9 Meses

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Depois de atraso enorme de tempo desde a postagem da primeira oneshot, venho postar a segunda da sequência.

Essa história era para ter saído um mês após sua antecessora. Contudo, o foco em outras histórias e principalmente, a falta de criatividade para escrever esta fic em especial, me impossibilitaram de dar segmento à ela.

Mas hoje de madrugada, em meio à uma insônia que bateu, a criatividade veio e a fic saiu. Só que ela saiu grande. Pensei em editá-la e cortar coisas na intenção de diminui-la mais. Entretanto desisti disto e resolvi deixá-la do tamanho que ela saiu mesmo.

Espero que apreciem a LONGA leitura.

Duas semanas após a descoberta da gravidez...

— Você acha que nessa primeira consulta já vamos poder ouvir o coração dele ou dela, Sara?

A mulher olhou no mesmo instante para seu namorado acomodado ao seu lado numa cadeira branca da sala de espera do consultório da obstetra.

— Não sei. A gente pode perguntar, tá bom?

Ele apenas assentiu, estampando um sorriso de garoto. Estava louco para que fosse possível já ouvir o coração de seu filho. Catherine lhe disse ontem que dependendo de quantas semanas Sara estivesse grávida isso seria possível já nesta primeira consulta. Caso contrário só na próxima.

E por falar em Catherine, ela e os demais TODOS souberam sobre a gravidez de Sara e o relacionamento do supervisor com a subordinada morena, no dia posterior a descoberta de Grissom de que ele seria pai.

Num combinado entre o supervisor e sua namorada ficou acordado que eles iam logo "se revelar" no próximo turno de trabalho. E assim o fizeram!

O primeiro a ser informado da relação entre chefe e subordinada foi logo de cara o superior de ambos, Conrad Ecklie.

Não foi a conversa mais agradável, contudo ao final dela o saldo não havia sido dos piores para o casal, pelo menos Sara viu assim. Seu namorado e ela enfrentaram um processo administrativo, estavam em cumprimento de uma suspensão não remunerada com duração de três semanas e o pior não trabalharão mais justos, pois Sara mudou de turno sob fortes protestos de Grissom, que na ocasião deste aviso até tentou negociar com Ecklei esse fato alegando que Sara poderia apenas se reportar a Catherine e desse modo, não haveria necessidade da morena trocar de turno. Entretanto, o diretor do laboratório foi bem taxativo em determinar que não havia negociação. Ou Sara mudava de turno ou então o supervisor. Para Ecklei não haveria qualquer chance de aqueles dois continuarem trabalhando no mesmo turno depois dele saber da relação que eles mantinham fora dali e sobre a gravidez da perita.

Visando o bem estar de sua gravidez e tendo em mente que o turno da noite precisava muito mais de seu namorado do que dela, Sara acabou 'se voluntariando' a mudar de turno para insatisfação de Grissom.

Depois de toda a longa conversa e acertos feitos com Ecklei, era a vez do casal contar aos amigos. E eles fizeram isso antes de Grissom dividir os casos daquela noite de trabalho. Primeiro o homem comunicou que Sara mudaria de turno. A insatisfação foi geral e os questionamentos acerca de tal decisão vieram de todos os amigos. E coube a própria Sara explicar a razão disto. Assim que ela revelou, primeiramente sobre a sua gravidez, os olhares dos amigos se espicharam em total espanto.

"Como assim grávida?"

"Você não detestava crianças?"

"Nem namorado você tinha para isso, ou tinha?"

"Essa gravidez é alguma espécie de produção independente?"

Quando ela negou que seu filho era uma "produção independente" e que havia sim um namorado com quem ela já se relacionava há mais de dois anos, todos se espantaram pela segunda vez e houve até quem ficasse ressentido com a 'omissão' da amiga. Mas ela explicou que não podia dizer quem era, pois poderia prejudicar a si e ao namorado. E então veio a pergunta de 'um milhão de dólares': Quem era esse tal namorado misterioso?

Foi a deixa para Grissom 'se revelar'. Desta vez os olhos dos amigos quase saltaram da cara e o casal não se conteve, riu dessa reação deles.

Levou longos segundos para os amigos processarem aquelas 'bombásticas' novidades. E passado o espanto inicial e até mesmo choque daquelas notícias, um a um eles cumprimentaram com alegria e felicidade ao casal de amigos.

— Senhora Sidle, sua vez!

A baixinha recepcionista do consultório avisou Sara.

De mãos dadas com seu namorado, a morena seguiu até a porta apontada pela outra mulher.

Dentro do consultório o casal foi cumprimentado com um aperto de mão por uma amável médica de nome Carol.

— E então?

Doutora Carol os inquiriu após se acomodarem os três nas cadeiras.

Sara foi quem se pronunciou, contando que há duas semanas descobriu através de testes de farmácia que estava grávida. E estendeu a médica o resultado do exame de sangue que havia feito no começo desta semana por sugestão de sua amiga Catherine.

— Está de 5 para 6 semanas segundo o exame. E, sendo assim, vamos começar a cuidar dessa gravidez, mamãe.

A médica sorriu, lançando um olhar ao casal que também sorriu.

Daí em diante da consulta, doutora Carol fez uma série de avaliações em sua nova paciente: checou seu peso, altura e pressão arterial; realizou um exame pélvico; esclareceu algumas dúvidas dos papais de primeira viagem; alertou para Sara manter a alimentação saudável que ela contou que tinha; e por fim conduziu a paciente e o acompanhante dela até a sala anexa ao seu consultório para realizar o primeiro ultrassom.

— Doutora seria possível já ouvir o coração do bebê?

Grissom questionou enquanto a mulher ligava os aparelhos e ele ajudava sua namorada a se acomodar na maca. Sara o olhou com um sorriso estampando seu rosto. Assim como Grissom, ela agora se encontrava ansiosa e louca para ouvir o coraçãozinho de seu bebê, caso fosse possível.

— Sim, podemos tentar.

O casal sorriu contente.

