7º Desafio Sherlolly
1 Madness
As batidas na porta me assustaram. Eu estava tentando me concentrar em minha poltrona depois de colocar vários adesivos de nicotina em meu braço. Há dias não aparecia um caso que me interessasse e o tédio já estava me consumindo. A campainha soava estridente, seguida de mais batidas. Onde estava a Sra. Hudson que não atendia a porta? Pensei que seria uma boa ideia deixar que a pessoa batesse até que desistisse e fosse embora, mas e se fosse um caso? Esse pensamento finalmente passou por minha cabeça. E se fosse um bom caso? Pelas batidas e toques na campainha, a pessoa estava ansiosa. Senti uma súbita necessidade de levantar e correr até a porta para abri-la, mas mesmo assim me levantei lentamente e desci a escada quase me arrastando. Percebi que a Sra. Hudson não estava em casa e o a campainha soando incessante já estava me dando dor de cabeça.
Se eu soubesse o que me esperava atrás da porta, teria mantido fechada. Soube antes mesmo de abrir totalmente a porta, porque uma lufada de vento trouxe até mim o perfume dela. Molly Hooper.
- O apocalipse chegou, Molly? Ou você acordou decidida a derrubar minha porta?
Ela parecia com raiva e respirou fundo várias vezes, provavelmente se segurando para não me estapear novamente.
- Sherlock, eu acordei já faz muito tempo. — Ela começou dizendo e foi entrando, carregando uma sacola, e sem ao menos me consultar. — Deixei o meu trabalho para vir até aqui.
- E posso saber o porquê de tal visita?
Molly subia as escadas e eu ainda estava parado na porta. Droga, por que Molly estava no meu apartamento no meio do dia?
- Mycroft me ligou.
- Ele costumava fazer isso com John, quando foi que vocês se tornaram amiguinhos?
- John está ocupado com a clínica e Claire. Sinto muito informar, Sherlock, mas seu amigo tem uma família agora. E eu e Mike nos damos bem desde a sua morte, ele gosta dos meus bolos. Você vai subir ou vai ficar aí embaixo?
Mike? Ela disse Mike? Bolos e Mike? O que foi que eu perdi?
E por que raios Mike, digo, Microft tinha mandado Molly aqui? Justo Molly Hooper? Eu teria contas a acertar com ele logo mais. Não era ele que falava toda aquela ladainha sobre se envolver? E agora jogava Molly no meu apartamento? Se tinha alguém que poderia saber o quanto Molly mexia comigo desde antes de eu morrer, era Microft. Ele era a única pessoa que poderia deduzir algo sobre o que eu sentia... E suas indiretas me diziam que ele tinha feito. O que significava tudo isso, aliás, o que Molly estava fazendo aqui de verdade? Tudo bem que eu não dava notícias a ninguém fazia mais de duas semanas, mas isso era motivo?
Subi as escadas e percebi que ela já tinha entrado em meu apartamento. Mas que invasão de privacidade era essa?
- Molly! — Minha voz saía com mais agressividade do que eu gostaria, mas eu já estava perdendo o controle do que estava acontecendo. — Você pode me explicar exatamente o que você veio fazer aqui? — Levei as mãos aos olhos e os esfreguei, minha dor de cabeça estava piorando ao invés de melhorar.
Ela me olhou com desdém, como se eu fosse uma criança reclamando por não ter algum brinquedo novo. Isso me fazia ter vontades conflitantes: ao mesmo tempo em que queria matá-la, queria agarrá-la.
- Sherlock, existe um mundo lá fora. Você tem uma vida, caso não saiba. — Ela dizia isso enquanto suspirava e abria as cortinas do meu apartamento, deixando a luz entrar. — Você enfurnado aqui não é confiável.
- Não estou me drogando, Molly.
- Como eu disse, não é confiável.
Isso me enfureceu. Tudo bem que eu já tinha vacilado na frente de Molly uma vez, mas era para um trabalho! Quantas vezes eu teria que repetir isso? E saber que ela não confiava em mim me deixou muito puto.
