Notas iniciais
É a minha primeira fic, então por favor relevem qualquer erro grotesco e a falta de criatividade. Espero que gostem!

Eu olhava para o cadáver na minha frente e só conseguia pensar em uma pessoa: Sherlock Holmes. Como ele podia invadir o meu pensamento num momento desses? Era inaceitável, mas eu não conseguia me controlar. Nos últimos meses, especialmente após o casamento de John, nós havíamos nos aproximado bastante. Não o quanto eu gostaria, mas o suficiente. Não que ele não fosse rude às vezes, mas uma grande evolução tinha acontecido na nossa “relação”.

Apesar disso tudo, já fazia mais de duas semanas que eu não o via. Eu tinha tentado todos os meios de comunicação, apelado pra todos que o conheciam e nada. Sem notícias. Ou ele estava trancado em Baker Street ou tinha desaparecido da face da Terra. O toque do meu celular me tirou dos meus devaneios.

“Molly, preciso de sua ajuda. Venha até Baker Street agora – SH”

Ah, que ótimo! Ele realmente achava que eu deixaria meu trabalho no meio do expediente só porque ele pedia minha ajuda pra sei lá o que? “Ele acha e tem razão”, sussurrei, já tirando meu jaleco e partindo para 221B.

Em dez minutos estava de frente a porta do apartamento. Hesitava em entrar, com medo de que ele mais uma vez fosse me usar em um de seus planos mirabolantes. Depois do que pareceu uma eternidade olhando para a maçaneta, criei coragem e entrei.

Tudo estava incrivelmente silencioso e sem nenhum sinal aparente de vida. Fui até a cozinha e também não havia ninguém.

“Molly?!”

Pude ouvir sua voz me chamando do quarto. Não foi um grito. Ele parecia ter dificuldades de falar. Fui andando lentamente até o quarto e quando entrei pude vê-lo deitado na cama, enrolado em vários cobertores. Ele estava horrível.

“Por que demorou tanto?”

“Estava trabalhando. Você está bem?”, foi tudo o que consegui dizer enquanto o observava. Era obvio que ele estava doente. Estava pálido como uma folha de papel, olheiras profundas se destacavam debaixo dos seus olhos e ele parecia mais magro. Sem contar, é claro, que desde que eu entrei no quarto ele já tinha tido dois ataques violentos de tosse.

“Até você pode deduzir que não. Eu esperava que pudesse me ajudar a resolver isso, já que aparentemente é médica.”

Revirei os olhos. “Você sabe muito bem que eu não atendo há anos, Sherlock. Deveria procurar outra pessoa.”

Outro ataque de tosse. “Você sabe muito bem que um médico nunca esquece como cuidar de alguém. E eu sei muito bem que você é bastante inteligente e pode me dizer o que eu tenho.”

É claro que eu tinha reparado no elogio e me derretido um pouco, mas não o suficiente para me deixar levar. “Não posso assumir essa responsabilidade, Sherlock. Procure outro médico. Chame John.”

“Não quero chamar o John. Ele já tem sua família e problemas o suficiente.” – Mais tosse – “Por favor, Molly. Não confio em mais ninguém.”

Ele realmente não prestava! Sabia todo o seu poder sobre mim e exatamente como usá-lo. Como eu poderia abandoná-lo? Tão frágil como ele estava agora? Droga!

“Tudo bem. Mas vou ter que buscar algumas coisas no meu apartamento.”

“OK”, disse e começou a tossir violentamente, levando um pano a boca. O que eu vi naquele pequeno pedaço de tecido fez meu coração parar. Escarro e sangue. Meu primeiro pensamento foi câncer. Mas não podia ser e eu não queria acreditar. Me aproximei e sentei do lado da sua cama.

“Sherlock? Você vai ficar bem?”

Ele simplesmente olhou para mim com aqueles olhos incrivelmente azuis. Tentei não me perder naquela imensidão enquanto ele assentia, sorrindo de lado. Continuei onde estava, olhando-o fixamente até que ele disse. “Você não vai?”

Corei. “Ah, é... sim. Acho que sim. Até daqui a pouco.” Num impulso beijei sua testa. Ele pareceu surpreso e quando ia me levantando pegou minha mão. “Obrigado”. Sorri e parti para o meu apartamento.

–------------------------------------------------------------------------------------

Enquanto pegava alguns instrumentos no meu apartamento para examinar Sherlock, minha cabeça já estava a mil com varias hipóteses do que poderia estar acontecendo. Podia ser somente uma bronquite. Ou uma tuberculose. Ou uma pneumonia. Ou, meu coração apertou, câncer de pulmão.