Poucos instantes depois seus ouvidos já eram agraciados por aquele som hipnotizante enquanto os olhos do casal fitavam emocionados a tela do aparelho de ultrassom onde aparecia a imagem do embrião dentro do útero.

— Esse aqui é o feto.

Carol apontou na tela para melhor visualização do casal.

— Olha, Gil, é o nosso bebê.

Ele que fitava a tela do aparelho, desviou o olhar carregado de emoção para sua namorada. Sorrindo, se curvou um pouco e beijou a testa de Sara com carinho. Estava tão feliz e vivendo um momento mágico ali.

— Obrigado por isso, querida.

De canto de olho a doutora viu o casal trocar um beijo e sorriu já acostumada com tais acontecimentos em momentos assim das consultas.

Pouco tempo depois eles se despediam da médica com a próxima consulta agendada para daqui há poucas semanas.

****

Saindo do banheiro enrolada numa toalha após uma boa ducha, Sara vislumbrou sobre a cama uma pequenina caixa de cor vermelha e junto dela um envelope da mesma cor.

Ué! Aquilo não estava ali antes dela entrar no banheiro. Então só podia ser coisa do seu namorado.

Me copiando, Gil?

Sorriu e da cama apanhou primeiro o envelope. Abriu-o e encontrou duas palavras que não esperava ler:

Casa comigo?

Surpresa com a proposta feita de maneira bem direita, a mulher levou uma das mãos a boca. Ainda em estado de assimilação daquela proposta, Sara pegou a caixa de veludo e encontrou um lindo par de alianças dentro dela. Sorriu emocionada com aquilo e principalmente, com a proposta feita.

Com as alianças numa mão e o cartão na outra, Sara saiu do quarto de toalha como estava mesmo e foi atrás de seu namorado. Encontrou Grissom no escritório concentrado na leitura de um livro. A mulher ficou a observá-lo em silêncio e tendo na mente sua proposta de casamento ecoando.

Casar com ele!

E pensar que há coisa de dois anos e alguns meses, Grissom fugia dela e lhe rejeitava a cada tentativa sua de aproximação. Já estava até desistindo dele, quando num domingo para sua surpresa tudo mudou e desde então estão juntos, e agora com um bebê à caminho e um pedido de casamento recém feito.

— Gil!

— Oi!

Ele olhou-a por cima dos ósculo. Ela adorava quando ele fazia aquilo, pois ficava simplesmente... Adorável!

Grissom já imaginava bem a razão de Sara estar ali com aquela cara emocionada e estampando um sorriso alegre.

— A resposta é sim!

Ela comunicou sem rodeios.

O supervisor abandonou na mesma hora seu livro sobre a mesa e se levantou da cadeira indo até Sara. Diante do pedido aceito, o casal de noivos colocaram as alianças um no dedo do outro, trocaram um beijo e instantes depois já estavam sobre a cama, comemoraram o compromisso selado com uma memorável tarde de amor.

Na semana seguinte já ocorreu num cartório a oficialização do matrimônio. Simples e rápida! E para surpresa do casal, eles ganharam dos amigos um almoço surpresa de comemoração ao casamento.

Durante a comemoração animada na casa de Catherine que contou com a presença de toda a equipe do noturno, alguns técnicos do laboratório mais chegados ao casal e do legista Albert e seu assistente, Sara e Grissom foram surpreendidos pela segunda vez ao serem informados que o pessoal tinha dois presentes para o casal. O primeiro tratava-se do acréscimo de mais quatro dias na suspensão deles para aproveitarem uma lua-de-mel, que a equipe de Grissom conseguiu arrancar de Ecklie.

Os recém-casados mal acreditaram nisso, pois estavam na iminência de retorno ao trabalho.

— Como conseguiram isso?

O supervisor questionou meio descrente com aquele comunicado dado por Catherine.

— Nós usamos nossos poderes de convencimento, cara.

Warrick quem respondeu aos risos. Os demais amigos que foram cúmplices junto com ele nisso também riram.

Ontem a equipe de Grissom havia se juntado e ido falar com Ecklei para pedir isso ao sujeito.

No começo Conrad relutou em conceder tal pedido e a razão disso, era exatamente a alegada por Grissom de que Sara e ele já iam voltar em dois dias ao trabalho. Mas os argumentos usados por cada um do grupo foram tantos, que acabaram convencendo Ecklei por cansaço.

"Mas somente mais quatro dias!", Foram as palavras do sujeito antes de dispensar o quarteto de sua sala.

O segundo presente dado ao casal veio num envelope estendido pelo capitão Jim Brass. Tratava-se de um pernoite num luxuoso quarto de Hotel Cassino.

— Fizemos uma gorda coleta entre o pessoal que aqui está e conseguimos esse "mimo" para vocês. — comunicou o capitão.

A princípio o presente seria apenas no nome dele e de Catherine, Greg, Nick e Warrick. Mas aí Albert, Wendy, Dave, Hodges, Archie, Henry e Mandy acabaram também se juntando ao grupo na coleta.

— Vocês são uns malucos adoráveis!

Sara riu não acreditando no novo feito do pessoal. Seus amigos, certamente, devem ter desembolsado uma bolada para conseguirem aquele presente.

E em parte foi quase isso! Mas com a quantidade de gente que colaborou naquilo, não ficou pesado no bolso de ninguém.

— Não era necessário isso... Mas agradecemos a gentileza de vocês.

A noite lá estava o casal num quarto luxuoso, tendo da sacada uma vista esplêndida da iluminada Las Vegas.

Eles brindaram mais uma vez pelo casamento e depois trocaram um apaixonado beijo que foi o start do momento de amor deles. Aquele quarto foi testemunha de uma noite de núpcias memorável e espetacular.

Acordaram no dia seguinte por volta das dez. Fizeram os pedidos de café da manhã no quarto, já que a refeição fazia parte do pacote do presente.

Acomodados um de frente para o outro na cama e trajando roupões brancos que estampavam no lado esquerdo do peito a logomarca do hotel, eles se deliciavam com o farto café da manhã pedido.