- Eu não sou mais criança e não preciso de babá. Nem de você, nem de Microft, nem de John. Pode sair, Molly.
Eu segurava a porta do apartamento aberta e a bendita (me refiro a Molly) nem se mexeu. Muito pelo contrário, ela sorriu. Acho que ela estava rindo de mim.
- Poupe suas palavras, Sherlock. Feche a porta e vá para o banho. Você sabe que horas são para estar de pijama?
- Você é minha mãe agora?
- Não, eu não seria tão tolerante. Agora vá.
O pior é que eu fechei a porta, resignado, e fui. Como um garotinho que tinha aprontado uma arte e recebesse uma bronca. Por que Molly tinha esse poder sobre mim agora? Não, não responderei essa pergunta.
Fui para o banheiro decidido a ficar lá o máximo de tempo que podia para ver se Molly desistia e ia embora. No fundo eu não queria que ela fosse. E gostava de vê-la assim, sendo firme comigo, diferente da Molly que antes derretia só quando eu a olhava. Acho que ela ainda sentia algo por mim e às vezes tinha curiosidade de levar isso pra frente. Até quando nos evitaríamos? Eu fingia que não gostava dela tanto assim, ela fingia que não tinha terminado o noivado por minha causa e ficávamos nessa. Ninguém dava um passo além disso. Uma linha tênue nos separava. Talvez não tão tênue assim quando eu sumia por dias, como agora. Ainda queria saber por que Mycroft tinha mandado ela atrás de mim. Meu irmão não estaria incentivando um possível relacionamento, não é? Não, ele não podia estar.
Mas que droga, banhos fazem a gente divagar. Tento pensar em outra coisa e tudo que vem a minha mente é o perfume dela, em o sorriso doce que me dava às vezes e como ficava linda quando eu a irritava. Céus, não era bem nisso que eu queria pensar. Por conta disso, demorei ainda mais no banho.
Passei correndo para o meu quarto, enrolado na toalha. Ouvi que Molly estava na cozinha e temi pelo o que sobraria dessa parte da minha casa. Me troquei lentamente e já que era para infernizar, coloquei roupas que sabia que fariam Molly olhar para mim duas vezes. Calça jeans serviria para a situação, e é claro, a camisa roxa. Enxuguei displicentemente os cabelos e fui descalço em direção à cozinha. Senti um cheiro maravilhoso de algo que ela preparava. Curiosamente, quando eu passei pela sala, o celular de Molly que estava sobre a mesa acendeu com o aviso de uma mensagem... De Mycroft. Não resisti ao impulso de ler. Olhei para a cozinha e ela estava entretida em algo, de costas para mim. Peguei rapidamente o celular e me afastei. Confesso que ao ler a mensagem meus olhos se arregalaram.
"Não me decepcione, Molly. Espero que dobre meu irmão, quero ter sobrinhos um dia. Mike"
Quase derrubo o celular de minhas mãos e coloco tudo a perder. Minha dor de cabeça, que tinha passado, por pouco não volta. Em que momento meu irmão fora raptado e uma pessoa que tinha esse papo sobre família, me era desconhecida e gostava de Molly como cunhada foi posta em seu lugar? Como eu não percebi essa troca? Parando para pensar, talvez as indiretas dele não fossem para me provocar. Talvez fossem para me empurrar. Deus. O mundo estava perdido.
Passo pela mesa novamente e devolvo o celular para o seu lugar, não antes de marcar a mensagem como não lida. Se era esse jogo que queriam jogar, seria esse jogo que jogaríamos.
Me aproximo sem que ela perceba. Algumas das minhas parafernalhas foram afastadas para dar espaço a sabe-se lá o que ela estava fazendo. O cheiro era bom. Música saia de um pequeno aparelho que estava ao lado dela e isso me ajudou a chegar perto silenciosamente. Perto demais.
- O que está fazendo, Molly? — Uso minha melhor voz, pelo menos assim eu espero. Sai até mais rouca e baixa do que eu esperava.
