Açúcar?
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Notas iniciais
O dia dos namorados se aproximava e quanto mais se aproximava, mais deixava Blaine animado. O advogado sempre gostou da data, porque era nesse dia em que ele poderia expressar o amor dele por alguém. Por muito tempo havia sido para Scott, mas sempre recebia alguma coisa forçada em troca. Como na vez em que ele deu um dia inteiro no SPA para ele e recebeu apenas um corpo desmaiado e que roncou a noite inteira ao seu lado.
Kurt e Blaine não estavam namorando, mas mesmo assim o moreno gostaria de fazer alguma coisa romântica para o parceiro. O problema era que Blaine nunca pensava em nada bom o suficiente para fazer para o castanho; tudo o que ele pensava, era algo que ele já havia feito em anos passados para o ex. Ele precisava de algo novo para o Hummel.
Para sua limitada sorte, ele tinha um dia inteiro para pensar em como presentear Kurt. Ele não poderia perguntar para o filho e nem August, já que para eles, Kurt e ele eram amigos muito próximos e sem nenhuma segunda intenção. Pedir ajuda para o pai de Kurt seria ridículo e um tanto vergonhoso. Cooper provavelmente daria a sugestão de um motel, o que no momento não era o caso.
Enquanto o moreno andava em círculos na sala, uma pessoa muito óbvia veio em sua mente.
– Nick! – Havia tanto tempo que o moreno não conversava com seu velho amigo. – É Blaine. – Disse ele ao telefone.
– Eu sei que é você, Blaine. Somos melhores amigos! Você realmente achou que eu não salvaria seu- Peter, não! – Nick e Jeff haviam virado pais a pouco tempo de um casal de gêmeos. – Como está o Tallahassee, cara? – Perguntou ele. Blaine conseguia escutar Peter batendo palmas perto do microfone do telefone.
– Está ótima. A cidade é bastante tranquila, Ian está gostando, eu estou gostando... E talvez haja alguém que eu esteja interessado... – Blaine terminou a frase com um sorriso no rosto e com a mão na nuca.
– Espera, não vai me dizer que o Blaine Warbler já está de volta a antiga e pegando todos os caras da cidade... Wendy! – Gritou Nick. Blaine inveja o amigo pelo os nomes dos filhos.
– Não, e para deixar bem claro, eu só fiquei com uns três caras na nossa época. – Nick riu do outro lado da linha. – De qualquer forma, há alguém sim. O nome dele é Kurt Hummel, ele é um ano mais velho que eu, é meu vizinho, também é pai de um menino da idade de Ian e é viúvo. – Informou Blaine.
– Meu Deus, Blaine! Como sua vida começa a mudar totalmente e você nem para se lembrar de mim e Jeff? Saber tudo isso de uma vez é um pouco chocante. – Brincou o castanho. – Mas estou feliz por você amigo. Scott é um imbecil. Eu sempre-
– Te disse isso. – Blaine imitou a voz do amigo. – Eu sei, eu sei. – Blaine rolou os olhos e sorriu. – Eu preciso de sua ajuda com uma coisa.
– Pode me pedir qualquer coisa. – Nick se concentrou nas próximas palavras de Blaine.
– Amanhã é dia dos namorados e eu quero fazer alguma coisa para Kurt. Não estamos namorando, e é complicado demais para eu te explicar agora, mas eu quero fazer algo legal para nós dois. Vai que eu conquisto ele com isso. – Blaine batia com as pontas dos dedos na mesa.
– Amanhã é dia dos namorados? Como eu pude me esquecer? E-eu não comprei nada para Jeff. Ai caramba... – Blaine sabia que um dia havia sido assim. – Blaine, leve ele para um motel.
– Nick, se eu quisesse escutar isso, teria ligado para Cooper. – O castanho acabou concordando do outro da linha. – Eu preciso fazer algo bom para ele, mas tudo o que eu penso, já fiz para Scott. E para constar, já fomos a um jantar em um restaurante e a um parque de diversões. Então essas duas coisas estão fora de cogitação.