— Sara... eu estava pensando aqui... — Grissom se pronunciou em determinado momento. — Temos mais esses quatro dias de 'descanso'. Podemos aproveitar isso para viajar até à Califórnia e assim, você conhece pessoalmente a minha mãe. O que acha?

A esposa dele parou com sua xícara há milímetros da boca surpresa com aquela proposta repentina do marido.

— Gil, eu... não sei... o que te responder. — gaguejou Sara.

— Que tal um "sim"? — ele sorriu, tombando a cabeça para à direita e arqueando as sobrancelhas de maneira descontraída para completar dizendo: — Vocês precisam se conhecer pessoalmente, Sara.

Àquela altura já era do conhecimento de Beth a existência de Sara na vida de seu filho, e se não fosse suas ocupações no Instituto Gilbert, a outra Sra.Grissom teria vindo para o casamento de Grissom com a nora que ela só soube recentemente ter.

Semana passada o supervisor ligou para à mãe e durante a vídeo chamada apresentou Sara, e contou sobre o neto que Beth ganharia.

O supervisor e sua namorada nunca iam esquecer a cara de emoção e felicidade que a mãe de Grissom fez assim que o homem lhe contou sobre o bebê. Os olhos dela se encheram de água e um sorriso tão genuíno surgiu em sua face. Foi um momento emocionante!

Beth se mostrou simpática com Sara e externou durante a vídeo chamada que ansiava conhecer a nora o mais breve possível.

E mesmo com seus temores e pega de surpresa com a proposta do marido, ainda assim, Sara não se recusou a ir à Califórnia. Se era para conhecer sua sogra "ao vivo", então que fosse logo!

— Tudo bem irmos desde que você não saía de perto de mim quando estivermos com ela, porque não vou saber como me comunicar com a sua mãe.

A barreira da linguagem era algo que deixava Sara apreensiva e preocupada, já que a mãe de seu marido se comunicava através da linguagem de sinais e a perita morena era uma completa leiga em libras.

— Ok! Eu vou estar por perto e te ajudar nisso. Mas qualquer coisa você pode falar pausadamente, que ela vai te entender. Minha mãe é ótima em leitura labial.

Durante a vídeo chamada Sara pode comprovar isso, mas ainda assim, preferia ter o marido por perto como mediador de suas conversas com a mãe dele.

— Se é assim então vamos hoje a tarde para à Califórnia conhecer a outra Senhora Grissom.

****

— Ali está ela, Sara! Venha!

De mãos dadas o casal caminhou pelo saguão do aeroporto até onde Beth estava. A senhora Grissom havia feito questão de buscar o filho e a nora no aeroporto, quando Gil ligou mais cedo para lhe avisar que eles viriam passar três dias com ela.

— Mamãe!

Grissom pronunciou e ao mesmo tempo com as mãos gesticulou a palavra após depositar no chão a mala com seus pertences e de Sara.

Mãe e filho trocaram um longo abraço sob olhar de uma Sara atenta e nervosa, que mal sabia parar quieta com as mãos.

A esposa de Grissom viu quando o marido e a mãe desfizeram o abraço e Betty segurou o rosto dele com um carinho que chegou a emocionar. Segundo Gil havia comentado com a esposa durante o voo, já faziam quase três anos que ele não vinha ver a mãe. A desculpa era sempre o trabalho incansável que lhe tomava tempo.

A senhora de cabelos brancos e olhos azuis como os do filho gesticulou algo à Grissom, que Sara não fazia ideia do que fosse.

— Sim, eu estou mesmo bem e muito feliz, mãe. Feliz como nunca antes. E a responsável por isso é a sua nora. — ele falou ao mesmo tempo que gesticulava para que Sara entendesse a conversa entre ele e a mãe.

O olhar de mãe e filho fitaram a esposa de Grissom, que sorriu sem jeito para ambos. A perita ainda estava tão nervosa e apreensiva com aquele primeiro encontro com a sogra. Uma coisa era ter conhecido aquela senhora pela tela do computador, outra bem diferente era estar diante dela, conhecendo-a pessoalmente. Sem contar que ainda teriam que conviver sob o mesmo teto sem sequer terem tido qualquer contato antes. Isso poderia ser uma boa experiência ou um desastre perfeito!

Nunca teve contato com nenhuma sogra antes. Até porque seus relacionamentos anteriores jamais tiveram a importância que o atual alcançou.

Contudo o nervoso e apreensão de Sara deram lugar ao alívio e alegria, quando Beth se aproximou da nora e tomou a iniciativa de abraçá-la com um genuíno carinho, que fez Sara se emocionar com a boa e amável receptividade daquela miúda senhora.

A esposa de Grissom retribuiu o gesto da mesma forma amável e carinhosa com a qual se sentia ser abraçada pela sogra. Para um primeiro contato, aquele estava sendo (muito) melhor do que qualquer outro que Sara tenha imaginado.

Ao lado das duas mulheres estava Grissom observando-as com um sorriso feliz. Estava contente por ver as duas mulheres mais importantes de sua vida trocando aquele abraço carinhoso.

Quando o gesto entre elas foi desfeito longos segundos depois, Beth gesticulou algo que fez Sara olhar para o marido.

— O que sua mãe disse, Gil?

O homem sorriu enternecido com a observação de sua mãe a respeito de Sara.

— Ela falou que você é ainda mais bonita pessoalmente! — respondeu o homem.

Sem jeito com as palavras da sogra, Sara sorriu e virando-se para Beth se arriscou em agradecer em libras ao elogio feito.

"Obrigada, Beth!", gesticulou Sara.

Durante o vôo, ela havia pedido ao marido que lhe ensinasse ao menos o básico do básico em libras, e isto incluía: o nome da mãe dele, agradecimentos, cumprimentos e outras poucas palavras. E a julgar pelo sorriso de orgulho que viu de soslaio em Grissom, ela tinha acertado o sinal de agradecimento.

Como sempre a minha melhor aluna!, Pensou Grissom com orgulho da sua esposa.

O sorriso singelo e verdadeiro que Sara viu também em Beth quando ela agradeceu em libras foi a melhor resposta que a morena poderia esperar da sogra.

