8 Coisas Antes De Morrer
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu estive internada em uma clínica de ‘’loucos’’ por quase 2 meses. E se o objetivo era fazer com que eu me sentisse bem, feliz e saudável, bem, então eu deveria permanecer por mais algum tempo, porque eu estava saindo dali a mesma pessoa infeliz que havia entrado aquele outro dia.
– Pra onde estamos indo, mãe? – perguntei. Mamãe estava completamente feliz, agindo como se eu estivesse no caminho certo da filha perfeita e para ter a vida perfeita.
– Não se exalte. – pediu ela, receosa. – Para um grupo de apoio. Os médicos falaram que você melhoraria se fosse a um. – ela disse, e nem me olhou, com medo da minha reação, mas tudo que fiz foi respirar fundo para não começar uma crise e ter que voltar para a clínica de onde tinha acabado de sair.
Mamãe estacionou. Havíamos chegado e eu estava com uma sensação estranha. Eu não sentia muitas coisas dentro da clínica a não ser sono e fome. Eu estava nervosa. Há quanto tempo não me sentia assim? Nem responder eu sabia.
Entrei no local, e fui até a recepção. Uma moça alta de cabelos cacheados louros me informou que a ‘’minha’’ sala era a de número 8 e que já estavam esperando por mim. ‘’Ótimo!’’ Pensei.
Bati na porta algumas vezes até que um cara baixo, mas não mais que eu, de poucos cabelos e uma expressão feliz, atendeu minhas batidas.
– Olá querida... hm...
– Tesse. – falei. Ele riu como se eu tivesse lhe contado alguma piada realmente engraçada.
– Isso mesmo. Tess! – ele disse, ainda rindo. Eu pensei em corrigi-lo mas deixaria isso para outra hora, não ali, na frente de todos. — Entre, entre! Seja muito bem vida, Tess! – ele continuou dizendo.
Fiz o que ele disse, entrei, e me sentei na primeira cadeira vaga à vista. Eu nunca fora muito boa com pessoas, agora então, estava meio que desesperada.
O cara com poucos cabelos – decidi chama-lo assim já que não sabia seu nome – começou a falar sobre o quanto éramos importantes e o quanto o mundo precisava de nós. Todos ali tinham problemas como: depressões, vítimas de bullying, machucavam a si próprios, se sentiam sozinhos, entre outros casos. Ele falou durante o que calculei ser uma hora. Eu estava exausta de ouvi-lo falar. Parecia estar bastante explicito na minha cara porque ele parou de falar, sorrindo, sempre sorrindo, e virou para mim dizendo:
– Se apresente para nós! – ao ouvir, senti minhas mãos começarem a suar, jurei que meu coração ia parar de bater a qualquer momento.
– Oi... Hm... Eu sou Tesse e tentei me matar. – eu praticamente cuspi as palavras invés de falar, e sem falar na rapidez que isso aconteceu. Todos já com os olhares em cima de mim, e os que não estavam, viraram na mesma hora em que acabei de falar. Senti meu coração bater cada vez mais forte parecendo que ia pular pra fora do peito.
– Por quê? – ouvi uma garota de cabelos compridos com a voz fina falar enquanto me olhava com pena. Por que ela tinha pena de mim? Ela estava em uma situação tão ruim quanto a minha, não estava?
– Eu não me sinto à vontade para falar...
– Pode se abrir conosco. – disse o cara de poucos cabelos, descobri que seu nome era John. Comecei a me sentir mal, como se estivesse sendo pressionada a falar dos meus problemas para pessoas que eu não conhecia. Estava ficando zonza. E estava rezando para não desmaiar ali na frente de todos.
Então tomei a decisão mais idiota da minha vida: Sair correndo.
Levantei do meu lugar e corri em direção à porta, ao abrir, esbarrei em algo ou talvez fosse alguém, só sei que tudo foi ficando escuro e eu apaguei. Ótima ideia, não é mesmo?
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