se ama às cegas, sem conhecer uma pessoa. Enfim, depois disso ele continuou atrás de mim, mas nunca dava bola. Até que ele começou a mudar. Ele colocava fotos minhas em meu armário com uma dedicatória atrás, geralmente, uma música. Eram fotos espontâneas, algumas de mim ensaiando uma coreografia, outras de mim de frente para meu armário. Uma das fotos veio com um endereço, um horário e um dia. Quando cheguei lá, Sebastian estava com um terno velho, quase que pequeno nele e uma mesa posta. – Kurt riu ao se lembrar de Sebastian todo desajeitado. – Nós comemos, ele me pediu desculpas por qualquer coisa que ele tivesse feito, começamos a conversar e vi que ele era legal. Então, saímos mais algumas vezes e ele me pediu em namoro.

– E você aceitou. – Concluiu Blaine.

– Não. Estava tudo correndo e eu nunca gostei disso. Na época eu acha ele lindo e fofo, mas eu não queria já começar um relacionamento sério com uma pessoa que só saí algumas vezes.

– Entendo. Mas então como vocês começaram a namorar? – Perguntou Blaine.

– Eu estava um dia na sala do coral e meu professor anunciou que um novo integrante iria se juntar a nós. Sebastian entrou e começou a cantar “Love Somebody” do Maroon 5. No final, ele ficou de joelhos na frente da sala toda e me pediu em namoro. Naquele momento eu sabia que nenhum garoto iria conseguir superar aquilo. Aceitei e demos nosso primeiro beijo. Aquele foi meu primeiro beijo. – Disse Kurt sorrindo.

– Seu primeiro beijo foi com seu marido? Wow, Kurt, isso é demais! – Disse Blaine surpreso. Kurt deu os ombros. Ele sabia disso. Sempre soube.

– O tempo foi passando, fui ficando cada vez mais apaixonado por ele. Quando saímos do ensino médio e entramos para faculdade, tivemos nossa primeira vez. – Blaine novamente levantava as sobrancelhas. – Nosso namoro era dos puritanos no início. Sempre quis certeza de que era a escolha certa.

– Sei disso. – Disse Blaine com um sorriso no rosto, insinuando a atual situação dos dois.

– Idiota. – Kurt empurrou o ombro dele. – Deixe-me terminar. – Blaine não fez mais nenhuma objeção. – Obrigado. Quanto tínhamos vinte e três nos casamos. Sebastian me convenceu e dois anos depois, Rosie, mãe biológica de August e irmã de Sebastian, estava grávida. – Disse Kurt sorrindo ao se lembrar do filho segurando seu dedo e de Sebastian chorando como um louco. – Achei que Sebastian iria ficar cansado e coisas do tipo, mas pelo contrário, ele se tornou mais romântico do que nunca. Não cuidei de August por dois meses, até que dei uma bronca nele e a partir daí nós revessávamos. Tenho tantas fotos de August, tantas, que são quase incontáveis. Ainda me lembro da foto de nós três em nosso antigo quarto. Era linda. – Kurt fechou os olhos e se lembrou da imagem em preto e branco. – Sebastian era um pai e marido maravilhoso. Ele era prestativo, cuidadoso, amoroso e tudo que se pode se esperar de uma pessoa com quem deseja passar o resto da vida e um exemplo para um filho. Sebastian foi o pai que eu jamais serei.

– Nossa. Pelo o jeito que você fala, ele era uma pessoa incrível. – Kurt concordou com a cabeça. – Se Sebastian é um pai melhor que você, imagine a mim ao lado dele. Seria como um chocolate suíço ao lado de uvas passas. – Blaine conseguiu arrancar um sorriso do castanho.

– Você é um bom pai, Blaine. – Disse Kurt sorrindo. Os dois ficaram sem encarando, até que o clima ficou tenso e Kurt não gostaria de saber até onde aquilo iria com os dois em cima da cama. – E-eu estou com fome, vamos lá em baixo? – Blaine concordou e os dois começaram a se levantar.

[...]

– Sobre minha mãe, não tenho o que falar, já que não a conheço. Sobre meu pai, quase não tenho o que falar também.

– Mas por quê? Ele tão ruim assim? – August achava que era exagero de Ian.

– Não é que ele seja ruim... Ele só não se importa comigo, sabe? E-ele nunca foi ligado muito a mim. Eu sempre fiquei mais com o papai, mas ele nunca foi pai mesmo, parece até que ele é meu padrasto do que meu pai...

