Durante o sábado de manhã, James dedicava os primeiros minutos do dia para responder aos e-mails comerciais do Marauders’s Bar. Universitários, aniversariantes, empresários e até recém-noivados querendo um espaço exclusivo para beberem à vontade e comemorar com os amigos. Tanto ele quando Sirius gostavam mais das noites de despedida de solteiro porque sempre acabava em tragédia. Sempre.
Depois da bebedeira com os Marotos na noite anterior, preferiu fazer aquilo sem colocar os pés para fora da cama. Por sorte não ficou de ressaca com o quanto bebeu, mas tinha amanhecido com mais preguiça do que normal, por pouco não desistindo da sua obrigação. Ponderou umas duas vezes pedir para que Peter o cobrisse naquilo, no fim desistindo e puxando o notebook para a cama. Ao menos podia fazer sem pressa.
Estava lendo a proposta do Alastor Moody, o policial maluco da cidade, quando Lily saiu do banheiro. Estava com um roupão grosso e com uma toalha enrolada na cabeça, detalhes quase nada chamativos perto da barriga de seis meses. Um sorriso bobo brincou em seu rosto com a visão da esposa desfilando daquela forma, mas ela não pareceu prestar atenção nisso.
Tentou voltar a se concentrar na mensagem do policial maluco mais uma vez, conseguindo confirmar a proposta dele antes de subir os olhos de novo. Lily já tinha se livrado do roupão e da toalha, ficando com os cabelos molhados e o corpo completamente à mostra. Não parecia que fosse se vestir. Em vez disso, se avaliava no espelho com um vestido sobre o corpo, girando pro lado e depois para frente.
Ah, o vestido. Um vermelho, de tecido fino que caía para o meio das coxas e ostentava um estampado de bolinhas brancas. Era uma roupa leve de verão com pegada vintage, o presente que tinha dado a Lily no primeiro natal juntos deles, além da pelúcia de corça.
O vestido ficou guardado até que o frio de começo de ano passasse. Lembrava de ter ficado encantado quando viu a namorada nele pela primeira vez, e o quanto a achava sexy nele quando cozinhava. Num piscar de olhos, o vestido se tornou o vestido, se tornando facilmente o gatilho sexual dos dois. Era como quando James usava roupa social e Lily se animava com a imagem pós-festa: roupa amassada, gravata frouxa e cabelo bagunçado.
Entretanto, com uma barriga de seis meses, o vestido se tornava só uma blusa. Até as marcações das costuras ficavam tortas e fora de lugar.
─ Tch. ─ Lily crispou os lábios quando percebeu a ponta da saia batendo na ponta da barriga. O suspiro frustrado provocou um riso baixo em James. ─ Não enche, James ─ resmungou baixo, o meio sorriso humorado sendo visível na ponta dos lábios.
─ Eu não disse nada. ─ Fingiu dar de ombros, sem culpa. ─ Mas é a segunda vez que você fica rodando com isso. Só nessa semana.
Lily o fitou de relance. Tinha um falso bico infantil no rosto, o que fez rir.
─ Ah... É que é meu vestido preferido. Não vendem coisas assim para barrigudas. ─ Havia um ‘q’ de decepção em sua voz, mas qualquer sentimento ruim pareceu morrer quando James gargalhou. ─ James, sai do nosso quarto. ─ Com um riso infantil, arremessou o vestido na cara dele, o acertando em cheio.
─ Ah, vai, Lily. ─ Levantou-se com bem mais animação do que outrora, tirando o vestido do rosto e deixando o notebook na cabeceira. ─ Aquela saia florida de ontem ficou muito bonita em você.
─ Mesmo?
─ Claro! Inclusive minha avó tinha um igualzinho.
Com o revirar de olhos da esposa, acabou gargalhando mais alto. Antes dela ir procurar qualquer roupa para pôr, a abraçou com força e beijou todo o seu rosto, ignorando os resmungos e as tentativas dela em se afastar. No fim conseguiu mantê-la quieta nos seus braços.
─ Você é a mulher mais perfeita que já pisou na Terra, senhora Potter. ─ Beijou docemente a bochecha rósea. ─ E não é um vestido que vai te deixar menos sexy. Acredite.