– Olha, cara- Peter, não faça isso com sua irmã... – Blaine esperava pacientemente o homem voltar. – Desculpa, Blaine. Ser pai de gêmeos não é fácil. Continuando, acho que seria legal você fazer algo parecido com aqueles restaurantes asiáticos em que a comida é feita na frente do cliente, sabe? Eu acho romântico, e eu sei que você cozinha bem. Eu faria isso também, mas eu não tenho nem tempo de arrumar minha casa, quem dirá preparar algo para Jeff.
– Nick, isso é uma ideia muito boa! – Blaine pensou em algo por alguns instantes. – Mas isso é tão estranho, porque foi uma ideia sua e eu queria criar algo sozinho...
– Então porque me ligou, seu idiota? – Os dois caíram na risada. – Blaine, pense melhor. Eu te disse o que fazer, não como fazer. Agora você usa sua criatividade e dá um jeito de preparar um jantar romântico para seu Kurt.
– Ele não é “meu Kurt”.
– Tchau, Blaine. Você só tem mais algumas horas para fazer isso. Até- Wendy, não morde el- — E a ligação havia terminado.
Blaine achou a ideia do amigo realmente muito boa, mas precisava pensar em algo para que ele pudesse dar um toque “Blaine Anderson” nisso. E ele já sabia exatamente como.
[...]
– Blaine? O que quer? – Perguntou August quando abriu a porta de casa.
– Eu meio que estava precisando que você me cedesse dois números de telefone. Da sua tia Rachel e do seu avô Burt.
– E posso ser intrometido e saber para quê? – August as vezes conseguia ser impertinente.
– Eu... E-eu quero saber do que seu pai gosta para dar de presente para ele no aniversário dele.
– Mas meu pai só faz aniversário em Junho. E até a última vez que eu olhei o calendário, é Fevereiro. – Respondeu um menino com uma sobrancelha levantada.
– Eu sei. Agora, será tem como você me passar os números? – O moreno mudou de assunto antes que o menino falasse mais alguma coisa.
– Está bem. Eu já volto. – August entrou em casa por alguns instantes e logo voltou com um pedaço de papel em mãos. – O primeiro é o da tia Achel. – O menino entregou na mão do vizinho. – Posso saber o que planeja fazer para o meu pai? – Perguntou ele.
– Em breve. – Respondeu Blaine. O moreno piscou para o menino e voltou para casa. August deu os ombros e entrou em casa novamente.
O moreno foi direto para o escritório e trancou a porta. A primeira pessoa para quem ele ligaria seria Rachel. O homem discou os números e aguardou na linha.
– Rachel Berry. Com quem eu falo? – Respondeu a morena. Ela parecia se manter a mais séria possível, mas uma criança a chamava no fundo.
– Rachel, é Blaine Anderson, vizinho de Kurt. – Respondeu Blaine um pouco sem graça.
– Oh meu Deus. Blaine, aconteceu alguma coisa? Kurt está bem? E-ele está muito ferido? Finn! Finn! – Rachel nem havia deixado Blaine continuar.
– Não, não aconteceu nada. Kurt está bem. É-é só eu que preciso de uma ajuda sua... – Blaine mesmo falando por telefone com a judia, conseguia ficar vermelho ao pedir a ajuda dela.
– Oh. E o que seria então?
– Eu preciso que você me diga as coisas que o Kurt mais gosta de comer, um vinho que seja o preferido dele, uma sobremesa e músicas que ele goste. Essas coisas. – Blaine já havia preparado uma lista para colocar as respostas de Rachel.
– Oh, parece que alguém vai ter um jantar romântico amanhã... – Blaine sorriu. – Bom, Kurt gosta bastante de frango e de qualquer tipo de salada. Na parte de vinho, Kurt sempre gostou dos vinhos francês, porém não dos muito antigos, sempre dos mais novos. – Blaine anotava tudo o que a mulher dizia. – Sobremesa com certeza é cheesecake. Música é tão complicado para essa situação em particular; procure alguma coisa dos musicais da Broadway ou algo da Disney. – Concluiu ela. – Acho que vai ficar muito romântico. Ele vai adorar. Tenho certeza.
