8º Desafio Sherlloly - The Sign of Three
1 I See You
Notas iniciais
8º Desafio Sherlloly – The Sign of Three final alternativo
Naquela manhã, a Sra. Hudson tagarelou sobre o “grande dia” e apesar de não estar ouvindo-a, apenas insistindo para que saísse e me deixasse em paz, algo que ela disse ficou em minha mente. “Eu me lembro que ela foi embora cedo. Quero dizer, quem deixa um casamento cedo? Isso é tão triste.”. Sim, e agora aqui estou eu, saindo sorrateiramente do casamento de John e Mary. Foi um dia e tanto para mim e já não suporto mais estar rodeado de pessoas. Todos estão dançando, Janine já tem companhia para voltar para casa e ninguém realmente nota o padrinho esquisito que fez aquele discurso tão memorável. Ah, mas quem pode culpá-los?
Visto meu casaco e abandono o salão dançante, afinal, Londres espera por mim.
Ele pensa que ninguém notou sua saída, mas eu notei. Eu sempre noto. Mas dessa vez, algo está diferente, eu quero agir. Quero pará-lo, sacudi-lo, beijá-lo intensamente... ah, e é aí que me lembro de Tom. Ele está dançando comigo, e parece estar se divertindo, eu também estava até ver Sherlock... Todos os meus pensamentos se voltam para ele, e eu preciso sair daqui. Quero dizer, olha para esse cara! Tom é ridículo, apesar de bem intencionado. E ter ele por perto só afirma minha obsessão por Sherlock. Ele para de dançar e me olha preocupado.
–Ei, Molls, você está bem? –Argh, esse apelido. Até que gosto de ser chamada assim, mas não por ele. De repente me sinto enjoada.
–Ah, Tom, eu... eu vou pegar um pouco de ar, já volto. – respondo desajeitadamente, e me desvencilho dele antes que faça mais perguntas.
Ando o mais rápido que posso e logo alcanço o jardim, porém, não há sinal de Sherlock. Suspiro desanimada e fico caminhando a esmo. É um belo jardim, ao menos. E como consolo sei que a tal Janine ainda está na festa, e assim não representa perigo. Mas eu também estou longe de Sherlock, então de que adianta tudo isso? Eu tento, tento tanto esquecê-lo, mas as vezes isso parece humanamente impossível para mim. É um amor tão intenso, e deve parecer infantil para os outros, eles devem pensar que sou uma fangirl. Bem, talvez eu seja mesmo...
De repente eu ouço algo vindo de uma árvore próxima, uma tosse? Uma risada? Não sei, mas me sinto curiosa e me aproximo devagar.
–Olá Molly. Entediada com a festa também? –Sherlock está aqui. Sherlock-está-aqui. Esqueço-me de como respirar por um instante e não consigo desviar os olhos de seu rosto, seu lindo rosto...
–Ah, é, eu... eu saí...hmm...ar? – Péssimo começo. Respire, Molly. Recomponha-se. –Eu saí para respirar ar puro. Lá dentro estava ficando... Sufocante.
Ele sorri. Está encostado na árvore, mais sexy do que nunca.
–Molly, quer caminhar um pouco? Comigo?
–Sério? Quer dizer, claro, eu adoraria. –Isso está mesmo acontecendo?
Molly fica linda sob essas luzes do jardim, seu rosto ganha um brilho e ela está sorrindo, meiga e apaixonada como sempre. Já pensei nela, é verdade, mas sempre achei que nunca poderia me aproximar, porque ela gosta demais de mim. E isso é um pouco bizarro. Mas agora, nesta noite, algo está diferente. E ela apareceu. Quero estar com ela, ouvi-la tagarelar sobre qualquer coisa, mexendo nervosamente com as mãos. E é isso que estamos fazendo agora. Se me perguntarem sobre o que conversamos esta noite, eu não saberia responder. Não vou guardar isso. Vou me lembrar apenas de seu rosto, de como ela está linda, mesmo com esse laço amarelo patético prendendo seu cabelo. Molly está linda e eu não me sinto eu mesmo.
De alguma foram, chegamos a Baker Street e eu não quero dizer boa noite.
–Você quer subir? Uma xícara de chá, talvez? – ela cora intensamente e me olha surpresa. Eu também não acredito que estou fazendo isso.
–Ahn, sim, claro.
Não tomamos chá e sim uma garrafa inteira de vinho tinto. Não estamos tão bêbados assim, claro que não. Mas eu quero tocá-la.
É óbvio que Sherlock não tem o hábito de beber e já está terrivelmente embriagado, mas eu tive noites de bebedeira intensa –por causa dele, na maior parte das vezes. Todas elas- e minhas bochechas estão coradas, mas eu sei o que estou fazendo. Sherlock está sentado em sua poltrona e eu no chão, porque escorreguei da poltrona de John. A distância entre nós parece grande demais e não me parece nada estranho andar alguns passos e me sentar no colo dele.
–Sherlock? Você se importa se eu me sentar aqui por um momento? –tudo bem, talvez eu esteja um pouco bêbada demais, mas posso aproveitar a situação, não é?
–Molly? –ele chama meu nome e de repente nossos rostos estão muito próximos. E, pasmem, seus lábios encostam nos meus. Ok, Molly, chega de fangirling. Beije Sherlock Holmes.
Estamos em minha cama e minha mente está um pouco mais desanuviada. Eu tenho total consciência de Molly em meus braços. Já nos livramos de qualquer empecilho e nossas roupas estão jogadas em algum lugar da casa –ou em todos os lugares. Sinto a pele dela em contato com a minha e isso me enlouquece, agora que a tenho em minhas mãos, descobri o que aquele jaleco sempre escondeu. Molly tem um corpo lindo e eu nunca desejei tanto algo quanto neste momento. Estou pulsando e sei que ela quer isso tanto quanto eu, posso sentir. Estou enlouquecendo de desejo, mas quando enfim nos unimos, gritamos juntos de prazer e não quero pensar sobre o que estamos fazendo ou sobre como será amanhã, quero apenas viver essa noite. Uma folga de ser o detetive Sherlock Holmes, eu quero sentir. Emoções. E essa noite, não será esquecida.
Fale com o autor