Edson perdia o controle enquanto aplicava aquela prova. Infelizmente, tal atividade escolar permitia que se dedicasse com atenção às feições infantis que tanto o instigavam: rostos lisos, sem marca do tempo, bochechas redondinhas, lábios rosados.
Como era uma manhã quente, alguns alunos vestiam bermudas e regatas, partes do uniforme escolar. O azo perfeito para que uma mente doente como a de Edson esquecesse dos limites impostos a si mesmo. Observava as marcas nos joelhos da criança sentada à primeira fila.
Foi salvo pelo sinal que anunciava o fim do período: não precisou levantar para apanhar as provas.
Sentia-se culpado. Novamente.