Ela se assusta, dando um pulo e se afastando de mim, mas percebo sua pele arrepiada e isso mexe ainda mais comigo. Até que ponto eu poderia levar essa brincadeira?
- Jantar, Sherlock. Há quanto tempo você não come algo que preste?
Eu sorrio com o duplo sentido da frase. Demora um pouco, mas ela percebe do que estou rindo. Suas bochechas coram e ela vira de costas para mim, exclamando: Por Deus, Sherlock!
- O que foi, Molly? Eu nem respondi. – Espero que meu sorriso tenha sido inocente o bastante.
- Dispenso a resposta agora. Arrume a mesa, ou ao menos um lugar para que nós possamos jantar. Você tem algo bom para beber nessa casa?
- Você quer me embebedar, Molly Hooper?
Ela me encara impaciente, ou fingindo a impaciência, porque passa alguns segundos e ela sorri.
- Sim, talvez eu queira. De repente você fica menos insuportável estando bêbado.
Não resisto e sorrio de volta para ela. A imagem dela bêbada passa divertida por minha mente. Eu gostaria de ver isso. Encontro um vinho em um dos armários da cozinha. Não lembro nem como ele foi parar ali, mas agora agradeço por isso.
Nós jantamos na pequena mesa da cozinha e a massa preparada por Molly estava muito boa. Me pego pensando quando foi a última vez que comi algo realmente bom assim. A Sra. Hudson me trazia comida às vezes, mas era diferente. Eu estava me sentindo... Cuidado. E gostei disso.
Logo percebi que nós dois éramos fraco para bebidas, porque mal começamos e Molly já estava rindo muito mais que antes e eu me sentia leve, quase livre. Percebia que teria problemas em segurar a língua. Opa, mais um duplo sentido.
Terminamos de comer e fomos para a sala. Sentamos no sofá com nossas taças e colocamos a garrafa do vinho na mesa em frente a nós, junto com o pequeno aparelho que continua tocando músicas. Estamos em silêncio agora e Molly ainda sorri. Sinto vontade de desvendá-la, de saber tudo sobre ela. Molly é uma das raras pessoas em que faço poucas deduções. Ela sempre dá um jeito de me surpreender, não agindo do modo como eu espero. Por isso queria vê-la falando, queria ser seu confidente e saber todos seus segredos. Queria saber tudo o que se passava por trás daqueles grandes olhos castanhos e daquele sorriso tímido.
Eu me viro para ela, sentando-me de lado no sofá. Ela me imita e senta-se sobre uma das pernas. Nos olhamos e ela bebe mais um pouco do vinho. Sorrimos e ela abaixa os olhos. Penso, por um momento, o quanto iremos usar a desculpa do álcool para dizer o que sempre sentimos. Respiro fundo e a pergunta que eu sempre quis fazer e que talvez eu já saiba a resposta escapa da minha boca.
- Por que, Molly?
Ela me olha confusa. Claro, ela não está dentro da minha cabeça para saber do que eu estou falando. Me sinto um pouco idiota.
- O que?
Não devia estar entrando nesse tipo de assunto, por um instante quase falo para que ela esqueça. Mas as palavras saem novamente.
- Por que você se importa?
Molly pareceu desconcertada, mas riu docemente mesmo assim.
- Não entendo, Sherlock.
Obviamente ela queria ganhar tempo para me responder e agora que eu comecei a falar, não podia mais parar. Respirei fundo, bebi o resto do vinho que estava em minha taça e comecei a dizer:
- Tratei você mal muitas vezes, Molly. Pedi favores que parecia impossíveis e nunca retribui a altura. Expus você em situações constrangedoras que não merecia. E acho que posso ter a liberdade de dizer que pisei em seus sentimentos em diversas oportunidades. No entanto, você está aqui agora. Mesmo Mycroft tendo ligado para você ou não... Não importa, você está aqui. Preocupando-se, cozinhando para mim, me fazendo companhia, querendo que eu tenha uma vida. Por quê? Por que você ainda se importa?