Durante a estadia agradável e curta na casa da sogra na Califórnia, Sara passeou e conheceu alguns lugares que seu marido fez questão de lhe mostrar. Gil foi seu guia turístico na cidade ao longo dos três dias, exatamente, como ela tinha sido a dele muitos anos atrás em São Francisco, quando eles não passavam de apenas palestrante e aluna.

Dentre os lugares que foram, estava incluso onde a sogra de Sara trabalha. E tanto a perita morena quanto seu marido notaram o orgulho com o qual Beth a apresentava aos seus funcionários e colaboradores do Instituto Gilbert enquanto lhe mostrava o local. Sempre havia um sorriso alegre e feliz enfeitando o rosto da miúda senhora, quando ela mencionava à alguem que Sara era sua nora e estava grávida.

Sara se sentiu amada e muito bem acolhida pela sogra. Beth fazia tudo para agradar a esposa do filho e mimava-a de todas as formas, que em dado momento Grissom brincou que estava até com ciúmes já, pois a mãe lhe deixou de escanteio e só se preocupava em atenção à Sara. Seu comentário brincalhão rendeu risadas nos três, que na ocasião estavam jantando algo preparado por Gil.

Na última noite de estadia do casal na casa de Beth, a senhora organizou um jantar especial de despedida e chamou um grupo de vinte pessoas, amigos mais chegados dela e que eram conhecidos de seu filho para participarem. Foi uma noite bem agradável, o casal foi o centro das atenções, principalmente Grissom por ser alguém "famoso", que já estampou vários artigos de ciência e saiu algumas vezes dando entrevistas sobre casos de repercussão.

— E então gostou desses nossos dias aqui? — vestido apenas com o short de seu pijama Grissom se juntou a esposa na cama.

— Ah, eu adorei. A cidade é linda, um tanto quente, é verdade. — observou a mulher com um sorriso.

— É a época de verão.

— Mas ainda assim, muito agradável aqui. E sua mãe foi um amor comigo. Acho que a nossa relação sogra-nora não podia ser melhor.

Ela temia no fundo que ao terem o contato pessoal as coisas não pudessem ser tão boas. Mas, felizmente, tudo saiu melhor do que imaginava. Sua sogra lhe adorou e o sentimento era recíproco.

— Fico contente em ver o quão bem vocês se deram.

— Tive receio de que pessoalmente ela não gostasse de mim. — a mulher confessou, deslizando a mão pelo peito do marido.

— É impossível não gostar de você, querida.

Ela sorriu com graciosidade, da mesma forma como havia feito em certa palestra anos atrás, onde ele se apaixonou por ela.

Na manhã seguinte o casal se despedia de Beth no aeroporto com a promessa de que esperavam agora sua visita à casa deles. Ela prometeu que assim que o neto nascesse iria.

****

De volta à Vegas, eles também estavam no dia seguinte retomando cada um às suas rotinas de trabalho depois do período que passaram de molho devido a suspensão que pegaram.

Para Grissom os primeiros dias de retorno ao trabalho foi difícil de se acostumar com a ausência de Sara na equipe. Por anos ela esteve fazendo parte do grupo, que se acostumar com o fato de que ela não era mais parte do noturno e sim, do diurno demorou um tempinho.


Para Sara também não foi fácil se acostumar com a ausência dos amigos com quem por um longo período trabalhou e conviveu diariamente. Sentia falta de cada um deles, principalmente de seu marido, mas Ecklie exigiu assim, então que fosse.

A equipe em que agora ela trabalhava no diunor não podia ser melhor. Seus novos colegas lhe acolheram super bem desde o primeiro dia dela naquele novo turno. Inclusive, eles lhe paparicavam direto por ela ser a "grávida da equipe".

Havia uma integrante do grupo, Robbie era seu nome, uma moça negra, oriunda do leste, que era mais nova que Sara três anos e que era bastantes falante (até demais às vezes), e acabou se tornando mais amiga da perita morena. Ambas até passaram a dividir as cenas de crime direto.

— Sara, você está bem?

Robbie notou uma expressão estranha na companheira de trabalho quando ela parou de analisar a cama da vítima do caso em que estavam trabalhando e levou uma das mãos a altura do estômago.

— Enjoo.

Já estava de dois meses e uma semana, sendo que de cinco dias para cá ela começou a sentir mais frequentemente esses sintomas típicos da sua atual condição. Podia ver o pequeno pânico de seu marido quando lhe pegava no banheiro botando para fora a refeição que momentos atrás tinha acabado de ingerir. Ele era a pura preocupação. Ela não podia sentir o mínimo desconforto que fosse, que ele já ficava agoniado e preocupado querendo lhe levar à um hospital.

Ontem foi folga dele e no meio da noite ela sentiu-se mal e acabou indo parar no banheiro vomitando o jantar. Pode ver a angústia dele com aquela situação toda.

"Juro que se fosse possível, eu tomaria esses desconfortos pra mim, Sara. Somente para não te ver passando mal assim, querida.", ele resmungou enquanto a auxiliava a voltar para cama após terminar aquela sessão de horror onde seu jantar foi parar no vaso sanitário mais uma vez.

"Pra isso ia ter que ficar com a gravidez também. Seria engraçado te ver grávido.", ela brincou, arrancando um sorriso dele e rindo junto.

— Não quer ir lá fora dá uma respirada? — sugeriu Robbie. — Eu cuido do resto, não se preocupa.

Sara resolveu aceitar a sugestão da companheira de trabalho e foi até o quintal da casa. O sol ainda não estava tão quente, já que passava pouco mais das oito da manhã. Uma brisa suave tocou seu rosto fazendo-a fechar os olhos e num gesto que já tinha virado costumeiro, Sara levou as duas mãos à barriga onde seu bebê crescia. Sorriu de leve.

Estava vivenciando a melhor fase da sua vida: Grávida e casada com Grissom!

Nem nos seus melhores sonhos e projeções aquilo seria possível e tão perfeito como estava sendo. Às vezes tinha medo de acordar e descobrir que tudo não passava de um sonho bom. Mas sabia bem que não era sonho... Era a mais doce e linda realidade.