– Ok. Obrigado, Rachel. Obrigado por tudo o que está fazendo por mim e Kurt. Mesmo. – Blaine gostava de Rachel.
– Não precisa agradecer. Ver a felicidade de Kurt, é ver a minha. – Blaine sorriu com as palavras da mulher. – Agora eu preciso ir. Finn está achando que alguma coisa aconteceu com Kurt. Tchau, Blaine. – A morena havia desligado.
– Agora o mais difícil... – Blaine discou os números da casa do pai de Kurt e esperou que ele atendesse. Até que no terceiro toque, o telefone foi atendido. – Senhor Hummel?
[...]
– Vovô?! – August abriu a porta da entrada e deu de cara com o avô. O velho homem se abaixou para receber um abraço caloroso do neto. – O que o senhor faz aqui? Eu não sabia que o senhor iria vir aqui esse final de semana.
– Algo me fez mudar de ideia e eu quis vir hoje... Não é um problema, certo? – Perguntou o homem entrando na casa do filho.
– É claro que não. – Disse August ajudando ele com o casaco.
– Gus, quem- Pai? Oh meu Deus, o que o senhor faz aqui? – Kurt foi correndo abraçar seu pai. – Achei que só veríamos você semana que vem. – Burt reparou no olhar cansado e nas olheiras do filho e ele já sabia o que aquilo significava.
– Sei disso, mas tinha uma tarefa a fazer aqui hoje. – Kurt franziu o cenho. Burt viu aquilo como uma deixa para entregar ao filho um cartão que tinha em seu bolso. – Aliás, isso estava na sua caixa do correio. – Burt o entregou o envelope rosa. – August, vai lá cima e coloque um casaco, nós vamos ao mercado. Vou fazer waffles hoje a noite.
– É pra já. – O menino correu para subir as escadas.
Kurt ainda intrigado com a carta sem remetente, a abriu mesmo assim. Dentro dela havia um cartão azul claro com letras prateadas.
“Eu sei que hoje o dia não se encaixa necessariamente para o que nós dois temos, mas eu senti vontade de surpreende-lo hoje. Fiz algo especial para nós e aposto que está do seu gosto, então seria bom se você não perdesse.
Na minha casa, às oito horas.
Com carinho, Blaine.
PS: Se vista como sempre: incrivelmente.”
Kurt não conseguiu controlar o sorriso em seu rosto. Dentro de algumas horas Blaine faria uma surpresa para ele. O castanho imaginava que essa fosse a real intenção de Burt estar ali.
O ator olhou para o pai, que apenas sorriu para ele e abriu os braços para um abraço. Kurt correspondeu o pai.
– Obrigado. – Sussurrou Kurt. – Você sabe exatamente do que eu preciso e quando eu preciso.
– Sem problemas. – Burt beijou a cabeça do filho, antes que esse fosse correndo para o andar de cima para escolher alguma roupa.
[...]
– De jeito nenhum! – Falou Ian.
– Ian, por favor, não complica as coisas. – Respondia Blaine enquanto não parava de correr pela casa atrás de seu sapato.
– Quem está complicando as coisas aqui é você! Eu não quero ir, nada mais normal eu ficar em casa. – Ian não queria ficar na casa dos Hummel junto com August.
– Ian, você vai ficar lá e não vai falar com August por, seja lá qual for motivo da briga de vocês dois. – Blaine parou em frente ao espelho e começou a abotoar sua camisa branca.
– O problema não é apenas não conversar com August, eu não quero olhar na cara dele. – Ian cruzou os braços e encostou as costas no arco da porta do quarto do pai.
Blaine respirou fundo. Ele sabia que iria se arrepender, mas era o mais lógico a se fazer.
– Se você ficar com Burt na casa do Kurt, completo sua coleção de varinhas. – Sugeriu Blaine. O menino encarou o pai e endireitou seu corpo.
