Midoriya não estava entendendo aquele pedido. O e-mail chegou pela manhã enquanto tomava café. Respondeu educadamente a pessoa que fazia um pedido um tanto estranho. Essa pessoa queria um de seus uniformes de super-heróis, para que fosse exposto em sua casa de show. Não apenas queria, mas compraria, não importasse o valor, estava disposta a pagar qualquer quantia por um dos uniformes do início de sua carreira e de quando ainda era estudante da U.A. High School.
Quando ele abriu o link dessa tal casa, quase cuspiu o café. Era uma verdadeira mansão de tirar o fôlego, que mais parecia um hotel spa. Contudo, a atração principal não eram os jardins, nem a piscina olímpica e aquecida, muito menos as salas bem decoradas e as de recreação com todos os tipos de jogos eletrônicos e mesas de carteado.
A atração principal daquela mansão eram os homens com pouca roupa, muito músculo, e sem nenhuma vergonha de dançar sensualmente para ganhar dinheiro.
Todoroki o olhou sério, perguntando o que aconteceu, até encheu mais um pouco a xícara de café. Depois se sentou ao lado do marido, com um tablet na mão, ele estava lendo uma artigo científico sobre criogenia e até comentava sobre os avanços científicos da técnica antes de Midorya se engasgar.
— Veja só esse e-mail. Você acha mesmo que isso é sério?
Shoto pegou o celular de Midoriya e leu rapidamente a mensagem.
— Parece sério, não é novidade que as pessoas gostam desse tipo de coisa.
— Mas usar o meu uniforme? Digo, as crianças brincam no dia das bruxas e se vestem como eu. Mas um adulto se vestir como eu me visto? Você acha mesmo que as pessoas gostam de ver?
— Ora, você é um super-herói muito famoso. Além disso, você é bonito.
O rosto de Midoriya corou rapidamente, as palavras do marido o fizeram sorrir de forma boba. Estavam casados há menos de seis meses, e ainda cultivava aquela reação de não saber onde enfiar a cara cada vez que Shoto lhe fazia um elogio.
— Você diz isso porque casou comigo. De qualquer forma, o meu uniforme possui assinatura e registro especial, eu não posso simplesmente dar ele pra alguém ou vender. Lembra, nem pudemos leiloar os uniformes da escola quando nos formamos. E olha que era para uma causa especial, quando queríamos arrecadar dinheiro para construção de um hospital psiquiátrico. — Ele suspirou, ainda curioso do motivo de alguém querer se vestir como ele. — Mas a pessoa pode recriar, não é? De qualquer forma, eu não sei por que justo eu.
— Talvez tenha alguém interessado no seu uniforme. — Shoto disse, enquanto ajudava a organizar a mesa da cozinha. — Você sabe, as vezes as revistas fazem matérias para que as pessoas possam responder, acho que são questionários de personalidade.
Izuku concordou, movendo a cabeça.
— Eu fazia muitos desses testes para ver com quem eu combinava. — Riu sem graça, passando a mão nos cabelos.
— Bem, eu fiz um com minha irmã, a pergunta era muito peculiar. — Shoto levou a mão ao queixo, pensativo. — Com qual super-herói você se casaria. Fuyumi ficou chocada porque no final o resultado foi Endeavor.
— Sério? — Midoriya tentou segurar a risada, mas quando viu o marido sorrir da situação, se sentiu mais a vontade de rir também.
— Sim, ela jogou a revista para o outro lado. Então eu peguei.
— E qual foi o seu resultado?
— Ah! Aizawa-sensei. — Shoto pareceu pouco animado.
— Mas o que isso tem a ver com meu uniforme?
— Sim, claro. — Ele secou a mão ao terminar de lavar a louça. — Naquela revista também havia uma matéria falando sobre como os uniformes dos heróis começaram a ganhar os registros antiplágio e uso indevido. Houve uma festa em Numazu, nós nem éramos nascidos ainda. Nessa festa, alguém se passou por um herói muito querido pela população na época, Mishima, conhecido por ser o melhor herói para acidentes graves., Contudo, ele cometeu algumas infrações graves durante a festa. Algumas garotas dizem ter sido levadas por ele para o quarto sem consentimento. Enfim, o verdadeiro Mishima pagou pelos crimes desse farsante e só alguns anos depois descobriram quem era o verdadeiro.
— Ah! Sim, eu me lembro de ter lido isso, mas ainda não entendi.
— É que algumas pessoas se sentem, digamos, poderosos quando usam os uniformes de certos heróis. Não é o poder de ajudar o próximo, mas para saciar seus desejos.
— Saciar os desejos? Vestindo o meu uniforme?
Shoto sorriu novamente e aproximou-se de Midoriya, acariciando seu rosto.
— Sempre que me olha assim eu recordo porque decidi me casar com você.
O beijo veio logo em seguida, causando em Izuku um arrepio gostoso pelo corpo.
Naquele mês completaria dez anos que se formaram na U.A. High School, e essa era uma boa oportunidade para eles lançarem um novo modelo de uniforme, segundo os publicitários da agência que trabalhavam.
Era comum as agências de heróis exigir novas mudanças ou ajustes nos uniformes com algum teor publicitário. Entretanto, Midoriya não gostava muito de mudanças no estilo. Usava a mesma cor desde a escola. Havia se apegado ao modelo que sua mãe criou no primeiro ano. No caminho para a oficina, pensou no motivo de alguém querer se vestir com seu uniforme. Será que essa pessoa se sentiria bem-estando na roupa de um super-herói? Talvez fosse para ganhar confiança? Ou era apenas para saciar um desejo?
De qualquer forma, a ideia de outras pessoas vestindo seu uniforme parecia natural pelo menos até o momento de ele saber que as pessoas se excitavam com alguém dançando vestido de Deku.
É claro que Midoriya não era ingênuo ao ponto de não pensar em suas fantasias. Seria hipócrita dizer que não ficava atraído em ver o marido em seu uniforme, mostrando a potência de seus poderes. E isso causou ainda mais rubor em seu rosto.
Casaram-se logo depois que completaram um ano. E a intimidade com Shoto aumentava. Eles nunca usaram nenhum tipo de fantasia em casa e isso o fez pensar será que Shoto também fantasiava com uniformes?