****

— Você já está com 16 semanas, Sara. Seu bebê está crescendo muito forte e saudável. — relatou Carol olhando a tela do aparelho de ultrassom.

A gravidez avançava tão rápido que Sara até se assustava com tamanha rapidez. Tinha a sensação de que fora ontem que descobriu sobre o bebê, mas tal fato já tinha um tempo. E durante esse período que se passou os enjoos cessaram e sua barriga já podia ser notada.

— Olha só papais o bebê de vocês com o dedinho na boca.

Eles sorriram enquanto encaravam encantados a gracinha que o bebê deles fazia.

— Olha que lindo, Gil.

Ele sorriu abobalhado diante da cena. Era impossível medir o tamanho da sua felicidade com tudo o que vinha acontecendo nos últimos tempos.

De um homem solitário para um pai de família! Ele agradecia aos céus por ter deixado os medos de lado e agido. E agradecia mais ainda, por Sara não ter lhe negado uma chance quando pediu, caso contrário não estaria acontecendo esse momento mágico que ambos viviam atualmente com a vinda de um bebê que antes mesmo de chegar ao mundo, já estava enchendo de alegria e felicidade a vida do casal.

— É lindo mesmo, querida! — ele a olhou com ternura e tocou com carinho o top de sua cabeça.

— Vocês querem saber o sexo do bebê? Posso lhes dizer agora mesmo isso.

O bebê não fazia qualquer mistério para à doutora mesmo. Com suas perninhas abertas era possível de Carol ver exatamente qual era o sexo dele.

Sara e Grissom trocaram um olhar. Ontem mesmo eles conversaram sobre isso durante o almoço. Tinha sido a folga de Sara e Grissom preparou o almoço preferido da esposa só para agradá-la, coisa que passou a ser uma constância.

"Sara amanhã tem ultrassom do bebê. Sua médica disse mês passado que nessa próxima ultra já seria possível sabermos o sexo do bebê."

Ele estava animado e curioso com isso. Não tinha qualquer preferência da sua parte, o que viesse seria igualmente amado por ele. Mas gostaria de saber o que viria para começar a providenciar junto com sua esposa as coisas do enxoval do quarto do bebê.

Contudo, Grissom não esperava ouvir o que ouviu da esposa.

"Gil, eu não queria saber amanhã. Gostaria que nos descobríssemos só quando nascesse."

Isso foi um banho de água fria em sua empolgação.

"Sério?"

Sua expressão demonstrou um leve desapontamento que não foi notado por sua esposa, porque ela se servia novamente de mais um pouco do delicioso risoto preparado pelo marido.

"Acredito que a supresa será incrível e valerá a pena.", justificou Sara e olhou para o marido. "Você se importa se for assim, querido?"

Em seu interior ele se importava e até se sentiu ridiculamente chateado e boicotado com aquela escolha de Sara. Mas olhar para aqueles olhos castanhos cheios de expectativas de que ele concordasse com o desejo dela, fez sua chateação se dissipar e Grissom resolveu ceder aquele pedido da esposa. Não custava nada.

"Sem problema, querida.", ele agarrou a mão dela e depositou um beijo no dorso da mesma.

— Nós só vamos querer saber quando o bebê nascer, Carol. — Grissom comunicou.

A doutora assentiu e sorriu.

Horas mais tarde no laboratório o supervisor nem bem chegou para dividir os casos da noite e foi bombardeado pelos amigos que queriam saber se seriam tios de uma garotinha ou um garotinho. Quando Grissom comunicou sobre a decisão que a esposa e ele tomaram, viu esta gerar insatisfeitas reações e opiniões entre seus amigos. Os questionamentos a respeito da decisão veio de todos. E, os principais, de longe, foram:

"Como vocês podem não querer saber?"

Ou

"Por que diabos vocês não querem saber assim que possível?

Ele entendia as insatisfações que seus amigos sentiam por terem que esperar nove meses para saber sobre o sexo do bebê. Grissom mesmo ontem sentiu isso, mas tal sentimento passou e hoje ele se via concordando com a esposa de que a surpresa de saber na hora do parto seria incrível.

— É, gente só vamos descobrir quem ganhou o bolão daqui a cinco meses.

— Que história é essa de bolão, Greg? — o supervisor encarou o loiro, que arregalou os olhos e depois bateu com a mão em sua testa.

Não era para seu chefe saber daquilo, porque ele poderia não gostar. Deste modo a uma brincadeira do bolão estava rolando somente entre o pessoal sem o conhecimento de Grissom. Apenas Sara sabia.

— Tinha que ser o linguarudo do Greg. — Nick bateu de leve na cabeça do amigo.

— Foi mal, gente. Saiu sem querer.

— Estou esperando alguém me explicar isso de bolão.

Catherine tomou a frente e contou que eles da equipe, Jim, Albert, Super Dave e os técnicos do laboratório do turno da noite tinham feito um bolão para ver quem acertaria o sexo do bebê. A grande maioria apostou cem pratas cada um que será um menino. Poucos apostavam que viria uma menina.

— Não posso acreditar que estejam apostando sobre isso?

— Ai, Grissom é só uma brincadeira. Inclusive a Sara até sabe e se divertiu quando soube disso. — revelou a loira fazendo o supervisor arquear uma das sobrancelha sem surpresa.

Quer saber que sua esposa sabia e nem comentou com ele?

Ia ter uma conversinha com ela depois.

— Vamos ao trabalho que é melhor!

****

— Ei!

Ele levantou os olhos dos papeis e a viu parada na porta com os braços cruzados e sorrindo-lhe lindamente.

— Nossa já está no seu horário?

Ainda não. Fui convocada mais cedo. — ela veio até ele e após uma rápida olhada para a janela e ver que as persianas estavam abaixadas, a mulher roubou um beijo do marido. — E você, seu turno acabou faz uns quinze minutos, por que ainda está aqui?

— Tenho que despachar esses papéis até as dez desta amanhã ou Ecklie vai me encher os ouvidos.