– Se eu ignorei o Snape por seis livros, o que será ignorar August por algumas horas?! Fechado. – Disse o menino saindo do quarto do pai. Sempre foi fácil dobrar Ian.
Blaine terminou de abotoar sua camisa. O moreno vestia uma calça cinza, usava uma gravata canela, um blazer vinho e só faltava os sapatos pretos.
Só de meias, o homem foi para o andar de baixo para conferir os preparativos. Blaine havia decidido que tudo seria na sala de estar. O moreno comprou uma mesa de centro baixa e de madeira, onde ele colocara uma chapa elétrica. Ele também havia colocado várias almofadas vermelhas por volta da mesa, para que Kurt pudesse se sentar. O vinho e o cheesecake estavam na geladeira e a salada pronta. Sobre as músicas, Blaine gostou da ideia da Disney e colocou algumas músicas dos filmes, principalmente “A Pequena Sereia”, pois era o filme que ele e Kurt mais gostavam. Na entrada da sala, o moreno colocou uma cortina de tecido fino e transparente, que cobria toda o arco da sala e substituía uma porta; na parte da iluminação, além de velas, Blaine colocou luminárias japonesas em vermelho e rosa por todo o teto. Estava tudo perfeito.
[...]
– Ok, ele já saiu. – Anunciou Blaine quando ouviu a porta da casa vizinha sendo aberta.
– Ok, sem me expulsar. – Disse Ian abrindo a porta da própria casa indo para o jardim. – Oi, Kurt. Está bonito.
– Obrigado, Ian. – Agradeceu Kurt com um sorriso simples. O castanho estava com um terno azul-marinho, uma camisa azul clara e um lenço em outro tom de azul, só que perolado. – Imagino que tenho sido “convidado” a se retirar de casa, estou certo? – Perguntou Kurt brincando com o cartão de Blaine que tinha em mãos.
– Absolutamente. Ainda fui chantageado. – Entregou o menino.
– Em troca do quê? – Perguntou Kurt curioso. O castanho tentava achar Blaine nas frestas da cortina da sala.
– Ele vai completar minha coleção de varinhas, então também estou saindo no lucro. – Falou o menino. – Preciso ir, antes que eu estrague seja lá o que ele está planejando, mas parece estar legal, ele colocou um-
– Acho que ele poderia te dar algo extra se você não contasse a surpresa, uh? – Disse Kurt com um sorriso.
– Verdade. De qualquer forma, boa noite, Kurt. Aproveite a minha casa. – Disse o menino passado ao lado de Kurt com as mãos nos bolsos da blusa de frio.
Kurt sacudiu a cabeça com um sorriso no rosto e voltou a caminhar com direção a entrada da casa dos Anderson. O castanho respirou fundo antes de dar duas batidas. Em alguns segundos, Blaine abriu a porta e observou o castanho.
– Boa noite, Kurt. – Disse ele abrindo um largo sorriso. Blaine tinha os olhos brilhantes enquanto observava o vizinho. – Você está lindo. – Kurt abaixou a cabeça e corou.
– Boa noite, Blaine. – Respondeu Kurt tirando uma mecha de cabelo que parou em frente ao seu rosto. – Obrigado. Gostei das meias. – Disse Kurt por Blaine ainda estar descalço.
– Obrigado. – Blaine corou. – Entra. – O moreno deu espaço para que Kurt entrasse. Assim que o castanho fez, notou que reconhecia a música de fundo. – Antes de te mostrar minha surpresa, posso te vendar? – Perguntou Blaine tirando um pano de trás do bolso.
– Tudo bem... – Kurt virou as costas para Blaine, que rapidamente cobriu os olhos de Kurt e pegou a mão do castanho.
Kurt parou segundos depois. Ele perdeu o contato com as mãos de Blaine depois do moreno deixa-lo de frente para algo. Blaine parecia ter ficado distante.
– Ok, já pode abrir. – O castanho ouvia a voz do moreno de uma distância consideravelmente longe. O ator retirou o que cobria seus olhos e deu de cara com uma cortina vermelha. Blaine estava atrás dela, sentado atrás de uma mesa.