O desespero se apoderou de mim. Eu não podia perdê-lo. Ele era Sherlock Holmes, o homem que eu amava. A razão da minha existência. O motivo de eu me levantar todos os dias e seguir em frente. Eu tinha que ajudá-lo e faria isso da melhor maneira possível. Me controlei o máximo que eu pude e parti para Baker Street. Afinal eu não tinha nenhuma conclusão ainda sobre a doença de Sherlock, mas tinha a certeza de que precisava ficar do seu lado.

–-----------------------------------------------------------------------------------

Assim que cheguei em 221B, fui ao quarto e encontrei Sherlock esperando por mim. Ele tinha se acomodado melhor e sentado na cama. Eu estava absolutamente insegura e tentei parecer o mais profissional o possível.

“Sherlock, preciso saber exatamente o que você vem sentindo.”

“Há duas semanas, aproximadamente, comecei a ter tosse, mal estar e coriza. Pensei que era só uma gripe simples. Depois de alguns dias piorei. Tive febre alta, calafrios, minha tosse piorou bastante e não consigo me alimentar. Ontem, tive náuseas e passei a tossir com sangue.”

Bem objetivo e com todas as informações que eu precisava. Esse era Sherlock Holmes.

“Ok. Agora preciso te examinar.”

Subitamente ele ficou tenso e seu rosto se tornou impassível quando me aproximei. Comecei com o básico: Temperatura e pressão arterial. Até aqui estava fácil. Anotei os dados e segui em frente. Passei para o exame dos seus olhos e quase me perdi. Passei para a boca, o que não era muito melhor. Eu deveria estar olhando seu interior, mas tudo o que conseguia ver era seu formato perfeito. Minha vontade de beijá-lo era tão grande que chegava a doer.

Consegui me controlar e passar para o pescoço. Palpação. Agora a situação ficaria complicada. Quando aproximei minhas mãos do seu pescoço ele se remexeu, claramente incomodado. Deixei que minhas mãos chegassem até sua nuca, roçando em seus cabelos no caminho. Assim que o toquei senti que um arrepio o percorria assim como acontecia comigo. Caí no erro de olhar em seus olhos. Seu olhar me prendeu enquanto eu traçava o caminho que sabia que deveria percorrer. “Foco, Molly!”, era tudo o que meu cérebro gritava. Consegui atende-lo e tirei minhas mãos da pele de Sherlock.

Me levantei e enquanto pegava o estetoscópio, disse. “Preciso que tire sua camisa e fique deitado, Sherlock.”

“Isso é realmente necessário?”

“Não, Sherlock. Eu só quero observar seu belo peitoral”. A ironia escorria das minhas palavras. ”Ande logo com isso”

Observei ele tirar a camisa e confesso que não estava tão controlada quanto aparentava. Me aproximei novamente da cama, contemplando cada parte do seu tórax e abdome. Ainda bem que inspeção faz parte do exame ou ele acharia estranha minha demora. Me forcei a continuar e passei a auscultar seu coração.

Ele estava com a freqüência cardíaca totalmente acelerada assim como seu pulso. Não entendi muito bem o motivo e conclui que era a febre agindo sobre seu corpo. Fui para o abdome e mais uma vez todo meu autocontrole foi exigido ao tocá-lo. Ele estava imóvel. Por fim, ele se sentou e tentei auscultar o som do seu pulmão. Não consegui.

“Olha, Sherlock. Tudo me leva a pensar que o que você tem é uma pneumonia. Pelo que você me disse e o que eu vi, é o mais provável. Porém, existem coisas mais graves que eu não posso descartar. Preciso que você faça um raio-X.”

Já sabia sua resposta. “É obvio que eu não vou a lugar nenhum fazer uma droga de um raio-X. Eu confio em você. Só me diga o que eu devo fazer para acabar logo com isso.”

“Sherlock, deixe de ser criança. Eu não posso simplesmente de dar um remédio sem confirmar o que você tem. Se vista pra nós irmos ao hospital. Vou te esperar na sala.” Ele continuou parado, emburrado como uma criancinha. “Depressa, Sherlock!”

Eu rumei para a sala enquanto ele se arrastava para fora da cama. Dez minutos depois estávamos em um taxi rumo ao hospital.

Rapidamente ele fez a radiografia e eu tinha o resultado em minhas mãos. Ao olhar seus pulmões no raio-X pude confirmar minha hipótese: Pneumonia. Uma onda de alivio percorreu todo meu corpo e estava estampada no meu rosto.