— Queria entender por que para algumas coisas você é tão organizado, mas para outras como estas... — ela apontou os papéis espalhados pela mesa dele. -... É o contrário.

Ele sorriu sem jeito e deu de ombros. Nem mesmo ele sabia aquilo. A única coisa que sabia era que detestava aquela parte de sua função na qual tinha de lidar com papéis de burocracias. Aquilo não era para ele. Nunca seria!

Mudando de assunto e aproveitando a presença da esposa, Grissom contou a ela que soube da aposta que anda rolando. Questionou Sara sobre ela não ter lhe contado aquilo se sabia.

— Ah, eu acabei esquecendo, querido. Você ficou chateado?

— Não! Mas podia ter me contado.

— Desculpa.

— Tudo bem. Acho desnecessário isso que fizeram.

— Ai, Gil é só uma brincadeira. Deixa o pessoal. — ela riu. — Se você fosse apostar em quê seria: menino ou menina?

Ele suspirou e coçou a orelha esquerda numa mania que Sara achava engraçada. Ele era o rei das manias! Umas eram adoráveis, outras engraçadas como a feita agora, e tinham outras que eram esquisitas como, por exemplo: os experimentos que ele mantinha em uma estante ali em sua sala.

Grissom pensou na pergunta feita pela esposa e demorou a responder. Tanto que quando Sara achou que ele não o faria mais, Gil se pronunciou:

— Uma menina! — sorriu só de imaginar uma garotinha geniosa como a mãe, de lindos cabelos e olhos castanhos enchendo sua vida de alegria e felicidade como Sara já fazia. Seria perfeito!

A resposta do marido surpreendeu Sara. Por algum razão ela jurava que ele ia dizer um menino, assim como ela própria havia apostado no bolão dos amigos, mas seu marido foi na contramão do quê ela achava.

— E você, Sara? Apostaria num menino ou numa menina?

— Menino!

****

Distraído enquanto se ensaboava e pensava no bebê que sua esposa carregava, Grissom nem percebeu quando Sara entrou sorrateiramente no boxer do banheiro.

— Sara... Que susto! — ele olhou por cima dos ombros ao sentir duas mãos deslizarem por suas costas e estacionarem em seu bumbum que ganhou um leve apertão dela.

Ela riu traquina e beijou suas costas molhadas.

— Você me deixou dormir demais.

Ele se virou de frente para a esposa e lhe abraçou a cintura de curvas arredondas devido a gravidez que avançava rápido.

— Você precisava de um descanso depois daquela peripécia toda.

Ela não se conteve e gargalhou com seu marido rindo junto com ela.

"O que você acha de lilás clarinho para cor do quarto do bebê?", ele quis saber indo se juntar com a esposa na cama.

"Acho uma boa cor!", resmungou Sara abraçando-o e beijando o pescoço do marido.

Ele cheirava a banho e usava somente uma cueca samba canção cor de chumbo, já que naquela tarde fazia um calor absurdo na cidade. Ela mesma havia se refrescada momentos atrás e usava apenas um conjunto leve de tecido macio.

"Amanhã quando formos comprar as coisas do enxoval me lembre de passar naquela loja de tintas, está bem?"

Ela apenas assentiu descendo os beijos do pescoço dele para seu peito.

Assim que o viu sair do banheiro usando aquela cueca, seus hormônios se afloraram e tudo o que ela mais desejava era fazer amor com ele no momento.

Com o avançar da gravidez ela notou seu desejo pelo marido crescer num grau que ela própria às vezes se surpreendia. Chegou a comentar isso com sua médica na consulta da semana passada, a qual seu marido não pode estar presente por conta de um imprevisto no laboratório.

Ouviu de Carol que aquilo era absolutamente normal, já que no segundo trimestre da gestação o desejo sexual da mulher pelo parceiro se acentua em alguns casos, como estava sendo o dela.

"A gente pode comprar uns adesivos com temas infantis para pregar na parede e enfeitar o quarto."

"Pode ser!", Sara concordou e antes que Grissom ousasse dizer mais alguma coisa, ela o beijou e enroscou suas pernas na dele, que retribuiu o beijo só após alguns segundos. "Depois a gente continua falando do quarto do bebê. Agora eu quero só fazer amor com você.", sussurrou a mulher ao interromper brevemente o beijo deles.

Começaram com ela o saboreando de maneira magistral que o fez visitar o paraíso. Depois foi a vez dele retribuir da mesma forma à ela. Não havia gosto melhor que o dela e não havia prazer maior para Grissom que ver o prazer escancarado no rosto afogueado da esposa enquanto ele a estava saboreando. Não demorou para ela se desmanchar em sua boca chamando seu nome em um sussurro.

Ele achou que ficariam por ali mesmo, mas qual foi a surpresa dele quando ela anunciou um breve instante depois de se recuperar do orgasmo que agora eles iam para a parte dois.

E lá foram eles. Pelo tempo que se seguiu eles fizeram amor de maneira intensa, tomando é claro, o devido cuidado, já que ela passava do quinto mês de gestação. Usaram e abusaram de umas posições próprias para gestantes, que Sara tinha visto no livro que seu marido havia comprado, o qual ela 'devorou' em poucos dias a leitura.

Manual da grávida: do primeiro ao nono mês!

No livro tinha tudo a respeito desse período. Era quase uma enciclopédia, um verdadeiro e bem elaborado manual mesmo.

E quando alcançaram o clímax, momentos depois acabaram sendo consumidos pelo sono. Muitas horas mais tarde, Grissom acordou atordoado, soado e com uma Sara agarrada à ele. Com cuidado conseguir sair de seus braços e foi tomar um banho, pois estava precisando.

— Você bem que gostou das minhas peripécias, que eu sei.

— E eu sou louco pra não gostar?!

Eles riram juntos.

****

— Amor corre aqui rápido!

Coisa de dois segundos depois ele já estava agachando ao lado dela no sofá, todo preocupado.

— O que foi, Sara?

— Calma! Me dê sua mão aqui!