– Oh meu Deus, o que é isso? Uma recriação de “Moulin Rouge”? Essa seria a cabeça do elefante? – Disse Kurt sorrindo, enquanto passava pela cortina e entrava na sala. – Você preparou tudo isso sozinho? – Blaine assentiu. – Incrível. – Disse ele reparando no resto da sala.
– Poderia se sentar, senhor? – Ofereceu Blaine. – Eu poderia até puxar uma almofada para você, mas eu não sei se os chefs fazendo esse tipo de coisa. – Disse Blaine enquanto colocava um avental branco e arregaçava as mangas da camisa.
– Espera, você é quem vai cozinhar hoje? E além de tudo vai ser ao vivo? – Kurt sentou-se em uma almofada em frente a Blaine. – É muita coragem.
– Oh, não haja como se nunca tivesse provado de minha comida. – Blaine fingiu-se de ofendido enquanto ligava a chapa.
– Não, eu já provei. É exatamente por isso a minha preocupação. – Brincou Kurt, piscando para Blaine em seguida. – O que temos no menu? – Kurt depositou suas duas mãos cruzadas em cima da mesa.
– Temos frango com alguns legumes. – Kurt ergueu as sobrancelhas. – Para acompanhar, um vinho francês de 2004. – Kurt franziu o cenho, pois aquilo estava muito certo. – E de sobremesa, temos cheesecake. – Blaine sorriu ao final, quando Kurt colocou as mãos nos quadris.
– Posso saber o que está acontecendo aqui? Você e August andam tendo conversas privadas e eu não estou por dentro? – Perguntou Kurt enquanto observava Blaine despejar azeite na chapa.
– Digamos que eu tenho minha informante. – Blaine piscou para Kurt. O Hummel pensou naquilo por alguns instantes.
– Rachel. É claro. – O castanho rolou os olhos ao ouvir a risada de Blaine. – Espero que esse cheesecake esteja bom, porque Kurt Hummel é exigente quando se trata de bolos.
[...]
– Como está a escola, meninos? – Perguntou Burt enquanto jogava os dados no tabuleiro de Monopoly.
August olhou para Ian, esperando que ele respondesse, mas o outro estava focado demais em contar a quantidade de dinheiro que ainda tinha. August bufou e respondeu:
– Está tudo bem, vovô. – Burt andou no tabuleiro enquanto o neto falava. – Como anda Nova Iorque? – Continuou a conversa. – Queria poder ficar com você, com a vovó Carole, tio Inn e tia Achel... – Burt não gostava muito do som daquilo.
– Por que, Kiddo? Não está mais gostando daqui? – Perguntou Burt. Ian tentou disfarçar enquanto olhava para August.
– Não sei explicar direito. É que as coisas ultimamente têm ficado tão... Paradas. – Disse o menino.
– Será que não é por conta da data de hoje? – Perguntou Burt para tentar tirar aquilo da cabeça do neto. O velho homem não queria o filho e o neto em Nova Iorque agora, não agora.
– Talvez seja... – Ian não entendia nada. Por que August estaria se sentido mal por conta do dia dos namorados? – Já fez um ano. Em um ano tudo virou de cabeça para baixo. – August passou a mão pelos cabelos. Ele não queria chorar. Não na frente de Ian.
– Oh meu menino. – Burt saiu do seu lugar e foi até August, que assim que sentiu os braços calorosos do avô, começou a se desmanchar em lágrimas e soluços. – Eu sinto muito por você, muito mesmo. – Burt acariciava os cabelos dele. Era como se Burt estivesse vivendo tudo novamente. Quando Kurt tinha percebido que já fazia um ano que sua mãe havia ido embora.