“E então?”, o detetive perguntou impaciente.

“É mesmo uma pneumonia. Se você tomar a medicação corretamente vai melhorar rápido.”

“Como sempre, eu tinha razão. Não precisava ter vindo até aqui.”

Nós voltamos para 221B e no caminho compramos os remédios necessários. Quando chegamos ao apartamento ele parecia exausto e rumou direto para a cama. Fui atrás.

“Bem, agora você precisa tomar o remédio conforme eu te expliquei e vai ficar bem. Acho melhor já começar agora.” Ele fez uma careta ao ouvir a ultima frase. Era mesmo uma criança.

Voltei trazendo o remédio e me sentei ao seu lado na cama. Ele estava realmente abatido, mas continuava lindo. Observei ele tomar o comprimido e se virar pra mim, me devolvendo o copo com água. Aceitei o copo, colocando no chão ao lado da cama.

Quando me voltei para ele, percebi que estava perto demais e que ele me escaneava com o olhar. Meu coração acelerou e eu não sentia boa parte do meu corpo. Maldito! Como ele conseguia me deixar assim só com o olhar? Fiz menção de me levantar, mas ele segurou meu pulso.

“Aonde você vai?”, a voz baixa dele me causou um arrepio.

“Embora, Sherlock. Já fiz meu trabalho aqui.” Estava orgulhosa por conseguir articular uma frase.

Ele soltou meu pulso e desviou o olhar para frente. “Que droga, Molly! Será que você não percebe?”

Fiquei onde estava. O que diabos ele estava dizendo?

Ele se virou novamente para mim e se aproximou mais. Prendi a respiração. “Eu quero que você fique.”

Nessa hora meu cérebro pifou. O que? Aquele era mesmo Sherlock Holmes? Com certeza ele estava louco. “O que você disse?”

Ele me olhava desesperado, como se eu não percebesse o obvio. “Eu preciso de você aqui. Do meu lado.”

“Mas, Sherlock, você não precisa mais de mim. Agora só precisa de repouso. Não há nada que eu possa fazer.” Minha voz era um sussurro.

Ele revirou os olhos. Não parecia disposto a me fazer entender o que quer que fosse que tentava me dizer. Tudo o que fez foi segurar meu rosto entre suas mãos e me beijar. Eu congelei. Primeiro tudo o que ele fez foi deixar sua boca junto a minha, em um beijo quase casto. Ele hesitava. Mas eu já me recuperara do choque e não deixaria a oportunidade passar. Afastei meus lábios alguns centímetros, convidando-o a aprofundar o beijo. Ele correspondeu imediatamente. Ele me beijava de forma intensa e ao mesmo tempo terna. Parecia querer dizer mil coisas com aquele beijo. Não queria que aquele momento terminasse nunca.

Infelizmente ele se afastou, mas continuou segurando meu rosto entre suas mãos. Ele sorria timidamente, parecia com medo da minha reação. Como se eu fosse reclamar!

“Agora você entendeu?”

Eu estava tão feliz e tão envergonhada ao mesmo tempo. “Acho que sim.”

“Acha?” Ele parecia achar graça da minha duvida. “Como assim acha?”

“Não sei bem o que esperar depois disso?” Eu estava sem jeito. Ele pegou minha mão e fixou seus olhos nos meus.

“Eu sei que é inesperado. E que é difícil de entender. Afinal, eu sou Sherlock Holmes. Tenho fama de não ter coração.” Ele sorriu como se se desculpasse e suspirou. “Eu mesmo não entendo muito bem o que aconteceu. E eu tentei. Na verdade, tentei evitar. Mas eu não consegui Molly. Não consigo mais ficar longe de você ou te ignorar. Você conseguiu me tocar profundamente, chegar aonde ninguém foi e fez crescer algo dentro de mim. Algo que me preenche, me faz mais feliz e me faz sorrir só de pensar no seu nome. Algo que me faz querer estar do seu lado o tempo todo. Que me faz querer ser alguém melhor por você.”

“Eu não sei o que dizer.”

“Eu acho que você podia dizer que, sim, vai ficar aqui comigo. Talvez seja um pouco errado jogar essa confusão em cima de você assim. Mas é que eu realmente preciso de você.” Ele me olhou suplicante.

“É claro que eu fico. O quanto for necessário.”

“Então se prepare para ficar a vida inteira.”, ele disse me beijando logo em seguida da forma mais apaixonada possível.

Notas finais
Comentem por favor
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!