sugar
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Chapter 18 min read

Bitter - 2 million yen

Tudo começou com um par de brincos.

Após distribuir surras bem dadas em duas dezenas de vilões, Endeavor voltou ao escritório. Preencher relatórios era a pior parte, mesmo que fundamental para manter a agência no topo quanto ao número de casos solucionados.

Carregava um punhado deles quando Burning decidiu que interrompê-lo para mostrar a tela do celular seria uma boa ideia.

— Ei, chefe! Não parecem os brincos daquele cara?

Captou o vislumbre de dourado e vermelho antes de voltar a atenção para a papelada. Eram cores que associava a uma única pessoa.

— Não sei de quem está falando.

— Do Número Dois, ora! – Como sempre, ela era espalhafatosa. – Já trabalhou em equipe com ele tantas vezes e nunca percebeu?

Obviamente já percebera. Se Burning era espalhafatosa, Hawks atraía atenções para si mesmo como um imã. Além disso, já vira aqueles brincos dos mais diversos ângulos ao transar com ele nos últimos meses.

Não deveria envolver-se num caso extraconjugal com um colega de trabalho, mas Endeavor já cometera delitos muito, muito piores na vida. O que era mais um?

— Não tenho tempo para isso. Nem o formato é o mesmo.

— Como esperado do chefe! Não só notou como sabe reconhecer as diferenças – elogiou Burning, impressionada. Impressionou-se ainda mais ao descobrir o preço: – Mas aposto que nem o Número Dois tem como bancar um desses. Custa quase metade do meu salário, puta merda!

Uma espiada bastou para Endeavor confirmar que o valor era alto, embora acessível para seus padrões. Nem teria dado importância àquilo se realmente não combinasse com Hawks.

Portanto, logo que terminou de assinar o que devia, acessou a página que Burning lhe mostrara. Reconhecia a marca pelo nome, não era por acaso que a jóia era tão cara. O brilho polido e elegante do rubi sobressaía diante do suporte de ouro. Criavam um contraste que, longe de ser berrante, era de muitíssimo bom gosto.

Fez o pedido na mesma noite – sem identificação, é claro. O pacote seria entregue ao apartamento de Keigo Takami. Nesse sentido, era muito conveniente que Endeavor fosse o único além da Comissão de Segurança Pública a saber o nome civil de seu amante.

Apenas quando recebeu uma mensagem no horário de almoço, dois dias depois, confirmou que Hawks recebera o par de jóias. Não era uma selfie, contudo.

Na tela, surgiu a imagem publicitária de alguma das marcas das quais ele era garoto propaganda nas horas vagas. O destaque deveria ser o belo relógio de cobre e o mostrador cujo símbolo era uma asa vermelha, no entanto, os rubis em suas orelhas atraíam o olhar de imediato.

Em vez de esboçar qualquer reação contrariada, Endeavor sentiu uma queimação interna que nada tinha a ver com sua individualidade. Era resultado de um tipo específico de posse, causado pela visão de Hawks ostentando com tanto orgulho algo que comprara especialmente para ele.

Em segundos, o contato dele tomou a tela inteira. Atendeu no primeiro toque.

— Te dou um doce se adivinhar quem quer formar equipe contigo de novo – desafiou a voz familiar, com o toque de malícia bem-humorada de sempre.

— Mais alguma exigência da CSP?

— Felizmente, não. A Delegacia Regional de Osaka acha que um empresário está se dando bem com ataques de vilões contra seus concorrentes. – Hawks deu uma risada. – Um escândalo de corrupção cheio de dinheiro envolvido, é a sua cara.

— Abusado demais para quem precisa de ajuda – advertiu Endeavor, embora fosse aquela mesma ousadia o que sempre o convencera.

— Eu ouvi um sim? – cantarolou Hawks.

— Só me passe os detalhes do caso.

— Sempre soube que podia contar com você, grandão! E falando em fortunas… – Ele baixou a voz até um murmúrio: – Cacete, o que foi aquilo? Sempre quis brincos da Mikimoto, obrigado!

Endeavor estava afastado o bastante dos estagiários para que nenhuma mudança em seu tom fosse necessária. Lembrou-se do pôster para o qual ele servira como modelo.

— Espero que não tenha dito de quem ganhou. Enviei anonimamente por um motivo.

— Nah, prefiro que seja um segredo só nosso – assegurou ele de modo sugestivo. – Além disso, não foi difícil adivinhar quem mais teria dois milhões de ienes pra gastar comigo.

Já imaginava que Hawks seria curioso para conferir o valor da compra. Ainda não explicava a presença dos brincos em uma campanha publicitária.

— Por isso fez questão de exibir para o país inteiro?

De propósito, ele não respondeu a pergunta. Conseguia até ouvir seu sorriso através do telefone.

— Mas não era essa a sua intenção? Nem imaginava que você era um desses que gostam de marcar território.

— Conclusões precipitadas de sua parte – respondeu rápido demais. – Eu não disse nada.

No entanto, Hawks não poderia estar mais próximo da verdade. Endeavor adorara a sensação de domínio transmitida por seu poder aquisitivo, mais do que era capaz de admitir. Como era inteligente demais e, acima disso, obcecado pela oportunidade de transformar tudo em um jogo sexual, o amante foi certeiro:

— E precisava dizer? Não parei de pensar nem por um minuto no quanto o Número Um queria recompensar o bom garoto dele.

