Tabu
Tabu
Capítulo 19 min de leitura

O dourado desce pelas pernas

As noites de sexta eram perfeitas para jogos de terror.

Aquela se tornou uma pequena tradição na rotina de Kaigaku e Zenitsu. Como nem sempre podiam sair, já que eram apenas universitários, os dois se sentavam na sala, conectavam o laptop de Kaigaku com a televisão e passavam um bom tempo jogando qualquer coisa que encontravam. Não demorou muito tempo para que Kaigaku criasse gosto para os de terror em específico, e esse se tornou o gênero predominante das noites de jogatina.

Já estavam naquilo havia algumas horas, alternando os controles entre si junto com as latas de refrigerante e energéticos. Apesar das personalidades distintas, dividir um apartamento e as contas fazia com que eles pelo menos se aturassem ao ponto de compartilhar momentos juntos além das tarefas diárias.

Era Kaigaku quem estava no controle naquele momento, fazendo com que Zenitsu encarasse a televisão com mãos e pernas trêmulas. A atmosfera estava tensa e ele precisava ir no banheiro, mas ao mesmo tempo estava muito curioso para se levantar do sofá. Sendo assim, decidiu ficar quieto e se segurar.

Não era como se ele fosse criança. Podia aguentar.

Kaigaku interagiu com um objeto dentro do jogo. A tela piscou uma vez, fazendo Zenitsu soltar uma pequena exclamação, chamando a atenção do moreno que o encarou com um risinho de modo a disfarçar o nervosismo.

Zenitsu mordeu o lábio, pressionando as coxas discretamente. Olhou de canto para Kaigaku, que não parecia estar incomodado mesmo tendo consumido tanto líquido quanto ele. Pelo menos suas mãos não pareciam querer ir até o meio de suas pernas, ele não estava com a postura tensa, suas pernas não estavam inquietas e…

Desviou o olhar, voltando-se para a televisão e ignorando o jeito que o próprio corpo estava reagindo aos pensamentos anteriores. Não devia pensar em Kaigaku nesse tipo de situação. Só porque eles já viram pornô juntos, deram uns amassos e se punhetaram algumas vezes não significava que Zenitsu devia ter fantasias tão sujas com seu colega de apartamento.

Além disso, projetar sua vontade de mijar no outro não faria o seu problema sumir magicamente.

Ajeitou-se no lugar, grunhindo baixo. No mesmo momento, o jogo fez um barulho muito estranho e definitivamente muito errado, o suficiente para fazer Zenitsu tremer da cabeça aos pés.

Percebeu que algumas gotas de urina saíram involuntariamente e contraiu os músculos. Definitivamente não iria falar sobre isso para Kaigaku, até porque não era a primeira vez que acontecia quando estavam jogando.

Talvez já tivesse acontecido com Kaigaku também. Zenitsu sabia que às vezes era Kaigaku quem ia para o banheiro apressado depois de terminar um jogo e por mais que Zenitsu respeitasse sua privacidade, era impossível ignorar o barulho que sempre parecia dominar o pequeno apartamento de paredes finas — o que era uma benção e uma maldição para a audição aguçada de Zenitsu.

Não ajudava que Kaigaku sempre voltava com uma expressão deliciosa de alívio que de certa forma era muito semelhante com a que ele tinha depois de gozar.

Zenitsu jamais admitiria em voz alta, mas já gozou sozinho no chuveiro fechando os olhos e fingindo que os sons da água na verdade eram outra coisa.

Kaigaku ajeitou-se no lugar em que estava sentado também, pausando brevemente o que estava fazendo no jogo. Uma gota de suor descia de forma tentadora pelo seu rosto estupidamente bonito, a expressão pensativa enquanto decidia qual seria o próximo passo.

“Talvez você deva mexer ali.” O loiro aproveitou para sugerir, apontando para a televisão. Kaigaku seguiu o seu dedo com o olhar, erguendo uma sobrancelha.