– Eu não vou dizer que eu queria conversar com ele por mais um minuto, para dizer que eu amo ele e que ele faz muita falta. Eu queria ele aqui de volta para sempre. Como deveria ter sido. Assim eu poderia dizer todos os dias. – August chorava alto e tremia bastante. Ian tinha a cabeça abaixada para esconder as próprias lágrimas. – E-eu queria saber se ele está bem, se ele s-sente a minha falta, se sente falta do pa-papai, porque eu sinto falta dele. Muito. – Nesse ponto, a camisa de flanela de Burt já estava encharcada.
– Eu sei querido, eu sei. – Burt depositava alguns beijos no topo da cabeça do menino. – E pode ter certeza, que não importa onde ele esteja, está olhando por você e Kurt. Ele sempre fará.
A cozinha era um silencio total, tirando os soluços de August, abafados pelo peito de Burt. Ele era jovem demais. Os dois eram.
[...]
– Ok, vamos ver se você sabe mesmo cozinhar. – Disse Kurt enquanto tinha um pedaço de cheesecake em seu garfo. Blaine estava tenso enquanto observava o castanho. O ator enfiou o pedaço na boca e começou a saborear. – Hum... – Kurt não tinha a melhor das caras. – Você pode até cozinhar um bom frango, mas em termos de cheesecake...
– K-Kurt, e-eu sinto muito se não está do seu agrado. – Disse Blaine um pouco sem graça. – E-eu segui a receita corretamente, mas eu não sei o que aconteceu, acho que o-
– Mas em termos de cheesecake você é ótimo. Está ótimo. – Disse Kurt pegando mais um pedaço para si.
– M-mesmo? – Perguntou Blaine indo provar.
– Sim. – Kurt voltou a comer. Era de framboesa, seu favorito. – Como Rachel sabia que o de framboesa era meu favorito? – Blaine tentou não focar muito em Kurt saboreando a calda da frutinha.
– Ela não disse, intuição minha. – Confessou Blaine. Aquilo sim havia sido um golpe de sorte.
– Sério? – Kurt observou o vizinho. Blaine concordou. – Parabéns então. – Kurt roubou um pedaço do prato de Blaine. O moreno se levantou. – Ei, não fique bravo, foi só um pedacinho.
– Não estou bravo. Acho que já cansei de Disney. Precisamos de outra coisa. – Blaine trocou o disco e logo uma nova melodia começou. Blaine foi até Kurt e deu as duas mãos para ajudar o castanho a se levantar.
O Anderson guiou uma das mãos do castanho até seu ombro e segurou a outra na sua. Os dois começaram a dançar em um canto da sala. Estava um clima perfeito, as luzes estavam baixas, o ar estava quentinho e as luminárias acima deles só completavam o clima.
– Eu adoro essa música. – Disse Kurt olhando nos olhos de Blaine. – O que está acontecendo para você estar acertando tanto hoje? – Perguntou ele sorrindo. Blaine deu os ombros e começou a cantar.
– 'Cause you give me something that makes me scared, alright, this could be nothing but I'm willing to give it a try. Please give me something 'cause someday I might call you from my heart. – O moreno colocou seu nariz na direção da maça do rosto de Kurt. – Acho que essa música se encaixa com a nossa situação.
– Talvez. – Kurt sentiu um arrepio na espinha quando Blaine cantou aquilo para ele.
Os dois continuaram dançando mais algumas músicas, até que Blaine arrumou algumas almofadas na frente do sofá. Ele se sentou em cima das mesmas e estendeu os braços, convidando Kurt para sentar entre as pernas dele.
Os dois ficaram sentados no chão, Kurt com a cabeça no ombro de Blaine, enquanto o moreno analisava as mãos de Kurt.
– Suas mãos são lindas. – Disse o moreno, enquanto passava as mãos sobre os dedos finos de Kurt. Eles eram tão pálidos quanto o resto do corpo, mas as pontas dos dedos tinham um tom rosado. Enquanto o moreno analisava as mãos de Kurt, ele sentiu algo molhado em seu pescoço. Ele não se importou muito, até que veio um segundo, depois um terceiro e depois um soluço de Kurt. – Kurt, está tudo bem? – Blaine tentou olhar nos olhos de Kurt, mas o castanho já os tinha fechados, assim como a boca, que era selada com os dentes que mordiam o lábio inferior. Kurt estava chorando. – Kurt, me diz o que está acontecendo?