– Wow. Mas ele é seu pai biológico? – Perguntou o castanho.

– E-eu não sei. Papai me disse que foi um processo para que eles não soubessem quem é o pai biológico, mas eu me pareço com ele. – Disse Ian suspirando. – Já pensei sobre isso. Se ele realmente for meu pai, um outro homem, que não é meu pai biológico, quis ficar comigo, enquanto ele não se importou. E só para constar, eu amo meu pai Blaine e não vejo problema ficar com ele, mesmo ele não sendo o meu pai biológico. Ele é meu pai; ele me criou.

– Já tentou pensar que talvez sua mãe seja parecida com você? E que na verdade, Blaine é seu pai biológico e você apenas se parece com sua mãe? – Perguntou August na intenção de animar o amigo.

– Sim. Mas imagine o quão ruim vai ser, se Blaine for meu pai e eu me parecer com uma mulher que eu nunca vi o rosto.

– E o que isso importa, Ian? Eu nunca sou o racional e consigo entender isso melhor que você. Ela só ajudou a te trazer no mundo, não é como se ela tivesse o abandonado. Blaine te quis e te ama, é isso que importa. Pior seria se nunca tivesse existido um Blaine na sua vida.

– Verdade. – Disse o menino analisando suas mãos. – Mas é tão estranho, quando estávamos juntos, era como se ele gostasse de passar algum tempo comigo, só não gostava de demonstrar isso.

– Vocês não têm nenhum momento juntos que você goste muito? – Perguntou August.

– Uma vez, quando eu estava doente e papai tinha ido viajar por dois dias, ele me trouxe uma sopa e me contou histórias até dormir. – Ian olhou para o amigo. – Foi nesse momento que eu comecei a gostar de livros, me senti conectado com ele de alguma forma, pois ele sempre estava perto de um livro ou lendo um. – Ian levantou da cama e se abraçou enquanto olhava pela janela. – Às vezes me pergunto o que fiz de tão errado, para ele simplesmente não me querer como parte da família. – Ian tinha algumas lágrimas nos olhos. – Por isso quis saber sobre a sua, talvez eu pudesse me imaginar no seu lugar, tendo meus pais com a personalidade dos seus e vivendo suas histórias. – Ian apertou mais os braços envolta de si.

August se levantou e foi até o menino, o abraçando.

– Eu não sei porque ele não te quer ou se é realmente isso, mas eu sei que você é parte da minha família, você é parte da minha história. – August olhou nos olhos do amigo. – Você é meu melhor amigo. Juntos, somos uma história e uma família. Não precisamos nos enganar, somos o que somos e nos aceitamos assim. Eu te amo, Ian. – August abraçou o amigo depois de dizer aquilo.

Ian correspondeu o abraço.

– Eu também te amo, August. Obrigado por estar comigo quando eu preciso e me lembrar de que, pelo menos alguém gosta de mim. Você também é meu melhor amigo. – Respondeu ele olhando nos olhos do amigo. Os dois acabaram rindo da situação enquanto tinham os olhos com lágrimas.

Meninos, fizemos lanche. – Anunciou Kurt do andar de baixo.

– Te amo e você é meu melhor amigo, mas comida antes. – Disse August saindo correndo.

August! – Ian correu atrás.

– Quem chegar primeiro, ganha o lanche do outro. – Gritou Gus conforme ia descendo as escadas.

Quando o mais novo dos Andersons chegou no andar de baixo da casa, viu o pai e os vizinhos sentando em volta da mesa. August piscou para ele, conforme segurava dois lanches em suas mãos.

Sim, Ian era amado e podia sentir isso. Ele tinha sido aceito em uma família.

Notas finais
Todos morrem com esses meninos. As que já pensam em um shipp como namorados: Eles são melhores amigos. Vamos com calma aí, viciada em yaoi. Já procuraram a tradução de "Love Somebody"? Se não, vão dão uma olhada. Porque eu não escolhi a música pra escrever a situação deles, só veio a ideia e depois precisei selecionar a música e no caso, essa é perfeita. Para quem perguntou, Kurt tem 35/36 e Blaine 34/35. Só um detalhe: Não tenho nada para semana que vem. Podem deixar sugestões de algum furo meu ou algo que eu esqueci. Caso queiram algo, digam e eu tento criar também... Espero que tenham gostado. See you next week. Bye. Nox!