“Tem certeza? Acho que vai dar merda.” Zenitsu tinha a mesma opinião, mas não parecia que tinha muito mais a ser feito ali. O loiro apenas deu de ombros, deixando aquilo implícito, e Kaigaku entendeu o recado.

“Se eu morrer, a culpa é sua.” Ao menos aquela era uma culpa que poderia carregar.

Zenitsu observou apreensivo enquanto Kaigaku fazia exatamente o que ele sugeriu. Em instantes, tudo ficou escuro e os dois homens prenderam as respectivas respirações esperando um susto.

Não veio, ao menos não completamente. A tela piscou brevemente, e então tudo se apagou. Segundos passaram, e piscou de novo. Os sons também ficaram bem mais tensos, provando que Zenitsu realmente estava certo; até onde aquilo era bom ou ruim, nenhum deles sabia realmente dizer.

Kaigaku pegou a lata aberta de energético e tomou um gole antes de voltar a controlar o personagem. Zenitsu aproveitou o momento para observar enquanto ele bebia, o pomo-de-Adão subindo e descendo pelo seu pescoço.

Sentiu a pressão no abdômen ficar mais forte, lembrando-o que talvez seria uma boa hora para ausentar-se da sala temporariamente.

Porém, Kaigaku logo voltou a jogar e Zenitsu estava interessado em saber o que iria acontecer. Podia sentir o próprio coração batendo forte, e sem perceber, ele começou a esfregar as pernas uma na outra em parte por apreensão, e em outra parte para apaziguar a necessidade de mijar, prometendo-se que iria correr pro banheiro no momento em que percebesse que não daria mais para segurar.

Permaneceram em silêncio, passando por minutos e mais minutos de pura ansiedade. Milagrosamente, Kaigaku conseguiu manter-se vivo por um bom tempo, e aquilo apenas deixava Zenitsu mais imerso com o que estava acontecendo.

Eventualmente Kaigaku ativou uma série de animações que surgiram literalmente do nada, assustadoras o suficiente para fazer Zenitsu gritar e pular no lugar.

Não percebeu logo de cara, mas o susto foi tamanho que o fez perder o controle do próprio corpo.

Quando se deu conta, Zenitsu notou que suas roupas estavam bem mais quentes do que deveriam e que o som de chiado não estava vindo da televisão.

“Você tá se mijando!” Foi Kaigaku quem teve que verbalizar o que estava acontecendo, apontando para Zenitsu, que não sabia onde enfiar a cara na mistura mais pura de constrangimento e pânico.

“Desculpa, desculpa, desculpa!” Ele enfiou as mãos no meio das pernas, mas não adiantou de nada — tudo que Zenitsu sentiu foi como a urina estava se espalhando, quente e torrencial, ultrapassando as barreiras de tecido como se não fossem nada e formando uma poça bem onde estava sentado.

Em instantes, começou a ir para o chão também, caindo em cascatas. Seu rosto esquentou ainda mais quando ele pensou no quanto o alívio ainda era bom, apesar de tudo.

Mas Kaigaku tinha outras prioridades.

“Para de se mijar!” Ele gritou, deixando o laptop na mesa de centro e afastando os fios de onde Zenitsu estava, ainda paralisado, antes de praticamente pular em cima do loiro, agarrando-o pelos braços e tirando as mãos do meio das suas pernas.

Zenitsu choramingou, a movimentação fazendo com que ainda mais urina caísse no chão. Se antes já era difícil fazer parar, agora estava impossível; Zenitsu só conseguia se concentrar no calor que invadia até suas costas e em como seus olhos marejavam enquanto Kaigaku estava em cima dele, observando-o todo raivoso enquanto ele era vítima de uma situação tão humilhante.

Ainda assim, ter Kaigaku dominando-o e praticamente gritando ordens que ele não conseguia cumprir de jeito nenhum era bastante erótico.

