Intertwined LinesNinguém canta antes de dormir.
Aos cem dias dos cem anos após o despertar, numa festa Ninguém entrou.
No salão do grande hotel, uma dança iniciou.
Belas damas em ricos vestidos. Com elas, Ninguém fantasiou.
Distintos cavalheiros em finos fraques. Puro luxo, Ninguém pensou.
Senhoras notórias com sapatos de duraque. Daqui eu não sou.
Em quarto qualquer, Ninguém se deitou. Não ouviram quando, extasiado, Ninguém cantou.
Sequer notaram para onde a canção os levou.
Sete nós em cordas que Ninguém deixou.
No amanhecer, o primeiro passante horrorizado gritou.
Pois, pendurados pelo pescoço na sacada do prédio, cem pessoas ele defrontou.
Em lugar nenhum, Ninguém chorou.