Blaine sentou Kurt de um modo em que ele pudesse olhar para o rosto do castanho. O Hummel não parava de chorar. Os soluços pareciam que eram uma reação do coração do castanho, que estava se rasgando internamente. A situação piorou quando Kurt começou a chorar mais alto e puxar a camisa de Blaine de encontro a ele, implorando pelo contato com Blaine. Além disso, Blaine o sentia tremer.
O moreno estava preocupado, ele já estava começando achar que aquilo havia sido culpa dele, mesmo não fazendo nada de errado.
– H-h-hoje, f-faz um ano q-que Sebastian... – Kurt voltou a chorar novamente e Blaine tinha a resposta que queria.
A morte de Sebastian estava completando um ano. Blaine se sentiu péssimo ao saber daquilo. Ele olhou para a mão do castanho novamente e notou a diferença no tom de pele em uma determinada região da mão do rapaz, precisamente no dedo anelar da mão esquerda. Sim, Blaine agora se sentia pior ainda. Ele não queria ter causado aquela dor no castanho.
O moreno esperou por mais de meia hora, até que os soluços de Kurt começassem a se cessar para poder falar algo.
– Kurt, me desculpa. E-eu não queria-
– Isso não é culpa sua, Blaine. – Kurt olhou nos olhos de Blaine. O moreno se sentiu desconfortável ao ver toda aquela dor nos olhos azuis do parceiro e não poder fazer nada. – Eu pensei q-que aceitar seu convite poderia, sei lá, ocupar minha mente, mas tudo o que isso que você fez para mim, é tão lindo e-e me fez lembrar de Sebastian. E-eu sinto muito estragar sua noite.
– Você não estragou minha noite. Você está aqui comigo e foi o que quis. Eu quis passar minha noite com você e mesmo que eu tenha que cuidar de você não vai ser algo ruim. Eu gosto e me importo muito com você. Você nunca vai ser um peso ou qualquer coisa do gênero para mim. – Blaine se aproximou do castanho e deu um beijo em sua bochecha, sentindo o gosto salgado das lágrimas derramadas. – Você vai se sentir mal se eu te levar até a minha cama e te trocar?
Kurt negou e Blaine assentiu.
O advogado pegou Kurt do chão em seus braços e o levou o cuidadosamente por todo caminho até o andar de cima. Quando chegou na porta do quarto, Blaine a abriu lentamente e levou Kurt até a cama.
Blaine tirou os sapatos de Kurt cuidadosamente, depois retirou o blazer do castanho, em seguida o lenço e a camisa. Antes de tirar a calça, Blaine foi buscar as roupas que colocaria no Hummel. Blaine tomou cuidado para deixar uma meia luz, assim não veria tantos detalhes do corpo de Kurt, antes que ele pudesse ter a chance de ter aquele corpo para ele.
Depois de vestir um moletom da Dalton no rapaz, Blaine removeu a calça com cuidado e colocou uma de moletom. O Anderson tirou todos os seus lençóis da cama, cobriu Kurt com seu cobertor mais grosso, pois seu quarto era gelado e o beijou na testa, logo dando as costas para ele. Blaine abriu a porta e escutou um protesto.
– Blaine, fique aqui comigo essa noite. – Blaine estava meio incerto daquilo. – Por favor. – Pediu Kurt mostrando sentando na cama.
– Tudo bem...
Blaine se trocou rapidamente. Assim que desligou a luz do banheiro da suíte, foi para a cama, onde se deitou ao lado de Kurt. Não querendo dormir de conchinha com Kurt, Blaine apenas ficou de lado, mas com uma distância de Kurt.
O castanho quando sentiu outro peso sobre a cama, foi se juntar a ele. Kurt inocentemente deitou-se com a cabeça sobre o peito do Blaine, onde passou a noite chorando e recebendo o carinho de Blaine, antes que os dois caíssem no sono.
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