A música tocava alto, Lestrade tinha chamado Molly para dançar, ela aceitou e os dois foram para a pista de dança. De longe ela viu Sherlock, John e Mary conversando. Mesmo que Greg fosse realmente interessante e estivesse dançando de um jeito fofo,Molly não conseguia prestar muita atenção e mantinha os olhos em Sherlock, ela viu quando os três riram felizes e depois ficaram sérios por um momento. Greg falou algo então ela voltou a atenção para ele que se esforçava tanto para a entreter. Continuaram dançando até que ela conseguiu ver Sherlock dobrando um papel ,o colocando em um envelope e logo saindo de lá. Ela sabia o que aquele casamento significava para Sherlock, e ele estava triste.

-Eu preciso de um ar. Molly falou se afastando ,ela não podia perder Sherlock de vista. Greg logo compreendeu e voltou para a mesa e tirou Janine para dançar.

Enquanto Molly se esquivava de todos que estavam em seu caminho até a porta que Sherlock saiu,ele caminhava com seu sobretudo na escuridão da noite que era iluminado apenas pelas luzes do jardim. Quando ela chegou até a porta o viu longe, tirou os sapatos e saiu correndo .

-Sherlock! Ela gritou quando estava se aproximando. Ele se virou rapidamente e a encarou, obviamente encarou os pés descalços dela, ele estava a ‘lendo’.

-Molly. Ele finalmente a olhou nos olhos.

-Onde vai?

-Vou andar.

-Mas é o casamento do John. Ela falou mesmo que isso não fosse mudar a ideia dele de partir.

-Festas não são o meu tipo.

-Eu sei que as coisas vão mudar um pouco...

-Não precisa falar nada sobre isso. Ele a cortou logo.

-Então eu vou com você. Ela falou e ele deu um meio sorriso rápido ,ela sorriu de volta mesmo sabendo que não conseguiria um sorriso a mais.

-Você parecia estar se divertindo antes, com o Lestrade. Ele comentou e ela sorriu, ele tinha reparado nela, mesmo de longe ele tinha reparado.

-Vamos logo Sherlock. Ela começou a andar, mas ele nem se mexeu.

-Você devia colocar seus sapatos. Ele comentou.

-Você tem razão. Ela disse os colocando de pressa, ele então a surpreendeu ao dar o braço para ela andar com ele. Ambos caminharam em silêncio, ninguém sabia ao certo o que falar, mas Molly sabia que ela teria que dar o primeiro passo.

-O que você acha de chá?

-Bom. Ele disse sem acrescentar nada.

-Eu digo ,o que acha de irmos beber chá?

-Oh, claro...eu adoraria mas...

-Mas?

-Nada. Eu aceito. Ele falou encerrando o assunto logo, Molly sorriu e o encarou ,ele apenas continuou a andar. Logo entraram num tipo de coffee shop.

-Vamos, sente-se ele pediu quando puxou uma cadeira para ela. Ele sentaram perto da janela, que dava para ver as pessoas passando. Sherlock respirou fundo e falou “obrigado” ,Molly quase engasgou com o ar ,isso havia sido inesperado. Uma moça baixinha e loira, que vestia um avental bonito se aproximou, perguntou o que ambos queriam. Molly pediu um chá e um pedaço de bolo, já que ela não tinha comido o da festa, Sherlock pediu apenas um chá. Enquanto esperavam , Molly teve que comentar sobre o casamento ,mesmo sabendo que ele não estava lá muito interessado no assunto.

-Você fez um ótimo trabalho ajudando Mary com tudo, adorei os guardanapos.

-Aquilo...apenas aconteceu.

-Não seja modesto, não dessa vez. Eu sei que se esforçou para tudo sair do jeito certo. E a música que tocou...foi lindo Sherlock!

-Obrigado. Ele falou sério encarando a janela.

-Você sabe que nada vai mudar, não sabe?

-Eu sei que tudo vai mudar Molly. Não se preocupe ,eu estou bem.

-Eu sei que você está inseguro e também sei que nunca vai me falar isso. Mas não precisa me contar nada, porque e vejo.

-Você sempre me vê. Ele disse a encarando.

-Sempre.

-Mary está grávida. Ele comentou e ela não falou nada, se ele estava falando é porque era verdade. –Não precisa falar nada.

-Eu fico feliz por eles ,você não?

-Eu não sei o que era para sentir nesse momento.

-Você sabe sim.

-Não quero falar sobre isso, beba seu chá. Ele disse e de repente a moça tinha voltado com o bolo e os chás. Molly bebeu um pouco do chá e queimou a boca, Sherlock a encarou e por um momento ela pensou que ele falaria algo, mas ficou mudo.

-Quer um pedaço? Ela perguntou oferecendo bolo.

-Não preciso de açúcar, preciso de nicotina.

-De nada então.

-Me desculpa... Primeiro ele agradece, depois pede desculpas...Sherlock realmente estava estranho ,Molly pensou.

-Tudo bem Sherlock.

-Você devia ter ficado lá na festa ,Lestrade deve estar te procurando.

-Acho que não, afinal ele sabe exatamente onde estou, e principalmente com quem estou.

-Por isso mesmo ele deve estar te procurando ,sabe que onde você está não é um bom lugar.

-Mas o que ele pode fazer se é esse o lugar onde eu sempre vou estar? Molly perguntou e Sherlock deu um pequeno sorriso.

-Você sabe que esse lugar tem sérios problemas, é frio, muitas vezes nada pode entrar e é muito silencioso?

- Eu sei ,e também sei que ele tem essa aparência estranha e fria, mas dentro é um lugar bem interessante, um lugar onde eu posso achar calor e amor.

-Pode ser difícil de entrar.

-Mas eu tenho a chave.

-É verdade você tem. Ele disse por fim, ele sorriu e pegou na mão de Molly. Eles não falaram mais nada sobre aquele tal lugar, pois ambos sabiam que entre eles não era necessário esse tipo de coisa. Molly sabia que teria que ir com calma, e ela também não queria correr . Molly naquele momento só queria confortar alguém que achava que havia perdido o melhor amigo, só queria poder estar lá, e poder falar que nem sempre ele tem razão. Sherlock se sentia bem naquela noite, mesmo que John estivesse agora em outro caminho, com outro parceiro em seu dia a dia. Se John podia, Sherlock também poderia lidar com o crime e o sentimento que sempre não fez sentido em sua mente, o amor.

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