Ah, daquilo Lily parecia não duvidar. Ninguém acharia incomum se ela desenvolvesse algum fogo sexual durante a gravidez, pois isso normalmente acontecia por conta dos hormônios. E, bem, aconteceu. Entretanto, foi James que pareceu ter levado aquela fase como algo afrodisíaco. Em meio a crise de lidarem com uma gravidez acidental, conforme a barriga crescia e os seios ficavam mais cheios, a atração de James por Lily começou a se tornar bem visível. No terceiro mês, ambos começaram a transar com mais frequência não importasse os desconfortos da gestação.
Então, sim, Lily acreditava nas palavras dele.
─ Além disso. ─ James a soltou, olhando agora o próprio reflexo no espelho. ─ Eu posso pôr a barriga falsa que eu comprei ─ sim, ele comprou ─ e te mostrar que qualquer pessoa fica um pitel nesse vestido. Aí vou ficar me admirando... ─ Foi acariciando a barriga lisa ─ e percebendo que... oh! Estou tão gorda! Tão barriguda, oh! Eu, Lily Potter ─ jogou dramaticamente os cabelos para trás ─ ruiva e de olhos verdes, massacrada pela minha barriga fofa de grávida. Oh, que mundo cruel! Será que vou esmagar meu marido quando sentar no colo dele? OH!
Iria bem mais longe que aquilo se não fosse o tapa ardido contra suas costas. Nem precisava ver para saber que a pele escura foi marcada pelos cinco dedos da esposa.
─ Caramba, Lily. ─ Ele gemeu, rindo baixo e massageando a região dolorida. ─ Sua mão anda ficando pesadinha. Espero que não seja influência dele ─ referia-se ao filho ainda sem nome.
─ Que pena, né? ─ Deu dois tapinhas no braço dele, despreocupada em tê-lo machucado.
James sorriu. Tornou a beijar Lily, mas a boca seguiu para baixo, formando um caminho do queixo ao pescoço, dos seios, onde se demorou, até a barriga, acariciando a região com carinho. Parou somente na virilha, onde tocou a região sensível com a ponta dos lábios, percebendo as pernas da esposa se contraírem.
─ James...
─ Você é muito linda, Lilian.
Os olhos castanhos se ergueram num brilho radiante. Não parecia só ter um desejo implícito ali, Lily podia enxergar felicidade por trás dos óculos. Ele sempre ficava daquela forma quando começavam. Um misto de coisas como excitação, devoção e plenitude pela ideia de ele estar ali. Seu filho. Seu filho com Lilian Potter. E ele estava tão feliz, mas isso em nada diminuía a pressão na sua calça.
Voltou a se levantar somente para pegar Lily no colo, a levando para a cama como se levasse a própria princesa da Inglaterra. Embora, se parasse para pensar, a princesa o socaria e chamaria os guardas, mas a esposa somente abraçou seu pescoço e sorriu.
Quando se sentou na cama, colocou ela com cuidado em seu colo, de lado. Sua mão acariciou a barriga de forma mais arrastada e aceitou o beijo de Lily quando veio. O contato foi demorado e lento, sentia cada vez mais o pênis ficar duro dentro da cueca. A esposa não parecia muito diferente; percebeu o gemido manhoso dela quando relou os dedos nos mamilos duros, se deliciando com aquilo. Lily conseguiu ficar bem mais sensível com a gravidez, o que deixava James maluco.
Ao apartarem o beijo, Lily passou as mãos pelos ombros largos e nus, sentindo os músculos tensionados. Quando encarou James, viu os olhos nublados em desejo, o que fez seu baixo ventre se contorcer junto de um arrepio na espinha. Logo sentiu os dedos dele alcançarem a vagina já lubrificada e começar uma massagem lenta, lhe arrancando um gemido baixo.
A fixação maior de James veio logo depois que Lily fechou os olhos para aproveitar a sensação. Beijando o pescoço dela mais uma vez, sua boca desceu pelo busto até os lábios se fecharem no mamilo exposto. Ainda podia sentir o calor da ducha quando deslizou os lábios pela pele eriçada. Revezava os seios com um prazer palpável, segurando Lily com cada vez mais firmeza conforme ela se remexia no seu colo.