Porra. Hawks jogava para ganhar. Não era por isto que seria fácil.

— Que bom garoto? Você?

— Se largar o trabalho por algumas horas essa noite, posso te mostrar por que mereço ser chamado assim – insistiu, ainda mais malicioso que antes.

— Onze e meia – enfim cedeu. – Meu escritório.

— Claro, papai.

A provocação final deveria irritá-lo, mas só fez de Endeavor mais excitado.

Excitado o bastante para contar as horas até o momento em que ele pousou na esquadria da janela aberta. Conforme planejara, eram os únicos na agência a essa hora, pois Burning saíra fazia vinte minutos.

— Alguém está ansioso – Hawks zombou ao sentar-se sobre a mesa com todo o atrevimento possível.

— Não fui eu que cheguei dez minutos mais cedo.

— Hmm, mas não nego. Mal podia esperar pra encerrar a noite no seu colo. – Fez questão de olhar descaradamente para seu pau. – Ou na sua mesa. Ou na sua janela, não sou muito exigente.

— Humilde demais para quem recebeu um desses.

Com o polegar, o Número Um virou o rosto de Hawks para apreciá-lo enquanto usava os brincos com os quais gastara valores exorbitantes. Como se ele fosse sua propriedade.

— A melhor parte do presente é receber o agradecimento por ele, Endeavor.

Sabia exatamente como ele pretendia agradecer. Contudo, latejou sob o uniforme pela maneira com que Hawks dissera seu nome, como um título. Além de todo o tesão sórdido e habitual, havia ali algo de… diferente. Assim, decidiu testar algo novo – normalmente, não enfatizava a juventude óbvia do homem que fodia.

— De joelhos, garoto.

— Faço o que o senhor quiser. – Ele obedeceu o comando, abaixando-se entre suas pernas, diante da poltrona que ocupava.

— Acha que pode compensar só com essa boca?

Apesar de não responder de imediato, Hawks encarou-o de volta. Ajoelhado como estava, olhou para cima daquele modo insolente que Endeavor já conhecia bem. Sem tirar os olhos do herói de infância, umedeceu o tecido sobre a ereção em lambidas longas e imundas.

Ao chegar à ponta, rodopiou a língua e chupou-o bem breve, somente a tempo de sentir o caralho pulsar contra a boca, mesmo sob as camadas de roupa. Satisfeito, Hawks afastou-se com um sorriso presunçoso. A resposta foi ainda mais breve e sem-vergonha:

— Acho.

Tanta petulância enchia Endeavor de lascívia. Queria prensá-lo contra a mesa, arrancar as roupas e enfiar seu cacete tão fundo até que Hawks só conseguisse babar e gaguejar. No entanto, era exatamente este o objetivo daquele debochado; era esperto o bastante para provocar de propósito e receber uma foda violenta como recompensa.

O que Hawks merecia não eram recompensas e sim disciplina. Por este motivo, empurrou-o com o pé até que estivesse sentado sobre os calcanhares. Nem aplicou muita força, até porque a diferença de tamanho entre eles era ainda mais nítida quando seu solado ocupava todo o tórax do outro homem.

— Então lamba – ordenou Endeavor, referindo-se às botas. Usou de novo a ponta do sapato para erguer o queixo dele ao especificar: – Devagar.

Era o suficiente para convencê-lo. Talvez até demais, pois os olhos de Hawks chegaram a brilhar diante da oportunidade obscena. Uma vagabunda ansiosa para ser submetida, este quem ele era.

Ele desceu mais, até que a boca estivesse à altura do calçado no chão. Aos seus pés, como ambos desejavam. Da mesma maneira com que fez ao seu uniforme, Hawks deslizou a língua pela superfície polida do couro. Como Endeavor mantinha as botas acesas com chamas o dia inteiro, sabia que o material ainda estava quente, mesmo depois de apagá-las. Diante da alta temperatura capaz de queimá-lo, o Número Dois apenas lambeu com mais vontade.

Com as mãos apoiadas no piso, como um animal de estimação, Hawks encharcou seus sapatos com saliva. Quando a língua não bastava, usava os lábios úmidos para chupá-los também – sem nenhum pudor ou restrição. Não parou até que cada pedacinho das botas militares estivesse lambuzado. Só aí levantou a cabeça e questionou com a mesma insolência de antes:

— Desse jeito, Endeavor?

O Número Um enfim entendeu o que achara de tão diferente em seu nome. Pronunciado daquela maneira indecente, mais parecia querer dizer “meu dono”. Seu pau latejou de novo, ávido como estava para fazer dele seu servo. Se Hawks ansiava tanto ser sua putinha submissa, nada mais justo que tratá-lo dessa forma.

— Não chegou nem perto, garoto.

— Como o senhor é exigente – ronronou ele, tomado pela excitação diante da chance de ser subjugado como posse. – Mas tudo bem, ainda nem comecei.

Nenhum deles havia começado. Foder aquela boca atrevida até engasgá-lo e esporrar no belo rosto de Hawks era um excelente início, no entanto.

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