Percebi que ela foi ficando mais tensa conforme eu falava e serviu-se de mais vinho. Suas bochechas já estavam rosadas, como eu imaginei que ficariam quando ela bebesse. Coloquei mais vinho em minha taça também. Agora me sentia ansioso por uma resposta. Não devia ter bebido, falei um monte de coisas que nunca falaria e agora minhas mãos coçavam para abraçá-la.
Molly bebe todo o vinho que está em sua taça, fazendo uma careta. Deve estar buscando coragem no álcool e realmente ele é bom para isso. Por fim, ela coloca a taça na mesa, ao lado da garrafa.
- Sherlock... – Ela disse e se aproxima de mim. Ficando próxima, muito próxima. Quase posso sentir o hálito de vinho que sai de sua boca quando ela fala. Molly torce as mãos em seu colo, parecendo não saber o que fazer com elas. Me surpreendo quando ela as apoia em minha perna, não esperava por isso e de novo tenho sensações que não deveria ter. – Não sou como você... Não tenho uma resposta exata para isso... É loucura, eu sei... Mas eu me preocupo, eu me importo... – Ela respira fundo agora. – Eu gosto de você, Sherlock.
Minha cabeça dá uma girada e eu não sei se é pelo vinho ou pelo o que ela disse. Claro que eu sabia que ela gostava de mim, mas ouvir assim era diferente de tudo que eu imaginava. Acho que eu precisava ouvir isso vindo dela. E agora não sabia o que dizer. Na falta de palavras eu optei pela ação e diminui o espaço entre nós, segurando o rosto dela entre minhas mãos.
Olhei profundamente em seus olhos, esperando passar, assim, tudo que eu estava pensando no momento. Ela ofegou ligeiramente, então acho que tive sucesso no meu intuito. Aproximei-me lentamente dos seus lábios e suspirei quando ela os entreabriu. Estava perto agora de descobrir, finalmente, como seria beijá-la. Não demorei um segundo a mais e deslizando minhas mãos por seus cabelos, deixei que nossas bocas se unissem e nossas línguas travassem uma dança sensual. As mãos dela se agarravam na frente de minha camisa e ela se juntou ainda mais a mim, ficando de joelhos no sofá. Minhas mãos desceram para sua cintura quando as delas subiram para segurar em minha nuca. Os cabelos dela caiam sobre nossos rostos e eu me perdia em meio ao gosto de vinho, ao perfume dela e a sensação de tê-la sob minhas mãos.
Nós nos afastamos ofegantes e ela me olhava, estando mais alta que eu por estar de joelhos, com os lábios ainda entreabertos tentadoramente me chamando. Era loucura, eu sabia. O vinho havia aberto uma porta que eu sabia que não se fecharia.
Levei uma mecha do cabelo dela para trás de sua orelha e deixei que minha mão acariciasse seu rosto.
- Preciso de você, Molly. Eu sempre precisei.
Acho que ela entende o que eu quero dizer com essas palavras, porque ela volta a me beijar e com mais paixão que antes. O beijo torna-se violento e de repente tudo que eu quero é me livrar de nossas roupas. Eu realmente preciso dela. Em todos os sentidos, de todas as formas, todos os dias.
Eu teria tomado litros e litros de vinho se soubesse o que isso me traria. Não demorou muito para que nossas roupas forrassem o chão da minha sala.
- Você tem certeza que quer fazer isso aqui? – Eu falava e minha voz saia entrecortada, assim como minha respiração.
- Qualquer lugar, Sherlock... Qualquer lugar... Apenas continue...
Não precisei ouvir mais nada além da voz ofegante dela. Eu continuei. Nós continuamos. Até perdemos a noção de tempo e espaço. Em algum momento uma taça caiu e se quebrou. Nós não nos importamos. Estávamos focados demais em dar prazer um ao outro para notar qualquer coisa que acontecesse a nossa volta.