Ela o puxou e descansou-a sobre a barriga já de recentes seis meses. Grissom sentiu imediatamente um movimento seguido de mais dois em curtos espaços de tempo. Olhou para esposa e abriu um sorriso enorme. Era a primeira vez que aquilo acontecia quando ele estava por perto. Em todas as outras oportunidades anteriores que o bebê se mexeu ou Sara estava no trabalho longe do marido ou o contrário.

— Isso é incrível! Não dói quando o bebê se mexe assim?

— Não, mas é uma sensação estranha. — ela sorriu.

O bebê cessou os movimentos dentro da barriga de Sara para tristeza de Gil que ainda queria curtir mais daquele momento especial.

— O papai e a mamãe estão
ansiosos pra te conhecer logo, bebê, não é mamãe?

Ela sorriu. Achava lindo quando seu marido conversava com o bebê deles. Carol tinha avisado que nesse período da gestação o pequeno ouve tudo o que acontece com Sara internamente e também os sons vindos do exterior, como músicas e vozes, sobretudo da mamãe. E por isso falar com o bebê foi a recomendação da médica.

Portanto Sara e Grissom passaram a seguir a risca a recomendação da obstetra. Sendo que Sara fazia isso quase sempre.

— Sim, estamos muito ansiosos, papai.

Eles esperaram para ver se teriam alguma resposta, mas não houve. Então Grissom beijou a barriga da esposa e se levantando do chão foi acomodar-se ao lado de Sara no sofá.

— Quero que esses três meses restantes passem voando para ter logo nosso bebê em meus braços, Gil.

— Eu também! — ele concordou enquanto acariciava a barriga da esposa. Adorava fazer isso e Sara também apreciava bastante tal gesto dele. — Querida a gente tem que começar a pensar em nomes para o bebê.

— Isso é verdade, Gil. Eu ainda nem pensei nisso.

— Ontem a tarde mesmo enquanto você trabalhava e eu estava aqui em casa sem fazer nada, tomei a iniciativa de procurar na internet algumas sugestões de nomes. Quer ouvir?

— Claro. Diga!

— Espera aí que anotei numa caderneta os nomes que achei mais interessantes para não esquecer. Vou apanhar no escritório. Já volto.

Ela o observou seguir pelo corredor até sumir de suas vistas. Sorriu. Seu marido estava se mostrando um pai tão dedicado e participativo. Não duvidava que seria mais ainda depois que o bebê nascesse. Tinha certeza de que Grissom ia ser um paizão daqueles super babões.

Logo ele já estava de volta empunhando a caderneta onde havia anotado os nomes. Para meninas ele tinha separado: Alice, Clare, Emma, Chloe, Lara, Melanie, Nora e Lis. Este último por sinal, Grissom confessou ter uma leve predileção. Diante da confissão do marido, Sara tomou uma decisão que surpreendeu o esposo.

— Se é assim, podemos escolher Lis. Eu achei bonito.

Ela viu Grissom lhe olhar na mesma hora.

— Está falando sério, querida?

— Muito. Você não disse que tem predileção por este nome?

— Sim, mas...

— Não tem "mas". Vai ser Lis. — decretou a mulher e seu marido sorriu feliz. — Bebê se você for uma menina seu nome será Lis. Foi seu pai quem pensou neste nome, viu? — ela se dirigiu a sua barriga enquanto era observada por seu apaixonado marido.

Ele não esperava que Sara já escolhesse ali na hora o nome e muito menos, que optasse por àquele que tinha a preferência do supervisor. Em agradecimento ele lhe deu um beijo de tirar o fôlego de ambos.

— Obrigado. — ele sussurrou após o beijo ter encerrado.

— De nada! Tenho certeza que ela vai adorar o nome. — ele apenas sorriu. — E você fez uma lista para caso seja um menino?

— Fiz sim. Só virar a página.

Ela o fez e um a um foi passando os olhos pelos nomes: Adam, Benny, Daniel, Jacob, Matthew, Philip, Ryan, Thomaz e William. De todos houve um em especial que lhe chamou a atenção por lembra-la de alguém de seu passado com quem ela perdeu total contato após a tragédia que abalou e ruiu com sua família para sempre.

— Gosto de Daniel. — ela lançou um olhar marejado ao marido.

— Ei, o que houve?

— Lembranças que esse nome me trouxe. — ela confessou, enxugando a lágrima que sem querer escapou-lhe. Seu marido conhecia seu passado, mas desconhecia a existência daquela pessoa que visitou a mente de Sara no exato instante em que viu o nome Daniel na lista que Grissom montou.

— Não quer me contar que lembranças são essas?

Talvez fosse tempo dele saber daquilo.

— Nunca te contei isso, mas... Eu tenho um irmão que tá por aí, vivendo em algum canto. O nome dele costumava ser Daniel, que minha mãe escolheu por causa da música daquele cantor Elton John. Ela era fã dele. — Sara esboçou um sorriso triste ao lembrar de tais fatos.

Seu passado era marcado por um tragédia a qual ela gostaria de esquecer. Mas infelizmente não dava para isso ser possível. Entretanto desde quando contou ao marido — na época ainda somente seu supervisor — sobre o assassinato de seu pai pelas mãos da esposa dele, mãe de Sara, a perita passou a lidar melhor com isso. E tal fato melhorou mais ainda depois de iniciar seu relacionamento amoroso com Grissom.

— Por que nunca me contou desse seu irmão, querida? — ele tocou seu rosto com extremo carinho.

— Ah, Gil, falar do Daniel sempre me doía. Ele e eu éramos apegados demais. E quando aconteceu aquela tragédia com a nossa família, acabamos sendo levados para orfanatos diferentes e daí em diante perdi o total contato com ele. Até tentei no passado encontrá-lo quando eu já estava adulta, inclusive contratei um detetive e tudo, mas só o que consegui descobri foi que ele tinha sido adotado por um casal grego que o levou para fora do país.

— Sinto muito, meu amor. — ele a abraçou e beijou-lhe os cabelos com cheiro de flores.

— Quero colocar o nome Daniel no nosso filho como forma de homenagear o meu irmão. Você se importa, amor?

— De maneira alguma. Se nosso bebê for menino vai se chamar Daniel como o tio dele.