Percebeu, desde a primeira vez de ambos, que ela se parecia com uma boneca. A aparência, a forma como se movia ou se expressava, mas principalmente como gemia. Eram detalhes que nunca passavam batido para James, nem quando os dois bebiam um pouco demais da conta. Mesmo quando Lily assumia as ações no sexo, não conseguia perder aquele ar gracioso. E quando as pernas dela tremeram em excitação, sentiu como se pudesse gozar só com aquilo.
Em meio as sucções leves, sentiu os dedos lhe apertarem o cabelo com força, sendo um sinal para que parasse, a sensibilidade gritando a ponta dos seios. Voltou a beijá-la antes de levantar de novo, o gosto doce se espalhando pelas línguas. Teve certeza que ela percebeu de onde vinha o gosto, pois quando a deitou na cama, viu as bochechas ficarem róseas pela vergonha. James riu baixo. Não foi a primeira vez que aconteceu, mas sempre achava graça.
─ Estou me provando como pai, Lily. ─ Ele beijou o queixo dela, descendo para sua barriga depois. ─ Estou servindo de cobaia antes dele.
Lily riu e empurrou o ombro de James para baixo, ainda sem graça. Suas coxas foram apoiadas antes de sentir a língua brincar no seu sexo, fazendo suas costas se curvarem sutilmente. Quanto mais lento James ia, mais sentia o frio subir pelo baixo ventre e sua barriga subir e descer. Arranhava os próprios quadris quando percebeu o marido arrancando a própria calça.
─ James... ─ chamou-o num murmúrio e não demorou a ser respondida. Assistiu James se reposicionar em meio as suas pernas antes de o sentir entrando.
Conforme seu quadril começava a se mover contra Lily, James assistiu a esposa de cima, deixando suas mãos dançarem pelas coxas roliças, arranhando a carne branca. Ver ela ali embaixo, grávida, gemendo e se encolhendo, pedindo por mais, fazia os arfares saírem com maior força, maior volúpia.
Havia algo de muito especial em vê-la daquela forma. James se encantava e se excitava tanto com as mudanças da gravidez que as reclamações de Lily quanto a elas quase não vinham. Ter Lilian Potter, a coisa mais preciosa da sua vida, à sua mercê, desenvolvendo lentamente seu filho, o filho deles, fazia as emoções de James subirem à flor da pele. Tudo se tornava mais intenso, mais significativo. Mais bonito.
Quando sentiu o chute dele pela primeira vez, tudo ficou mais emocionante, incluindo o sexo, que parecia borbulhar sempre em seu ápice.
James acabou assumindo as costas no colchão quando Lily tomou a frente. Ao se sentar sobre o marido e se sentir preenchida de novo, começou a rebolar um pouco mais rápido, apoiando as mãos nas coxas atrás de suas costas.
James agarrou as pernas alvas e marcou uma das coxas com um tapa ardido, que fez Lily se enroscar em um gemido. Ao subir sua mão pelo corpo dela e puxar o mamilo alheio, sentiu o próprio orgasmo vindo num som arrastado e nada contido.
Lily pareceu se derreter quando o ápice chegou e fez seus olhos revirarem, sentindo James vir logo depois, gozando da sensação do gozo quente descendo pelos lábios. Por um longo minuto, os dois ficaram quietos, não falando nada além das respirações aceleradas que preenchiam o quarto.
─ Vem aqui. ─ James a chamou com um meio sorriso, o peito diminuindo o movimento de vai e vem lentamente. Segurou a mão de Lily até tê-la deitada ao seu lado, então a abraçou com carinho, beijando sua testa demoradamente. ─ Ah, senhora Potter... Viu? Quem precisa de um vestido?
Os dois riram baixo e Lily deu um selinho em James.
─ Talvez seja hora de comprar roupas novas.
─ Eu vou junto. ─ James sorriu. ─ Imagina só? Não comprei nenhum look para a minha barriga falsa ainda. Pads sentiria vergonha de mim.
─ Ah, cala a boca, Potter.
Riram de novo.
Apesar do desespero inicial com a gravidez acidental, os dias de Lily como gestante estavam sendo melhores do que esperava. James conseguia diminuir as tempestades com facilidade no seu jeito único. Foi assim com Sirius, com Remus e agora com Lily.
E ela estava feliz. Já faziam duas semanas que mentalizava secretamente o nome Harry para o bebê.
“Harry James Potter”, repensou conforme admirava o sorriso calmo de James.

