asmr
asmr
Chapitre 15 min de lecture

O que era pra relaxar, deixou túrgido.

Era curioso como sempre acessava aquele canal. Precisava do som suave daquela voz falando baixinho, dos toques das unhas curtas sobre o bambu, ao até mesmo o ranger dos dentes sobre o mesmo. Era curioso como se via dia após dia viciado naquilo, não não ver mais que apenas os lábios daquele que postava os vídeos. De ouvir sua voz, mas sem saber reconhecê-la se a ouvisse em tom normal. Era curioso também como ficava realmente excitado em meio àquilo. Sons e sequências que deveriam lhe ser relaxantes, usada para muitos para dormir, enquanto ele usava para se masturbar.

Gostava do som, gostava do formato dos lábios do rapaz que entretia suas noites. Havia descoberto o canal há pouco, e ainda assim havia visto quase todo o material disponível. Bastava-lhe colocar os fones, dar o play e sentir o característico arrepio, a dormência que tomava-lhe o meio da cabeça, seguindo ao pescoço, tomando as pernas e chegando ao pênis. Raras eram as vezes que ficava tão excitado assim. E Quando aconteceu da primeira vez, havia até mesmo ficado surpreso.

Estava tão relaxado, deitado confortável na cama enquanto de olhos fechados para melhor apreciar o som do resvalar de unhas sobre os vários pedaços de bambus espalhados sobre a mesa de tampo de vidro. O clima do vídeo fazia-o relaxar, a luz suave, quase escuro demais para que notasse algo. O volume baixo, a respiração arrepiante daquele que gravava. Surpreendeu-se quando abriu os olhos e notou a ereção, nada discreta sob o lençol. Ali havia descoberto uma tara; uma bem relaxante por sinal.

Agora era visitante assíduo do canal do rapaz, tecia elogios em meio aos comentários, jamais mencionava que seu pênis ficava duro ao vê-lo umedecer os lábios e imitar sons de gloss com a boca.

De pensar que havia começado a assistí-lo como alternativa à sua insônia. Seria cômico, se a ereção não deixasse a cena quase trágica. Lhe fora passado como um tratamento inteiramente alternativo à sua falta de sono, à inconstância que o impedia de relaxar para dormir. O primeiro havia surtido um efeito próximo ao proposto. Havia sim ficado relaxado. Os sons eram baixos, quase inaudíveis, mesmo com o fone no máximo!

O segundo fora mais complicado, era difícil não assimilar o barulho do gloss à outras coisas. O som molhado, pegajoso até. A mente divagava entre o relaxamento e o tesão, o som o induzia à isso. O maldito creme a ser esfregado nas mãos também não ajudava, o ato de espalhá-lo subindo e descendo; aquilo era quase pornográfico!

Parando para pensar, desde o segundo vídeo havia ficado excitado. Muito mais que um arrepio a lhe tomar desde a cabeça às costas. Era um que seguia um caminho muito certeiro ao membro pulsante entre as pernas.

O terceiro o deixou prestes a gozar, e sequer havia se tocado.

Daqueles vídeos em diante, viu-se viciado. Não em qualquer um que fizesse um bom vídeo de ASMR, mas nele. No rapaz que por vezes usava de itens de ferro que imitavam garras para fazer barulhos num microfone de captura binaural com o formato de orelhas. Se fechasse os olhos, sentia-se arranhado. Quando ele fazia os específicos sons com a boca, bem, por vezes conseguia imaginar com riqueza de detalhes como seria aquela boca ao redor do seu…

Respirar fundo era muito mais que preciso, era a forma de trazer parte da consciência de volta. Nem sempre funcionava, não quando os sons traziam arrepio e formigamento ao corpo, não quando o leve resvalar com o lençol o deixava a ponto de um orgasmo. Precisava admitir, claro, era no final efetivo em relaxá-lo, em deixá-lo tão leve ao ponto de conseguir dormir.

Aquele era seu fetiche. Assistir o garoto esfregar uma mão na outra com creme e óleos corporais, enquanto o som de tudo aquilo induzia-o a pensar em uma masturbação lenta e prazerosa.

Não resistiu daquela vez, não quando o celular estava ao seu lado na cama, os fones no ouvido e o tesão fazia o pênis pulsar sob as roupas. Deslizou a mão pelo torso, suave como tudo o que o rapaz no vídeo fazia, sem pressa, gentil. Desceu o cós, sentiu o alívio ao ter o membro livre. A palma quente fazia-o engolir em seco, queria contato. Subiu e desceu a pele, tão lento que muito mais parecia uma tortura, a canhota seguia até os testículos, o indicador e o médio a resvalar suavemente ao períneo, forçando-o a morder o lábio. Não que fosse do tipo de homem que fazia muito barulho na cama, não era. Mas evitava ainda mais sons quando preferia-se ocupar ao dele.

— Espero que esteja bom pra você… — falava baixo, tão baixo. Muito mais parecia um sussurro ao pé do ouvido, como se fosse ele ali a lhe tocar enquanto os sons o induziam à isso.

Estava ótimo, para melhorar, apenas se fosse tudo real e ao vivo, e não um vídeo na internet que o levava a imaginar momentos pornográficos e deliciosos.

— Vamos nos despedir aqui.

Precisava gozar, tinha um maior tesão quando o fazia ainda em meio aos sons que lhe faziam pensar numa foda bem dada. Aumentou a velocidade da mão, levou a outra aos mamilos, apertando-os, arranhando a pele sensível e eriçada pelo efeito natural do ASMR nas pessoas.

Quando chegou ao ápice, manteve os olhos fechados, e o movimentar da mão até que os sons de creme sendo espalhados também cessassem. Sorriu lascivo, sentia-se leve. Sonolento, até.

Em meio à busca para sua insônia, descobriu seu maior fetiche.

Só não sabia, claro, que o colega ao lado quem lhe garantia tamanha excitação, e relaxamento.

Commentaires & Réactions

Partagez vos impressions, collez des timbres à collectionner et échangez avec l'auteur et la communauté.

Index de l'Histoire