Horas mais tarde estávamos enroscados ainda no sofá, com uma manta que antes o enfeitava e agora servia para nos cobrir. Eu acariciava os cabelos dela e ela apenas me abraçava. O contato com o corpo dela era mais do que eu merecia na vida. Nunca teria paz novamente. Ou talvez minha paz estivesse começando agora.
- Molly? Eu li uma mensagem de Mycroft em seu celular.
Ah eu era ótimo em começar relacionamentos com sinceridade. Sou um exemplo. Falei que o vinho tinha deixado minha língua solta. Molly sabia disso também, por causa das horas anteriores. Ops.
Ela me encara com os olhos arregalados.
- Que tipo de mensagem?
Achei que ela você querer me matar por ler, mas ela estava mais preocupada com o conteúdo. Devia ter lido as outras mensagens que ela trocava com Mycroft.
- Uma quem ele dizia para você não decepcioná-lo, me dobrar e dar sobrinhos a ele.
Vi ela ficando vermelha, tão vermelha quanto alguém poderia ficar. Achei lindo. Esse vinho tinha me deixado meio sentimental. Percebi que ela não sabia o que dizer, mesmo sendo eu o errado da história.
- Acho que começamos bem o treinamento para encher Mycroft de sobrinhos, você não acha?
Molly me olhou ainda mais atordoada, mas no fim sorriu quando percebeu que eu estava brincando com ela.
- Você não devia ter lido, Sherlock. – Ah... Minha pequena legista se recuperou do choque. E agora, epa, ela estava fazendo cócegas em mim. – Isso não se faz e você vai me pagar por isso. Para sua sorte, eu já estou acostumada o suficiente com você para me irritar com essas atitudes. Volte aqui!
Até parece que eu ficaria ali com ela me fazendo cócegas. E também uma outra ideia me passou pela cabeça. Fui até a mesa e peguei o celular dela, digitei uma mensagem. Voltei para o sofá, me sentei e a puxei para mim novamente, mostrando a ela a mensagem que havia enviado.
“Molly não decepcionou você. Nem a mim. Ela me dobrou e estamos treinando bastante para os sobrinhos. SH.”
- Sherlock! Você não fez isso!
- Ah sim, eu fiz. E preciso cumprir minha promessa agora.
- Promessa? – A voz dela já começava a falhar de novo. Eu estava adorando isso.
- Sim... – Eu descia as mãos pelo corpo dela e sua pele se arrepiava ao menos dos meus toques. – Prometi a Mycroft que treinaria bastante. Preciso de você para isso.
Molly estava sentada em meu colo e de repente pareceu um pouco desanimada, eu não entendi o motivo. Ela fazia carinhos em meus cabelos e me olhava como se estivesse tentando descobrir algo.
- Sherlock... Hoje... Vai ser somente hoje?
- Você quer que seja?
Ela morde os lábios, balançando ligeiramente a cabeça e negando. É com isso que ela está preocupada, então. Que eu a deixe. Como se isso fosse possível a partir de agora.
Seguro seu rosto e nós nos olhamos por um longo período.
- Eu disse que precisava de você e não estava mentindo. Sou eu que me preocupo por você ir embora, porque você sabe a carga instável que eu sou. Não sairei daqui, Molly. E se você permitir, não sairei dos seus braços. Não mais.
Ela passa os dedos por meu rosto e sorri.
- Você sabe que eu não vou...
Não deixo que ela fale mais nada e eu a beijo carinhosamente agora. Dessa vez eu me levanto e a levo até meu quarto. Nossas mãos se entrelaçam quando nos deitamos na cama e nos beijamos. Parece que vivi mil vidas em um só dia. E desconfio que aquele vinho estava com alguma substância estranha, porque tudo que eu penso agora é em ter Molly. Por completo.
Foi só quando eu acordei com ela em meus braços na manhã seguinte foi que tive a certeza que não estava tendo um sonho. Molly estava ali. E eu nunca mais a deixaria ir... Mesmo que isso fosse considerado loucura... Talvez, só talvez, nosso amor fosse assim... Louco.
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