— Obrigada! — ela agradeceu com voz embargada e olhos cheios de água.

****

Com a vinda e o avançar do terceiro e último trimestre da gravidez, Sara passou a experimentar mais os desconfortos físicos de sua atual condição, a maioria deles devido ao crescente tamanho e peso do seu bebê. Ela passou a sentir por vezes falta de ar à medida que seu bebê começava a pressionar contra o seu diafragma e pulmões, de modo que subir lances de escadas no prédio do departamento ou simplesmente dar uma volta pelo quarteirão perto de casa já não eram mais uma tarefa fácil. Dores nas costas, pés inchados e fadigas também eram outros sintomas que lhe assolavam e deixavam-na mais lenta por causa do aumento de peso que estava carregando.

No trabalho seus colegas lhe auxiliavam e evitavam ao máximo que ela se expusesse a riscos e esforços desnecessários para não comprometer sua gravidez que seguia bem e passava mais rápida a cada dia.

Em casa ela era cuidada, mimada e paparicada mais ainda pelo marido, que aquela altura da gestação já avançada dela não lhe deixava fazer quase nada, nem mesmo se levantar do sofá para ir apanhar um chinelo no quarto.
— Gil, eu não estou inválida. Eu estou apenas grávida, querido. — ela lhe rebateu quando ele tentou impedi-la de ir buscar um copo de água na cozinha alegando que ele próprio iria buscar para ela.

— Mas Sara...

— Sem "mas, Sara". — ele sempre vinha com essa fala. — Dá um pause no filme enquanto vou na cozinha. — ela 'pediu' enquanto se sentava na cama já com certa dificuldade que uma gravidez de quase oito meses lhe exigia.

— Você é teimosa mesmo, né?

— Desde que me entendo por gente. — sorrindo a mulher retrucou para o marido ao ficar de pé.

— Só espero que nosso bebê não herde esse seu gênio teimoso. — provocou Gil segurando o riso ao ver a expressão engraçada de desagrado que a esposa fez diante de seu comentário brincalhão.

— Muito engraçado, Gilbert.

Ele caiu na risada e ela lhe acertou de leve com seu travesseiro.

— Ei! — ainda rindo o supervisor reclamou da travesseirada que levou.

— Só porque você disse isso a Lis ou o Daniel vão ser teimosos.

— Deus me ajude então com uma dupla feito vocês!

— Você tá muito gracioso para o meu gosto, Gilbert Grissom. Bebê nada de herdar esse humor do papai.

— Não dê ouvidos para isso, bebê. É intriga da oposição. Você não deve é herdar o humor ácido da mamãe, ouviu?

Sara estreitou seu olhar no marido que parecia claramente se divertir com tudo aquilo.

— Vou beber minha água que ganhou mais.

****

— Você está entrando na reta final da gravidez, Sara. Falta só um mês para o bebê de vocês chegar, papais. Imagino que a ansiedade já esteja grande.

— Demais! — o casal respondeu juntos causando risada neles próprios e também na médica.

— Como sempre você está ótima, Sara. Gravidez mais tranquila em termos de saúde que está sua impossível.

A morena sorriu feliz.

— Como tem se sentido nesse período de reta final de gravidez?

— Cada vez mais cansada, com pés inchando quase sempre, dores constantes nas costas principalmente na lombar e encontrando enormes dificuldade para arranjar uma posição confortável para dormir. — listou a mãe.

— Tudo absolutamente dentro da normalidade. E devo te avisar que neste último mês tudo isso que citou se intensificará mais ainda.

— Sério, Carol?

A cara de desespero de sua paciente rendeu na experiente médica um sorriso.

Ela confirmou a questão lançada por Sara e ainda a preveniu do surgimento e intensificação de outros sintomas comuns nessa etapa final de gestação como, por exemplo: azia, falta de ar e das contrações de Braxton-Hicks, também conhecidas como contrações de treinamento.

Com atenção tanto Sara quanto o marido ouviram as recomendações e dicas de Carol para amenizar os desconfortos sentidos pela mamãe de primeira viagem neste mês final de gravidez. Pouco tempo depois o casal e a médica se despediam. Em quinze dias se encontrariam novamente para uma última consulta antes do parto acontecer.

****

Parado no sinal, Grissom lançou um olhar a esposa acomodada no banco do carona. Ela usava óculos escuros para proteger seus olhos do sol que aquela altura da tarde estava forte.
Observava pela janela algum ponto qualquer rua enquanto deslizava uma mão a barriga.

Deus, como ele a amava! Era tanto quanto o amor que nutria pelo bebê deles que ela carregava.

Seus olhos passearam pelo rosto dela iluminado pelos raios de sol. Como ela era linda. E com a gravidez sua beleza se transmutou para algo muito maior, indescritível.

Torcia para caso o bebê fosse menina herdar a beleza da mãe ainda que no futuro lhe rendesse dores de cabeça isso, por conta dos namoradinhos que Lis arranjasse. Mas fazer o quê, né?

— Gil!! — ela apertou sua coxa de leve atraindo enfim sua atenção.

— O que foi? Você tá sentindo alguma coisa? — ele espantou-se e ficou preocupado com a entonação da fala da esposa.

Ela acabou rindo dele.

— Eu estou bem, amor. É o sinal que abriu há segundos e você só me olhando aí sem seguir com o carro. Por acaso está me paquerando, é?

— Sempre! — ele piscou e andou com o carro já que o veículo atrás dele não parava de buzinar.
— Se você, bebê, for o Daniel não seja paquerador assim como pai, viu?

Grissom abriu um sorriso gracioso e soltou um mão do volante para tocar a barriga da esposa.

— Não vejo a hora de ver o rosto do Daniel ou da Lis.

— Falta pouco já, amor. Um mesinho apenas e estaremos enfim conhecendo nosso garotinho ou garotinha!

Notas finais
Ufa, acabou!

Apesar da extensa leitura, espero que tenham curtido a fic.

Próxima Oneshot mês que vem se Deus quiser.

E façam suas apostas aí: Lis ou Daniel?

Beijos e até.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!