“Eu não consigo parar!” Aquilo era verdade. Não era como se Zenitsu realmente estivesse fazendo aquilo de maneira intencional: era, de fato, um acidente. Não que Kaigaku fosse incapaz de realizar tal raciocínio, mas uma vez que começou a mijar de verdade, Zenitsu realmente não tinha mais capacidade de fazer parar, ainda mais com os músculos cansados.

Não sabia quanto tempo tinha se passado desde que começou, mas parecia que não ia acabar nunca.

Parte dele até gostaria que não acabasse nunca.

“É muito mijo, você tá estragando o sofá!” As palavras de Kaigaku o deixaram ainda mais constrangido e excitado, por mais errado e absurdo que fosse toda aquela situação.

Kaigaku notou o quanto ele estava segurando e fez questão de falar.

Zenitsu se contorceu, tentando não pensar em como já fantasiou com Kaigaku em situações similares, com Kaigaku soltando frases muito parecidas em tons ainda mais sensuais, e em como Zenitsu queria que Kaigaku apontasse o quanto ele era sujo, errado, um pervertido sem tamanho e um garoto muito mau.

Nem ele sabia quantas vezes se fez gozar só de imaginar tais cenários.

“Foi mal!” Desculpou-se novamente, soluçando. Não sabia se chorava pelo constrangimento, pelo tesão que não devia estar sentindo, por Kaigaku ter gritado com ele, por ter estragado a noite…

O chiado foi morrendo. Eventualmente, Zenitsu notou que não sentia mais incômodo algum, apenas um estranho vazio aliado de cansaço.

Tinha acabado.

Kaigaku ainda estava em cima dele, tendo largado os braços em algum momento para segurar-lhe pelos ombros, de forma a evitar as mãos sujas de Zenitsu. Curiosamente, não tinha mais nada a dizer; apenas encarava-o incrédulo, com a respiração descompassada.

Zenitsu piscou e por um instante jurou que viu um volume bastante suspeito entre as pernas do colega de apartamento, mas sabia que era melhor não falar sobre isso.

Não ali. Não agora.

Não quando ele não tinha certeza se aquilo era verdade ou fruto de suas fantasias tomando conta do cérebro. Só sabia de uma coisa: havia se mijado na frente de Kaigaku.

O moreno saiu de cima dele, suspirando irritado. Não podiam ficar daquele jeito pelo resto da noite, por mais que Zenitsu não tivesse nada contra a ideia. Porém, estava ocupado demais chorando para ter coragem de falar algo tão ousado.

“Vá tomar banho. Eu limpo aqui antes que fique fedendo pra sempre.” Como se não bastasse o comentário sobre a quantidade, Kaigaku tinha que falar sobre o cheiro também.

Zenitsu definitivamente não estava pronto para passar por esse tipo de situação, então acabou se encolhendo. Soluçou mais algumas vezes, e fungou antes de se levantar. Kaigaku já tinha deixado o cômodo, indo buscar os materiais de limpeza. Zenitsu olhou para o sofá e para o chão, sentindo o rosto esquentar com a verdadeira bagunça que acabou fazendo, mesmo que soubesse que Kaigaku tinha uma parcela de culpa por tê-lo movimentado tanto.

Se Kaigaku tivesse se esfregado nele… Se ele tivesse sussurrado coisas sujas em seu ouvido...

Pegou uma toalha e uma muda de roupas, seguindo até o banheiro. Ali, aproveitou para ver seu reflexo no espelho de corpo inteiro.

Sua calça estava encharcada em todos os lados, tendo praticamente mudado de cor para um jeans mais escuro. Por causa de Kaigaku, também tinha mijo até na parte de trás de sua camiseta. Não precisava de espelho para saber que a cueca também estava em péssimo estado.

Despiu-se, separando as peças imundas para lavar.

Mesmo com toda aquela humilhação, ainda bateu punheta durante o banho.

Gozou tão forte que precisou esperar um tempo para que Kaigaku não suspeitasse da fraqueza nas suas pernas.

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